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Coisa bem nossa

7317663_x720O Brasil é sim um grande país carnavalesco, de leis tão amalucadas que dificilmente conseguem intimidar os mais afoitos. Aliás, como diz o jornalista e humorista José Simão, somos o país da piada pronta. Buemba! Buemba! Pois bem, o Código de Trânsito Brasileiro, que entrou em vigor em 1998, já se vai vinte e um anos de idas, vindas e inúmeras contramão, é um verdadeiro samba do crioulo doido, tamanha são as veredas marginais por onde trafega. Passeando por aí se vê de tudo e mais um pouco e por mais que se ditem regras, normas e exigências esdruxulas para o registro de novos motoristas, mais a coisa desanda num mar de imperícias e permissividade de dar dó naqueles que querem andar certo. Quem perambula pelas ruas das cidades e cruza as estradas que cortam o país, perde a conta dos erros, descasos e desmandos avistados a cada quilômetro percorrido. No trânsito é cada um por si e ponto final, porque são tantos descaminhos que até Nosso Senhor anda cansado de pastorar. Porém, todo esse moído é apenas para comentar sobre a imagem que abre a postagem, mas que não me espanta, porque apesar de hilária imagens assim podemos observar diariamente em qualquer lugar. O que me chama atenção é que carro trafegava todo faceiro em um dos mais belos colossos da engenharia carioca, a super movimentada Ponte Rio-Niterói, e segundo a reportagem, com nove irregularidades, entre elas, motorista sem habilitação. Agora me diga: – Como danado o caboco se atreve a  atravessar a Rio-Niterói com o carro todo errado e sem possuir carteira de habilitação? – Me diga se isso não é a certeza da impunidade?   Diz o ditado que quando a pessoa quer aparecer basta pendurar uma melancia no pescoço. O que não era o caso. 

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Reminicências

2 Fevereiro (191)

O que falar nesses primeiros dias de um outono que se apresenta com um horizonte tão enuviado? – Sei lá, vou ajuntar as letras e antes de colocar o ponto final, passarei a vista para ver no que deu.

O outono abaixo da linha do Equador é uma estação interessante e sempre gostei de vivenciar durante a longa temporada em que morei a bordo de um veleiro. O céu se apresenta com uma roupagem cinza enigmática, o mar adquire feições apaixonantes e os ventos bailam ao compasso de um velho e gostoso blue. É nessa época, algumas horas para lá, outras para cá, a depender dos volteios planetários do astro-rei, que os doutores e os adeptos das coisas da astronomia, festejam e discorrem loas sobre o equinócio, que acontece duas vezes por ano – uma em março, outra em setembro – que em breves palavras, é o período em que os dois hemisférios da Terra estão igualmente iluminados pelo Sol e assim os dias e as noites duram tempos iguais. – Só isso? – Não, tem mais tempero nesse angu orbital, mas conto apenas os contos que sei, pois dos pormenores, os entendidos se encarregam de destrinchar!

E o dia de São José, que é santo esperançoso, passou praticamente sem um molhadinho sequer pelos terreiros nordestinos. Teve missas, rezas, foguetórios, promessas prometidas, promessas pagas e mais alguns folguedos animando praças e átrios das igrejas, mas o Santo se fez de rogado e seu dia passou em brancas nuvens. Porém, sertanejo é cabra forte, quando reza, reza pra valer e quando acredita, acredita acreditando e botando fé. A chuva está prometida, só não sei se hoje ou amanhã, mas que ela vem, vem. E tomara que venha logo, pois os barreiros estão secando ligeiro e os açudes nem pegaram água. Agora, saindo dos caminhos da fé e entrando na variante da ciência, pelas imagens transmitidas pelos satélites, a chuvarada está tomando forma. Que venha!

Seu menino, e o tal apagão da quarta-feira, 21? Precisa dizer alguma coisa, ou tudo já foi dito e desdito? Mas já que todo mundo deu um pitaco, vou dar o meu também: Acho que a causa foi falta de peia no lombo de quem precisa levar e nada mais. Pense num desmazelo destrambelhado! Num tem um filho de Deus, na seara das “autoridades”, para falar coisa com coisa ou coisa que se aproveite. É um tal de não sei, não fui, não sabia, não vi, que chega dá um reboliço nos miolos da gente e não tem paciência que fique quieta. Mal ligaram as luzes da quarta-feira, apagou-se novamente na quinta-feira, na “casa do céu”. – Casa do céu? – Sim, homem, aquele tribunal do planalto onde os pares se acham deuses, fazem beicinho um para o outro, enchem a carteira como se fossem xeiques das arábias e se arvoram a botar “ordem” até em jogo de biloca. Nem que eu quisesse entraria no mérito da questão não decidida, ou decidida, sei lá, pois o juízo ainda me resta um tiquinho e danado é quem quer emendar os bigodes com entrincheirados de plantão, mas o que houve por baixo das vestes da moça que segura a balança, só os mosquitos é quem sabem. Eita Brasil cheio de munganga e ainda sobra uma ruma de mungangueiro para tocar fogo no circo!

