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Essa é uma terra de um deus mar…

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A praia de Ponta Negra, em Natal/RN, sempre mereceu a estatueta da fama por fazer parte do seleto grupo dos mais belos cartões postais do litoral brasileiro. Sempre! Eu sou fã de carteirinha de suas águas mornas e de suas areias apetitosas para uma deliciosa caminhada despreocupada a beira mar, ou mesmo para sentar e deixar o tempo passar a vontade. Porém, nos últimos anos a bela praia potiguar cantada em verso, prosa e poesia parece que só tem merecido castigo por dispor de tanta beleza. Tudo começou há mais de vinte anos com a construção de uma pequena e extravagante rua a beira mar que trouxe toneladas de problemas em ritmo de atacado. Ponta Negra que era bela por natureza, passou a ter rugas de preocupação em sua paisagem exuberante. Saíram os refrescantes coqueiros  que traziam sombra e aconchego e entraram em cena maliciosos e ultrajantes guardas sol, plantados nas areias por comerciantes e barraqueiros de olho na falta de vergonha e incapacidade de governantes atarantados. Tudo foi multiplicado pela ganância humana por mais espaço e o dinheiro fácil da implacável fúria imobiliária. Sem ter a quem recorrer, o mar resolveu retomar seu território e em simplórios arroubos de força, de vez em quando destruía um pedaço da extravagância dos humanos. Vieram os ambientalistas travestidos de boas intenções e logo o circo se transformou em uma imensa torre de babel. Todos querem. Todos mandam. Todos dão palpites. Todos querem o máximo. Todos se fazem de durões, mas ninguém quer realmente resolver coisa nenhuma, pois o negócio bom é reclamar e protestar. As imagens que ilustram esse post não mostram nada do assassinato visual que a bela Ponta Negra está sofrendo, preferi assim. Queria mostrar uma praia bonita e dona de uma personalidade somente sua, por isso aparece em primeiro plano a fantástica baía de águas apetitosas, e segue com a visão da larga passarela de areias molhadas e, por fim, o belíssimo conjunto de rochas marinhas que margeiam o Morro do Careca. A natureza dotou Ponta Negra com o mais belo e nunca imaginou que um dia a cidade dos Reis Magos lhe virasse as costas. Hoje os incapazes estão construindo um incrível muro da vergonha com montanhas de pedras soltas e achando que encontraram a fórmula para reinventar a roda. A cada pedra colocada a praia se enfeia um pouco mais, mas é assim que querem os homens. Os comerciantes, que se acham únicos donos do pedaço, continuam mandando, dando ordem a torto e a direito e intimidando a quem fizer cara feia. No calçadão que está recendendo mais uns metros de incredulidade, os ambulantes já estiram suas bancas mini shoppings e em breve devem ganham o título de usucapião. É triste, mas é assim!  

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Lançamento do Diário do Avoante em Natal

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Não tenho como agradecer a todos aqueles que compareceram, como também aos que não puderam estar presente, mas que estavam com a gente no coração, ao evento de lançamento do livro Diário do Avoante, ocorrido dia 19/11 na livraria Saraiva do shopping Midway Mall em Natal/RN. De todas as frases de parabéns que recebi naquele dia, uma vai ficar gravada para sempre em minha memória: Nelson, estou maravilhado com todo isso, nunca imaginei que vocês fossem tão queridos e tivessem tantos amigos. Fiquei sem palavras para responder, pois um nó se formou na garganta e ao levantar a cabeça senti os olhos marejarem. Hoje posso responder, mas sem antes sentir que novamente as lágrimas teimam em escorrer pela face:  Graças a Deus essa é a nossa maior riqueza e nunca esquecemos de regar e agradecer.

Marina de Natal

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Sobre a Marina de Natal, parece que a coisa começa a tomar rumo. Pelo menos foi essa notícia que li no site Portal no Ar e que trago através do link: Prefeito recebe grupo francês interessado em construir marina em Natal.

Um passeio diferente

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Frederico é filho do amigo Mauricio Antunes, um dos nossos tripulantes na Refeno 2012, e estava em Natal com a esposa Suelen, em lua de mel, e um dos passeios escolhidos por eles foi uma velejada a bordo do Avoante pelas águas do Rio Potengi, conhecendo a Cidade do Sol de um ângulo bem diferente dos tradicionais passeios turísticos. No final, ancoramos próximo a Fortaleza dos Reis Magos, para um delicioso banho de mar, enquanto Lucia preparava uma saborosa Massa ao Molho Carbonara. Frederico não conteve a alegria em estar ancorado naquela paisagem fascinante e falou: “Quando os amigos me perguntarem se eu fui ao Forte dos Reis Magos e atravessei a Ponte Newton Navarro, vou responder que fiz melhor: Almocei em um veleiro ancorado ao lado dos dois…” Um grande abraço e felicidades ao jovem casal.

