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VISÕES DE UM DEVOTO NAVEGANTE

                                                                     

                                    Não sei o que é pior, se as doenças da alma ou se as do corpo. Quando viemos morar a bordo viemos em busca de jogar no mar as doenças da alma, o stress, as chateações, os mal entendidos, as agruras cotidianas que a cada dia se tornam mais agressivas, sem limites e, que é pior, sem soluções.

                                   Ao longo de nossa vida a bordo do Avoante, já atiramos no mar uma boa parte dessa carga acumulada, mas ainda falta muita coisa. Um dia a gente chega lá!

                                    As doenças do corpo, essas ficam muito difíceis da gente se desvencilhar. Até porque no decorrer dos anos vamos ficando com a validade vencida e assim o corpo vai precisando cada vez mais de manutenção. Isso é a vida!

                                   Mas vamos deixar de conversa fiada é vamos partir para o nosso Diário, mas se não fosse umas dores do corpo, que me atormentam há dois meses, o nosso Diário teria uma cara muito mais alegre, cheio de aventuras, lugares que lavam a alma e muitas novidades para o prazer de todos nós.

                                   Fui presenteado com uma hérnia cervical que vem tirando minha paciência e me amarrando cada vez mais em terra. O Avoante já me olha meio atravessado, tentando decifrar meus pensamentos e a cada vez que me sento à mesa de navegação o sinto fazer alguns alongamentos, na esperança de que dali saia à ordem para levantar âncoras e içar velas.

                                   Mas, a vida segue o seu rumo e com navegadas ou sem navegadas, a verdade é que continuamos fiéis ao nosso mundo náutico e a cada dia renovamos as nossas esperanças nessa vida que bem escolhemos.

                                   A cada dia que amanhece e que acordamos sobre as águas do Potengí, presenciamos a vida que se renova nessas águas tão incompreendidas pelo homem da cidade.

                                   A cada dia que se vai, somos brindados pela magia e todo esplendor do Pôr-do-Sol sobre o Potengí, num dos mais belos espetáculos de nossa cidade. Uma dádiva da natureza, numa demonstração de sua incrível paciência e tolerância com seus agressores.

                                   Do cockpit do Avoante, nos chega os aromas coloridos da praia que dá as boas vindas ao navegante que adentra o Porto de Natal. A praia da Redinha com seus peixes fritos com tapiocas, suas tainhas deliciosas e seus cajus mais doces. O gosto forte e saboroso da cachaça e o refrescante sabor de uma cerveja bem gelada nos boxes do Mercado.

                                   Plantada nas areias de uma praia que agoniza espremida entre o progresso torto de uma ponte e a beleza da história que ainda ecoa por entre as pedras de uma fortaleza brilhante como a própria estrela dos Reis Magos, avistamos do nosso pequeno espaço, as pedras negras da Igrejinha da Redinha. De lá, uma Nossa Senhora dos Navegantes espera pacientemente a comemoração do seu dia para poder sair de sua redoma e ver com seus olhos, bem abertos, que as promessas dos homens não passam de palavras jogadas ao vento.

                                   Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira dos homens do mar, Mãe dos pescadores e Senhora amada pelos nativos e antigos veranistas de uma Redinha esquecida, mas que de tão simples e apaixonante ainda resiste ao mundo e aos homens que acham que tem o poder.

                                   Do Avoante, vimos Nossa Senhora dos Navegantes, num Domingo de festa, sendo cortejada e levada num dos seus barquinhos, pelas águas de um rio que sempre a acolheu. O seu dia foi festejado com todo fervor por aqueles que reconhecem a sua força e sua bondade.

                                   Faltou a pompa e alegria de uma Banda de Música da Marinha, que em anos passados sempre se fazia presente, mas este ano vimos crescer o número de embarcações a seguir a Santa padroeira. Eu contei 23, poderia ser mais, mas foi bem maior do que as 11 do ano anterior e com certeza bem menor do que as que não quiseram prestigiar a Santa e foram se esbaldar nuns Parrachos para lados de Pirangí. Não acredito que a Santa castigue os navegantes, mas a coisa não anda bem para os lados da bela Pirangi. Foi muita coincidência!

                                   Pedi minhas melhoras a Santa e acho que ela vai conceder.

 

Nelson Mattos Filho

Velejador

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PARRACHOS DE PIRANGÍ – A POLÊMICA

O IBAMA baixou portaria proibindo toda e qualquer embarcação ancorar nos Parrachos de Pirangí. Tudo começou com o evento Carnaparracho, que estava sendo organizado por um DJ de Natal e que criou muita discussão durante uma semana. O evento não aconteceu, mas a briga continuou. Como o local é o mais disputado do litoral potiguar no verão e point de 9 entre 10 lanchas que circulam nos mares da capital papa jerimum, a coisa pegou fogo. Até a empresa Marina Badauê, que atua a mais de 20 anos no local levando turistas e nativos num passeio sem igual, fica proibida de operar na área. Isso porque as autoridades somente agora descobriram que a empresa não tem licença para utilizar o Parracho. Será? Sou completamente a favor das regras e Leis que preservem o meio ambiente. Acho até que os Parrachos de Pirangí tinha que realmente ser preservado como outros pelo Brasil afora, mas essa portaria  de última hora tem um efeito devastador de autoritarismo. Os cidadãos que frequentam os Parrachos, em suas potentes lanchas e outros barcos, não podem ficar na alça de mira das armas dos fiscais do Ibama, nem de suas canetadas sem nem saberem porque. Se algum impedimento existisse quanto a navegação e ancoragem nos Parrachos, a Capitania dos Portos era a primeira a ser notificada. Não pode uma instituição como o IBAMA, de última hora, sair procurando corais, peixinhos, tartarugas, golfinhos e outras espécies somente por ter sido cutucada pela mídia. A muito tempo os Parrachos são utilizados e a muito tempo eles são devastados, por que somente agora por causa de uma festinha ele passou a ser impedido. Quanto a empresa Marina Badauê, garanto que os mesmos fiscais que hoje proíbem a empresa de operar, já fizeram esse passeio em várias ocasiões sem ver nenhum problema. A portaria vem no eco de uma vaia náutica e movida com a mesma ira que um dia deu fim a vida de uma criança que caçava arribaçã. Não precisamos do Estado policial, precisamos de um Estado em que os direitos e deveres sejam claros e respeitados. Preservação sim, mas autoritarismo desvairado não!

PARRACHOS DA DISCÓRDIA

Se não bastassem os problemas de som alto e desrespeito a boa convivência entre os moradores e veranistas, agora a praia de Pirangí tem mais um problema a resolver. Dessa vez num dos seus mais belos cartões postais, os Parrachos. A muito tempo precisando ser regulamentado o uso sustentável do lugar, mas sem o menor interesse, até então por partes das autoridades competentes, bastou um organizador anunciar um carnaval movido a barco elétrico para todo mundo cair de pau na festa e aparecer mil e uma regras e pitacos de última hora. Coisa bem natural no Brasil! Não fui ver a pendenga de perto, mas pelos comentários deu para imaginar o festival que teve como ponto alto uma grande vaia por parte dos banhistas e tripulantes, das muitas lanchas ancoradas no local, nas autoridades que se fizeram presente. Dizem que vai sair do forno uma nova APA, mas como estamos mais próximos do que nunca do carnaval, acho que se sair uma boa pizza tá de bom tamanho.