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44ª Aratu/Maragogipe – Foi assim que eu vi

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Bem, vou aproveitar que a VIVO resolveu dar um refresco e tentar colocar o blog novamente em seguimento, por isso vou contar um pouco do que foi a 44ª Regata Aratu/Maragogipe, que, como mostra a imagem acima, é um verdadeiro festival da vela na Bahia levando Saveiros, Veleiros e Escunas a navegarem lado a lado pela beleza ímpar da Baía de Todos os Santos e o lendário Rio Paraguaçu.

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A festa teve inicio com a excelente palestra da velejadora Izabel Pimentel, contando como foi sua última velejada em solitário pelo Oceano Pacífico, atiçando o interesse de muitos competidores. Izabel falou com a desenvoltura, simplicidade e deixou muitos marmanjos intrigados com a força e coragem da velejadora, primeira, e única até agora, brasileira a cruzar sozinha o Oceano Atlântico a bordo de um veleiro.

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Depois da palestra e da abertura oficial, subiu ao palco uma maravilhosa banda comandada pelo velejador Leo, veleiro Estakanágua, que botou fogo na galera até quase uma da madrugada. Apesar da chuva que não deixou barato, não faltou uma gota de animação na turma.

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A festança de abertura deu o tom do que seria a regata na manhã do dia seguinte, apesar de uma boa parte dos tripulantes não estarem assim tão em ordem como deveriam. Porém as 10 horas, sem choro, nem vela, nem vento, largou a primeira turma. Não estávamos a bordo do Avoante, que ficou descansando no fundeadouro do Aratu Iate Clube, fazíamos parte da tripulação do veleiro Carcará I, um novíssimo Delta 36, a convite do comandante Arthur, proprietário do veleiro. Infelizmente não tenho fotos da largada, pois estava com minhas atenções todas voltadas para o comando do barco. Largamos bem e em meio a flotilha de nossa classe, apesar do Carcará I não estar equipado com velas adequadas para uma regata. O vento que amanheceu fraco se manteve durante a largada, com rajadas na média de 8 nós. Foi uma largada em passo de tartaruga. Eu não sou regateiro, mas tentei usar os meus poucos conhecimentos naquele canal, que já havia velejado tantas vezes, e consegui ultrapassar barcos tripulados por reconhecidos corredores de regata e assim seguimos comemorando. O pouco vento que soprava foi abandonando a prova e em pouco tempo não restava nem um soprinho sequer. No través da Ilha do Medo, novamente o vento surgiu e empurrou a flotilha para a entrada do Rio Paraguaçu. Nessa hora o Carcará I cravou a marca de 8 nós de velocidade. Porém, ao adentrar no poço de história que é o Paraguaçu, o vento saiu definitivamente do cenário e deixou todo mundo admirando a paisagem com cara de poucos amigos. Era um tal de veleiro navegar de lado, de ré, sem direção e com as velas tremulando mais do que bandeira da Argentina. O Carcará I, parou, seguiu, parou de novo, seguiu, deu quatro trezentos e sessenta ao longo do Paraguaçu, mas mesmo assim não abandonamos a disposição de continuar participando da prova. Não vou precisar o número, mas pelos comunicados pelo VHF, e pela quantidade de veleiros que passaram por a gente com o motor ligado, acho que mais da metade dos competidores abandonaram a prova. O prazo limite para cruzar a linha de chegada, em Maragogipe, era às 18 horas e assim fomos boiando com a força da correnteza em direção a ela. No través da Ilha do Frances entrou uma leve brisa e o Carcará I avançou à 2 nós, nos levando a vibrar de alegria com a esperança de chegar em cima da hora. Acho que foi o último suspiro de vento para aquele 24 de Agosto, pois do mesmo modo suspeito como ele chegou tratou de ir embora e assim, demos o nosso último trezentos e sessenta graus a deriva a poucos metros da linha de chegada e sem mais nenhuma chance de cruzá-la no tempo estimado. Chamamos no rádio a comissão de regata, confirmamos o encerramento da prova, ligamos o motor, em cima da linha, e rumamos para a ancoragem com o relógio marcando 18 horas e 10 minutos. Ufá! Foi bom? Com certeza! Curtimos muito a nossa primeira participação competindo na Aratu/Maragogipe e ficamos muito mais felizes porque, apesar da falta de vento, cumprimos todo o percurso na vela, coisa que muitos velejadores de regata não tiveram a paciência de fazer. E assim fiquei pensando em uma frase que ouvi certo dia: “Alguns adoram dizer que fazem sem fazer, outros preferem ficar calados e fazem”. 

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