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Um dedinho de prosa

mapservOh, chuva, por que você se faz de tão difícil para os lados do Nordeste? Assim que cessaram os tambores do baticum carnavalesco, as chuvas entoaram o canto de alegria, trouxeram esperanças ao sertanejo e fizeram ecoar o canto do Acauã pelos recantos da terra em brasa, mas amornou. Diz a lenda, hoje esquecida pela modernidade, que quando o Acauã canta em árvore seca, o ano será de seca, se cantar em árvore com folhas, é sinal de ano invernoso. Não sei em qual árvore, seca ou com folhas, o pequeno falcão cantou primeiro, mas acho que ele soltou o gogó um pouquinho ali outro acolá, pois o inverno prometido, por enquanto ainda é promessa a ser paga. Tem chovido, sim senhor, mas não ainda para fazer transbordar barreiros e tirar os açudes de um tal volume morto. Já tem muito milho plantado, como tem também feijão. Tem capim bem crescido e boi lambendo os beiços. Tem festejos, cachaça e tem prosa nos alpendres, mas entre um sim e um não, um talvez e um será, tem olhar voltado por cima dos montes de serra, de onde nascem os torreões. – Cadê a chuva, meu compadre? – Hoje chove não senhor! – E o roçado? – Tá precisando molhar, mas se avexe não que ainda tem muita água para cair! – Escute o Acauã cantando! – Eita bichinho abençoado! O retrato que chegou do satélite do CPTEC/INPE indica que chuva no Nordeste, por enquanto, é um tiquinho em cada canto e tem recanto que nem isso. Entre o Sul e Sudeste, terras que chove que só vendo, o inverno tá se encaminhado e metendo até medo. Entrando pelo miolo do Centro-Oeste, a coisa vai assim sei lá. Lá nas florestas do Norte, começando pelas terras do Piauí, o molhado tá bonito e assim vai sendo. – E pras bandas do mar? – Seu Netuno sinaliza que vai assossegar o facho, mas também faz dias que o homem tá apoquentado! – Vamos ver, vamos ver! E como se diz por aí: “Amanhã é outro dia e dos desejos de Deus só quem sabe é Ele”     

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