Arquivo da tag: reflexões

Palavras que acariciam a alma

8 Agosto (50)

“Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade”

Martha Medeiros

Sonhos

A canoa de Francisco Diniz

“Sonhos não morrem, apenas adormecem na alma da gente.”

Chico Xavier

Reflexões

 

04 - abril (77)

 

O SILÊNCIO

Onde quer que você esteja, seja a alma deste
lugar…

Discutir não alimenta.   

Reclamar não resolve.   

Revolta não auxilia.

Desespero não ilumina.

Tristeza não leva a nada.

Lágrima não substitui suor.

Irritação intoxica.

Deserção agrava.

Calúnia responde sempre com o pior.

Para todos os males, só existe um medicamento de eficiência comprovada.

Continuar na paz, compreendendo, ajudando, aguardando o concurso sábio do Tempo, na certeza de que o que não for bom para os outros não será bom para nós…

Pessoas feridas ferem pessoas.

Pessoas curadas curam pessoas.

Pessoas amadas amam pessoas.

Pessoas transformadas transformam pessoas.

Pessoas chatas chateiam pessoas.

Pessoas amarguradas amarguram pessoas.

Pessoas santificadas santificam pessoas.

Quem eu sou interfere diretamente naqueles que estão ao meu redor.

Acorde…

Se cubra de Gratidão, se encha de Amor e
recomece…

O que for benção para sua vida, Deus te entregará, e o que não for, ele te livrará!

Um dia bonito nem sempre é um dia de
sol…

Mas com certeza é um dia de Paz.

Chico Xavier

Parábolas

IMG_0222

“A vida é mais importante do que a comida, e o corpo, mais do que as roupas.”

Jesus Cristo

Visões e saudades diante das sombras

8 Agosto (163)

Texto publicado em 13/09/2015 na coluna dominical Diário do Avoante, no jornal Tribuna do Norte.

O que restou da luminosidade tremulava preguiçosamente em meio às sombras refletidas no silêncio das águas. Eram reflexos disformes de aparência fantasmagórica, mas que formavam um cenário tão belo e tranquilizador que desejei estar ali para sempre. Ao redor de mim zoava um silêncio assustador, uma áurea de paz entrecortada aqui e acolá por ecos embrutecidos de uma cidade que fervia em tentações, mas meus ouvidos escutavam apenas o silêncio.

Imagens de veleiros enuviadas pelas sombras da noite, que começava a cobrir o mundo, bailavam sobre as águas e entre os mastros das embarcações, alegres revoadas de pássaros tomavam o rumo dos ninhos. Era o final de mais um dia e eu estava ali, sozinho e mudo de espanto, presenciado o astro rei se retirar para o merecido descanso. O manto da noite se estendeu e fui despertado do meu transe crepuscular pela luz prateada de uma Lua contadora de histórias e lendas. Como é bela a natureza!

Aquele é o cenário de um mundo que poucos sabem existir e muitas vezes não me acho merecedor de estar vivendo tudo aquilo. Porém, é diante de paisagens assim que minha mente navega em infinitas reflexões e fico em estado de comunhão com os mistérios e segredos do universo.

É diante das sombras do lusco-fusco que me encontro com o meu eu e revivo com alegria os melhores e piores momentos da minha vida. Os melhores momentos me acariciam a alma e os piores me dão a certeza do bom aprendizado. Diante da luz que dança por trás das sombras, me vem à lembrança daqueles aos quais quero bem e desejo que eles estivessem ali ao meu lado.

As primeiras lembranças recaem sobre meus gurus, eternos professores e exemplo de vida que carrego estampado no coração: Nelson Mattos e Iracema – meus pais; Emídio Mattos e Cecília – tios mais amados. Meu Pai e meu Tio – assim mesmo com letra maiúscula – são habitantes do mundo lá de cima e todos os dias sinto o calor de suas presenças a orientar e proteger meus passos. Minha Mãe e minha Tia até hoje são conselheiras e fontes intermináveis de afagos.

