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Notícias da XXVII Refeno

MARCA NORONHA 2015O Cabanga Iate Clube de Pernambuco, lançou o Segundo Aviso de Regatas da XXVII Refeno, que larga dia 26 de Setembro do Marco Zero no Porto de Recife. A Refeno – Regata Recife/Fernando de Noronha, é uma das mais charmosas e instigantes prova do iatismo brasileiro e para esse ano 32 barcos já garantiram presença. Seguindo o que foi anunciado na edição passada pela coordenação da prova e Marinha do Brasil, as exigências estão mais extensas. Para quem pretende participar da prova é aconselhável ler com muita atenção o edital.

11. EXIGÊNCIAS DA MARINHA

11.1. Por se tratar de uma regata oceânica, todos os barcos devem estar de acordo com as exigências da Marinha do Brasil. Só serão aceitas embarcações classificadas como Mar Aberto. Solicitamos aos comandantes participantes observarem com a máxima atenção as exigências da NORMAM 03. (www.dpc.mar.mil.br ou www.mar.mil.br). 11.2. Estarão disponíveis em breve, no link Quadro de Avisos » Exigências, no site www.refeno.com.br, a lista de equipamentos e medicamentos exigidos pela Marinha do Brasil, bem como as flexibilizações e as exigências adotadas pela Capitania dos Portos de Pernambuco.

11.3. O nome da embarcação deverá estar pintado nas boias, coletes, pirotécnicos, botes e extintores.

11.4. Será exigida de todos os participantes a Licença de Estação Navio emitida pela ANATEL.

11.5. O seguinte tópico referente ao previsto no item 0437 da NORMAM 03/DPC está pendente de flexibilização pela Marinha do Brasil para as embarcações participantes da REFENO, classificadas para navegação Mar aberto, exclusivamente quando navegando acompanhadas por navio da Marinha do Brasil (MB), inclusive no regresso de Fernando de Noronha para o continente:

11.5.1. Rádio SSB desde que possua dois rádios VHF conforme 12.6.2.

11.6. Apesar da flexibilização acima, os itens a seguir serão exigidos para todos os barcos participantes:

11.6.1. Obrigatoriamente, cada embarcação deverá portar 02 aparelhos GPS, em condições de funcionamento.

11.6.2. Além do rádio VHF fixo será exigido a cada embarcação portar 01 VHF portátil, a prova d´água ou portar um case impermeável e em perfeitas condições de funcionamento.

11.6.3. Todas as embarcações deverão portar as seguintes cartas náuticas: 22000 (Atol das Rocas e Arquipélago Fernando de Noronha), 22100 (Do Cabo Calcanhar a Cabedelo), 22200 (De Cabedelo a Maceió), 21030 (De Fortaleza a Natal) e 52 (proximidades arquipélago Fernando de Noronha).

11.6.4. Será obrigatório a utilização dos coletes Classe I de acordo com a Normam 3/DPC.

11.6.5. Todas as embarcações deverão portar um equipamento EPIRB com seu certificado a bordo, devidamente registrado pela ANATEL.​

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Fernando de Noronha e a Refeno – Parte 3

imageChegamos ao final do relato do velejador baiano Sérgio Netto contando uma boa parte da história da Refeno que em 2014 completa 26 anos. Quem um dia já participou dessa que é a maior e mais instigante regata de oceano do Brasil, deve ter se reconhecido em algum momento dessa história que dividi em três partes. Para quem ainda não teve a alegria de realizar o sonho da velejada até a Ilha de Fernando de Noronha, competindo numa Refeno, fica o convite para não adiar o sonho, pois a XXVI Refeno larga do Marco Zero, na cidade do Recife, dia 27/09. Mais uma vez agradeço ao amigo Sergio Netto por proporcionar aos leitores do Diário do Avoante essa bela narrativa.

FERNANDO DE NORONHA E AS REFENO

A velejada para Rocas durante a noite foi tranquila, em asa-de-pombo com a mestra no primeiro rizo, genoa parcialmente enrolada, vento aparente 10 a 12 nós, piloto automático. Fizemos 68 milhas em 10 horas e de manhã cedo pegamos a poita do Delícia, o veleiro Farr 38 no qual Zeca fazia o apoio à ilha, ψ=3°50,78’S λ=33°31’W. O pessoal do Ibama foi a bordo e nos levou para terra no bote deles. A entrada da barreta é com onda e difícil para um caíque pequeno. O pessoal do Bola 7 que chegou meia hora depois não teve a nossa simpatia para conquistar o pessoal do Ibama e não desembarcou. O fundeadouro é aberto, desconfortável, e nos avisaram que à tardinha chegam os pássaros e fazem o maior barulho. Às 15 horas deixamos a amarração e saímos em orça apertada para Natal, 140 milhas para SSW.

