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Eita Paraíba arretada!

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A Praia do Jacaré, em Cabedelo/PB, famosa por seu belo pôr do sol, que todos os dias recebe uma solitária homenagem de um saxofonista, é mais um excelente ponto de ancoragem de cruzeiristas no vasto litoral brasileiro. O Jacaré, como é mais conhecido no mundo náutico, conta com mais de 80 vagas para veleiros em suas várias marinas e hoje já é uma referência para velejadores do mundo todo. Não sei como os paraibanos estão driblando as fortíssimas leis ambientais que engessam e emperram a construção de marinas e iates clubes no Brasil, mas merece os nossos parabéns, por apostar no crescente mercado turístico da vela de cruzeiro. Mercado que infelizmente não aparece nas estatísticas oficiais. Infelizmente também é que o Iate Clube da Paraíba, que num passado recente já esteve no alto do pódio, hoje não existe mais. Foi vitimado por ingerências administrativas e egos envaidecidos, como muitos outros por esse Brasil afora.

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UM MAR MUITO AGITADO

                                                                       Natal é uma cidade praieira, com um litoral fantástico, varrida por ventos alísios e localizada na esquina do continente sul americano. Aqui o vento faz, literalmente, a curva. Sua localização, de tão privilegiada, já foi palco de grandes arsenais de guerra. E segundo grandes estrategistas militares e historiadores, por aqui passou a bomba que mudou a humanidade. Se passou eu não sei, mas essa história de bombas, guerras e bases estrangeiras, parece que até hoje mexe com o imaginário e atiça a desconfiança dos nossos governantes.

                                   Estamos a quatro anos de um grande evento esportivo e até agora ninguém tem a certeza se ele vai chegar por aqui. Tem gente que anda tão desnorteada com o ano de 2014 que parece que ele já vai ser na próxima segunda-feira. Fala-se na Copa do Mundo de 2014 num modo tão íntimo que estamos à beira da Copa de 2010 e parece que nossos futebolistas e torcedores nem se deram conta. A onda é demolir, demolir e demolir. Já tem até autoridade clamando o povo para uma tal marcha da demolição. No mínimo vai todo mundo armado de martelos e picaretas, sem trocadilho, acompanhado por uma banda de forró e com um cantor incitando a multidão: Cadê o gritinho da Galera?

                                   Mas, como não sou tão fanático por futebol assim, a ponto de fechar os olhos para a beleza poética de um Estádio que já foi considerado um dos mais belos do Brasil. E que agora, para suprir algumas necessidades financeiras de grandes espertalhões, vai ser demolido sem apelação, apenas para que Natal receba dois jogos de uma Copa do Mundo. Vou ficando do lado dos querem construir uma boa infra-estrutura social ao invés de demolir o que está pronto.

                                   Em outras oportunidades já falei sobre Natal ser um grande destino turístico náutico. Já não somos considerados um porto de chegada, estamos relegados a porto de passagem, aonde veleiros de outras partes do mundo e do Brasil, vem aqui apenas em último caso. Simplesmente não temos a menor infra-estrutura náutica. Perdemos espaço para a vizinha Paraíba e sua pequena praia do Jacaré, com várias marinas construídas e outras em vias de ficarem prontas.

                                   Pelo que eu entendo de Copa do Mundo, olhando pela visão náutica, o mar é uma grande via de acesso de torcedores e visitantes interessados no evento. Ter um bom local para fundeio e acolhida desse povo que usa o mar como estrada é o básico. E olhe que não são poucos barcos. Estamos falando em centenas de veleiros e iates, sem falar nos navios de passageiros que terão o Brasil pela proa.

                                    A Paraíba de mulher macho sim senhor, já vislumbra o poder de uma Copa do Mundo no Estado vizinho é investe pesado no turismo náutico. Aqui, ficamos no oba-oba e numa briga feroz para derrubar tudo. Um simples píer flutuante para acolher umas poucas embarcações vira motivo de ira santa de descontentes e pitaqueiros de plantão.

                                   No Rio Grande do Norte, rico em praias e com um litoral de mais de 400 quilômetros de extensão, aprovar um píer ou uma marina é uma das coisas mais complicadas do mundo. Uns não sabem por que estão proibindo e outros não sabem por que foram proibidos.

                                   O projeto da Marina de Natal, que se olhado por quem tem olhos no futuro traria mais benefício e melhorias para Natal do que um novo estádio de futebol, encalhou em meio à burocracia deslavada e sem nenhuma perspectiva de sair de lá. A marina abriria as portas de Natal para os grandes eventos náuticos que hoje movimentam bilhões de dólares ao redor do mundo. Sem falar que toda a estrutura seria montada com dinheiro de investidores privados, o que não é o caso do Estádio da Copa que vai torrar o Real que poderia ser destinados a saúde, segurança, educação e transparências das Leis.

                                   Na esteira da Marina de Natal viriam outras marinas, mais empregos e uma nova cara para o turismo do Rio Grande do Norte, como acontece com os nossos vizinhos paraibanos. 

