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Retratos

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Rio da Dona/BA, Carnaval de 2011. Pedacinhos do tempo guardados em imagens e lembrados com saudades

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Com 2012 no horizonte

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Essa coisa de morar a bordo de um veleiro deixa a gente assim meio sei lá! Pois é, com essa frase meio sem sentido quero encerrar esse ano de 2011, em que a vida para mim e Lucia, que moramos nesse barquinho lindo, alegre e incrivelmente sedutor, foi cheia de boas lembranças e deixa muitas saudades.

Completamos 2011 festejando o nosso sexto ano morando a bordo do Avoante e olhando as cidades com uma grande incredulidade no coração, porque, olhando do mar, não conseguimos enxergar onde conseguiram esconder a falta de caráter e vergonha dos homens. Continuar lendo

Carnaval num rio encantado – 2ª parte

Rio da Dona (50) O Rio da Dona, onde navegamos e ficamos ancorados durante o Carnaval de 2011, nasce no município de Santo Antônio de Jesus e banha mais dois municípios baianos: Valença e Jaguaripe. Para mim foi uma surpresa boa ter encontrado esse pedaço, ainda, intocado da natureza, tão próximo de uma grande metrópole como é Salvador/BA.

Não que não existam esses santuários ecológicos preservados apenas pela mão renovadora e protetora da natureza, mas por ele estar em estado tão primitivo e com tanta fauna marinha povoando seu caudaloso leito.

Rio da Dona (67) Com tanta vida marinha no Rio da Dona o que menos vimos foi pescadores ou catadores de mariscos. Na verdade avistamos apenas dois durante os quatro dias em que estivemos ancorados em frente uma casa que, por sinal, estava vazia. Um deles foi o Sr. Neneu que mora numa pequenina localidade ribeirinha com apenas 7 casas e o outro foi um catador de Ostras que nos vendeu a produção do dia.

Perguntei ao Sr. Neneu o porquê da ausência de pescadores na região. Ele respondeu assim: “… meu amigo, depois do dinheiro do governo ninguém mais quer ter trabalho pescando…”. Continuar lendo

Carnaval num rio encantado – I

Rio da Dona (10) A vida de velejador cruzeirista é cheia de surpresas, nem sempre boas, mas numa escala de valores as surpresas boas ganham com larga vantagem. Foi pensando assim que quando Davi Hermida e Vera, veleiro Guma, nos chamaram para passar o carnaval num lugar onde poucos velejadores conheciam, onde a animação do carnaval se resumiria na que a gente pudesse produzir, onde não veríamos quase nenhuma civilização a nossa volta, onde haveria muitos peixes, muitas ostras e muita beleza, não pensamos duas vezes. Vamos sim!

Rio da Dona (11) Minha única preocupação foi saber se teria calado suficiente para o Avoante. Davi Hermida, que conhece tudo sobre as águas da Bahia, foi logo respondendo: “… basta seguir pelo meio do rio que você chega…”. Não perguntei mais nada e tratei de levantar as velas.

Junto com o Avoante e o Guma iria à bela escuna Morena, do velejador Sampaio, outro que conhece tudo sobre o mar da Baía de Todos os Santos. Três barcos e uma multidão de seis pessoas. Esse seria nosso carnaval na Bahia, terra do maior carnaval do mundo, mas que a gente estava indo num sentido inverso a festa que já tomava conta das ruas de Salvador. Nosso rumo era o Rio da Dona, um rio muito pouco navegável, desconhecido da grande maioria dos velejadores baianos, preservado pela natureza ainda intocada, coalhado de Robalos, Tainhas, Carapebas e Ostras, e com um calado que nem os nossos cicerones, Davi e Sampaio, conheciam com precisão. “Basta seguir pelo meio e a gente chega!” Assim eu fiz e assim cheguei, depois de alguns sustos com os números do eco-sonda.

