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Chineses inauguram parque solar flutuante

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Os chineses, que são considerados o povo mais poluidor do mundo, dá mostra que deseja acabar com essa má fama e passa a bola para os americanos, do galego do topete, que arrota verborragia contra os recentes acordos para melhorar o clima do planeta. Pois bem, os chinas mostram ao mundo a sua segunda usina flutuante de energia solar e a maior delas, com capacidade de produzir 40 Megawatt, energia que pode facilmente abastecer uma cidade com 15 mil residências.  Além de utilizarem águas dos lagos para a implantação de parques solar, os chineses já construíram a maior usina solar do mundo que é o  Parque Solar Longyangxia Dam, com uma área instalada de 25 quilômetros quadrados. Recentemente um grupo chinês assinou protocolo de intenção com o governo do Rio Grande do Norte para construção de uma fábrica de painéis para um futuro parque solar na região do Mato Grande, que tem instalado em suas terras o maior parque eólico do Brasil.  Pois é, apesar de toda desgraceira que se noticia por aí, muitos países sonham com um futuro melhor. Agora uma dúvida do meu amigo Paulo Menezes Guedes: “E o impacto ambiental desses parques flutuantes? Será que eles não criam zonas de sombras para o bom desenvolvimento da vida marinha?” Boa pergunta! Fonte: O Globo       

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Cartas de Enxu 03

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Enxu Queimado, 30 de setembro de 2016

Meu caro Afonso, bem que a vidinha por aqui poderia ter seguido na mesma mesmice que você viu há uma semana, porém, a campanha eleitoral entre os vermelhos e os laranjas – é preciso dizer que por aqui laranja é a cor de um partido – andou mexendo com o ânimo dos eleitores e pelas delongas dos palanques, a coisa vai ser decidida no pau a pau. Um lado diz que é liso, o outro fala em dar lapada a torto e a direito, enquanto isso, o povo sai doido em um pula pula quase que sem fim. Tomará que chegue logo os finalmente para ver o resultado da prova dos nove. Meu amigo, por aqui chegaram notícias entristecidas que dão conta que pelos recantos desse Brasil sem rumo os caras estão matando um político e deixando outro amarrado para o outro dia. O que danado é isso homem de Deus? Será que já chegou o dito tempo do retorno, onde os homens se engalfinhavam até por um alegre bom dia? Está parecendo aqueles velhos filmes de Django. Pois é, a bala está comendo no centro e ainda não vi ninguém fazer um pantim para ir as ruas reclamar.

Amigo, pois não é que o violão que você me deu de presente está fazendo o maior sucesso entre os passantes. Rapaz, eu sento na varandinha da choupana e fico naquele moído do, pan, pan, pan/pan, pan, pan, pan/pan, pan e quando a turma passa, comenta: – Eita Nelson, tirando um som aí né? Eu, fazendo pose de quem já sabe, respondo: – Estou ensaiando uns acordes novos!

Sim, já ia esquecendo, pois não é que eu voltei a caminhar, e em plena sexta-feira. Onde já se viu alguém começar a caminhar numa sexta-feira? Pois começamos e tudo indica que já iremos parar amanhã. Tudo indica, mas não é certeza. Pelo menos as estatísticas dizem que sim. Qual estatística? Sei lá, mas deve ter algum estudo sobre isso por aí. Deixando de lado a matemática, eu adoro caminhar e pensar na vida, porque acho que tudo se acomoda em nossa cabeça enquanto caminhamos e os pensamentos ficam oxigenados e mais libertos – com essa agora lembrei do amigo Flávio Rezende. Até os médicos juram de pés juntos que não existe nada melhor para o coração do que uma boa caminhada diária. Eu também acho, mas a danada da preguiça não acha e quando dou por mim ela assume o controle, e eu é que não vou discutir com ela. Se ela quer assim, assim será!

Você viu falar que hoje é dia de uma tal Lua Negra? Pois é! Os cabocos não têm mais o que inventar no mundo aí se danam a pintar a Lua. Um dia é azul, outro é vermelha e agora é negra. Os homens das ciências lunares dizem que quando calha de ter duas Luas novas durante o mesmo mês, a segunda é negra, mas como ninguém enxerga mesmo a Lua nova, fica tudo como está e o dito pelo não dito. Já teve gente dizendo que quando isso acontece, e acontece a cada dois anos, a besta fera corre solta no meio do mundo e tem quem diga que até o chupa cabra dá as caras. Eu andei assuntando por aqui, porém, ninguém sabe desse assunto de Lua negra, por isso resolvi ficar quieto e vou tentar escutar se algum pocotó ecoará pela noite.

