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A lama do Feijão é a cara do Brasil

incidente-brumadinho-v6Mais uma vez estamos cara a cara com mais uma tragédia, mais uma barragem rompida, mais explicações infundadas e mais uma vez o palco trágico é o belo Estado de Minas Gerais, onde em novembro de 2015 a barragem do Fundão, localizada no município de Mariana, rompeu, ceifou 18 vidas e provocou o maior desastre ambiental brasileiro,  jamais reparado e até o momento vem, descaradamente, sendo jogado de um lado a outro nos tribunais de justiça. Brumadinho é uma cidade linda, localizada nas cercanias da capital mineira, com uma população estimada em torno de 40 mil habitantes, destaca-se pelos grandes mananciais de água que abastecem um quarto da região metropolitana de Belo Horizonte e também por abrigar em suas terras o maravilhoso museu Inhotim, um dos mais importantes acervos de arte contemporânea brasileiro, considerado o maior centro de arte ao ar livre da América Latina. Hoje, 25/01, o Brasil acordou para descobrir que a lição de Mariana não foi aprendida, não serviu para nada e aqueles que perderam seus entes queridos, suas casas e histórias de vida, mais uma vez irão chorar de pavor e descrença nas leis dos homens, diante do rompimento da barragem da mina do Feijão que até o momento, segundo as autoridades, existem 200 desaparecidos e lugarejos praticamente riscados do mapa. Assim como em Mariana, a mineradora Vale S/A assina o enredo do terror. – Quer saber? – Mais uma vez vamos engolir a lama goela abaixo!       

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Uai! Parte 14

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Sabará na língua tupi significa pedra reluzente e no mapa de Minas Gerais se configura como um belo e tradicional município, tão próximo de Belo Horizonte que fica até difícil para um visitante saber onde começa um e termina o outro. Com uma população de mais de 126 habitantes, segundo o censo de 2010, a cidade que nasceu de uma antiga vila de bandeirantes, sob a regência do ciclo do ouro e da prata, como quase toda cidade mineira, e seguindo a partitura de uma lenda que envolvia a serra de Sabarabuçu, hoje batizada de serra da Piedade, tem uma história recheada de intrigas, violências e paixões, tão comum nos arraiais de mineração e ainda tão em voga no mundo atual. Aliás, intrigas, violências e paixões é a mola mestra que move os terráqueos desde de que esse asteroide pequeno se declarou dotado de inteligência.

 2 junho IMG_0001 (6)2 junho IMG_0001 (9)2 junho IMG_0001 (29)Pois bem, Sabará praticamente havia ficado de fora de nosso roteiro, mas como o voo de Sandra e Venícios era pela manhã e o nosso à noite, deixamos o casal no aeroporto e voltamos para conhecer um pouco mais da capital mineira. No caminho vimos a placa de Sabará e entramos. Juro que esperei mais da cidade e até que seus monumentos históricos estivessem mais bem preservados, porém, ficamos surpresos com o que vimos. Talvez a proximidade com a capital tenha contribuído para tirar um pouco do brilho do antigo arraial do ouro, mas também pode ter sido um desencantamento de final de viagem depois de ter visitado Ouro Preto, Diamantina, Congonhas, Tiradentes, Mariana, Beriberi e tantas cidadezinhas e museus encantadores. Tudo pode ter sido, mas pretendemos um dia retornar com mais calma a cidade para descobrir seus segredos e revisitar a bela Igreja de Nossa Senhora do Carmo, que passamos o olho ligeiramente por seu interior e deu para perceber a beleza dos traços do mestre Aleijadinho.

2 junho IMG_0001 (14)2 junho IMG_0001 (18)2 junho IMG_0001 (21)2 junho IMG_0001 (24)2 junho IMG_0001 (26)2 junho IMG_0001 (8)2 junho IMG_0001 (33)

Visitamos a Casa da Ópera (Teatro Municipal) que apesar de ter uma arquitetura fantástica e ter tido na plateia os imperadores Dom Perdro I e Dom Pedro II, encontra-se em lastimável estado de depreciação. Caminhamos despreocupadamente pelo centro, passamos em frente à casa de Borba Gato, bandeirante e explorador que chegou a região através do seu sogro Fernão Dias Paes e chegou a ser juiz ordinário da Vila de Sabará. Borba Gato, que recebeu homenagem de uma estátua de bronze no Museu Paulista por seu extraordinário conhecimento como bandeirante, apesar de sua importância na administração da antiga Vila, não se sabe onde está enterrado. Paramos um pouco na praça para observar o movimento da cidade e fomos saindo de fininho meio que decepcionados com o que vimos. De volta a capital mineira, tomamos o rumo do Mercado Central e mais uma vez nos deliciamos com suas cores, seus cheiros e seus costumes.