                                   Que venha a Copa de 2014, mas em primeiro lugar o desenvolvimento de nosso Estado.

Nelson Mattos Filho

Velejador

INFORMAÇÕES INTRIGANTES

Vendo o site do Jacaré Yacht Village, fiquei intrigado com alguns informações desvirtuosas sobre Natal. Lá esta dizendo que Natal tem uma abordagem movimentada por fortes correntes e pouca profundidade, Diz também que a única ancoragem, situada na zona portuária, revela-se perigosa, sobre fundo inconstante de lodo, e em proximidade da rota dos navios, sobrando pouco espaço para manobra. Ainda fala que Natal tem um pequeno Iate Clube e não tem lugar no pier para barcos visitantes. A praia do Jacaré, situada na cidade de Cabedelo é realmente um belo destino para cruzeiristas do mundo todo e o Jacaré Yacht Village é o único destino para veleiros que procuram suas águas, já que o Iate Clube da Paraíba não esta funcionando. Mas, desaconselhar os velejadores estrangeiros ou mesmo brasileiros a procurar Natal, não esta de acordo com os manuais da boa convivência no mar. A barra de Natal é de muito fácil acesso e totalmente sinalizada. O Iate Clube do Natal esta sim localizado na zona portuária, como vários outros pelo mundo, mas tem uma ancoragem muito segura e com seu fundeadouro demarcado e totalmente fora do canal de tráfego de navios. O Iate Clube do Natal realmente não dispõe de pier para visitantes, mas esta entre os mais belos e aconchegantes clubes náuticos do Brasil, dispondo de piscina, sauna, quadras de tênis, restaurante, barzinho, salão de jogos, oficina de manutenção, internet, sala de TV, auditório, museu, abastecimento de combustíveis, segurança 24 horas e ainda de Terça a Quinta-Feira o espetáculo Pôr-do-Sol do Potengí, com 2 horas de música ao vivo e da melhor qualidade. Natal tem ainda o calor e a alegria de um povo extremamente hospitaleiro. Se você preferir, vá ao Jacaré/PB, mas não deixe de vir, ver e viver Natal.

VELEJANDO NO ALTO DA SERRA

Deixamos o Avoante sozinho por um final de semana e pegamos a estrada em direção a cidade de Bananeiras/PB, localizada na Serra da Borborema, numa belíssima região denominada de Brejo paraibano. Bananeiras fica a 130 quilômetros de João Pessoa e a 160 km de Natal. Situada a 526 metros acima do nível do mar e com uma temperatura das mais agradáveis para o clima quente desse nordeste velho de guerra. Os técnicos dizem que a temperatura dessa bela, gostosa e aconchegante cidade serrana paraibana varia entre 28º e 10º centigrados. Eu, acostumado ao calor dessas bandas quentes do Brasil, acho que varia de 5 a 15º, porque se não fosse uma branquinha com nome de Rainha, o negocio estava complicado. Eitá friozinho gostoso!

A viagem de carro, a partir de Natal, é toda em estradas asfaltadas, se bem que alguns trechos, ainda no Rio Grande do Norte, não se pode afirmar se tinha asfalto nas crateras ou se eram crateras sinalizadas por asfalto. Mas, vamos deixar essa parte de lado e vamos nos concentrar na paisagem que não tem nada haver com isso. Como o ano é de eleição, quem sabe não aparece um bem intencionado e resolve botar ordem na buraqueira.

À medida que o carro se afastava de Natal e se embrenhava pelas belas paisagens emolduradas por montes, serras, mata verde, campos a perder de vista e a incrível serenidade que brota daquelas casinhas brancas no pé e alto das serras, nossa alma de velejador sorria diante do poder e da simplicidade da natureza. Para que servem as grandes cidades? Em que parte da história o mundo se perdeu?

Cruzamos a fronteira entre o RN e PB com o sol se encaminhando mansinho e avermelhado para se esconder por trás de mais um dos belos cartões postais da natureza, a Pedra da Boca, que uns dizem que fica na cidade com nome que deixa os visitantes meio que indecisos, Passa e Fica/RN, e os do outro lado juram e provam que fica no município paraibano de Araruna. Do lado de lá ou do lado de cá a Pedra da Boca é muito bonita, com seus 336 metros de altura e com uma grande boca esculpida pela natureza. Não sei se foi de propósito, mas o sol escolheu logo essa beleza para se esconder da gente.

O cheiro do crepúsculo invadiu o mundo a nossa volta e o Céu assumiu aquele jeito meio preguiçoso com a noite que se aproximava. A estrada se abria a nossa frente e já podíamos divisar o contorno exuberante da Serra da Borborema. Sou um apaixonado pelo mar, mas sempre sou atraído pelos encantos, recantos e paisagens desse grande Brasil.

