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A lama do Feijão é a cara do Brasil

incidente-brumadinho-v6Mais uma vez estamos cara a cara com mais uma tragédia, mais uma barragem rompida, mais explicações infundadas e mais uma vez o palco trágico é o belo Estado de Minas Gerais, onde em novembro de 2015 a barragem do Fundão, localizada no município de Mariana, rompeu, ceifou 18 vidas e provocou o maior desastre ambiental brasileiro,  jamais reparado e até o momento vem, descaradamente, sendo jogado de um lado a outro nos tribunais de justiça. Brumadinho é uma cidade linda, localizada nas cercanias da capital mineira, com uma população estimada em torno de 40 mil habitantes, destaca-se pelos grandes mananciais de água que abastecem um quarto da região metropolitana de Belo Horizonte e também por abrigar em suas terras o maravilhoso museu Inhotim, um dos mais importantes acervos de arte contemporânea brasileiro, considerado o maior centro de arte ao ar livre da América Latina. Hoje, 25/01, o Brasil acordou para descobrir que a lição de Mariana não foi aprendida, não serviu para nada e aqueles que perderam seus entes queridos, suas casas e histórias de vida, mais uma vez irão chorar de pavor e descrença nas leis dos homens, diante do rompimento da barragem da mina do Feijão que até o momento, segundo as autoridades, existem 200 desaparecidos e lugarejos praticamente riscados do mapa. Assim como em Mariana, a mineradora Vale S/A assina o enredo do terror. – Quer saber? – Mais uma vez vamos engolir a lama goela abaixo!       

Uai! Parte 14

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Sabará na língua tupi significa pedra reluzente e no mapa de Minas Gerais se configura como um belo e tradicional município, tão próximo de Belo Horizonte que fica até difícil para um visitante saber onde começa um e termina o outro. Com uma população de mais de 126 habitantes, segundo o censo de 2010, a cidade que nasceu de uma antiga vila de bandeirantes, sob a regência do ciclo do ouro e da prata, como quase toda cidade mineira, e seguindo a partitura de uma lenda que envolvia a serra de Sabarabuçu, hoje batizada de serra da Piedade, tem uma história recheada de intrigas, violências e paixões, tão comum nos arraiais de mineração e ainda tão em voga no mundo atual. Aliás, intrigas, violências e paixões é a mola mestra que move os terráqueos desde de que esse asteroide pequeno se declarou dotado de inteligência.

 2 junho IMG_0001 (6)2 junho IMG_0001 (9)2 junho IMG_0001 (29)Pois bem, Sabará praticamente havia ficado de fora de nosso roteiro, mas como o voo de Sandra e Venícios era pela manhã e o nosso à noite, deixamos o casal no aeroporto e voltamos para conhecer um pouco mais da capital mineira. No caminho vimos a placa de Sabará e entramos. Juro que esperei mais da cidade e até que seus monumentos históricos estivessem mais bem preservados, porém, ficamos surpresos com o que vimos. Talvez a proximidade com a capital tenha contribuído para tirar um pouco do brilho do antigo arraial do ouro, mas também pode ter sido um desencantamento de final de viagem depois de ter visitado Ouro Preto, Diamantina, Congonhas, Tiradentes, Mariana, Beriberi e tantas cidadezinhas e museus encantadores. Tudo pode ter sido, mas pretendemos um dia retornar com mais calma a cidade para descobrir seus segredos e revisitar a bela Igreja de Nossa Senhora do Carmo, que passamos o olho ligeiramente por seu interior e deu para perceber a beleza dos traços do mestre Aleijadinho.

2 junho IMG_0001 (14)2 junho IMG_0001 (18)2 junho IMG_0001 (21)2 junho IMG_0001 (24)2 junho IMG_0001 (26)2 junho IMG_0001 (8)2 junho IMG_0001 (33)

Visitamos a Casa da Ópera (Teatro Municipal) que apesar de ter uma arquitetura fantástica e ter tido na plateia os imperadores Dom Perdro I e Dom Pedro II, encontra-se em lastimável estado de depreciação. Caminhamos despreocupadamente pelo centro, passamos em frente à casa de Borba Gato, bandeirante e explorador que chegou a região através do seu sogro Fernão Dias Paes e chegou a ser juiz ordinário da Vila de Sabará. Borba Gato, que recebeu homenagem de uma estátua de bronze no Museu Paulista por seu extraordinário conhecimento como bandeirante, apesar de sua importância na administração da antiga Vila, não se sabe onde está enterrado. Paramos um pouco na praça para observar o movimento da cidade e fomos saindo de fininho meio que decepcionados com o que vimos. De volta a capital mineira, tomamos o rumo do Mercado Central e mais uma vez nos deliciamos com suas cores, seus cheiros e seus costumes.