imageimage Atracamos no píer do Iate Clube de Natal no início da tarde do dia 2 de outubro, lavamos o barco com água doce e fomos para uma amarração. Muito simpática a recepção do clube para o visitante. Marcio e Claudinha desembarcaram e voltaram de avião para Salvador. Pedro havia desembarcado em Noronha.

imageDia seguinte era dia de eleição e passamos nos Correios para justificar a ausência eleitoral. Tínhamos alugado um bug ‘Selvagem’ e fomos para as praias do norte e as dunas de Genipabu.

No domingo dia 4 levantamos vela ao meio dia e seguimos 80 milhas para SSE, no contravento, até Cabedelo, onde nos esperava a tripulação do Cangaceiro, que levaram Vicka e Lizete para compras. O Pinauna estava molhando dentro pela gaiuta de proa e o inglês Ryan, dono de um estaleiro e do trimarã ‘Jeitinho’ atacou o problema. Este inglês diz que coisa difícil ele faz rápido, o impossível demora um pouco. Cabedelo, no estuário do Rio Paraíba, é um local bem protegido, bom para deixar o barco em caso de necessidade.

Dia 6 de outubro, quando o sol já havia passado o equador para fazer o verão do hemisfério sul há duas semanas, e o vento já havia rondado para nordeste, saímos a barra de Cabedelo às 10 horas, dobramos o Cabo Branco, no extremo oriental do Brasil, e a velejada para o sul-sudoeste ficou macia, com vento e corrente favoráveis. Mas à noite refrescou e deu trabalho; passamos direto por Recife chegando a Maceió dia 7 à tarde. São 200 milhas de João Pessoa a Maceió, e cheguei mole e resfriado. Vicka e Lizete desembarcaram e retornaram de avião para Salvador. Silvia pegou a Lena e a mim de carro e nos levou para jantar no Divina Gula.

Dia 8 Lena foi às compras para reabastecer o barco e eu fiquei a bordo descansando e me recuperando do resfriado. Dia 9 já estava bom e largamos ao amanhecer para o trecho final até Salvador, quase 300 milhas até o AIC, que fizemos em pouco mais de 48 horas. Este trecho com só duas pessoas a bordo foi um passeio, com pouca vela, sem pressa, curtindo o finalzinho das três semanas de férias. Navegamos bem longe de terra para não ter que nos preocupar com barcos de pesca sobre a plataforma continental. Quando acordei pela manhã do dia 10 vasculhei o horizonte de binóculo e vi um veleiro vindo pela popa, bem na nossa esteira, só com vela mestra e motor. Chamei no rádio mas ele não respondeu. O vento estava fraquíssimo e ele logo nos alcançou quando tomávamos o café da manhã no cockpit. Era o Suzy Dear, com Serginho Bittencourt, Thales Magno Baptista e mais dois tripulantes. Eles desligaram o motor e fomos derivando juntos, Serginho fazendo a maior festa. Fizeram fotos e já estavam com planos de abordar o Pinauna quando chegou um ventinho e começamos a nos afastar. Eles abriram a genoa mas naquele ventinho fraco o Pinauna foi orçando mais e deixando o Swan pesadão mais arribado para trás, de forma que em uma hora não nos víamos mais. Esse povo tem mania de viajar vendo terra, o que é um problema a ser tratado no psicólogo. Viajar longe de terra é mais seguro, mais confortável, fora das rotas de tráfego, você pode dormir à vontade e se chegar um temporal tem espaço suficiente para correr com o tempo até que ele passe.

Chegamos no AIC no domingo dia 11 de outubro pela manhã e Vicka, Liz e Pedro Bocca foram nos buscar, já com o filme da regata editado, com trilha sonora e tudo.

Daí levei quatro anos sem voltar a Noronha. Quando o Banorte deixou de ser o patrocinador oficial, pouco antes de quebrar, a regata passou a se chamar REFENO mantendo a numeração desde a organização primeira de Maurício em 1986. Continuar lendo

