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O meu manifesto

7 Julho (167)

Recentemente postei aqui a notícia sobre uma proposta parlamentar de incluir as embarcações e aeronavas na cobrança do IPVA, click e veja. O post mereceu vários comentários, contra e a favor, e por isso resolvi escrever o texto abaixo sobre o assunto e que foi publicado na coluna Diário do Avoante, que escrevo semanalmente para o Jornal Tribuna do Norte, tendo como base o livro A Saga do Barcaceiro, do navegador alagoano José Fernando Maya Pedrosa

Pra tudo precisa sorte/Até pra andar no mar/Onde as águas balançam/Eu queria morar/Pra tudo precisa sorte/Até pra navegar. (do cancioneiro das barcaças).

Há três classes de homens, os vivos, os mortos e os que estão sobre o mar. (Anacasis de Rodes. VI AC).

Chegou minha vez de se manifestar, mas antes quero navegar pelo mar da sensatez e pela riqueza dos livros.

No livro A Saga do Barcaceiro, lançado em 1994, o autor José Fernando Maya Pedrosa faz mais do que uma denúncia, quando diz que ao iniciar sua pesquisa notou a carência de fontes escritas, porque as pessoas frequentemente não valorizam o documento para os estudos do passado e deixam que os elementos da natureza os destruam, quando não o queimam como papel imprestável. Para o autor: “Os armadores, exportadores e construtores não guardam quase nada. Os marinheiros, por sua vez, guardam apenas uma ou outra foto e alguns documentos trabalhistas. E as repartições públicas somente se sentem obrigadas a preservar documentos de valor administrativos mais recentes”. O descaso com a história é sem tamanho.

Na busca por informações, o autor diz ter mergulhado a fundo nas conversas de pé de orelha com antigos mestres, marinheiros, construtores e armadores, mesmo sabendo da limitação da tradição oral, porque essas raramente podem ser confirmadas, mas não imprescindíveis e de grande valor para a reconstrução dos fatos. Muitas vezes sua busca levava aos caminhos estreitos dos cemitérios apenas para comprovar que alguns registros estavam guardados para sempre.

José Fernando cita o livro “A Bahia e seus Saveiros – Uma tradição que desapareceu”, de Theodor Selling Jr, que concluí assim: “Poucos brasileiros cuidam do estudo de nossas embarcações regionais, e estrangeiras ainda menos”. O autor de a Saga do Barcaceiro louva ainda o maior dos mestres da cultura popular Luiz da Câmara Cascudo escrevendo assim: “Pena não tenha havido um pesquisador tipo Câmara Cascudo, autor de “Jangadeiros”, editado pelo Ministério da Cultura em 1957, para registrar a vida barcaceira em seu próprio tempo”. Continuar lendo

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IPVA sobre veículos aéreos e aquáticos.

4 abril (142)

Amigos navegadores, é bom começarmos a botar as barbas de molho, abrir as Cartas Náuticas para traçar rotas alinhadas com a razão e  apontar os canhões das nossas naus sobre os sanguessugas. Tramita no Congresso, sob os aplausos de 172 Deputados Federais, entre eles quatro de meu Estado, o Rio Grande do Norte, as PECs 283/2013 e 140/2012 de autoria do Deputado ASSIS CARVALHO – PT/PI, para que seja alterado o inciso III do art. 155 da Constituição Federal determinando que ao IPVA, Imposto sobre Veículos Automotores e Terrestres, seja incluído os veículos aéreos e aquáticos. O assunto já entrou na pauta das discussões da ABVO, Associação Brasileira de Veleiros de Oceano, timoneada pelo Comodoro Lars Grael, e também de outros segmentos do mundo náutico.