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Sabigati – Parte II

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Existe uma máxima em meio aos velejadores que diz assim: Veleiro é bom, mas o motor é que atrapalha.

O Sabigate II é um catamarã, modelo BV36, construído pelo estaleiro Bate Vento, do Maranhão, e como todos os BVs, tem pedigree de barco marinheiro, e isso eu atesto e dou fé.

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Soltamos as amarras do píer do Iate Clube do Natal na manhã do sábado, 16/02, depois de um longo quiproquó com o motor de boreste, que teimava em não beber o combustível oferecido pelo reservatório que lhe daria o sustento. Por obra e graça de algum duende que sempre povoam embarcações, o combustível não passava – e não passou mesmo – pela mangueira nem com reza braba e muito menos com os armengues testados por Pedrinho, e que não foram poucos. Por sorte, o ex-proprietário havia instalado reservatórios reservas, com 20 litros, para cada motor e isso foi a nossa redenção diante da presepada dos duendes. – Ei, Nelson, e o Sabigati num é um barco a vela? – É, rapaz, e precisava fazer essa pergunta capciosa? Pois é, um motor tira o velejador do sério e dois então…!

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Velas em cima, motores funcionando, fomos deixando para trás a cidade dos Reis Magos e ao cruzar a boca da barra os duendes mexeram mais uma vez no caldeirão, retiraram uma porção de maldades e lá se foi o piloto automático. A correia do piloto era nova, mas desintegrou-se. Tínhamos uma sobressalente, porém, não tínhamos as ferramentas necessárias para a substituí-la. Poderíamos improvisar com as ferramentas que tínhamos a bordo, mas poderíamos estragar a peça. Como éramos quatro para dividir o comando, resolvemos deixar que os duendes festejassem a vitória e tocamos o barco em frente, em um mar que mais parecia um tapete e vento Leste/Nordeste tão carinhoso impossível. Se não fossem os motores…!

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Me surpreendi com o BV36, pois já tinha navegado no BV42 e no BV43 e achei o 36 um barco mais na mão, incrivelmente fácil de navegar e não desperdiça energia da tripulação. Foi nessa tocada suave que após 42 horas de navegada, a partir de Natal, ancoramos na alagoana Maceió. Mas não pensem que a nossa navegada foi exclusivamente na força dos motores, porque a partir do Cabo Branco/PB, que aliás não tem mais os lampejos do farol, o vento entrou com vontade e somente abandonou o posto no través da praia de Tamandaré/PE, que infelizmente também está com o farol apagado. Foi uma tristeza ver que a maioria dos faróis na costa entre o Rio Grande do Norte e a Bahia estão desativados e sobre esse assunto comentarei em outro texto.

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Tivemos 42 horas de puro deleite, com quatro peixes embarcados e só não pegamos mais, porque perdemos a rapala e o carretel de linha, numa bobeira do pescador. Mas os peixes que embarcados, quatro Serras deliciosos, fez a alegria das nossas refeições e ainda sobrou umas postinhas para presentear o novo proprietário do barco. Tivemos momentos de deliciosos bate papos naquela nossa pracinha navegante e fizemos, garanto por mim e por todos os tripulantes, uma das mais gostosas navegadas em uma fração de oceano Atlântico que nem sempre – pelo menos na faixa entre o RN e PE – é bondoso com os navegantes.

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Em Maceió paramos apenas o tempo necessário para desembarque do comandante Érico Amorim, que retornaria a Natal para aniversário do filho, e abraçar os amigos que estavam na Federação Alagoana de Vela e Motor – FAVM. A parada em Maceió é uma alegria, mas a tristeza continua sendo a sujeira que se estende na praia da ancoragem. Antigamente diziam que a podridão era causada pela comunidade que ocupava um terreno entre o Porto e a FAVM, mas a comunidade foi retirada e o problema continuou. Todos sabem muito bem de onde vem o lixo que invade aquele belo recanto, que se fosse bem cuidado seria um dos pontos de maior atração na cidade do mar de esmeralda. O lixo é levado até ali pelo Salgadinho, um rio imundo que cruza a cidade e onde boa parte da população joga todo tipo de milacrias. Maceió é linda demais para suportar a falta de zelo com o Salgadinho. Mas quem sou eu para estar falando da cidade alheia! Logo eu, nascido em uma cidade banhada pela imundice histórica do Rio Potengi! Não, não poderia falar, mas falo sim, do Salgadinho, do Potengi, do Capibaribe, do Paraíba, do Rio Vermelho e de tantos outros rios jogados ao desleixo nesse Brasil sem leis, sem ordem e sem comando.

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Três horas após de ter ancorado em Maceió, levantamos velas e ao sabor dos ventos, nos despedimos daquela terra bonita, que ainda preserva os lampejos do seu lindo farol, apesar de camuflado pelos prédios que o cercam.

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A Bahia é logo ali!