Amigo, a caminhada de hoje foi longa e aproveitando a maré baixa, que estava baixa mesmo, deu para pensar um monte de arezia. Você sabia que as paisagens das nossas praias estão mais desfocadas do que retrato de piquenique. Rapaz, as torres dos geradores eólicos já estão quase no beicinho da praia e do jeito que vai, basta Netuno acordar com o tridente virado para engolir tudo. Até as dunas móveis, outrora tão defendidas pela turma verde, já se foram dessa para uma melhor. Aliás, os informes jornalísticos dizem que pelos países primeiro mundista as torres já avançaram mar adentro e já devem estar servindo até de baliza para tirar carteira de marítimo. Pense aí o instrutor dizendo ao aluno: “Encoste o navio de ré entre aquelas duas torres”. Ei, se o cara não for bom não bota nem a pau!

– Você está rindo? Pois não ria não, porque daqui uns dias, quando acabarem as dunas e as caatingas do nordeste, você vai ver o cancão cantar nas hostes de Iemanjá. Vai ser tanto resmungo, tanto amuo, tanto arranca rabo da turma do verde, mas tudo vai entrar num ouvido e sair no outro, pois a turma do progresso é mais arroxada do que dindin. Duvida? Duvide não, pois está tudo aí para provar a verdade! Eu só fico pensando é na turma da vela. Você já pensou a peleja que será ficar dando bordo aqui acolá para se livrar daquelas palhetas gigantescas? E por falar em palhetas: Você sabia que uma pazinha daquelas, que gira nas torres eólicas, pesa mais de 7 toneladas? – E daí? Sei lá, mas eu soube e quis espalhar!

Pois é Afonso, os assuntos são muitos, mas se falar tudo, falta assunto mais para frente. Bem agora vou armar a rede na varanda e tentar ver a sombra dessa Lua negra.

Até mais.

Nelson Mattos Filho

Energia

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Energia: fontes e distribuição

 

 

Energia limpa?

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Negar os benefícios da energia limpa é difícil, mas justificar dizendo que ela é a redenção para o futuro da humanidade, é um pouco demais diante desses tempos estranhos. Ecologistas, dublês de ecologistas, ONGs, órgãos ambientais e pitaqueiros, batem tambores e emitem sinais sonoros para festejar as florestas de torres de geradores eólicos que se espalham aos quatro ventos pelo mundo. No nordeste brasileiro a energia eólica tem trazido esperanças de melhores dias para pequenos municípios e mudado a vida de muita gente. Imensas áreas são disputadas palmo a palmo por investidores antenados na força dos sopros de éolo. No litoral do Rio Grande do Norte e do Ceará, encontrar uma área desocupada para erguer uma torre eólica é o mesmo que procurar agulha em palheiro. Acho até que tem mais torres do que chão, tamanho é a grandeza do parque já em funcionamento. Os técnicos festejam e anunciam que a energia limpa já responde por 5,8% da produção brasileira e até o Greenpace já canta a bola dizendo que a partir de 2050 o Brasil terá toda a sua matriz energética oriunda das fontes limpas. Quem sou eu para dizer o contrário, mas noto uma cegueira danosa nas palavras dos técnicos e dos ecologistas, porque eles esquecem, ou viram o rosto para não ver, ou se fazem de doidos, ou sei lá o que, de observar e falar do mal, presente e futuro, que os campos de geradores eólicos vem causando as dunas, matas da caatinga, fauna, flora e paisagens brasileiras. As dunas praticamente foram dizimadas do mapa e a caatinga está em terrível e acelerado processo de extermínio. Quem irá pagar essa conta? Vale lembrar que a Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro e seu patrimônio biológico não é encontrado em nenhum outro lugar do mundo. No site do Ministério do Meio Ambiente está escrito assim: “A caatinga tem um imenso potencial para a conservação de serviços ambientais, uso sustentável e bioprospecção que, se bem explorado, será decisivo para o desenvolvimento da região e do país. A biodiversidade da caatinga ampara diversas atividades econômicas voltadas para fins agrosilvopastoris e industriais, especialmente nos ramos farmacêutico, de cosméticos, químico e de alimentos”. Eh, a mistura “científica” entre ecologistas, conglomerados financeiros/empresariais, diretrizes governamentais e interesses multifacetados, dá uma mistura esquisita danada! A imagem que ilustra essa postagem é do blogueiro André Correia, blog Folha de Pedra Grande, e reflete dunas devastadas na praia de Enxu Queimado, litoral norte do Rio Grande do Norte.

Coisas do progresso

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Nada contra as fontes de energia renovável, mas o que estão fazendo com as dunas e matas virgens que são uma das molduras de beleza do litoral brasileiro é um crime ambiental que até agora passa despercebido do grande público. Montanhas de dunas estão sendo destruídas sem a menor cerimônia e o desmatamento, que não acontece somente no litoral, ameaça a fauna e a flora de grande parte do interior brasileiro, tudo para serem erguidas as torres dos geradores eólicos. Enquanto isso, os fiscais do meio ambiente apontam suas armas para os pequenos pescadores de lagosta e os caçadores de arribaçã. Mas como diz o ditado: “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa” . O homem, em pleno século XXI, ainda não aprendeu a lidar com o progresso sem precisar desmontar a natureza.