E as novidades não param de chegar e pelo zapzap a coisa se espalha mais ligeiro que fogo em palheiro, mas se tirar os nove fora não sobra nada, a não ser a parte sexo-educativa e as piadas. Eita ruma de caboco pra gostar de sacanagem! Tem aparelho de celular que o dono já mandou trocar umas três telinhas, pois o vidro gasta de tanto ele passar o dedo para cima e para baixo. Dizem que o primo, da prima do primo de uma amiga distante, gastou a impressão digital de tanto passar o dedo na tela do celular.

E a Semana Santa já vem despontando por aí e com ela as velhas notícias sobre o preço do peixe, a falta do mesmo e as enfadonhas entrevistas com os fiscais sobre as normas de comercialização. Como se o beabá desse jeito nos balaios! Qualquer dia vão inventar que peixe tem que ser vendido sem catinga e ai daquele que se abestalhar a vender! – Duvida? – Pois num duvide não, que nesse mundo tudo pode e quando é para arrancar dinheiro do contribuinte, a lei surge que nem faísca.

– E o Rio em? – Rapaz, só não digo que está igualmente a casa de mãe joana, porque na tal casa todo mundo manda e no Rio de Janeiro ninguém manda em nada. Nem a soldadesca verde oliva escapa e nem sei onde diabo os quatro estrelas estavam com a cabeça de se meter naquele fuzuê. Tome tento general e bata em retirada enquanto é tempo. Aliás, será que nos quarteis já escutaram Fernando Abreu cantando assim: …O Rio é uma cidade/De cidades misturadas/O Rio é uma cidade/De cidades camufladas/Com governos misturados/Camuflados, paralelos/Sorrateiros/Ocultando comandos…

Eh, acho que chove sim!

Nelson Mattos Filho

Rio 40 graus

Rio

Dizem que o Rio continua lindo e ainda entorpecido pelo clima das Olimpíadas 2016, porém, o que mais chama atenção são alguns detalhezinhos escusos de certos senhores decentes e umas trocas de balas entre uma gurizada travessa. Agora chegam notícias nas ondas do rádio que no mar da Baía da Guanabara, assim como na Baía de Todos os Santos, lá na Bahia de Amado, a pirataria tomou forma para fazer valer um salve geral e tem guri montado em bote inflável e armado até os dentes, com fuzil e tudo mais, parando lanchas para fazer uma limpezinha básica nos pobres cidadãos desavisado que querem apenas tirar um sossego no mar. Um dia a Fernanda Abreu cantou assim:  O Rio é uma cidade/De cidades misturadas/O Rio é uma cidade/De cidades camufladas/Com governos misturados/Camuflados, paralelos/Sorrateiros/Ocultando comandos…/ Rio 40 graus…. Está ficando difícil e dizem que nem piorou ainda.

A lei da caveira

05 maio (55)Quando o Estado não faz a sua parte o cotidiano das cidades é tolhido da sua dignidade. Os casos são inumeráveis e se espalham por cada recanto dos mais frágeis redutos habitacionais do país, sem um mínimo esforço prático para uma possível resolução, o que se escuta é só falácias e promessas politiqueiras, como se mais nada no mundo tivesse outra razão. Matam-se 60 ali, morrem outros 30 acolá, famílias são dizimadas pela covardia daqueles se acham impunes – e são – a lei, que aqui vai escrita em letra minúscula mesmo, pois é assim que ela se mostra, e nem olhar para o vizinho podemos mais, pois qualquer olhar é sinal de desagravo. A violência, o mal que domina o mundo, não tem mais rédeas e nem motivo para não se apresentar a cada dia mais desumana e cruel, e nós, cidadãos “livres” e sonhadores com uma simples vida em paz, ficamos reféns do caos. Temos o direito apenas de expressar uma leve cara de espanto e nada mais. Reclamar? A quem? Chorar? Depende do que! A imagem que abre essa postagem é linda sim, mas o terror foi decretado na terra do Pau Brasil e seus tentáculos já adentram os mares, rios, lagos e lagoas. Mais uma vez fomos invadidos por desbravadores bárbaros e sem lei. Como aconteceu com as velhas tribos indígenas, vamos ser maltratados até que passemos a rezar na cartilha da cruz construída com armas e sem direito nem a um pedaço de terra, no máximo, uma reserva num descampado qualquer. E os piratas estão de volta, aliás, há muito eles navegam serelepes nas águas amazônicas sem nenhum medo de algum dia serem rechaçados. Nas hostes do Porto de Santos, e adjacências, os barbas negras também hastearam a bandeira da caveira. Na belíssima baía de Angra os Reis já se escuta o tilintar de suas espadas e agora retornaram ferozmente as águas históricas da Bahia, pena que não existem mais os tupinambás para colocar ordem na casa. Ainda bem que em fevereiro tem Carnaval!         