A vida tem dessas coisas

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Escutei um amigo dizer que não sabe quem inventou essa história de que velejar é bom. Para ele isso é coisa de louco e de quem gosta de sofrimento. Pois é, cada louco com sua loucura!

Depois de quase uma semana se deliciando com o sol de rachar moleira e com os banhos de mar, em águas de cor indecifráveis, da ilha de Fernando de Noronha, estamos de volta ao continente.

Com certeza já falei aqui nesse cantinho de página que nunca gostei da velejada Fernando de Noronha/Natal. É uma navegada desconfortável, provocada por ondas que quebram insistentemente no costado do barco e se espatifam milimetricamente em cima de nossa cabeça. Mas nesse ano de 2012 a coisa foi muito pior. A começar pelo vento, que soprou por um quadrante totalmente oposto aquele tradicionalmente soprado nos meses de Outubro.

Suspendemos o ferro numa manhã bonita de Sábado, 20/10, e pela previsão, o vento e o mar não seriam dos melhores. Estávamos fazendo parte da flotilha da regata Fernando de Noronha/Natal – Fenat, promovida pelo Iate Clube do Natal, mas na largada tudo parecia crer que as previsões meteorológicas estavam equivocadas. Apenas parecia! Continuar lendo

Contando quase tudo e agradecendo

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Como prometido no post O TRANQUILIDADE JÁ ESTÁ EM CASA, aqui vai o diário de bordo da nossa navegada de Fortaleza/CE a Natal/RN