Nelson Mattos Filho/Velejador 

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Aviso aos navegantes

Novo farol de maceioO velejador alagoano Roberto Buenos Ayres, avisa que Maceió já tem um novo farol: Farol de Jaraguá. Há muito que o Porto de Maceió precisava de um novo marco, já que a visada do antigo Farol estava totalmente tomada por edifícios. O Farol de Jaraguá está localizado na curva do cais do porto e tem as seguintes coordenadas geográficas e características:

 

Latitude: 09º 41′ 02.6″
Longitude: 035º 43′ 22.4″
Datum: WGS-84

Alcance Geográfico:
13 NM Alcance Luminoso:
15 NM Altura:
15 metros Altitude:
22 metros

Característica da Luz:
Lp (3) B Período:
12s Fase Detalhada:

B. 1,0 – Ecl. 1,0 B. 1,0 – Ecl. 1,0 B. 1,0 – Ecl. 7,0

A parada em Maceió

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Quando me perguntam o que vamos fazer em Maceió/AL eu sempre respondo que vamos apenas abraçar os amigos e tomar uma cerveja bem gelada no bar da Federação Alagoana de Vela e Motor. Mas na essência da resposta está incrustado, e isso poucos veem, é que é muito gostoso estar em Maceió, uma cidade bonita e de povo acolhedor e amigo, que é a marca desse nordeste velho de secas e calor. E foi lá que ancoramos, como sempre fazemos, para mais uma parada nesse nosso cruzeiro pelo nordeste. Lá encontramos o veleiro Thimshel, que fez parte do Cruzeiro Costa Nordeste 2013 e que agora iria seguir junto com a gente até a Bahia.

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Mas nem tudo são flores na capital das alagoas e muito desgoverno faz com que cenas como essa ainda sejam permitidas ao longo da Praia de Jaraguá. O lixo continua acumulando na prainha em frente a Federação de Vela e por trás do Porto de Maceió, como se nada estivesse acontecendo. Toda essa sujeira, que é a causa e a razão dos amigos velejadores se surpreenderem quando digo que adoro parar em Maceió, não vêm da pequena comunidade que habita o local, mas sim de quase toda cidade, pois ela é levada ao local pelo grande esgoto a céu aberto que corta quase a cidade inteira chamado de Rio Salgadinho. Já faz anos que escuto falar na resolução do problema, mas até agora nada. Como aquele é um recanto escondido dos olhos da cidade, a coisa fica do jeito que está e parece que vai permanecer por muito tempo, até que um filho de Deus resolva tomar ciência. Por enquanto os caras da política, da saúde e da imprensa não estão nem ai.

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 Lucia, que é escolada nos desembarques em Maceió, já tem até uma moda exclusiva para enfrentar a sujeira que se esparrama pela praia. Mas tudo bem: O que vale mesmo é que tudo o mais é muito bom, e logo que botamos os pés na Federação esquecemos dos maus-tratos das autoridades alagoanas.

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Não tem como esquecer e deixar de agradecer aos amigos Daniel e Ângela que sempre nos recebe de braços abertos e com todo carinho do mundo no restaurante Del Popollo. Como também ao casal Eugênio e Marta Lisboa e ao amigo Plínio Buenos Aires que nunca nos deixaram faltar nada enquanto estamos nas alagoas.

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Já no espaço da Federação é sempre assim: Festa, alegria e bons bate papos, e agora com uma super churrasqueira, que o comandante Ronaldinho Gaúcho resolveu testar para ver se estava tudo perfeito, e estava. Foi churrasco até umas horas e com direito até a um caloroso debate sobre o descobrimento, ou achamento, do Brasil. Ronaldo apostou todas as fichas em Porto Seguro/BA. Eu apostei, puxando a sardinha para meu lado, mas apenas a metade das fichas, na Praia do Marco/RN. Teve também apostas para Maceió e no pernambucano Cabo de Santo Agostinho. Eita Brasilzão arretado e diversificado! Tem para todo gosto e ninguém pode duvidar de nada!

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Depois de dois dias em Maceió, aprontamos o barco para tomar rumo e seguir nosso caminho pelos mares. Não pretendíamos navegar muito, apenas o bastante para ir um pouquinho mais a frente. Foi assim que, seguindo um desejo do comandante Ronaldo, traçamos o rumo até a Praia do francês/AL. Mais um excelente local de fundeio e que conto como foi em outro post.

Apoio náutico boa praça em Maceió

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Essa figura que pangaia a canoa e o Lêleu, um alagoano que está sempre a postos, junto com outros, para desembarcar pescadores e velejadores que chegam ao fundeadouro de Maceió. Dificilmente colocamos o bote de apoio na água para o desembarque na capital alagoana e essa turma raramente deixa a gente na mão. A exceção fica para quando a cachaça fala mais alto e a turma esquece a gente na praia, mas ai já é outra história. Essa forma de remar é quase uma marca registrada desses taxistas náuticos de Maceió e é uma alegria desfrutar da convivência amiga e boa praça desse povo. Todos eles já sabem que quando Lucia vai desembarcar exige que a canoa esteja o mais próximo possível da areia, mas nem sempre a coisa funciona e tome reclamação dela e replica deles dizendo assim: Dona Lucia, não tem jeito, sempre que a senhora vai descer a onda já sabe é molha seus pés. Eu pulo antes e fico me divertindo com o barulho. Pode ser Lêleu, Carlinhos, Neném e outros, mas quando você passar por Maceió não deixe de se servir do trabalho dessa turma amiga e divertida, pois eles tem sempre bons serviços a oferecer.