Sobre tempestades

mapservO brasileiro que se vangloriava de morar em um país livre das catástrofes da natureza, ultimamente vem tendo que atualizar suas convicções mais otimistas e até revendo a velha máxima de que o Criador é brazuca de coração, porque os elementos, principalmente vento e mar, tem se mostrado com cara de poucos amigos nesse século XXI. Já não bastasse a seca desgraçada que nos últimos cinco anos assola o sertão nordestino, o mapa do Brasil parece que entrou de vez no circuito das tempestades endiabradas e até já foi lambido de raspão dias atrás pelo rabo de um furacão assustador que entrou pelo norte e saiu matando e destruindo tudo que encontrava pela frente, Caribe acima, até encontrar as terras do Tio Sam do mestre Obama. Essa semana o Sul e Sudeste brasileiro está sendo castigado por uma tempestade tropical batizada de Dani, que se danou tanto que fez soprar ventos a mais de 90 km/h sobre o Rio de Janeiro. Aliás, o Rio começou a semana em clima de tempestade política, com dois ex-governadores, mais santos do que os santos do mundo, olhando para o Cristo Redentor por uma janelinha quadriculada. Pois é, o clima no Brasil está mudando, e mudando tão rápido que está pegando muita gente com as calças na mão e deixando outros macambúzios.      

Novos rumos a Marina da Glória

marina_tacEnvolto numa eterna polêmica, a Marina da Gloria, no Rio de Janeiro, tudo indica, parece que vai tomar um rumo animador, mesmo que a tempestade continue a rondar seus limites. A BR Marinas, administradora do espaço, e o Ministério Público Federal, sentaram na mesa e fecharam um ajustamento de conduta que estabelece regras para o livre acesso do público ao local durante o horário comercial, mas que não afete a operação da marina. Nos termos de ajustamento foi incluído um projeto social voltado para a prática de vela por crianças e adolescentes da rede pública de ensino. Claro que a peleja entre os contra e favor não vai acabar diante dessa decisão, mas no meu entender, a coisa vai navegar em meio a ventos mais brandos. Aliás, nunca entendi o motivo, por mais que sejam justificados pelos seus conselhos de sócios, das marinas e iates clubes serem fechados ao público. Quantos possíveis navegadores abandonam o sonho náutico ao esbarrarem com um portão fechado? Eu mesmo já fui barrado em um certo iate clube brasileiro por não está munido de um convite, apesar de ter me identificado e justificado, sem sucesso, minha ida até lá. Torço para que o acordo da Marina da Glória saia do papel. Fonte: Revista Náutica 

Abertura da Rio 2016, uma festa merecida!

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Falar de beleza, grandeza, alegria, emoção, congraçamento, espírito olímpico, união entre os povos, acho que não é preciso, porque tudo já foi falado aqui e mundo afora sobre a abertura da “Nossa Olimpíadas”. Os jornais do planeta falam em encantamento, os nossos falam em magia e até o presidente do COI, Comitê Olímpico Internacional, definiu a Rio 2016 como Olimpíada a La Brasil, talvez numa alusão verdadeira sobre o jeitão alegre, divertido, as “vezes” descansados demais e extremamente humorado como nós tocamos a vida e os problemas que nos cercam. O presidente está certíssimo e foi muito feliz em definir as Olimpíadas do Rio como jogos a La Brasil, porque ontem, 05/08, mostramos ao mundo toda a maravilha maravilhosa de um povo sem igual. Podemos até não fazer bonito no pódio do cotidiano da vida, mas aposto que nossos atletas o farão, pois ninguém sai de corpo mole diante de uma cerimônia que mexeu com os brios e músculos de uma nação, porém, mesmo que não tenhamos o tão sonhado brilho do ouro, da prata e do bronze, não tem problema, pois somos e seremos sempre campeões e nossos atletas olímpicos conquistarão para a eternidade o nosso reconhecimento. Parabéns Brasil, parabéns Rio de Janeiro, parabéns planeta Terra, parabéns a todos aqueles que durante sete, longos e difíceis, anos mergulharam de cabeça para trazer o melhor e mais belo espetáculo jamais visto pelos deuses do Olimpo. E conseguiram! Parabéns, estávamos precisando mesmo de um afago na alma para levantar o astral!