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Pronto, depois do Mercado foi chegada a hora de colocar um ponto final em nossa viagem e nesse relato. O que vimos de Minas Gerais jamais sairá de nossas lembranças e ficará eternamente com aquele gostinho de quero mais. Dizem que visitar é uma coisa e morar é outra, mas digo que se um dia o destino me reservasse o direito, moraria de bom grado nas terras das alterosas. Claro que escolheria um pequenino e bucólico povoado, que me desse o prazer de tardes modorrentas e noites frias dos ventos das serras. Que ficasse próxima dos velhos e deliciosos alambiques de fundo de quintas e que me reservasse bons bate papos com os tradicionais mineirinhos e seus cigarrinhos de palha. E o doce? E o queijo? E as galinhadas? E os leitões? E o pão de queijo? E os sanduiches de salsicha? E o café? E aquela vidinha mansa de quem não quer nada? E os museus? E as igrejas? E a arquitetura? E os campos? Pois é, tudo isso eu queria diante de minha varadinha no pé de serra.

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Pois foi, Minas me encantou e jamais deixarei de agradecer ao casal Sandra e Venício Gama pelo convite para acompanhá-los essa viagem deslumbrante, inesquecível e de fortalecimento dos laços de amizade. Como é gostoso estar junto de pessoas que amamos e que temos como irmãos. Como é gostoso viver dias de alegrias e que desejamos que se estendam além dos limites das horas. Como é gostoso caminhar por um Brasil tão brasileiro. E por tudo isso é chegada a hora de responder aquela pergunta que tantas vezes nos deparamos enquanto planejávamos esse passeio: O que fazer em Minas Gerais? – Tudo, mais um pouco e só não deixe ir.

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Para finalizar, vou parodiar uma letra do cantor e compositor Dorival Caymmi e tão gostosamente entoada pelo também compositor e cantor Lenine, para dizer assim: – Você já foi a Minas? – Não? – Então vá!

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Oh! Minas Gerais/Oh! Minas Gerais/Quem te conhece/Não esquece jamais…

Nelson Mattos Filho

UAI! Parte 11

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Peço que não se apeguem aos comentários desairosos, na página anterior desse relato, sobre o rio do Carmo que banha a cidade de Mariana, porque ele não está solitário no abandono. Todos os rios brasileiros, todos sem exceção, estão jogados a própria sorte e assim vamos seguindo em frente.

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Confesso que sabia pouco, ou quase nada, sobre a cidade de Mariana, até o desgraçado acidente da barragem inserí-la no noticiário mundial. O município com 360 anos de fundação e 59 mil habitantes tem um passado glorioso. Foi primeira vila, primeira capital, sede do primeiro bispado e primeira cidade a ser projetada em Minas Gerais. O nome é uma homenagem de Dom João V a sua esposa, rainha Maria Ana D’Austria. Em 1945 o presidente Getúlio Vagas concedeu a cidade o título de Monumento Nacional, por seu significativo patrimônio histórico, religioso e cultural.

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Chegamos a cidade pela estação do trem e sinceramente não gostei da parte moderna, porém, bastou uma breve caminhada para desembocarmos na parte histórica e sermos tragados pela magia da arquitetura colonial. Há quem diga que a arquitetura das cidades mineiras se repete, mas é aí que mora a beleza, porque é um conjunto de fazer inveja ao mundo e quase tudo em elevado grau de preservação. O centro histórico de Mariana é uma pintura dos deuses das pranchetas, onde se destacam a Casa da Câmara e Cadeia, as igrejas da ordem terceira de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo e um pelourinho, congregando assim os símbolos da justiça, poderes civil e religioso. Caminhar pelo bem cuidado largo ao redor dos monumentos é um momento de reflexão e mais um resgate da história do Brasil colônia.

1 maio IMG_0004 (748)1 maio IMG_0004 (751)1 maio IMG_0004 (752)1 maio IMG_0004 (755)1 maio IMG_0004 (764)1 maio IMG_0004 (768)

Como aconteceu nas outras cidades que visitamos, a nossa passagem por Mariana também foi meteórica e deixamos muito a ser visto, o que é um pecado para quem deseja conhecer Minas Gerais, um estado dotado de um acervo histórico fora do comum. Mas o tempo é o senhor da razão e a rotina de um turista depende de uma complexa engenharia para acomodar sonhos e desejos. Valeu ter caminhado pelas ruas de Mariana e ter visitado um pouco de suas entranhas. O munícipio é muito maior do que a tragédia que se abateu sobre ele e seu povo tem feito um esforço enorme para limpar a lama da irresponsabilidade sem ferir sentimento de amor-próprio. Tomará que o futuro reserve a cidade o retorno aos gloriosos dias que marcaram o passado e que a sanha dos interesses exploratórios dos homens siga por caminhos que foquem na retidão de caráter.

