Arquivo da tag: Rio Potengi

De quem ama o mar

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Olhando essa imagem que copiei de um grupo do facebook, me veio a lembrança de um casal espanhol, que esteve em Natal/RN em 2009. Carlos e Magdalena, chegaram vindo de Fernando de Noronha/PE a bordo catamarã Prati, com pretensões de permanecer na capital potiguar por uma semana. Nesse ínterim, tomaram conhecimento que o navio-veleiro Cisne Branco, da Marinha do Brasil, estava para chegar e resolveram estender por mais uns dias a permanência sobre as águas do Rio Potengi. Fizemos amizade e um certo dia Carlos nos convidou para jantar a bordo do Prati, um estiloso e belo catamarã Catana de 50 pés. No jantar ele comentou sobre o Cisne Branco e disse que se houvesse visitação eles seriam os primeiros da fila. No dia seguinte liguei para o capitão dos portos, na época o CMG Francisco Vasconcelos, um grande amigo, e falei das pretensões do casal espanhol. O comandante Vasconcelos confirmou a chegada do navio-veleiro, porém, não haveria visitação aberta ao público, mas ficou de ver o que poderia fazer. Dois dias depois o Cisne Branco entra imponente no Porto de Natal e ao passar na popa do Prati foi saudado com buzina, bandeiras e acenos pelo casal que estava em grande emoção. A noite o Carlos me perguntou: Nelson, o que aconteceu para não haver nenhum barco e nenhum velejador a esperar o Cisne Branco? Na verdade não soube o que responder e apenas disse que o brasileiro não dava muita importância a essas coisas. Ai ele disse ser uma pena, pois na Espanha, a chegada de um navio belo como aquele era motivo de festa e centenas de embarcações se fariam ao mar para navegar em flotilha. Sem mais o que responder: Apenas balancei a cabeça afirmativamente. O comandante Vasconcelos conseguiu liberar a visitação para o casal e eu e Lucia fomos junto. Juro que nunca vi um homem tão feliz e quando subiu a bordo, os olhos dele se encheram de lágrimas. Por que temos que ser assim tão indiferentes?  

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Horas de escuridão

3 Março (289)

Deixe ser, deixe ser
deixe ser, deixe ser
Haverá uma resposta
Deixe ser

(John Lennon / Paul McCartney)

Ontem, 02/04, perdi um amigo. Como é duro falar dessas coisas. Mas ontem perdi um amigo que me foi apresentado pelo mar, justamente o mesmo mar que o levou. Ainda guardo eco das suas palavras para comigo: Foi há pouco mais de quatro meses quando ele me ligou querendo saber sobre balsa, SSB, Epirb, telefone via satélite e também para dizer que estava programando nos fazer uma visita para navegarmos pela Baía de Todos os Santos. Dizia ele que viria acompanhado do seu Pai, seu maior parceiro e amigão do peito. Falou ainda que um dia iria comprar um veleiro para conhecer o mundo. Ele sempre me dizia que invejava minha escolha de vida. Eu apenas ria e acatava todas as suas palavras com muito carinho. Ele foi uma das pessoas mais atenciosas que conheci. Alcimar Pezolito, 45 anos, conhecido por todos como Alemão, um homem apaixonado pelo mar e pelas pescarias. Quantas vezes fomos vizinhos? Não sei precisar, mas sei que adorávamos quando dividíamos o píer do Iate Clube do Natal, ele a bordo da lancha Miss Mares 38, eu e Lucia a bordo do Avoante. Éramos os únicos “moradores” do Clube, ficávamos sozinhos a noite na companhia dos vigilantes e quando Alemão, que residia em São Paulo, ia a Natal para reafirmar sua paixão pela pesca de oceano, era uma alegria. Calado, extremamente educado, responsável, fala mansa, sempre pronto a ouvir, atencioso, carismático. Apaixonado pela vida, pela família e pelo mar. Alemão. Meu amigo Alemão! Hoje, 03/04, fui despertado pelo toque do telefone e num lampejo de não sei o que, disse a Lucia: Eu não vou atender! Ela, que estava arrumando a cabine de proa, respondeu: Mas amor, o telefone está ao seu lado!

