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Um sonho no meio do oceano

arquivo de epaminondas - atol das rocas (1)arquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-7.jpgarquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-6.jpgarquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-5.jpgarquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-3.jpgarquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-4.jpgarquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-2.jpg

Existem algumas fronteiras náuticas no Brasil que alimentam o sonho de todo velejador. Algumas são mais fáceis de atingir, bastando apenas que o comandante alie o sonho com a vontade e cumpra algumas exigências, o que é o caso de Fernando de Noronha, Abrolhos e dos longínquos rochedos de São Pedro e São Paulo. Porém a joia náutica da coroa é mesmo o Atol das Rocas. O Atol fica localizado na costa do Rio Grande do Norte, numa distância de 144 milhas náuticas de Natal e a 80 milhas náuticas da Ilha de Fernando de Noronha. No passado, não muito distante, o Atol das Rocas era destino certo de muitos aventureiros do mar e também de barcos pesqueiros. Depois da criação da Reserva Biológica Atol das Rocas em 1979 e hoje comandada pelo ICMBio, se aventurar nas águas que cercam o belo recife natural passou a ser crime ambiental, já que a área da reserva é de 360 quilômetros quadrados, incluindo o atol e toda área marinha em volta, até a profundidade de mil metros. O Atol é um sonho na imensidão de mar que o cerca. Eu já tive a oportunidade de chegar próximo, mas infelizmente não tive permissão para desembarcar, e para ser sincero, não me abalei nem um pouco, pois tudo aquilo me pareceu um ambiente frágil demais para ser tocado pelo homem. Me perdoem os meus companheiros de mar, mas concordo fielmente com a proibição. Mas tudo bem, vou voltar ao tema principal dessa postagem e deixar as polêmicas para outra hora. Mesmo após a criação da Reserva Ambiental, em 1979, o Atol continuou sendo visitado por velejadores, pescadores e pesquisadores, sem o mínimo de interferência, até a fundação da Base Permanente de pesquisa que hoje é comandada pela competente Maurizélia de Brito Silva, mais conhecida como Zelinha. Ela vira uma fera quando o assunto é Atol das Rocas, pois aquele é o seu mundo e que ela conhece como ninguém. É emocionante vê-la falar do Atol e de tudo o que aquele fragilizado ecossistema representa para o nosso mundo. Lá vou eu fugindo novamente do assunto, mas agora vou em frente: Em 1989 aportou pelo Atol um veleirinho de 22 pés batizado de Shogun, no comando estava um pernambucano arretado e com ele uma tripulação de três amigos. Todos radioamadores que desejavam contato com o mundo. Contato com o mundo no Atol? Um lugar isolado como aquele? Isso mesmo. Epaminondas, mais conhecido como Epa, batizou a viagem como 1ª Expedição de Radioamadores do Atol das Rocas. Segundo me falou o Epa, nos quatro dias em que ficaram acampados no Atol conseguiram manter contato com mais de cinco mil radioamadores de todo o mundo. Levaram inclusive uma placa que colocaram no tronco de um coqueiro, que até gostaríamos de saber se ainda existe, onde fazia o registro da Expedição. Mas isso foi há vinte e cinco anos. O Atol das Rocas é mesmo um lugar enigmático e vai continuar alimentando sonhos e desejos de muita gente. Assim espero!

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