Foi sentado solitário na proa do Avoante, observando aquela tarde de luz e sombras, em que o Sol se apresentou com uma roupagem mais linda impossível, que pedi vida longa, conforto, saúde e paz para Ceminha – minha Mãe – e Tia Cecília, que essa semana fazem aniversário.

Foi diante da revoada dos pássaros, em busca do ninho, que pedi a Deus que elas estejam ao meu lado por muitos e muitos anos. Foi diante das sombras que dançavam sobre as águas que pedi aos deuses do mar que me deem proteção para que elas nunca recebam notícias entristecidas.

Foi diante daquele Céu magnífico de pôr do sol que escutei o sussurro de duas vozes que jamais esqueci e nem esquecerei, que dizia assim: Fique em paz filho, seus desejos estão sendo atendidos. Olhei para os lados, agradeci e sorri. Ao longe soaram suaves acordes de um solo de trombone, marcado pela batida de um tantan.

Que vida é essa que me leva a sonhar acordado e me transforma em um louco escrevinhador de um mundo que muitos acham irreal? Que vida é essa que me faz navegar errante pelos mares em busca de viver um sonho colorido? Quantos oceanos terei que navegar para decifrar as entrelinhas existente entre o real e o sonho?

Desde que embarquei no Avoante, e decidi entregar ao mar todas as minhas certezas, o espaço existente entre o real e o irreal se tornou uma bolha de incríveis e inimagináveis transformações. Procuro retirar das espumas de sal e do vento pequeninas lasquinhas de conhecimentos que tragam subsídios para nortear minha proa.

Se isso é loucura, é loucura boa e falar sobre ela me deixa lúcido.

Não tenho o dom da palavra e muito menos da escrita, mas insisto em escrever, para que fique registrada em algum lugar do tempo minha experiência de vida a bordo de um veleirinho de oceano e essa sirva de mote para outros que desejarem um dia viverem a loucura.

As sombras balançantes do lusco-fusco de um pôr do sol me fizeram escutar sussurros de dois anjos da guarda de minha vida e me fizeram escrever com as tintas que restaram da luz essa, talvez indecifrável, homenagem às duas pilastras da minha formação. As lágrimas que escorrem em minha face nesse momento denunciam o amor e carinho que sinto por elas. Se isso é loucura, lucidez, real, irreal ou sonho, apenas eu, o mar é os elementos da natureza saberemos a verdade.

Parabéns minha Mãe, parabéns minha Tia.

Um grande beijo!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Comentando comentários

2 Fevereiro (7)

O texto de hoje foi publicado em junho de 2015 na coluna Diário do Avoante, que assino há 8 anos no jornal potiguar Tribuna do Norte. A coluna é publicada aos domingos e foi de lá que saíram as cinquenta crônicas que compõem o livro Diário do Avoante.

COMENTANDO COMENTÁRIOS

Em um giro pelos sites de mídia social busquei assunto para preencher essa página do Diário, mas me vi perdido navegando entre frases e afirmações que me causaram espanto. Não acho que a vida precise ser levada tão a sério a ponto de não podermos atravessar o passo. Minha decisão pelo mar foi para seguir mais próximo de um mundo que um dia sonhei existir. Hoje sei que ele existe!

Sei que não é fácil tomar a decisão de morar a bordo de um veleiro, porque passei por isso e sei o quanto acabrunhado fiquei ao deparar-me com dilemas e medos, mas nem por isso perdi o rumo do sonho. Poderia muito bem ter desistido na primeira encruzilhada, porém, o desejo de seguir em frente bateu pé e sem olhar para os lados continuei caminhando.

