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Uma viagem para poucos – III

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Depois de dois capítulos de lero lero e enveredando nos caminhos da filosofia de caís, chegou a hora de soltar as amarras que prendiam o Argos III ao píer da Marina Park, em Fortaleza/CE, para seguir no rumo do vento em direção a Cabedelo/PB, numa viagem dura, pretenciosa, mas nem por isso menos instigante.

Deixamos Fortaleza no finalzinho da tarde de uma Terça-Feira ensolarada. No píer o Armando Banzay, gerente da marina, e o Eudes, marinheiro, estavam a postos para soltar os cabos e nos desejar bons ventos até a Paraíba. Como velejador é um povo solidário e sempre pronto a ajudar, do veleiro Utopia, que estava ao nosso lado, surgiu o velejador solitário Marcão para auxiliar na faina de desatracação.

Conheci o Marcão há uns dez anos atrás quando ele passou por Natal em rumo batido para sua primeira volta ao mundo, também em solitário, e foi uma alegria encontrá-lo em Fortaleza já a caminho de mais uns bordos pelos oceanos que banham o nosso planeta. Quando queremos verdadeiramente realizar um sonho à utopia passa a ser apenas o veículo motivador.

O Argos III saiu de mansinho e espreitando o mar que roncava por trás do molhe do porto. O vento era o esperado japonês, na cara, mas a beleza do pôr do sol mudou o nosso foco e assim, nem percebemos quando a bela capital cearense foi ficando cada vez mais pequenininha. A natureza é incrivelmente fantástica! Continuar lendo

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Uma viagem para poucos – II

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O título dessa série de crônicas me veio em mente num dos piores momentos da navegada entre Fortaleza/CE e Cabedelo/PB, enquanto cruzávamos o Cabo de São Roque, no litoral do Rio Grande do Norte. Naquele momento pensei no livro, Uma Viagem para Loucos, que conta os primórdios de uma das regatas mais famosas do mundo e que tem como objetivo cruzar os mais tenebrosos cabos, enfrentando os mais temerosos mares, e fiquei matutando em como aqueles homens, velejando em solitário, eram valentes e valorosos com o pouco que dispunham em seus veleiros.

Lógico que nem de longe estávamos enfrentando o desafio daqueles velejadores que se tornaram lenda e referência para o mundo da vela, e nem em sonho tenho a intenção e nem o egoísmo de me tornar um deles, pois meu voo é baixinho como o de um anum. Porém, aquele mar do litoral potiguar me instigou os sentidos e me deixou a cada onda que vencíamos mais alerta.

Mas antes de prosseguir na narrativa, quero pedir um pouco de paciência aos leitores que apenas amam o mar e embarcam comigo semanalmente nas páginas desse Diário, para poder dar alguns detalhes técnicos do catamarã Argos III, o grande guerreiro dessa história, porque a turma de velejadores e afins, que também nos acompanha, implora aos quatro ventos. Continuar lendo

Uma viagem para poucos – I

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No mundo da navegação algumas rotas são cercadas de mitos, lendas, histórias, mistérios e algumas pitadas de criativas narrativas. O mar, por si só, sempre foi uma grande fonte de interrogação para o homem e por mais que a ciência tente desvendar os segredos submersos e invada os oceanos com novas tecnologias, os deuses marinhos sempre se mostram soberanos e imunes às novidades dos humanos. A natureza é dotada de infinita grandeza.

Na semana de 11 a 18 de Agosto de 2014 fomos convidados a fazer parte da tripulação do veleiro Argos III na travessia entre Fortaleza/CE e Cabedelo/PB, um trecho de pouco mais de 340 milhas náuticas, mas dependendo de alguns meses do ano, como Julho, Agosto e Setembro, a medida do percurso pode se transformar em uma incógnita de tamanho e alguns respingos salgados de sofrimento. No nosso caso, mês de Agosto, o pior deles. Convite aceito de pronto!

O Argos III é um catamarã de 30 pés, pouco mais de 9 metros, novinho em folha e construído em São Luiz do Maranhão. A travessia de Fortaleza a Cabedelo seria a segunda perna de sua viagem inaugural e participar do começo da história de um barco deixa a gente cheio de vontade. Continuar lendo