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Ponta Negra – Uma praia entregue as ratazanas

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A praia de Ponta Negra tem talvez o conjunto de paisagem mais retratado da capital potiguar. Outrora uma das mais belas praias do Brasil e recanto disputado por visitantes de várias partes do mundo, basta ver o festival de idiomas, Ponta Negra está se acabando no vácuo dos erros e descasos dos homens que tinham por dever mantê-la viva e linda para sempre, pois a natureza caprichou no traçado e a cada dia cobra a parte que lhe foi tomada de assalto. Ponta Negra era dotada de uma beleza ímpar, com coqueiros a beira mar, uma larga e vasta faixa de areia, uma vegetação de praia fora do comum e fascinantes desenhos recortados em uma conjunto de falésias que tinha até areias coloridas. Quando criança e adolescente fui veranista da bela praia dos arrastões de rede antes do nascer do Sol, das caminhadas sobre o Morro do Careca, do banho de mar em águas mornas, dos cajus e mangabas da enorme mata onde hoje está aboletado o conjunto Ponta Negra, da velha e boa vila dos pescadores e da paz silenciosa das tardes sobre as areias frias se deliciando com uma bacia de mangas.  Eita Ponta Negra velha de guerras, o que fizeram com você? Quem foi o covarde que assinou a sentença para assassinar sua linda faixa de areia e lhe condenou a ostentar uma monstruosa passarela de concreto e pedregulho? Minha cara Ponta Negra, peça encarecidamente ao mar, que lhe acaricia a alma, que aumente a força de suas ondas e mostre aos homens que eles não passam de grandes bestas quadradas. Levante-se Ponta Negra, enxugue suas lágrimas de tristeza e assuma novamente a  magnânima beleza que um dia encantou o mundo, mas antes, expulse os algozes e os crápulas de suas areias. As imagens acima podem até encantar, mas para mim, são provas de um crime sem perdão.         

Coisas que não entendo

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Confesso que tem coisas que custo a entender, mas tem outras que por mais que eu tente, o entendimento dá a bexiga e não chega. Lendo uma matéria sobre poluição nas praias e rios do Rio Grande do Norte, um estado que se declara um dos paraísos turísticos do Brasil, fiquei matutando com meus botões: O que danado quer dizer a frase “um trecho de mar”? A frase em questão se refere a praia de Ponta Negra, um dos mais belos cartões postais da capital potiguar, que segundo levantamentos feito pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte, IFRN, através do programa Água Azul, o trecho que eu nunca ouvir falar, mas que dizem ser conhecido como Free Willy – e não me perguntem o porque desse nome estrambólico – está impróprio para o banho de mar. A foz do rio Pirangi, outro cartão postal potiguar, e as águas do rio Potengi em frente a praia da Redinha, embaixo da Ponte de Todos os retratos e egos politiqueiros, também sofrem do mesmo mal, ou melhor, estão mais para fossas do que para praias. O que está queimando meu juízo – se é que tenho algum – é a frase “um trecho de mar”. Como danado os estudos chegam a um nível de certeza de que apenas um trecho está infestado de esgoto e outro a poucos metros, mais para trás ou mais para frente, não está? A Praia de Ponta Negra é uma baía e por assim ser, as correntes marinhas sofrem alteração de fluxo e refluxo a depender dos ventos e marés. Pelo menos eu na minha santa ignorância acho que seja assim. Basta caminhar nas areias da praia para ver línguas negras despejando dejetos no mar, mas isso só quem vê e o pobre mortal banhista, porque se for perguntar a alguma “autoridade” a resposta é a mesma de sempre: Vamos averiguar, fazer um estudo técnico, elaborar um planejamento, tentar enquadrar quem está causando o problema, mas sabemos que é muito difícil, porque ninguém quer se expor para denunciar. Bem, quanto ao Rio Potengi há muito sofre com o esgoto da cidade e acho até que ele nem liga mais para uma merdinha a mais ou a menos e no Rio Pirangi a pisadinha é a mesma. Aliás, o Rio Pirangi só vai aparecer nos noticiários no período de verão e enquanto isso o esgoto fica em banho maria. Alguém haverá de dizer: – Homem deixe de leseira e tome ciência, pois se nos mares olímpicos do Cristo Redentor o esgoto está no meio da canela, imagine no Rio Grande do Norte que num vai ter nem disputa de cuspe a distância!