Quase sempre me vejo diante de pessoas que pensam fazer a mesma opção de vida que fizemos, mas basta um dedinho de prosa para ter a certeza que o que elas têm é apenas vontade e o não sonho. Vontade é aquela coisa que dá é passa e sonho é aquilo que fica pulsando em nossa mente por toda a vida e enquanto não realizamos ele vai se tornando uma ferida incurável.

É da natureza humana deixar o sonho para depois ou achar que tudo não passa de utopia. Muitas vezes ele está a um passo da realização, porém, teimamos em fechar os olhos para não enxergá-lo. Somos mestres em inventar desculpar esfarrapadas e pavimentar atalhos coloridos para nossas desistências, achando assim que estamos tomando a decisão mais acertada. Acertada para quem cara pálida?

Numa rodada de bate papo pelos mares internéticos, em que fiquei apenas como um mero observador, alguém escreveu, e outros aprovaram, que morar a bordo de um veleiro era uma coisa desumana e que se ele um dia fizesse essa opção, o faria cercado de muito conforto. De início não entendi o “muito”, mas no decorrer do bate papo vi que do outro lado da tela estava um destruidor de sonhos.

Destruidor de sonhos é aquela pessoa que deixou o tempo passar e quando ele finalmente saiu em busca de realizar o sonho de vida, infelizmente percebeu que ele havia passado. Gastou boa parte da vida equipando o barco para a grande viagem, comprando os últimos lançamentos em eletrônica, se inteirando dos melhores conhecimentos náuticos, aperfeiçoando e refazendo tudo a cada virada de ano e quando se deu conta, não tinha condições físicas e nem saúde para tocar o barco.

Mas não pense que o destruidor de sonho é apenas aquele em que a idade avançou um pouco mais da conta, pois ele se apresenta nas mais variadas formas e idade. Tem aquele chato que fica azucrinando os ouvidos alheios e se gabando que seu veleiro é o que existe de mais moderno no mundo e está equipado com os últimos lançamentos do salão náutico do mundo intergaláctico.

Tem também aquele que sofre da síndrome do Joãozinho e adora jogar um balde de água fria na alegria dos outros com frases assim: O meu é melhor do que o seu! O meu é mais moderno do que o seu! O meu é mais perfeito! Se eu fosse você faria igual a mim! O seu não vai funcionar com perfeição! Se a gente ficar enfurecido e apontar para as partes baixar e perguntar: Você tem um desses? Com certeza ele irá responder: – Não, mas tenho um que dá dois desse! O cabra não perde uma!

Em outro grupo os participantes comentavam sobre um velejador estrangeiro, de 76 anos, que morou boa parte da sua vida a bordo no Brasil e que faleceu no começo de 2015. Esse velejador morava em um veleiro de pouco mais de cinco metros e viveu a vida seguindo os manuais de um bom velejador de cruzeiro, que diz assim em seu artigo único escrito em letras imaginárias: Embarque com a alma focada na simplicidade, perseverança, prazer, alegria e paz.

Infelizmente não tive o prazer de conhecê-lo, mas ao ler os comentários, contidos no grupo de bate papo, vi com tristeza que sua forma de vida estava sendo passada a limpo de uma forma destorcida, perversa e por pessoas que nem chegaram a conhecê-lo. Alguém o acusou de mendicante, outro de maluco e, como sempre, teve quem o definisse como um grande irresponsável.

Mas é assim mesmo. Quem resolve fugir dos parâmetros estabelecidos pela sociedade, que nem sempre são tão estabelecidos assim, tende a receber estigmas. A vida em um veleiro é bela, rica em simplicidade e incrivelmente desarmada de tendências e modismos. Quem decide por ela tem que saber dosar os sentidos e a razão.

A urbanidade é uma velha feiticeira que sabe iludir suas crias em um mar de emoções. O mar é um velho mágico transvertido de encantos.

Não me acuse de estar fazendo apologia à vida a bordo, mas se quiser pensar assim pode ficar certo que você está certíssimo.

Nelson Mattos Filho/Velejador