Fernando de Noronha e a Refeno – Parte 1

NORONHA E A REFENO 3 O geólogo e velejador baiano Antônio Sérgio Teixeira Netto, o Sérgio Pinauna, é um dos grandes conhecedores das águas navegáveis do Brasil e dos segredos que existem escondidos sobre as rochas e solo do nosso continente. Sérgio que aparece nessa histórica foto ao lado do criador da Regata Recife/Fernando de Noronha, Maurício Castro, quando soube que eu era proprietário do Avoante, um dos barcos que já lhe pertenceu, chegou para me dar um abraço e disse que tinha uma boa história para me contar. Ao ler o texto fiquei encantado com a riqueza que tinha em minha frente. Os escritos de Sérgio merece fazer parte de qualquer exposição que conte a história da Refeno. Sem paixão e com muita sinceridade Sérgio conta tudo o que sentiu e viveu nas Refeno. Deixo aqui meus agradecimentos e parabéns ao geólogo/velejador por proporcionar aos leitores do Diário do Avoante uma navegada maravilhosa por uma boa parte da história da vela de oceano do Brasil. Como o texto é longo, dividirei em três partes.

 

Fernando de Noronha e as Refeno

A quebra do Gondwana, o supercontinente do sul, ocorrida no Cretáceo há cerca de 120 milhões de anos permitiu a implantação do oceano Atlântico Sul e o levantamento da maior cadeia de montanhas do planeta, a qual em inglês é denominada de Mid Atlantic Ridge. Esta cadeia sozinha é maior que os Andes +Rochosas+Himalaias, tem forma sinuosa e sofre um desvio notável para a esquerda na altura do equador, latitude zero, desvio este reconhecido pelos geólogos como a Zona de Fratura Romanche.NORONHA E A REFENO

Antes que você desista de ir adiante, a localização da ilha de Fernando de Noronha no contexto geológico vai ser o mais breve possível, e prometo que vou falar da história, dos mergulhos, das praias e das regatas que os pernambucanos promovem para Noronha desde 1986, o ano em que os gringos começaram a testar os satélites que iriam compor o sistema GPS.

A Cadeia Meso-Atlântica sobe das planícies abissais a uma profundidade de 4 a 5 km, e alguns picos vulcânicos botam a cabeça fora do nível do mar atual, como por exemplo, Trindade e Martin Vaz defronte ao Espírito Santo do lado oeste da cadeia, Santa Helena do lado leste, Fernando de Noronha 200 milhas náuticas a sul da Fratura Romanche, na latitude 4°S. Para o norte do equador temos do lado oeste da cadeia as Antilhas, Bermuda a 32°N 65°W, e do lado leste Cabo Verde, Canárias, Madeira, Açores, e lá junto ao circulo polar a ilha da Islândia, o local emerso da maior atividade vulcânica no planeta.

Tudo isso é constituído por rochas basálticas, que o manto vomita lá de dentro para fazer a crosta oceânica. Não tem nada a ver com os continentes implantados sobre uma crosta de granito, muito mais velha e mais espessa.

Noronha fica a 200 milhas de Natal, RN, no limite das águas territoriais brasileiras, e lá o relógio tem que ser adiantado de uma hora em relação a Natal ou aNORONHA E A REFENO 1 Recife. O arquipélago fica na longitude de 32,5°a oeste de Greenwich, portanto no fuso horário de 30°; têm 26 km2, o dobro da Ilha de Maré na BTS, o suficiente para lá ter sido construído pelos americanos em 1942 um bom aeroporto que transformou a ilha numa base avançada durante a 2ª Guerra Mundial. Esta vocação militar fez com que a ilha fosse um Território Federal de 1942 até 1988, quando os militares foram retirados e a área passou a ser um Distrito Estadual para o qual o governador de Pernambuco nomeia um administrador-geral. Também em 1988 todo o arquipélago até a isóbata de 50m passou a se constituir num Parque Nacional Marinho subordinado ao IBAMA, que mantendo a tradição militar, tem uma lista de 16 ‘proibidos’ e 5 ‘permitidos’ com autorização, que você acessa após pagar a taxa de preservação ambiental. A TPA para permanência de até 10 dias é de R$34,48/dia, a partir dai sobe num crescente de forma que quem quiser passar um mês vai pagar R$2847,42 (preços de 2008).

Quando Gaspar de Lemos bordejou por lá em 1500 levando para Portugal a carta de Caminha, a ilha era desabitada. Em 1504 o rei D. Manuel a doou para Fernão de Loronha, o banqueiro que financiou a expedição de 1503, um cristão-novo que nunca cuidou de ocupá-la. A ilha tornou-se um porto de piratas, tendo os holandeses se estabelecido nela em parte do Sec.XVII. No Sec. XVIII foram os franceses. Em 1737 os portugueses expulsaram os invasores, devastaram a vegetação e construíram 10 fortes, dos quais duas ruínas ainda existem, o Forte de São Pedro do Boldró e a Fortaleza de Nossa Senhora dos Remédios. Até a independência do Brasil não era permitido o desembarque de mulheres! Em 1832 o Beagle ancorou na Enseada de Santo Antonio e Charles Darwin reconheceu as rochas vulcânicas. Em 1938 durante o Estado Novo de Getulio Vargas a ilha foi convertida em presídio político e durante a 2ª Guerra Mundial tornou-se base militar com um aeroporto. Nos anos 70 os pernambucanos começaram a navegar para lá em veleiros de recreio. Em 1984 o Projeto Tamar reconheceu a ilha como um local importante para a reprodução de tartarugas marinhas e nela instalou uma estação de monitoramento.NORONHA E A REFENO 2