IMG-20150403-WA0016Às 18 horas do dia 02 de Abril de 2015, uma lancha bateu nas pedras do molhe da Boca da Barra de Natal com seis tripulantes. Quatro pessoas foram resgatadas e duas perderam a vida. Era uma pescaria em família, porque na embarcação Miss Mares 38 estavam um Pai, uma Mãe, um Filho, um Neto, um Marinheiro e um Amigo. As causas da tragédia não me interessam e nem me permito julgar. Alemão era o Filho, a outra vítima era a Mãe. Dona Iracema, 75 anos. Terá mesmo respostas?      

Rampa. A história jogada no esgoto

Rampa

Tem coisas que vão passando despercebidas, apesar de estarem escancaradas em nossa frente, e quando em algum dia qualquer do futuro pretendemos resgatar o tempo, encontramos apenas desencontros de palavras, promessas vãs, dissimulações governamentais e o abandono nu e cru. A história é mesmo uma velha rabugenta que adora se mostrar rodeada de fantasmas. A Rampa, uma antiga base de hidroaviões em Natal/RN e por sua posição estratégia serviu de palco para a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, acordo selado entre os presidentes Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt, há tempos pede socorro e há tempos vem sendo esquartejada na tentativa, dos seus algozes, de esconder a vergonha causada pela falta de zelo com um patrimônio histórico. Juro que não sou tão velho assim, apesar dos meus cabelos brancos, mas frequentei a Rampa, na companhia dos meus pais, quando ali funcionava um dos melhores restaurantes de Natal. Foi dessa época que veio minha paixão por construções antigas e sempre tive o velho prédio debruçado nas águas do Rio Potengi como referência. O restaurante se desfez no tempo e o velho prédio, que na época era propriedade da Aeronáutica, foi sendo jogado aos cuidados dos ratos, baratas e toda milacria que adora reinar diante do descaso dos homens. Uma parte da massa esquartejada foi parar nas mãos do Iate Clube do Natal. Outra, depois de exalar mal cheiro, recentemente foi entregue aos cuidados da Marinha do Brasil que decidiu construir a sede do Terceiro Distrito Naval e ergue no local uma estranha construção tapando uma das mais belas paisagens do pôr do sol da capital potiguar e jogando uma boa quantidade de cal sobre um passado de glórias. O coração dilacerado da Rampa, que ainda pulsa fraquinho entre os escombros das paredes e arcos da velha construção, dia desses se animou com ecos de discursos zoados em torno de uma placa que anunciava a revitalização do espaço. Confesso que olhei para aquela placa e não senti bons fluídos nos seus escritos delirantes, mas mesmo assim pedi perdão pela minha falta de confiança nas intenções daqueles que se dizem autoridades. O caro leitor pode até achar que essa minha indignação não cabe nas páginas de um diário de bordo de um veleiro de oceano, mas é preciso dizer que a Rampa é parte importante no nascimento do esporte a vela potiguar. Sempre que navego no traves daquele belo prédio esquecido sinto vergonha, e mais vergonha ainda sinto em tentar responder o que não tem resposta, quando alguns tripulantes do Avoante indagam sobre a velha construção abandonada. A Rampa hoje representa apenas um troféu para coroar egos e o lixo que entope seus espaços, pano de fundo para o ringue de lutas demagógicas. O nosso Brasil é coalhado de histórias iguais a essa e a grande maioria são encontradas banhadas pelas águas dos nossos rios e mares. Mas não é nesses locais que jogamos os esgotos das cidades? Boa pergunta.

Esse assunto me veio machucar os pensamentos depois que li a matéria A guerra que Natal esqueceu, assinada pelo jornalista Itaercio Porpino, nas páginas do jornal Tribuna do Norte. Click no link sublinhado e veja a matéria completa.    