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Pronto, depois do Mercado foi chegada a hora de colocar um ponto final em nossa viagem e nesse relato. O que vimos de Minas Gerais jamais sairá de nossas lembranças e ficará eternamente com aquele gostinho de quero mais. Dizem que visitar é uma coisa e morar é outra, mas digo que se um dia o destino me reservasse o direito, moraria de bom grado nas terras das alterosas. Claro que escolheria um pequenino e bucólico povoado, que me desse o prazer de tardes modorrentas e noites frias dos ventos das serras. Que ficasse próxima dos velhos e deliciosos alambiques de fundo de quintas e que me reservasse bons bate papos com os tradicionais mineirinhos e seus cigarrinhos de palha. E o doce? E o queijo? E as galinhadas? E os leitões? E o pão de queijo? E os sanduiches de salsicha? E o café? E aquela vidinha mansa de quem não quer nada? E os museus? E as igrejas? E a arquitetura? E os campos? Pois é, tudo isso eu queria diante de minha varadinha no pé de serra.

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Pois foi, Minas me encantou e jamais deixarei de agradecer ao casal Sandra e Venício Gama pelo convite para acompanhá-los essa viagem deslumbrante, inesquecível e de fortalecimento dos laços de amizade. Como é gostoso estar junto de pessoas que amamos e que temos como irmãos. Como é gostoso viver dias de alegrias e que desejamos que se estendam além dos limites das horas. Como é gostoso caminhar por um Brasil tão brasileiro. E por tudo isso é chegada a hora de responder aquela pergunta que tantas vezes nos deparamos enquanto planejávamos esse passeio: O que fazer em Minas Gerais? – Tudo, mais um pouco e só não deixe ir.

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Para finalizar, vou parodiar uma letra do cantor e compositor Dorival Caymmi e tão gostosamente entoada pelo também compositor e cantor Lenine, para dizer assim: – Você já foi a Minas? – Não? – Então vá!

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Oh! Minas Gerais/Oh! Minas Gerais/Quem te conhece/Não esquece jamais…

Nelson Mattos Filho

UAI! Parte 11

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Peço que não se apeguem aos comentários desairosos, na página anterior desse relato, sobre o rio do Carmo que banha a cidade de Mariana, porque ele não está solitário no abandono. Todos os rios brasileiros, todos sem exceção, estão jogados a própria sorte e assim vamos seguindo em frente.

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Confesso que sabia pouco, ou quase nada, sobre a cidade de Mariana, até o desgraçado acidente da barragem inserí-la no noticiário mundial. O município com 360 anos de fundação e 59 mil habitantes tem um passado glorioso. Foi primeira vila, primeira capital, sede do primeiro bispado e primeira cidade a ser projetada em Minas Gerais. O nome é uma homenagem de Dom João V a sua esposa, rainha Maria Ana D’Austria. Em 1945 o presidente Getúlio Vagas concedeu a cidade o título de Monumento Nacional, por seu significativo patrimônio histórico, religioso e cultural.

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Chegamos a cidade pela estação do trem e sinceramente não gostei da parte moderna, porém, bastou uma breve caminhada para desembocarmos na parte histórica e sermos tragados pela magia da arquitetura colonial. Há quem diga que a arquitetura das cidades mineiras se repete, mas é aí que mora a beleza, porque é um conjunto de fazer inveja ao mundo e quase tudo em elevado grau de preservação. O centro histórico de Mariana é uma pintura dos deuses das pranchetas, onde se destacam a Casa da Câmara e Cadeia, as igrejas da ordem terceira de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo e um pelourinho, congregando assim os símbolos da justiça, poderes civil e religioso. Caminhar pelo bem cuidado largo ao redor dos monumentos é um momento de reflexão e mais um resgate da história do Brasil colônia.