Quando o Céu vestiu o seu belo manto negro estávamos aos pés da Serra e seguindo por entre milhares de pés de bananeiras que nos davam boas vindas. Lá em cima, a cidade se recolhia de mais um dia e ficava a espera desses deslumbrados viajantes dispostos a sentir o friozinho da noite e observa do alto da Estação a beleza de suas ladeiras, arquitetura e luzes que ofuscava com sobras suas mais belas formas.

Ficamos aconchegados na Pousada da Estação, uma antiga estação de trem abandonada e restaurada pelo patrimônio público. A história conta que o trem fez poucas viagens a Bananeiras, vinha em busca do café que brotava pelas suas terras, mas demorou além da conta e quando conseguiu subir a serra o café já não fazia parte da cultura da região. Uma pena, mas a velha Estação ficou como testemunha da história e hoje recebe e acolhe os novos visitantes que procuram Bananeiras em busca do seu friozinho nordestino e do calor de seu povo.

A bela cidade serrana hoje é procurada por praticantes do eco-turismo, por aqueles que curtem uma boa trilha a pé ou de bicicleta, por aqueles que querem o charme do clima frio de uma serra, por empreendedores em busca de suas boas terras, por aqueles em busca do fervor de seus belos condomínios fechados, por aqueles que buscam o calor de um São João pé de Serra, por apreciadores de uma gostosa e quente cachacinha que sai das moendas de seus engenhos e por incansáveis garimpeiros da história.  

Bananeiras e uma cidade entupida de história que escorre pelas pedras de suas ruas e ladeiras e se encrava nas paredes de sua arquitetura. Tudo abençoado e contado por uma Nossa Senhora do Livramento no alto de sua Igreja dominando uma bela paisagem acidentada com muito verde e natureza.

A Paraíba é um poço profundo de contos, causos e história e na sua bela Serra da Borborema a cidade de Bananeiras encantou a tripulação de um Avoantezinho que descansava tranquilo nas águas distantes de um belo Rio Potengí. 

Nelson Mattos Filho

Velejador

DO MAR PARA O FRIO DA PARAÍBA

Essa o paraibano Hélio do MARACATU vai ficar saudoso, mas a verdade é que sua bela Paraíba tem recantos e encantos que mesmo aqueles que são chegados a certas exigências ficam maravilhados. Um desses belos recantos é a cidade de Bananeiras, situada numa região denominada Anel do Brejo e encravada num dos mais belos cartões postais do Brasil, a Serra da Borborema. Os amigos do sul e sudeste, ou mesmo aqueles acostumados as baixas marcas dos termômetros, que me desculpem, mas que na Paraíba faz frio, isso faz! Não é aquele friozinho congelante de zero grau, aquele que adormece a ponta do nariz, nem aquele que faz a gente andar feito astronauta cheinho de casaco, ou mesmo aquele que congela o brilho do olho, mas é aquele friozinho aconchegante de dois dígitos de mercúrio, as vezes chegando a mais de 20 graus, onde o nordestino, quente que só fogo de juremal, tira o agasalho do baú e fica naquele amassar de braços e esfregar de mãos que da gosto de ver. Nós do AVOANTE, fizemos pareia com Hélio Milito e Zoraide, donos de uma verdadeira flotilha, mas que eu vou dar o sobrenome de casal 2×1, seu mais recente catamarã de 30 pés. Se juntou a nós, o casal Mário e Cipriana Pinheiro, amigos do peito e apaixonados por Bananeiras. Abandonamos por uns dias o calor da brisa marinha de Natal e nos embrenhamos nas estradas que cortam sertões, serrados, vales e serras entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba. Fomos aproveitar os prazeres de uma aconchegante pousada numa estação de trem abandonada, sentir na pele que o nordeste brasileiro é mágico. Ver uma cidade especialmente acidentada, entupida de história, dona de um casario muito belo e que esta sendo novamente descoberta por brasileiros e estrangeiros que se encantam com o clima, a paisagem e a beleza fácil de suas entranhas. Durante a  fria noite,  não deixamos faltar o bom tinto estrangeirado metido a besta, nem as rodadas de queijos e frios, nem muito menos a bananeirense cachaça Rainha,  de sabor inigualável, com seus 52 graus de calor. Oh bicha Boa! A noite foi soprada por um ventinho gostoso e frio, mas na mesa ao lado um violão, um tantan, um afoxé, um ovinho e um pandeiro, esquentava com o tom da boa música a cidade que adormecia. O dia amanheceu com aquela preguiça natural das cidades serranas e fomos convidados pelo Murilo, dono da Pousada da Estação, para almoçar uma perua no restaurante de dona IRES, assim mesmo, Ires. A perua não tinha, mas a galinha, o arroz de rebôco, a buchada e a carne de sol que saíram das panelas de dona Ires estavam dos deuses. Bananeiras é assim, tudo de bom! Se você duvida, vá lá e prove que eu estou errado, mas não se esqueça de trazer para mim, de lembrança, uma garrafa de Rainha.