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Dona dos meus olhos é você…

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E Nando Reis canta assim: “…Pois meus olhos vidram ao te ver/São dois fãs, um par/Pus nos olhos vidros para poder/Melhor te enxergar/Luz dos olhos para anoitecer/É só você se afastar/Pinta os lábios para escrever/A sua boca em minha…”

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O Navegante – Uma pintura de poesia

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O Navegante

Sidney Miller

Quero um montão de tábuas
E um motor de pano
Pra passear meu corpo
E adormecer meu som
Na esburacada estrada do oceano

Aportarei meu barco apenas de ano em ano
E onde houver silêncio
Eu ficarei cantando
Pra não deixar morrer o gesto humano

Entenderei as águas e os peixes passando
E se me perguntarem pra onde vou e quando
Responderei
Apenas navegando
Apenas navegando

Embarcarei comigo o feminino encanto
Pra que não falte a vida quando for preciso
Uma razão mais forte que o espanto
Mais forte que o espanto

Semearei meu sangue,
Meu amor, meu rosto
Pra que depois de mim eu possa estar presente
Entre as canções que eu não houver composto

Naufragarei um dia
Em pleno mar sem dono
E submerso em lendas como um visitante
Entre os recifes dormirei meu sono

Quero um montão… do oceano

Morre o músico Ben E. King, autor de Stand By Me

Morreu na última quinta-feira, 30/04, o cantor Ben E. King, aos 76 anos, autor de uma das músicas mais tocadas no século XX, Stand By Me. A balada, imortalizada também na voz de John Lennon, integrada o Registo Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso dos EUA, uma listagem que preserva registos “cultura, histórica ou esteticamente importantes e/ou informam ou refletem a vida nos Estados Unidos”. Stand By Me, foi lançada em 1961 e desde então passou a ser é um clássico da música mundial e com certeza faz parte da trilha sonora de muita gente. Não poderia deixar de fazer esse registro.

 

Avoante, a canção

 

A gente vai navegando por ai, pescando histórias, fazendo crônicas, falando da vida, festejando a natureza, se apaixonando com o horizonte sem fim e juntando amigos. Nem sempre os amigos embarcam de vera a bordo do nosso veleirinho, a grande maioria embarca no sonho da aventura e chegam navegando pelas águas do grande oceano internético, mas nem por isso deixam de ser grandes e bons amigos. Alguns festejam a amizade com poesias, textos, fotografias, desenhos, emails e comentários, todos querendo expressar o carinho que sentem por nós e com o nosso Avoante, mesmo sem nunca ter nos visto mais gordos, mas é assim. Amizade é uma via de mão dupla onde se cruzam lealdade, amor, carinho, atenção, verdade, mentira honrosa, sinceridade, paciência, entendimento, muito calor humano e muita vontade de querer bem. Existe o ex-amigo? Existe sim, quando a via passa a ser apenas mão única. Mas vamos deixar de filosofia barata e voltar ao tema objetivo dessa postagem. No mês de Maio recebi do amigo Hélio Mattos, o sobrenome é apenas uma feliz coincidência, uma canção feita para o Avoante. Hélio, pernambucano arretado, é um assíduo leitor do blog e um dos mais ativos comentaristas. Velejador que encontrou nos meus textos a veia para seguir no sonho náutico e a partir dai a amizade, mesmo virtual, soprou ventos favoráveis.  É claro que você deve saber que Avoante é a famosa Asa Branca que tanto migra para lá e para cá, então fiz uma analogia pássaro/barco. Gostei do resultado final, mas penso que você pode achar que ela não tem nada a ver com nada. É porque é a minha maneira de tentar traduzir um pouco do que aprendo nos seus textos. E eles, coisa que muito me envolve, têm um quê de tristeza e decepção com a vida em terra, com os descaminhos da sociedade atual. Tenho brincado de fazer músicas nas minhas horas vagas e a força dos seus escritos têm mexido muito comigo, daí a decisão de fazer algo com este sentimento. Digo que tem mexido muito porque penso direto nas suas palavras que tanto instigam em direção ao mar… Foi assim que ele escreveu quando enviou a letra da Canção do Avoante. Elson Fernandes (Mucuripe), violeiro da mulesta, velejador cruzeirista do grande oceano central do Paranoá, amigo de fé e fogo, cearense forjado entre o sol do sertão e os alísios do mar alencarino, fala mansa do bom nordestino. Pois é, Mucuripe inseriu a letra da Canção do Avoante na alma, parlamentou com o autor, Hélio Mattos, sobre tons, semi-tons, batidas e hits, coisas do mundo da música, e se mandou Paranoá adentro, a bordo do veleiro Mucuripe com a comandanta Fabiana. Diante do pôr do sol do planalto central e na mansidão do grande lago oceânico, o velejador violeiro executou a música e Fabiana gravou tudo. O resultado está ai e mais uma vez festejo a amizade. Obrigado Hélio Mattos pela letra e melodia que nos emocionou e obrigado também ao grande Elson Mucuripe pela versão cheia de magia. Amizade faz coisas assim sim senhor!