1 maio IMG_0004 (748)1 maio IMG_0004 (751)1 maio IMG_0004 (752)1 maio IMG_0004 (755)1 maio IMG_0004 (764)1 maio IMG_0004 (768)

Como aconteceu nas outras cidades que visitamos, a nossa passagem por Mariana também foi meteórica e deixamos muito a ser visto, o que é um pecado para quem deseja conhecer Minas Gerais, um estado dotado de um acervo histórico fora do comum. Mas o tempo é o senhor da razão e a rotina de um turista depende de uma complexa engenharia para acomodar sonhos e desejos. Valeu ter caminhado pelas ruas de Mariana e ter visitado um pouco de suas entranhas. O munícipio é muito maior do que a tragédia que se abateu sobre ele e seu povo tem feito um esforço enorme para limpar a lama da irresponsabilidade sem ferir sentimento de amor-próprio. Tomará que o futuro reserve a cidade o retorno aos gloriosos dias que marcaram o passado e que a sanha dos interesses exploratórios dos homens siga por caminhos que foquem na retidão de caráter.

20160529_1152071 maio IMG_0004 (772)1 maio IMG_0004 (778)1 maio IMG_0004 (779)1 maio IMG_0004 (781)1 maio IMG_0004 (785)

No retorno a Ouro Preto, que ficou sendo nossa base na região, tivemos uma das melhores surpresas gastronômicas de toda a viagem. Ao caminhar pelo centro em busca de um restaurante para almoçar, fomos abordados por um guia e este indicou o restaurante Conto de Réis, localizado em uma íngreme ladeira, que só em olhar é capaz de levarmos um escorrego. O restaurante é instalado em uma senzala de um casarão do XVIII e apresenta no cardápio a mais tradicional e farta cozinha mineira. Inesquecível!

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O dia seguinte pegamos a estrada e descemos para o Sul para conhecer a região das manifestações, que envolvem as cidades de Prado, Tiradentes e São João del-Rei. No caminho entramos em Congonhas, cidade famosa por resguardar a escultural obra “Os Doze Profetas”, de Antônio Francisco Lisboa – o Aleijadinho. A obra é exposta no adro da Basílica do Bom Jesus de Matosinhos e se completa com as seis capelas que contam a Via Sacra de Jesus Cristo, formando um conjunto paisagístico de encantar. Outro destaque da cidade é o prédio da Romaria, que abriga museus e centro cultural, e sua história está ligada aos milhares de romeiros que visitam a cidade em uma das mais tradicionais festas religiosas de Minas, que a do Bom Jesus. A visita a Congonhas é imperdível.

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E por falar em Aleijadinho, a história do mais importante artista do barroco mineiro é envolta em um véu de lendas e controvérsia. A vida do artista é contada a partir de uma nota biográfica escrita quarenta anos após a sua morte e a vasta coleção de sua obra, mais de 400 trabalhos, carecem de comprovação documental. O apelido foi devido a uma doença degenerativa que não se sabe a causa. Aleijadinho, o maior e mais reconhecido artista plástico, morreu pobre, doente e abandonado, como a grande maioria dos gênios artísticos, na cidade de Ouro Preto, em 1814. A data de seu nascimento também carece de pesquisa, mas contam que ele nasceu em Vila Rica, em 1730.

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Deixamos Congonhas envolvidos pela beleza da obra dos Doze Profetas, mas não deixei de notar que aos pés dos profetas, sentado na escadaria da igreja, um velho mendigo estendia a mão em busca de migalhas. Seria um reflexo do final da vida do artista ou seria um retrato vivo dos profetas?

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A viagem segue!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Uai! Parte 9

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Minas Gerais tem muitos caminhos, mas tem aqueles que se destacam em importância, apesar de traçarem rumos que margeiam os principais corredores rodoviários.

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Estrada Real, a maior rota turística do Brasil, com mais de 1.680 quilômetros de extensão entre os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, tem como objetivo valorizar a cultura, a beleza e as tradições ao longo do percurso. A estrada, que originalmente é uma trilha, foi construída pela Coroa Portuguesa no século 17, para escoar a produção de ouro e diamante até o porto do Rio de Janeiro. O Instituto Estrada Real, órgão criado em 1999 pelo sistema FIEMG – Federação da Indústria do Estado de Minas Gerais – para fomentar e gerenciar o turismo autosustentável ao longo da trilha, beneficiando 199 municípios, criou o Passaporte da Estrada Real, um documento simbólico voltado para os viajantes que desejarem registrar a passagem pelos caminhos da história. O passaporte deve ser carimbado nos pontos oficiais, indicados pelo Instituto, e ao ser totalmente preenchido, o viajante recebe um certificado.

