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Com 2013 no horizonte

viagem no naumi (4)

Mais um ano de vida a bordo do nosso Avoante e mais uma vez é chegado o momento das recordações e também de renovar as esperanças diante de um novo ano.

O que seria das nossas vidas se não fossem as esperanças que depositamos na poupança dos sonhos? Se não fosse essa poupança, como jogaríamos fora a esperança das coisas que achamos que não temos condições de fazer? Por causa dessa poupança é que jogamos nossos sonhos em rumos tão errantes, mas sempre renovando as esperanças. Assim, a vida vai sendo decidida entre esperanças mortas, sonhos apenas sonhados, realizações que achamos que está de bom tamanho e o sonho que ficou esquecido em algum lugar de nossa mente.

Desde que viemos morar e viver a vida a bordo do nosso querido barquinho, encaramos de uma vez por todas os nossos sonhos. Não tínhamos como continuar adiando uma coisa que sabíamos que para realizar teríamos que levantar a cabeça, mirar o horizonte e seguir o rumo traçado. Não podíamos continuar vivendo um sonho tão próximo, mas que fazíamos questão de não alcançar. Ele estava ali a um passo de distância e a gente caminhando sempre pela tangente.

Gosto de falar de sonhos e me espanta ouvir pessoas falando de sonhos inalcançáveis sem ao menos tentar fechar os olhos para sonhar. Pessoas que vivem eternamente em litígio com a consciência sem nem bem saber o que é sonho e o que é pesadelo. Espanta-me, mas eu também já fui assim.

Gosto de falar de sonhos para aqueles que se fecham em suntuosos castelos patrimoniais e se acham fáceis compradores de todos os sonhos do mundo. Gosto de escutar seus discursos de exagero e depois ouvir o silêncio que ecoa ao redor de suas vontades. Gosto de ver a expressão de espanto estampado no rosto de fúteis sonhadores quando digo que vivo um sonho real e preciso de tão pouco.

Mas hoje não era sobre sonhos que eu pretendia falar. Queria falar de vidas que se renovam em anos que se iniciam. Queria falar apenas de esperanças, mas não tem como falar em esperança sem enveredar pelos meandros dos sonhos. Queria relembrar do quanto navegamos nesse ano que passou como uma flecha, apesar do Avoante ter ficado tão parado no porto.

Relembrar que iniciamos 2012 velejando em um veleirinho com nome de anjo e que nos deixou boas marcas e lembranças gostosas. Foi comandando o anjo Malaika que percebi que aquela velejada poderia ser a porta aberta para a renovação de todos os sonhos do proprietário daquele barquinho. Foi com alegria que presenciei a alegria estampada em seu rosto e a sua emoção em ver um mundo possível.

Olhar para trás e sentir o rufar dos tambores do Bumba Meu Boi lá do Maranhão e o colorido exuberante de uma natureza tão próxima da floresta, que conhecemos a bordo do veleiro Tranquilidade. Outro barco maravilhoso que abriu a porta do mundo dos sonhos para seu comandante em chefe, que sem pestanejar, nos convidou para apresentá-lo ao mundo das águas de todos os santos da velha e boa Bahia. Hoje ele vive o sonho que há muito teimava em adiar.

Olhar pelo retrovisor e ver que voltamos à paradisíaca ilha de Fernando e Noronha, uma maravilha da natureza que os homens estão fazendo o que podem para denegrir sua bela imagem vulcânica.

Abrir o livro dos arquivos para reler tudo o que já sabíamos sobre duras velejadas, mas que nunca podemos afirmar que já sabemos. Cada velejada é um aprendizado e cada milha navegada é um livro recheado de conhecimentos. As noventa e seis horas entre Natal e Recife, no mês de Outubro, foi tão rica em conhecimentos que nem nos deixou com as marcas do cansaço.

Relembrar com alegria ter iniciado o ano velejando e ter findado com uma maravilhosa navegada de Natal a Salvador levando um barco de um amigo, numa velejada das mais deliciosas e que ainda irei contar aqui nesse Diário.

Mas sem esquecer, e isso nunca esqueceremos, que a vida sempre cobra suas razões. Foi assim que em meio aos muitos bordos da vida, que ficamos sem a presença física de Dona Lindalva, minha sogra. Uma daquelas almas especiais e tão difíceis de encontrar no mundo de hoje.

Mas tudo bem, vamos seguindo em frente e traçando novos rumos nesse mar de horizontes infinitos. Traçando rumos pelas cartas náuticas da ética e marcando waypoints nos quadrantes da felicidade. Procurando sempre olhar as estrelas e através delas buscar orientações para a vida. Mirando as cidades sem entender o porquê de tantas mazelas. Mas nunca desistindo do sonho, que é a força que move o destino de nossa vida. Que venha um Feliz 2013!

Nelson Mattos Filho/Velejador

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