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A catástrofe

12 Dezembro (468)

Não acho que o mundo esteja perto de se acabar como querem crer os que têm fé nas profecias, pois se assim fosse, ele já teria se ido há muitos séculos, porém, que estamos vivenciando um mundo que está virando de ponta cabeça, isso estamos. Mas num é assim dês dos tempos de Adão e Eva?

Em uma das nossas velejadas um amigo disse assim: “– Até um dia desses as navegadas noturnas deixavam um rastro de fosforescência na popa do barco e hoje somente a muito custo podemos enxergá-la”. Naquele dia, passei longo tempo de meu turno de comando matutando naquela frase e me dando conta que existia muita verdade na observação.

Os plânctons, fitoplânctons e zooplânctons, micros seres e algas que causam o efeito fosforescente durante o atrito do casco da embarcação com a água, e que deixam maravilhados os navegantes, ao que parece estão em fase de acelerada extinção e as observações do nosso amigo não foram levianas. Aliás, tem muita coisa em extinção nos oceanos e a ciência nem de longe tem noção, porque os segredos das profundezas abissais ainda estão reservados para as gerações futuras, mesmo que elas passem a conhecer apenas os vestígios. O ditado diz assim: “Aquilo que os olhos não vêem o coração não sente”.

Recentemente me deparei com uma matéria em uma revista semanal onde cientistas britânicos, antes do Brexit, afirmavam que a maresia pode desaparecer num futuro nem próximo, nem longo, mas que um dia o cheirinho de mar será apenas uma feliz lembrança nas palavras mansas de um ancião. A pesquisa publicada no periódico científico Global Change Biology, diz que o aroma do mar é uma das consequências menos conhecidas da acidificação dos oceanos, causada pelo acumulo de dióxido de carbono.

Os cientistas afirmam que desde a Revolução Industrial o pH dos oceanos caiu de 8,2 para 8,1. Na minha santa ignorância não vi nada nesse número para meter medo em um ser humano moderno, e não mete mesmo, pois daqui uns dias apareceram outros cientistas para rebater os alarmistas. – Num é sempre assim? Porém, a ínfima diferença, segundo os estudiosos, é muito sim senhor, porque o pH é calculado em uma intricada equação logarítmica e a queda indica que o os oceanos estão 30% mais ácidos do que há 200 anos e que até o final desse século o resultado chegará a 150%, ou seja, 7,7. A elevação da acidez altera as moléculas marinhas, modifica o cheiro da maresia, fazendo com que peixes, conchas e crustáceos percam o rumo de seus locais habituais e adentrem o mar aberto.

E os plânctons? Sobre eles falou o jornal Science Advances, que no frigir dos ovos, afirma sofrerem dos mesmos efeitos causados pelo aumento da acidez e por isso a observação do nosso tripulante ser tão verdadeira.

“Os oceanos do futuro próximo poderão ter um cheiro muito diferente do atual e os ecossistemas marinhos talvez não tenham tempo para se adaptar a ele”, afirmou Mark Lorch, líder da pesquisa, no The Guardian. Pode até ser alarmismos desvairado de um cientista, mas o que tenho observado nos mares por onde naveguei é que a vida marinha está mudando as feições com uma rapidez espantosa e é através do brilho esmaecido das fosforescências que o novo rosto em agonia tem se apresentado.

Os homens da ciência falam em catástrofe marinha e não é para menos, pois está em jogo a vida de toda a fauna dos oceanos. Pode ser que estejamos presenciando a comprovação de mais uma teoria de Darwin, ou pode não ser nada além de nada, ou seja: Teorias sem sentido, de um mundo sem direção, comandado por humanos sem rumo.

Em minha veia saudosista fico imaginando o que será desse mundo sem o cheiro de mar, sem o frescor da maresia. Como saberemos que estaremos no rumo do mar? Como reconhecer pelo cheiro a praia que por várias vezes estivemos a caminhar em suas areias? Que lembrança levaremos grudada na pele? Como mergulharemos em ondas sem cheiros? Qual odor terá o perfume dos peixes? Eita mundo velho sem eira nem beira. Sem beira de mar. Sem cheiro de mar. Sem sentido. Isso mesmo, caminharemos como os futuros seres do mar: Sem sentido, sem razão e sem a causa.

Caminharemos errantes em um mundo estranho, comandando por governantes que nunca sentiram o cheiro do mar. O que diremos aos mais jovens? Que o mar tinha cheiro? Que no mar existia uma luz fantasmagórica e fascinante? Que o cheiro que vinha do mar trazia poesia e enfeitiçava os amantes? O que diremos?

