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Entre mofos, livros e regatas

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Digo que não é fácil manter um veleiro arrumado e em condições de velejar a qualquer momento. Acho que por isso vemos tantos barcos parados nos clubes e marinas. No Avoante aprendemos umas macumbagens para mantê-lo afastado do mofo, da desarrumação não tem como, mas nem sempre as coisas acontecem como a gente quer, ainda mais nesses tempos chuvosos. Barco fechado é um problema!  Depois de dois dias de trabalho, acho que o Avoante ficou habitável. O tempo chuvoso deu um refresco para o povo do mar na Bahia, só tomara que ele tenha se debandado para os lados do Sertão que precisa muito mais. Mas, mesmo assim, nuvens escuras passeiam no céu. Porém, tem uma turma arretada em Salvador que não está nem aí para chuva e vai para o mar de qualquer jeito, saindo na Quinta-Feira e somente retornando no Domingo. Os cabras são teimosos! Nós ficamos no Aratu Iate Clube, que nesse final de semana acontece mais uma edição da multi Regata Aleixo Belov, que movimenta várias classes: Oceano em solitário, optmist, wind surf, snipe e outras. É uma festa!

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Tive ainda a alegria de ser presenteado com o último livro do velejador Aleixo Belov, contando a bela viagem no veleiro Fraternidade. Aleixo é uma pessoa fantástica, bom papo, super atencioso com todos a sua volta e dono de uma grande alma boa.

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Esses pastéis não é para fazer inveja e nem deixar ninguém com água na boca, é apenas para finalizar esse post com uma delícia que é a cara do restaurante do Aratu Iate Clube. Bem, agora vou dar uma olhada no movimento da regata e tomar uma cerveja já que não sou de ferro.

  

 

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Combatendo a umidade

Nesses tempos de chuvas e umidade acima da média, quem tem um barco sabe muito bem os transtornos causados pelo mofo. Entrei no site da Revista Náutica para colar essa matéria assinada por Felipe Caruso, na edição número 251, e assim tentar ajudar no combate ao fungo. No Avoante, o mofo é combatido semanalmente e mesmo assim o bicho não desanima.

Barcos foram feitos para a água. Porém, a recíproca está longe de ser verdadeira. O excesso de umidade a bordo causa mau cheiro, mofo e, nos casos mais graves, até o apodrecimento do casco. E a umidade não dá trégua, nunca. Atua o tempo todo, faça sol ou – especialmente – chuva, quando fica pior ainda. Para evitar que ela tome conta do interior do seu barco e acabe por destruí-lo bem antes do previsto, a única saída é enfrentá-la com o mesmo vigor e obstinação. Basicamente, há duas providências fundamentais: ventilar bastante o barco e impedir que ele molhe por dentro. Fácil? Nem tanto.

Uma boa ventilação controla naturalmente a umidade do ambiente e previne contra a proliferação dos micro–organismos responsáveis pelo mofo, ou bolor. Quanto mais escotilhas e gaiutas a cabine tiver, melhor para a ventilação – e, também, para a iluminação. Cabine escura é um convite irrecusável aos fungos, essas criaturas microscópicas e indispensáveis à natureza, mas que não sabem distinguir entre um galho caído no chão e a lancha que você acabou de comprar. E tudo o que você pode fazer é limitar sua ação e crescimento, a fim de preservar o barco. E, de quebra, evitar certas alergias.

No combate à umidade, o sol é um grande aliado. Sempre que puder, abra todo o barco e coloque os estofados para fora, para arejar. Se estiver planejando um fim de semana a bordo, passe antes na marina, para fazê-lo “respirar” antes de a família embarcar – mulheres, principalmente, são bem sensíveis a odores estranhos. Se tiver marinheiro, peça que ele faça isso várias vezes por semana – se possível, todos os dias. Dá trabalho? Dá. Mas, acredite, é o jeito mais simples.

Outro recurso é usar um desumidificador, aparelho que diminui a umidade no ar ao condensar o vapor d’água. Nele, o ar é reaquecido e devolvido ao ambiente, enquanto a água retirada do ar é armazenada e, depois, drenada. É uma boa solução para evitar não só os fungos, mas também a corrosão e a ferrugem. Os desumidificadores mantêm a umidade entre 40% e 60%, dentro, portanto, do limite saudável para os seres humanos, e abaixo do nível que favorece a proliferação dos fungos e bactérias. Existem diversos tipos e tamanhos de desumidificadores no mercado e o ideal é usá-los junto com um termohigrômetro, aparelhinho de nome esquisito, mas muito útil num barco, porque “lê” a umidade dos ambientes. Funciona com pilhas e pode ser instalado em qualquer canto.

Porém, o controle da umidade pode ser feito diretamente pelo condicionador de ar (se o seu barco tiver um), dispensando o desumidificador. Já para controlar a umidade em armários e gavetas, não há aparelhinho que dê jeito. Nesse caso, é preciso lançar mão de produtos específicos para isso, como, por exemplo, o AntiMofo da Boat Brill, em forma de spray, ou os saches de silica gel, um material sintético que retém as moléculas de água presentes no ar. A vantagem da sílica gel é poder ser reutilizada, bastando para isso mantê-la por 40 minutos numa temperatura acima dos 100°C.

Espalhar potinhos de sal grosso pela cabine também ajuda a reduzir a umidade, assim como fazer pequenos orifícios nas portas dos armários (ou instalar lâmpadas dentro deles), de forma a ventilar e aquecer esses compartimentos. Vale tudo, enfim, para ganhar a guerra contra a umidade. Afinal, barco parado estraga. E se, além de parado ele ficar fechado, irá estragar mais rápido ainda.

Dicas sobre o que você pode fazer sem sofrer

Evite carpetes e tapetes de tecido a bordo: eles acumulam umidade. O barco pode até ficar mais bonito, mas o risco de mofo dispara.

Há vários tipos de produtos antimofo nos supermercados. São à base de cloreto de cálcio, mas ideais para ambientes menores, como armários. Além disso, duram pouco.

Isole os armários dos costados do casco com cortiça ou qualquer outro isolante térmico. Se possível, instale janelas de ventilação nas portas deles.

Não deixe nenhum objeto molhado dentro do barco, mesmo que esteja apenas úmido. Toalhas e material de mergulho, só se estiverem completamente secos.

Lave periodicamente as roupas de cama, cortinas e outros tecidos internos do barco, porque eles retêm umidade.

De vez em quando, retire também as almofadas e os colchões da cabine e coloque-os ao sol.

Sempre esgote a água do porão. E instale pequenos ventiladores na cabine, pois eles ajudam na circulação do ar.

Considere a possibilidade de instalar um condicionador de ar a bordo. Por gerar ar seco, ele retira a umidade do ambiente.