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Lucia fez o nosso registro no site do Instituto para retirar o documento, que é entregue mediante a doação de um quilo de alimento não perecível, e apesar de termos andando um bocado, muito ficou a ser feito em outras oportunidades. O roteiro que planejamos valorizava algumas cidades as margens da velha estrada, contudo, os desejos de um viajante são como barcos a vela que seguem de acordo com o sopro do vento e nem sempre os ventos casam com os desejos. De uma coisa eu sei: – A Estrada é uma viagem a parte e vale ser conhecida em sua essência.

20160527_104658Na página anterior desse relato havíamos deixado para trás a maravilhosa arquitetura de Diamantina e as cachoeiras de Beribiri para pegar a estrada que nos levaria a Ouro Preto. Pouco mais de 385 quilômetros separam os dois destinos turísticos mais famosos e a viagem é bastante prazerosa. Não levamos em consideração o tempo de viagem e nem nos preocupamos com a hora de chegar a Ouro Preto, queríamos mais era curtir a viagem sem pressa, sem atropelos e parando em pontos que nos chamasse atenção, como uma lanchonete que anunciasse deliciosas pamonhas ou outra que nos chamasse para experimentar um sanduíche de pão com linguiça. As estradas mineiras são verdadeiros SPAs de engorda.

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Após cinco horas de viagem chegamos enfim a Ouro Preto, cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, uma obra de arte a céu, um dos mais belos e encantadores conjuntos arquitetônicos do Brasil, cidade onde a história brasileira é contada em cada passo que damos sobre becos e ruas seculares. Ouro Preto é um quadro poético de um artista das telas emoldurado por uma paisagem natural do reino das utopias. Chegamos e fomos brindados por um frio maravilhoso que nos fez entrelaçar os braços sobre o peito, como aquele gostoso e simbólico gesto universal de quem abraça o mundo.

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A cidade Patrimônio é sim tudo o que está escrito nos folhetos turístico e mais um pouco. O difícil é não se sentir envolvido pela vida que ali existiu em séculos passados. Os museus são de um primor de deixar o visitante boquiaberto. O Museu da Inconfidência, que não pode ser fotografado internamente, dá para sentir os passos e a as vozes de homens e mulheres que se engajaram em um ideal e deram o pescoço para que pudéssemos estar vivendo dias de liberdade de pensamentos e sonhos. Pensar hoje em um Brasil tolhido da riqueza desses ideais é o mesmo que levar novamente a forca aqueles que deram a vida para que tivéssemos um futuro melhor. Muitos subiram ao cadafalso com um sorriso estampado no rosto, porque mesmo condenados, sabiam que a vitória caminhava a passos largos.

1 maio IMG_0004 (829)20160529_160810Mas é no Museu dos Contos que a história estapeia nossa cara e nos faz refletir. O museu conta em detalhes o que gerou a riqueza desse país maravilhoso, diversificado e multicultural. Dotado de uma suntuosa e bem preservada arquitetura, o Museu dos Contos reserva o mais mágico dos seus cômodos para que possamos pedir perdão e envergonhar-se pela crueldade dos nossos antepassados. A Senzala – assim mesmo com “S” maiúsculo -, não existe palavras para descrevê-la, pois simplesmente o nó que trava a garganta só nos permite a reflexão e a emoção. – Como somos cruéis!

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Dentro daquela Senzala escutei um comentário que até hoje ecoa em meus ouvidos: “Olhando o que existe dentro dessa senzala, fico a imaginar o que fizeram aqueles que combateram a ditadura militar para merecerem mensalmente milionárias indenizações, enquanto os negros vivem questionados apenas por serem beneficiados por um simples sistema de cotas…”.

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O título de Patrimônio Cultural da Humanidade é pouco para Ouro Preto.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Uai! Parte 8

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“Como pode o peixe vivo/Viver fora da água fria/Como pode o peixe vivo/Viver fora da água fria…” Talvez essa cantiga de roda seja a música que mais retrata a imagem da cidade de Diamantina/MG, pois Peixe Vivo, uma bela canção popular, foi o tema escolhido pelo seu mais ilustre morador, o presidente Juscelino Kubitschek, para marcar sua passagem pelo mundo e foi entoada por um enorme e emocionado coral popular durante o seu enterro.