Observações sobre o litoral do Rio Grande do Norte

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Claro que não é nenhuma novidade a informação de que navegar a partir de Natal/RN em direção ao Sul é uma tremenda trabalheira, principalmente para quem está a bordo de um veleiro. A costa potiguar é riscada no sentido Noroeste – Sudeste e como a predominância dos ventos nessa região em grande parte do ano é sul e sudeste, a fama faz jus a razão. 

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Na semana passada estive em dois pontos do litoral Sul do Rio Grande do Norte, visitando amigos que curtem os dias de verão, e fotografei duas pontas de terra que trazem dores de cabeça para muita gente. Eu mesmo já sofri um bocado. A primeira imagem é a Ponta Negra, olhada da enseada da praia de Cotovelo. A segunda é da Ponta de Tabatinga, olhada do alto do mirante dos golfinhos. A enseada que se forma entre essas duas pontas acolhe as praias de Cotovelo, Pirangi do Norte, Pirangi do Sul, Búzios e a própria Tabatinga. Todas com suas peculiaridades e com um visual de encher os olhos, mas querer se aventurar nesse miolo de oceano é o mesmo que trocar seis por meia dúzia e ainda arranjar motivos para se complicar mais a frente, no Cabo Bacoparí. Sair de Natal em busca dos mares do sul não é tarefa das mais fáceis em certas épocas do ano. Mas é preciso lembrar aqueles velejadores que vivem procurando desculpas esfarrapadas para não colocar o barco na água, que o verão puxa os ventos do quadrante norte e por isso mesmo tanto é gostoso subir, quanto descer a costa, ainda mais navegando em mar de almirante. Portanto, vamos velejar que o litoral brasileiro é simplesmente lindo!     

Essa é uma terra de um deus mar…

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A praia de Ponta Negra, em Natal/RN, sempre mereceu a estatueta da fama por fazer parte do seleto grupo dos mais belos cartões postais do litoral brasileiro. Sempre! Eu sou fã de carteirinha de suas águas mornas e de suas areias apetitosas para uma deliciosa caminhada despreocupada a beira mar, ou mesmo para sentar e deixar o tempo passar a vontade. Porém, nos últimos anos a bela praia potiguar cantada em verso, prosa e poesia parece que só tem merecido castigo por dispor de tanta beleza. Tudo começou há mais de vinte anos com a construção de uma pequena e extravagante rua a beira mar que trouxe toneladas de problemas em ritmo de atacado. Ponta Negra que era bela por natureza, passou a ter rugas de preocupação em sua paisagem exuberante. Saíram os refrescantes coqueiros  que traziam sombra e aconchego e entraram em cena maliciosos e ultrajantes guardas sol, plantados nas areias por comerciantes e barraqueiros de olho na falta de vergonha e incapacidade de governantes atarantados. Tudo foi multiplicado pela ganância humana por mais espaço e o dinheiro fácil da implacável fúria imobiliária. Sem ter a quem recorrer, o mar resolveu retomar seu território e em simplórios arroubos de força, de vez em quando destruía um pedaço da extravagância dos humanos. Vieram os ambientalistas travestidos de boas intenções e logo o circo se transformou em uma imensa torre de babel. Todos querem. Todos mandam. Todos dão palpites. Todos querem o máximo. Todos se fazem de durões, mas ninguém quer realmente resolver coisa nenhuma, pois o negócio bom é reclamar e protestar. As imagens que ilustram esse post não mostram nada do assassinato visual que a bela Ponta Negra está sofrendo, preferi assim. Queria mostrar uma praia bonita e dona de uma personalidade somente sua, por isso aparece em primeiro plano a fantástica baía de águas apetitosas, e segue com a visão da larga passarela de areias molhadas e, por fim, o belíssimo conjunto de rochas marinhas que margeiam o Morro do Careca. A natureza dotou Ponta Negra com o mais belo e nunca imaginou que um dia a cidade dos Reis Magos lhe virasse as costas. Hoje os incapazes estão construindo um incrível muro da vergonha com montanhas de pedras soltas e achando que encontraram a fórmula para reinventar a roda. A cada pedra colocada a praia se enfeia um pouco mais, mas é assim que querem os homens. Os comerciantes, que se acham únicos donos do pedaço, continuam mandando, dando ordem a torto e a direito e intimidando a quem fizer cara feia. No calçadão que está recendendo mais uns metros de incredulidade, os ambulantes já estiram suas bancas mini shoppings e em breve devem ganham o título de usucapião. É triste, mas é assim!