Rio da Dona (21) Quando saem mais de um veleiro para um destino, dificilmente se navega junto. Os barcos navegam diferentes, uns são mais rápidos, outros fazem rumos diferentes e assim a flotilha vai se distanciando. Saímos de Itaparica juntos, mas ao longo do percurso o Guma, que é um catamarã, e a Morena, uma bela escuna de 17 metros, que apesar das velas, tem um potente motor de 6 cilindros, logo tomaram à dianteira. O Avoante, como sempre, seguiu atrás, com todas as velas em cima e ainda sendo empurrado pela maré de enchente do canal interno da Ilha de Itaparica.

Nosso rumo era a Foz do Rio Jaguaripe, já no final de Itaparica, e de lá subir por ele até a Foz do Rio da Dona, 2 milhas acima. “Assim que avistar a igreja da cidade de Jaguaripe, entre a esquerda no rio largo. Esse é o Rio da Dona” Essas foram às palavras de Davi quando falou, pela última vez, com a gente pelo celular.

Rio da Dona (34) Entrar num rio desconhecido é um problema e sem nenhum waypoint para servir de orientação, a coisa fica meio aventuresca. Mas não contamos conversa e metemos a cara no rio largo. Lucia desceu e foi conferir o eco-sonda. Conferiu duas, três, quatro, cinco vezes e depois desistiu. “Parece que é fundo, a profundidade não sai de 3 metros” Muito bom! Pensei com meus botões: “Ainda bem que a maré esta enchendo!”

Quase duas horas navegando, pedi a Lucia para conferir novamente a profundidade, pois estava achando a coisa meio estranha. Ela desceu e falou: “… Estamos no meio do rio?” Eu respondi: “Estamos!” Ela replicou: “Pois então estamos navegando no seco. O bicho não esta marcando mais nada e ainda esta aparecendo duas letras, TF”. Eu nem tentei traduzir as letras, até porque naquela altura eu já sabia o que elas queriam dizer. Olhei para os lados, tentando achar uma saída, e depois de dois longos segundos, Lucia gritou lá de baixo: “Voltamos para a profundidade de 3 metros” Ufa! Lucia pegou o celular e ligou para o Davi perguntando onde eles estavam, pois já tínhamos navegado 5 milhas, passados por dezenas de curvas de rio e nada deles aparecerem. Davi, muito tranqüilo falou: “Siga pelo meio do rio que vocês chegam onde estamos”. Mais duas curvas de rio e lá estavam o Guma e a Morena ancorados tranquilamente a espera do Avoante.

Rio da Dona, um lugar fantástico e cercado apenas pela natureza!

Nelson Mattos Filho

Velejador

Carnaval no paraíso

Caros leitores, voltei do paraíso. Assim posso definir o Rio da Dona, um paraíso baiano e que poucos baianos conhecem. Os velejadores então, esses eu posso garantir que quase ninguém navegou por lá.  Não sei se Adão e Eva estavam tão felizes naquele paraíso cheios de pés de maçãs turbinadas com o sabor dos deuses do amor, mas se eles tivessem sido colocados no Rio da Dona, entupido de Robalos, Carapebas, Taínhas,  Ostras e muita paz, acho que o pecado teria outro sentido. Ainda vou deixar vocês com um pouquinho de curiosidade, pois agora a internet está muito lenta e não consigo postar muitas fotos e nem incrementar essa postagem, mas assim que a coisa melhorar eu vou presentear vocês com um texto e muitas fotos do nosso “Carnaval” no Rio da Dona.

Rumo ao Rio da Dona

Imagens 066 Amanhã o Avoante toma o rumo do Rio da Dona, um afluente do Rio Jaguaripe, e por lá passaremos o Carnaval. Ainda não conhecemos o Rio da Dona, mas dizem que é um lugar muito bonito e um fundeio bastante tranquilo. Vamos junto com o veleiro Guma e a escuna Morena. Se você quiser saber a localização exata do nosso fundeio basta acessar  o localizador SPOT, que consta na lista de link desse blog.