Um marco para a navegação

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“…Essa é a cidade de um deus mar, de um deus mar que vive para o sol…” Pedro Mendes, cantor e compositor potiguar, musicou Natal/RN de um modo mais belo impossível e olhe que nem sei se um dia ele já se fez ao mar para ver a Cidade do Sol de frente. De lá ele veria três Reis Magos seguindo o brilho de uma estrela e dai seus versos seriam cada vez mais encantadores. Ponte Newton Navarro, um grande marco de referência da Barra de Natal e que pode ser avistado a quase 20 milhas náuticas. Não se perca, mas conte com muito cuidado as pilastras dos estaiamentos.      

E a Marina de Natal?

forte dos reis magos

Há pouco mais de cinco anos vibrei com a notícia que Natal/RN ganharia uma marina de padrão internacional, o que colocaria a capital potiguar entre os melhores destinos para cruzeiros a vela nacionais e internacionais. Mas não ficaria apenas nisso, a marina credenciaria Natal a ficar de frente para as grandes competições mundiais da vela, traria também valiosa contribuição social em forma de cursos, empregos e renda. Além de que, abriria uma imensa fronteira para o Rio Grande do Norte. Porém, a boa nova teve apenas um leve e sofrível sopro de vento e se perdeu nos escaninhos da maledicência politiqueira, que não visualiza nenhum futuro para o Estado, a não ser acordos e vantagens pessoais. É assim desde que um certo cacique avistou as Naus dos nossos descobridores e os seus olhos brilharam. “Cara pálida querer terra. Eu querer dindin.” E assim dindin chegou e índio se escafedeu. Mas vamos voltar a marina para não perdemos o rumo da prosa. Como no Brasil dificilmente um governante continua o que o outro começou e tudo é jogado na conta dos perdidos, já que não tem viva alma para cobrar, a marina não poderia ter outro destino. Um alcaide idealizou e teve que sair, o outro, ou a outra, assumiu e logo tratou de jogar lama no ventilador e uma pá de cal no local escolhido. Resultado: Por birra e egos nas alturas, Natal ficou sem a marina. Agora escutei da boca de um amigo que o novo prefeito, o mesmo que havia iniciado a história da marina, vai dar prosseguimento a navegação. Juro que ainda não vi nada sobre o assunto nas páginas dos jornais da cidade, mas vou torcer para que aconteça o mais breve possível. Natal vai ser uma das sedes da Copa do Mundo e por ser uma cidade litorânea, devera receber muitos veleiros nacionais e estrangeiros durante a competição. Hoje a capital potiguar conta apenas com o Iate Clube do Natal, que tem uma pequena e deficiente estrutura náutica, para receber os visitantes que chegam pelo mar em seus próprios barcos. A área de fundeio para a navegação amadora em frente ao Iate Clube é mínima e, apesar de ser uma área pública, não comporta nem as embarcações dos sócios. Na minha visão, a marina só trará benefícios para Natal e para o desenvolvimento dos esportes náuticos. Tomara que os homens que tem o poder de decidir, deixem de lado os seus egos, suas birras, seus interesses pessoais e seus descasos com a cidade dos Reis Magos e nos livrem de mais um daqueles costumeiros vexames politiqueiros que tanto mal trás a bela cidade do Natal. A foto que ilustra esse post foi tirada do alto da ponte Newton Navarro e foca o local onde a marina seria, ou será, construída.     

Sangue frio

coisa para meter medo (1)

Se essa é uma cena que só em olhar já esfria a espinha, imagine botar a cabeça para fora do barco e ver uma parede de ferro passando a poucos metros da popa. Se você quiser testar os nervos e ver se realmente seu sangue é frio, ancore no Rio Potengi, em Natal/RN, e espere um brutamonte desses passar.

Coisa bonita de ver

cavalo marinho (2)

Faz tempo que venho dizendo que o Rio Potengi está muito mais limpo do que em outros tempos, apesar da cidade lhe virar as costa despejando toneladas de esgoto em suas águas. No Potengi é muito fácil observar botos nadando despreocupados e cardumes de taínhas fazendo a festa de peixes maiores. Ontem registrei esse Cavalo Marinho nas pedras do Iate Clube do Natal.