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Um marco para a navegação

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“…Essa é a cidade de um deus mar, de um deus mar que vive para o sol…” Pedro Mendes, cantor e compositor potiguar, musicou Natal/RN de um modo mais belo impossível e olhe que nem sei se um dia ele já se fez ao mar para ver a Cidade do Sol de frente. De lá ele veria três Reis Magos seguindo o brilho de uma estrela e dai seus versos seriam cada vez mais encantadores. Ponte Newton Navarro, um grande marco de referência da Barra de Natal e que pode ser avistado a quase 20 milhas náuticas. Não se perca, mas conte com muito cuidado as pilastras dos estaiamentos.      

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A Copa e a Ponte

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Nada como colocar o rosto no vento e escutar os sussurros que chegam como uma grande algazarra festejando o infortúnio que vem no rastro das grandes decisões equivocadas dos homens. Somos mesmo uma raça orgulhosa e cheia de vaidade tola quando temos a nosso favor a caneta da decisão. Mais vaidosos ficamos quando somos convidados para aplaudir em primeira mão as benesses que algum poderoso de plantão arma para nos iludir.

Sempre falamos mal dos famosos dribles governamentais apelidados de pão e circo, mas basta um afago qualquer que escancaramos a cara em um largo sorriso de aprovação, enquanto brindamos a cada copo servido com o líquido dos melhores rótulos. Somos bons nisso e aposto uma boa dose de cachaça Rainha se alguém me provar que nunca enveredou nessa seara.

Com a chuva caindo lá fora e o Avoante ancorado há muitas milhas de distância, numa breve férias de outono, passo horas do meu ócio voluntário a futucar notícias pela internet e me espanto a cada segundo com a ligeireza do mundo digital. É tudo num piscar de olhos e quem quiser que se meta a besta de tentar por um cabresto na fera.

Se um esquimó pula a cerca e entra numa fria lá no fim do mundo, no segundo seguinte um piauiense, de um Piauí mais quente, fica sabendo da fofoca gelada. Eita mundinho que ficou pequeno!

Mas com tanta ligeireza e com tanta informação rodando o mundo e se cruzando nas vias imaginárias da informática, ainda me abestalho com algumas notícias estampadas nas capas dos jornais como se fosse a maior das novidades do mundo. Tem mais novidade não homem de Deus, o que falta é uma boa investigação jornalista para se chegar aos fatos sem paixão ou ideologia.

Em uma dessas minhas navegadas pelas páginas da web me deparei com a história de um belo transatlântico mexicano que pretendia ancorar em Natal para desembarcar torcedores desejosos em assistir a Copa do Mundo. Pretendia, pois a altura da Ponte Newton Navarro não permite. Alias, não permite e todo mundo que flutua nas águas governamentais e turísticas já estão cansados de saber que não permite. Só não entendi o porquê do espanto!

Certa vez fui taxado de opositor e reacionário por dizer que a Ponte estava sendo construída em local errado. Para não perder a alegria apenas sorri e deixei o assunto morrer em cima da mesa. Novamente fui rebatido quando falei que a Ponte não estava concluída e não entendia o porquê da Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte liberar a navegação sob ela. Dessa vez foi um Deus nos acuda e meu interlocutor ainda me fez duas perguntas instigantes: “Não está pronta?” “E aqueles carros passando ali em cima é miragem?”.

Como gosto de cutucar o cão com vara curta emendei: Não está pronta e ainda limitou o acesso ao Porto. Pronto, fechou o tempo!

Bem, a Copa do Mundo já está dando seus dribles pelas arenas construídas Brasil afora, mesmo sem a bola estar rolando, e a cada dia vamos assistindo o festival de faltas e penalidades máximas se esparramando pelos gramados dos noticiários. Se são fatos verídicos ou simples imaginação da mente fértil de opositores eu não sei, mas que tem muito lance merecendo um tira teima isso tem.

O lance do navio mexicano em Natal não vai precisar de tira teima, pois acho que não aparecerá nenhuma viva alma, nem mesmo os deuses da FIFA, para autorizar o teste. Os mexicanos vão rumar direto para a capital pernambucana e depois de dançar frevo e maracatu, os chapelões pegaram um buzão pelas estradas da vida.