Não, o mundo não vai se acabar. Nós é que passaremos por ele e deixaremos de legado o terror dos nossos atos e costumes em formato de outro mundo. Foi assim com os nossos ancestrais.

Nelson Mattos Filho/Velejador

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Segredos que o mar não conta

01 - Janeiro (1)

“…que liberdade é essa que aprisiona a alma?”

Marçal Ceccon

Projeto quer levar internet a baixo custo aos oceanos

Projeto-Bluecom

A comunicação nos oceanos avança a passos largos desde que o homem olhou para o mar e se viu fazendo parte de uma fascinante e utópica aventura, movido somente pela razão de varar o horizonte e dar asas aos sonhos. Um projeto desenvolvido por portugueses e noruegueses promete dotar os oceanos com sinal de internet, em banda larga, a um custo baixíssimo. A ideia é utilizar bóias, balões de hélio ancorados, embarcações, parques eólicos, plataformas de petróleo, com receptores e transmissores que receberão o sinal de uma rede wireless instalada na costa. O projeto que se chama BLUECOM+, está em estágio final de desenvolvimento e a previsão é que entre em fase de teste até o final de 2016. É assim o mundo vai ficando menor! Fonte: náutica.com.br

Recados do mar

12 Dezembro (356)

Pesquisa de uma universidade dos EUA, aponta que a elevação do nível dos oceanos teve uma rápida aceleração nos últimos 20 anos e que até 2050 o nível do mar deve chegar a mais de 50 centímetros do que é hoje. Essa notícia bem que poderia ser mais uma das previsões apocalípticas que circula pela ondas virtuais, mas para quem mora em um lar balançante e volta e meia sai dando uns bordo por aí, a pesquisa é uma verdade verdadeira que salta aos olhos. As causas que fizeram chegar a beira dessa futura catástrofe mundial já é sabida por todos, porém, nada de concreto se chegou até hoje para tentar amenizar o castigo reservado as futuras gerações. Os líderes mundiais gastam tempo, dinheiro, comida e energia em monstruosos encontros para discutir o clima do planeta e no final da brincadeira se metem a assinar protocolos de intenções tão falsos que nem eles acreditam. Pura papagaiada! Nós, pobres mortais membros amestrados das torcidas organizadas, por enquanto vamos escapando e fazendo poses para selfies durante os momentos em que Netuno sai do sério e manda ver na força das ondas. A imagem que ilustra essa postagem é da prainha na Fonte do Tororó, no canal interno da Ilha de Itaparica, um dos locais em que observo a cada ano a maré subir um tiquinho a mais. Na pisadinha em que a coisa vai, muito em breve as cartas náuticas terão que ser revistas quanto a indicação das profundidades anunciadas, porque maré que sobe muito baixa muito. Ou será que não é assim? 

Será coisa de maluco?

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Diz uma matéria no site Mundo Estranho, da Abril, que existem oito sons misteriosos nos oceanos que até hoje a ciência não conseguiu explicar, alias, existem muitas coisas saídas das profundezas abissais que carecem de explicações. O que dizer das vozes do mundo que mexe com imaginário dos navegantes desde que o mundo é mundo? Muitas vezes nos turnos de comando durante as madrugadas silenciosas, somos despertados por um verdadeiro bate papo fantasmagórico e quando procuramos na vastidão do mar para ver do que se trata, nos deparamos apenas com o sussurro do vento e o marulhar das ondas passando pelo casco. Se eu já ouvi? Claro que sim! Se é imaginação, sonho, fantasia ou simplesmente delírio de maluco eu não sei, mas que é assim é. Agora vem o Mundo Estranho com o caso dos oito sons misteriosos e me faz viajar. Eita mundão de água cheio de segredos!   

As Correntes Marinhas

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O que entendemos por Correntes Marinhas, suas causas e seus efeitos? Sei que alguns navegadores discorrem loas apaixonadas sobre o assunto, mas a grande maioria dos simples mortais sabem que elas existem, que umas sobem, outras descem, outra mais rodopiam daqui para lá ou de lá para cá e ponto final. Navegando ao sabor das correntes internéticas me deparei com um trabalho do professor José Alberto Afonso Alexandre, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, publicado no site Monografias.com, em que o autor tenta desmistificar as Correntes com um jeito bem simplificado. Pode ser que para alguns o texto do professor português seja um pouco longo, mas vale apena ir até o final e conhecer um pouco sobre a movimentação das águas em torno do globo. Click no link Correntes Marinhas e fique inteirado.