Saímos de Fortaleza às 12 horas da Quarta-Feira, 20/06, com tempo bom, mar melhor ainda e vento soprando lá pelos 17 nós, mas como sempre, vindo diretamente em encontro a proa do Tranquilidade. Mais uma vez os motores funcionando a todo vapor e a gente tendo que aguentar o ronco. Fazer o que? Três aviões da Força Aérea Brasileira surgiram voando baixinho no horizonte, dando um belo espetáculo. Os bichos voavam rente ao mar e quase na altura do nosso olho. O mar do Ceará estava enfeitado com uma bela roupagem azul e deixando para trás as rasas águas maranhense. Foi assim que navegamos o restinho do dia e entramos a noite já aproando as belas dunas de Canoa Quebrada, mas o vento festejou a noite soprando forte e mostrando que ali era o terreiro dele. 28, 29, 30 e mais alguns nós de lambuja. Com todo esse festeiro de arromba, o mar resolveu entrar na festa arrepiando as ondas. Bom demais! O dingue, que vinha preso na targa de popa, chiou com toda essa barulheira e resolveu tentar pular na água, mas fomos mais rápidos e prendemos o teimoso. Depois da trabalheira com o dingue revoltoso, o piloto automático entrou em greve e não teve mais quem o fizesse trabalhar. Novamente bom demais! Sobrou serviço para a tripulação, que se dividiu em turnos de 2 horas, mas sem muita rigidez de horário. O Tranquilidade fazia uma média de 5 nós de velocidade naquele mar encapetado e enfrentando o vento nos peitos. Ondas lavavam o convés e a madrugada foi chegando para acalmar toda a bagunça. O novo dia amanheceu e já navegávamos em águas potiguares e avaliamos que no dia seguinte estaríamos em Natal. O Sol foi esquentando e novamente o vento arrochou o nó e o mar veio junto, mas ai já estávamos no través do litoral da Costa Branca potiguar, e nunca vi um lugar demorar tanto a passar como foi a pesqueira cidade de Diogo Lopes. O mar por ali levantou ondas de mais de 2,5 metros e o Tranquilidade pulava feito um cabrito, de onda em onda, mas quando o Sol se foi fomos juntos, e logo estávamos no través da praia de Galinhos, quando entrei para dormir o sono dos justos. Acordei para o meu turno a meia noite, puxado pelo dedão do pé pelo comandante, quando estava no través da minha bela praia de Enxú-Queimado, lugar que tenho boas histórias para contar, e não soltei o timão durante o resto da madrugada até que as 4:30 horas da manhã, debaixo de um verdadeiro dilúvio, passei a bola para o comandante já próximo ao través do Farol do Calcanhar, onde o Brasil faz a curva. Quando acordei do meu breve sono de uma hora, registrei que muita chuva ainda estava por vir, pois as nuvens tomavam conta do mundo a nossa volta. Faltavam menos de 30 milhas para Natal e fomos avançando na mesma média de 5 nós de velocidade, com o nosso último banquete a bordo sendo preparado pela comandante Lucia. Coxinhas de Frango Crocante ao molho de cerveja, acompanhado por um delicioso Arroz Chop Suei e Salada. Dos Deuses! Próximo a praia de Muriú um tranco no motor de bombordo anunciou que havíamos cruzado com uma rede ou alguma coisa no mar. O mar está cada vez mais tomado por redes, mal educados e donos do mundo. Nessa hora não enxergávamos 10 metros a frente e muita chuva ainda estava por cair. Com apenas um motor e com uma pequena velinha de proa continuamos navegando em direção a barra de Natal. Às 14 horas o comandante Flávio Alcides assumiu o timão e depois de 19 minutos entramos felizes pelo Rio Potengi, com o Tranquilidade fazendo o reconhecimento do seu novo lar. No píer do Iate Clube do Natal um amigo para todas as horas estava lá, todo encharcado, para receber os cabos que prenderiam o Tranquilidade para seu merecido descanso depois de 50 horas, 19 minutos e 20 segundos de Fortaleza a Natal. Mais uma vez Helio Milito provou o grande carinho que tem por nós e por todos que chegam do mar. Ele que um dia esperou o Avoante, debaixo de outra chuva forte às 4 horas de uma fria madrugada, estava lá para nos dar um grande abraço de boas vindas. Obrigado meu amigo! É muito gostoso chegar ao nosso porto e receber o abraço dos amigos, mas o dia ainda me reservava fortes emoções. Mas sobre isso falou em outra oportunidade. Eu e Lucia agradecemos ao comandante Flávio Alcides e ao seu filho Bruno pelo convite e pelo prazer de tripular o Tranquilidade em sua primeira navegada pelos mares. Agradecemos também aos amigos Sérgio Marques, Moby e Erasmo que nos fizeram companhia de São Luiz/MA a Fortaleza/CE e dizer que para sempre estarão em nossos corações. E nunca poderíamos deixar de agradecer a todos vocês leitores que são a alma, a força e o principal objetivo que move o nosso blog pelas ondas do cotidiano da vida.  Continuarei contando coisas e fatos ocorridos nessa viagem fantástica e cheia de aprendizados, pois o mar nunca deixa de nos ensinar e marcar a nossa vida com coisas boas e belas. Muito Obrigado!

Um caso estranho

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Um caso estranho aconteceu em Natal está semana. Um veleiro de bandeira estrangeira que passava ao largo da costa do brasileira pediu autorização as autoridades para aportar em Natal para desembarcar um tripulante que precisava voar para casa por motivo de doença grave na família. Permissão concedida, o comandante ancorou em frente ao Iate Clube do Natal e em vez um, desembarcaram dois tripulantes e dois ficaram a bordo. Os dois que ficaram se declararam não saber nada do barco e muito menos de como manusear a embarcação de mais de 70 pés. Certa noite, os dois tripulantes que ficaram, anunciaram que tinham sido assaltados a bordo e que alguns pertences foram surrupiados pelos ladrões. Com apoio de funcionários do Iate Clube foram até uma Delegacia de Polícia para fazer o Boletim de Ocorrências. A Capitania do Portos do Rio Grande do Norte foi acionada e ao chegar ao Clube aconteceu a surpresa: Os dois tripulantes tinham pego as malas e se mandado, deixando o veleiro completamente aberto e com as luzes acesas. A bordo tudo estava organizado e sem vestígios do roubo. Duas motos de grande cilindradas foram encontradas a bordo e daí o caso tomou outro rumo. A comodoria do clube sentiu o drama e contratou dois vigilantes para tomar conta do veleiro durante a noite. No dia seguinte apareceu um estrangeiro se dizendo um dos proprietários da embarcação, mas não apresentou nenhuma documentação da propriedade. A Receita Federal foi acionada pela CPRN e decidiram lacrar a embarcação para averiguações mais detalhadas. Agora vamos aguardar os novos lances desse xadrez.