Mas o problema maior da Ponte de Todos não é sua altura, já que no Brasil nunca se ligou mesmo para a altura das pontes e isso vem dos tempos do Império. Quem tiver seus vasos flutuantes que se lixe. O problema são as defensas de proteção dos pilares, que até hoje ninguém se interessou em resolver. Acho que nem o capeta queria estar na pele de um Capitão dos Portos se por um descuido qualquer um navio triscar na estrutura das pilastras.

Numa hora dessas vai ser tanta frase começando com “eu não sabia de nada” e tantos “vamos averiguar” que no final vai sobrar mesmo para quem tiver a infelicidade de estar passando no momento de um acidente.

No mês de Março uma balsa carregada de óleo de dendê se chocou com um pilar de uma ponte no estado do Pará e tudo veio abaixo. E olhem que por lá a FIFA não apita nada.

Eh, até a bola da Copa receber o primeiro ponta pé, muita água ainda vai passar por baixo da ponte.

Nelson Mattos Filho/Velejador

E a Marina de Natal?

forte dos reis magos

Há pouco mais de cinco anos vibrei com a notícia que Natal/RN ganharia uma marina de padrão internacional, o que colocaria a capital potiguar entre os melhores destinos para cruzeiros a vela nacionais e internacionais. Mas não ficaria apenas nisso, a marina credenciaria Natal a ficar de frente para as grandes competições mundiais da vela, traria também valiosa contribuição social em forma de cursos, empregos e renda. Além de que, abriria uma imensa fronteira para o Rio Grande do Norte. Porém, a boa nova teve apenas um leve e sofrível sopro de vento e se perdeu nos escaninhos da maledicência politiqueira, que não visualiza nenhum futuro para o Estado, a não ser acordos e vantagens pessoais. É assim desde que um certo cacique avistou as Naus dos nossos descobridores e os seus olhos brilharam. “Cara pálida querer terra. Eu querer dindin.” E assim dindin chegou e índio se escafedeu. Mas vamos voltar a marina para não perdemos o rumo da prosa. Como no Brasil dificilmente um governante continua o que o outro começou e tudo é jogado na conta dos perdidos, já que não tem viva alma para cobrar, a marina não poderia ter outro destino. Um alcaide idealizou e teve que sair, o outro, ou a outra, assumiu e logo tratou de jogar lama no ventilador e uma pá de cal no local escolhido. Resultado: Por birra e egos nas alturas, Natal ficou sem a marina. Agora escutei da boca de um amigo que o novo prefeito, o mesmo que havia iniciado a história da marina, vai dar prosseguimento a navegação. Juro que ainda não vi nada sobre o assunto nas páginas dos jornais da cidade, mas vou torcer para que aconteça o mais breve possível. Natal vai ser uma das sedes da Copa do Mundo e por ser uma cidade litorânea, devera receber muitos veleiros nacionais e estrangeiros durante a competição. Hoje a capital potiguar conta apenas com o Iate Clube do Natal, que tem uma pequena e deficiente estrutura náutica, para receber os visitantes que chegam pelo mar em seus próprios barcos. A área de fundeio para a navegação amadora em frente ao Iate Clube é mínima e, apesar de ser uma área pública, não comporta nem as embarcações dos sócios. Na minha visão, a marina só trará benefícios para Natal e para o desenvolvimento dos esportes náuticos. Tomara que os homens que tem o poder de decidir, deixem de lado os seus egos, suas birras, seus interesses pessoais e seus descasos com a cidade dos Reis Magos e nos livrem de mais um daqueles costumeiros vexames politiqueiros que tanto mal trás a bela cidade do Natal. A foto que ilustra esse post foi tirada do alto da ponte Newton Navarro e foca o local onde a marina seria, ou será, construída.     

A irresponsabilidade abusa da sorte embaixo da Ponte Newton Navarro

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Mais uma vez a Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte, comandada pelo Capitão de Fragata Rodolfo Goes de Almeida, alerta para a necessidade da instalação de equipamentos de segurança nos pilares de sustentação, Dolfins, da Ponte Newton Navarro. A ponte foi inaugurada sem o equipamento e até hoje, graças aos deuses do mar, nenhum acidente aconteceu. Veja matéria completa no jornal Tribuna do Norte.