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O homem do mar

ENXU QUEIMADO (70)

O homem e o mar numa conversa sincera, simples, respeitosa, inteligente e incrivelmente silenciosa. É assim o homem do mar!

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Palavra de pescador

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“Isso é que é embarcação para viajar. Para quem gosta de paz”. O Avoante navegava lentamente nas águas macias que banham o canal interno da Ilha de Itaparica, enquanto minha mente vagava faceira e meus olhos dançavam sobre a paisagem que se debruçava sobre as águas. Fui despertado dos meus devaneios pela frase que começa esse texto, dita por um pescador solitário a bordo de uma tosca e bela embarcação.

O pescador, com um olho no peixe, outro nos movimentos da natureza e os dois atentos a tudo que o cercava, acompanhava a passagem em câmara lenta do Avoante, naquela preguiçosa velejada matinal. De longe eu já havia percebido o seu olhar de admiração diante da aparente tranquilidade da nossa aproximação e que destoava em muito com a passagem furiosa de uma poderosa lancha, minutos atrás, que deve ter mexido com a indignação daquele homem do mar.

A história e os contos náuticos define o homem do mar como pessoa rude e forjada no caldeirão borbulhante de sal, cascas de mariscos, algas e temperado com pitadas dos elementos que castigam e definem a alma, mas nem por isso, menos amáveis e cumpridores das regras. Essa mistura saída das profundezas abissais dos oceanos o deixa solidário, respeitoso com seus pares, e mesmo na atrocidade das guerras, o faz reconhecer a bravura e inteligência inconteste do inimigo. Hoje, nesses tempos modernosos em que a pressa literalmente se definiu como inimiga da perfeição, o homem que se diz do mar perdeu o rumo da história.

Concluí que a frase do pescador, festejando a passagem do Avoante, era sua resposta ao escarcéu motivado pela poderosa lancha que passou a toda velocidade. Diz o manual da boa prática marinheira que uma embarcação ao cruzar ou ultrapassar outra em velocidade inferior, ou que esteja ancorada, principalmente pequena embarcação, deve diminuir a velocidade. Pelo menos é assim que diz a regra da boa educação marinheira.

Mas para que servem as regras se não para serem descaradamente desobedecidas? Se no trânsito das cidades, onde as coisas são infinitamente mais perigosas, policiadas e vigiadas, vemos verdadeiros absurdos, avalie no mar.

O novo homem do mar quer definir sua posição sobre as águas pela potência dos motores que rocam nos porões, como também pela beleza plástica do desenho e pelo valor pago pela embarcação. Para ele não existe nada que breque a sua ânsia de demonstrar poder e sua condição social abastada. E a Lei? Lei? A Lei é para os menores em tamanho e potência.

Certa vez conversando com alguns amigos falei que pretendia comprar uma super lancha, dessas em que o brilho é mais intenso do que o Sol. Perguntaram o por que. Falei que queria ver qual a sensação de passar próximo a veleiros e cumprir a regrar dos militares em desfile, quando passam no palanque das autoridades: Virar o rosto em direção ao palanque e só desfazer o gesto quando terminar o palanque. Pois é assim mesmo que fazem os comandantes e tripulantes das lanchas: Se viram todos para olhar o veleiro sacudir e só desviram quando as marolas diminuem. É um gozo!

Tenho batido nessa tecla várias vezes e vou continuar batendo sempre. Não quero com isso criar inimizades e nem ensinar boas maneiras a quem não tem o menor interesse em aprender, mas quem sabe um dia pelo menos um desses comandantes se conscientize e comece a ver o mar como uma escola para boas atitudes.

Se em um veleiro de oceano, que é preparado para enfrentar grandes ondas e fortes temporais, a coisa é um terror, imagine em uma simples canoa de pesca! Não adianta vir com a desculpa que uma lancha ou moto aquática, mesmo diminuindo a velocidade, provoca marolas retardadas devido à velocidade em que navegam. Pois se é assim, porque não diminuem algumas milhas atrás ou quando sabem que estão próximo a um fundeadouro?

Comandantes e condutores de embarcações que desrespeitam essa regra não devem saber que estão expondo pessoas em perigo real de acidente. Se sabem, e mesmo assim desrespeitam, é porque têm a certeza da impunidade.

Mas não pensem que tudo isso acontece apenas em nosso Brasil tão cheio de mau caminho, pois vivemos em um mundo em que tudo se globaliza, até os costumes e a má educação.

O pescador solitário que festejou a nossa lenta velejada fechou sua frase com a palavra paz. Vindo da boca de um homem simples e que parecia sem muita escolaridade, percebi o quanto o nosso mundo está fora do rumo.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Dia do Marítimo

6 Junho  (273)6 Junho  (274)6 Junho  (308)6 Junho  (328)8 Agosto (151)8 Agosto (299)IMG_0011IMG_0066

Hoje, 26 de Setembro de 2013, se comemora o Dia do Marítimo Mundial, um evento que chama atenção para a importância global das industrias marítimas para o comercio global, como também promover a segurança no transporte marítimo e proteção ao meio ambiente. Poderia ilustrar esse post com grandes embarcações comerciais, mas preferi homenagear aquele que faz do mar o seu mundo e retira dele o seu sustento: O pescador e seus maravilhosos barcos artesanais. 

PAPO DE PADEIRO

Navegando pelo site Globo.com, me deparei com a notícia de um padeiro australiano que diz que pegou um peixe de 1,25 metro e 30 kg com as mãos. Ele diz que estava passando de carro numa estrada próximo a um canal de irrigação quando viu o barramundi, peixe do norte da Austrália, pedindo para ser pego. Parou o carro e se agarrou com o peixe e uma história de fazer qualquer um ficar olhando para ele meio atravessado. Ele diz que levou 15 minutos para pegar o bicho e o mais difícil foi retirar o barramundi do canal. Ainda bem que o cara é padeiro, se fosse pescador seria outra história.