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Diamantina tem o rosto e os trejeitos das minas gerais e, sem medo de errar, é uma das cidades que jamais deve ficar fora de um roteiro turístico pelas alterosas, sob pena do turista, ao comentar sobre a viagem com os amigos, ser visto com olhos atravessados de interrogações.

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O município de pouco mais de 47 mil habitantes, segundo dados estatísticos de 2014, e com 185 anos de fundação é dotado de uma beleza arquitetônica e cultural espetaculosa. O início de sua história se deu em 1713, nos áureos tempos do ouro e dos diamantes, e teve na pessoa do bandeirante Jerônimo Gouvêa que se apossou de um pedaço de chão ao descobrir uma grande quantidade de ouro na confluência do Rio Piruruca com o Rio Grande. O povoamento se deu em 1722 e se chamava Arraial do Tejuco e a partir de 1730 pegou a crescer e a florescer sua arquitetura. Já batizada Diamantina, em 1938 a arquitetura fascinante do seu Centro Histórico foi tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional e no final dos anos noventa a cidade recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Prêmio mais do que merecido, porque a cidade é um encanto! Continuar lendo

Uai! Parte 6

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Um dos locais mais indicados quando anunciamos que estávamos planejando uma viagem a Minas Gerais foi o Mercado Central de Belo Horizonte. De cara gostamos da indicação, pois a visitação a mercados públicos e feiras livres é um dos nossos programas favoritos. É no ambiente descolado desses comércios encantadores que as cidades se mostram mais verdadeiras e desobrigadas dos trejeitos modernosos. Hoje se você me perguntar o que fazer em Belo Horizonte, repondo sem pestanejar: – Muitas coisas, mas comece pelo Mercado!

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Depois de muito perambular pelas belas e arborizadas avenidas da capital mineira, num entra e sai de museus que quase não acaba mais e cada um mais encantador do que o outro, desaguamos nos corredores freneticamente movimentados do Mercado Central e nos deparamos com um verdadeiro festival de cores, odores e sabores que até imaginávamos encontrar, pois a visita nos foi muito bem recomendada pelo velejador/aviador Vitor, veleiro Storm, mas o que vimos nos deixou surpresos.

20160527_08595720160527_09022120160527_09484520160527_091512Encontra-se de tudo no Mercado Central de Belo Horizonte, a começar pelos queijos e doces que fazem da culinária mineira um marco da gastronomia brasileira, porém, é nos bares, cafés e restaurantes, que espalham aromas enfeitiçados no ar, que uma pecadora gulodice invade a nossa alma com as bênçãos de Oxóssi, orixá da caça e da fartura, Senhor da floresta, dos animais e dos alimentos. Continuar lendo

Patrimônio da humanidade

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Lucia sempre diz que nunca devemos deixar de fazer aquilo que achamos que seja difícil e muito menos o que está ao alcance da mão, porque um dos piores sentimentos do homem é o arrependimento. No capítulo cinco sobre a viagem que fizemos a Minas Gerais falei que estivemos na Lagoa da Pampulha e não visitamos o seu maior tesouro que é a Igreja de São Francisco de Assis e muito menos o conjunto arquitetônico da Pampulha do qual a igreja é a maior estrela. Foi sim uma falha imperdoável! Essa semana li a notícia – para atiçar mais fogo a minha consciência arrependida – de que a Unesco, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, elegeu o conjunto arquitetônico da Pampulha, projeto do arquiteto Oscar Niemayer, formado pela Igreja de São Francisco de Assis, o Cassino, a Casa de Baile e o Iate Tênis Club, patrimônio cultural da humanidade. Agora o Brasil passa a ter 13 patrimônios culturais e 7 naturais. O Dalai Lama disse que devemos uma vez ao ano ir a algum lugar onde nunca estivemos antes, talvez para nos mostrar o quanto é infinito as belezas do mundo. Pois é, estivemos a poucos passos de estar diante de um futuro patrimônio da humanidade, mas a razão se esvaiu em meio as fogueiras da alma.