Instituído o Parque Nacional em 1988, o aeroporto militar passou à categoria de civil, recebendo um voo semanal; a pesca foi proibida e a população residente passou a viver essencialmente do turismo incipiente e do assistencialismo governamental. Em 2002, a UNESCO diplomou o arquipélago como Sítio do Patrimônio Mundial Natural. Fernando de Noronha hoje é um destino turístico com voos diários, centenas de pousadas, uma frota de bugs e motos financiados pelo Banco do Nordeste para taxi e locação aos turistas, três empresas de mergulho com barcos apropriados, equipamento de mergulho autônomo moderno e instrutores credenciados. A população nativa é de 3000 habitantes (IBGE, 2008), e uma pessoa de fora só pode se tornar residente se casar com um nativo ou for autorizada a montar uma empresa dentro do planejamento turístico da ilha. Existe uma agencia do Banco Real com caixa automático para saques e pagamentos, comunicação por telefone e vários pontos de conexão wireless para internet.

Não existe uma etnia noronhense e se vê muito pouca criança por lá, sendo de 50% a taxa de mortalidade infantil (IBGE, 2000), absurdamente alta para os padrões brasileiros atuais. Os nativos da primeira geração dos lá nascidos são descendentes dos milicos e dos prisioneiros. Existe um hospital com 9 leitos assentado numa antiga instalação militar, do qual já fiz uso por três vezes conforme relatado adiante. Até o final do Sec.XX a presença feminina era uma pobreza, quantitativa e esteticamente, uma calamidade que vem sendo resolvida com a importação de potiguares. Em compensação a fauna marinha é bela e mansa e você pode ser fotografada junto aos golfinhos, tartarugas e tubarões bem alimentados e amigáveis, tanto quanto um tubarão possa ser.

É duro, mas é verdade

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Os artigos Brincando com tempestade e A vida tem dessas coisas, receberam alguns comentários, posto dois deles aqui, que merecem reflexão de todos que fazem a náutica no Brasil e que um dia participou, ou pretende participar, da regata Recife/Fernando de Noronha. Tenho dito que a Ilha é muito linda, mas infelizmente os seus “donos e afins” fazem das tripas coração para encobrir e macular tanta beleza natural. Precisamos sim repensar a Refeno para o bem do esporte a vela.

Lobos/as  Marinhos/as : Larguem essa Ilha de mão . A bem duma regata bem séria , como uma regata de mar deve ser , de Recife direto a Natal , fazendo um contorno em Noronha e nada mais , ninguém precisa descer . desçam em Natal . Isso já iria melhorar muito para todos envolvidos , inclusive a tralha do IBAMA !! !Roberto Marcio da Silva

Caros Nelson-Lúcia: Sinceramente não achamos qualquer graça nestas regatas a Noronha. Além de serem desconfortáveis( ao menos das vezes em que lá fomos), quando em terra somos tratados como simples objetos descartáveis. Aliás, um paradoxo: ” o modismo” exacerbado, fala em natureza para lá, natureza para cá. Tudo é proibido aos humanos. “Não fale alto que os golfinhos estão transando”. Não desça do barco que você pode machucar … Placas e mais placas informando das limitações por conta da existência das formigas, ingongos, baratas e outras criações da natureza. Francamente quanta besteira. Quanta desinformação. Quanta fantasia. Como se o ser homem sapiens não fosse a mais importante criação da natureza.Desafiamos a quem encontrar uma simples orientação como nos livrarmos em caso de um incêndio se estivermos em uma ingênua caminhada…Chegamos a testemunhar uma jovem dizendo-se bióloga, perigosamente expondo-se a cair precipício abaixo por conta de captar os sons provocados pelos golfinhos. quanta bobagem! Quanto exagero! Desafiamos a todos eles discutirem o que na prática já fizemos em pró do meio ambiente, ecologia… Mas, cada circo tem seu público. Ficamos por aqui. Com nossos votos de paz, saúde e muitas realizações.  Julival Fonsêca de Góis