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Assim seja!

20181006_134317~2Para estes dias de polarização exacerbada, crenças cegas e desvairadas, palavrório desmedido transformando em escombros relações familiares e jogando pelo esgoto laços de amizades que se acreditavam indestrutíveis, fui na estante para tirar a poeira e me deliciar com a conversa civilizada, reflexiva, respeitosa e rica em ensinamentos entre dois pensadores, um ateu convicto e um padre católico. Leandro Karnal e Fábio de Melo, em Crer ou não Crer, nos mostra a dimensão de um mundo sem o ranço covarde e repugnante das indiferenças.  

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De honestidade e espanto

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Um suposto diálogo que circula nas redes sociais entre um cidadão brasileiro, em visita a Suécia, é uma vendedora de bilhete para o metrô, em que o brasileiro questiona a inexistência de circulação de passageiros por uma catraca de passe livre, chama atenção para um mundo anos luz de distância do país de Pindorama.

Diante do caudaloso rio que banha a seara internética, fica difícil saber a veracidade do suposto colóquio internacional, mas as palavras trocadas no texto dão uma dimensão das nossas faltas e muitos usuários das redes multiplicam os repasses com palavras de espanto e carinhas raivosas, como se o problema fosse apenas de falta de educação e esta fosse apenas uma deficiência alheia. Na conversa na estação do metrô de Estocolmo, diante da pergunta do brasileiro, a vendedora de bilhetes explica que a catraca de passe livre é destinada as pessoas que por algum motivo não tenham dinheiro para pagar. O brasileiro, acostumado com o velho jeitinho, elevou a sobrancelha e perguntou: – E se a pessoa tiver dinheiro, mas simplesmente não quiser pagar? A vendedora respondeu na bucha: – Mas por que ela faria isso? Sem mais perguntas, o brasileiro pagou sua passagem e seguiu viagem.

O texto prossegue falando que honestidade é um dos valores mais libertadores que um povo pode ter, o que é uma verdade irrefutável. O diálogo não me causa espanto, o que me traz esse sentimento é quando o vejo estampado em alguns perfis em que o usuário bate o prego e dobra a ponta e afirma, em letras garrafais, que tal político, mais enrolado do que palha de aço, lhe representa. Juro que tenho dó, não dele, de mim!

Nelson Mattos Filho

Sobre tempestades

mapservO brasileiro que se vangloriava de morar em um país livre das catástrofes da natureza, ultimamente vem tendo que atualizar suas convicções mais otimistas e até revendo a velha máxima de que o Criador é brazuca de coração, porque os elementos, principalmente vento e mar, tem se mostrado com cara de poucos amigos nesse século XXI. Já não bastasse a seca desgraçada que nos últimos cinco anos assola o sertão nordestino, o mapa do Brasil parece que entrou de vez no circuito das tempestades endiabradas e até já foi lambido de raspão dias atrás pelo rabo de um furacão assustador que entrou pelo norte e saiu matando e destruindo tudo que encontrava pela frente, Caribe acima, até encontrar as terras do Tio Sam do mestre Obama. Essa semana o Sul e Sudeste brasileiro está sendo castigado por uma tempestade tropical batizada de Dani, que se danou tanto que fez soprar ventos a mais de 90 km/h sobre o Rio de Janeiro. Aliás, o Rio começou a semana em clima de tempestade política, com dois ex-governadores, mais santos do que os santos do mundo, olhando para o Cristo Redentor por uma janelinha quadriculada. Pois é, o clima no Brasil está mudando, e mudando tão rápido que está pegando muita gente com as calças na mão e deixando outros macambúzios.