20160529_1152071 maio IMG_0004 (772)1 maio IMG_0004 (778)1 maio IMG_0004 (779)1 maio IMG_0004 (781)1 maio IMG_0004 (785)

No retorno a Ouro Preto, que ficou sendo nossa base na região, tivemos uma das melhores surpresas gastronômicas de toda a viagem. Ao caminhar pelo centro em busca de um restaurante para almoçar, fomos abordados por um guia e este indicou o restaurante Conto de Réis, localizado em uma íngreme ladeira, que só em olhar é capaz de levarmos um escorrego. O restaurante é instalado em uma senzala de um casarão do XVIII e apresenta no cardápio a mais tradicional e farta cozinha mineira. Inesquecível!

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O dia seguinte pegamos a estrada e descemos para o Sul para conhecer a região das manifestações, que envolvem as cidades de Prado, Tiradentes e São João del-Rei. No caminho entramos em Congonhas, cidade famosa por resguardar a escultural obra “Os Doze Profetas”, de Antônio Francisco Lisboa – o Aleijadinho. A obra é exposta no adro da Basílica do Bom Jesus de Matosinhos e se completa com as seis capelas que contam a Via Sacra de Jesus Cristo, formando um conjunto paisagístico de encantar. Outro destaque da cidade é o prédio da Romaria, que abriga museus e centro cultural, e sua história está ligada aos milhares de romeiros que visitam a cidade em uma das mais tradicionais festas religiosas de Minas, que a do Bom Jesus. A visita a Congonhas é imperdível.

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E por falar em Aleijadinho, a história do mais importante artista do barroco mineiro é envolta em um véu de lendas e controvérsia. A vida do artista é contada a partir de uma nota biográfica escrita quarenta anos após a sua morte e a vasta coleção de sua obra, mais de 400 trabalhos, carecem de comprovação documental. O apelido foi devido a uma doença degenerativa que não se sabe a causa. Aleijadinho, o maior e mais reconhecido artista plástico, morreu pobre, doente e abandonado, como a grande maioria dos gênios artísticos, na cidade de Ouro Preto, em 1814. A data de seu nascimento também carece de pesquisa, mas contam que ele nasceu em Vila Rica, em 1730.

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Deixamos Congonhas envolvidos pela beleza da obra dos Doze Profetas, mas não deixei de notar que aos pés dos profetas, sentado na escadaria da igreja, um velho mendigo estendia a mão em busca de migalhas. Seria um reflexo do final da vida do artista ou seria um retrato vivo dos profetas?

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A viagem segue!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Uai! Parte 9

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Minas Gerais tem muitos caminhos, mas tem aqueles que se destacam em importância, apesar de traçarem rumos que margeiam os principais corredores rodoviários.

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Estrada Real, a maior rota turística do Brasil, com mais de 1.680 quilômetros de extensão entre os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, tem como objetivo valorizar a cultura, a beleza e as tradições ao longo do percurso. A estrada, que originalmente é uma trilha, foi construída pela Coroa Portuguesa no século 17, para escoar a produção de ouro e diamante até o porto do Rio de Janeiro. O Instituto Estrada Real, órgão criado em 1999 pelo sistema FIEMG – Federação da Indústria do Estado de Minas Gerais – para fomentar e gerenciar o turismo autosustentável ao longo da trilha, beneficiando 199 municípios, criou o Passaporte da Estrada Real, um documento simbólico voltado para os viajantes que desejarem registrar a passagem pelos caminhos da história. O passaporte deve ser carimbado nos pontos oficiais, indicados pelo Instituto, e ao ser totalmente preenchido, o viajante recebe um certificado.

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Lucia fez o nosso registro no site do Instituto para retirar o documento, que é entregue mediante a doação de um quilo de alimento não perecível, e apesar de termos andando um bocado, muito ficou a ser feito em outras oportunidades. O roteiro que planejamos valorizava algumas cidades as margens da velha estrada, contudo, os desejos de um viajante são como barcos a vela que seguem de acordo com o sopro do vento e nem sempre os ventos casam com os desejos. De uma coisa eu sei: – A Estrada é uma viagem a parte e vale ser conhecida em sua essência.

20160527_104658Na página anterior desse relato havíamos deixado para trás a maravilhosa arquitetura de Diamantina e as cachoeiras de Beribiri para pegar a estrada que nos levaria a Ouro Preto. Pouco mais de 385 quilômetros separam os dois destinos turísticos mais famosos e a viagem é bastante prazerosa. Não levamos em consideração o tempo de viagem e nem nos preocupamos com a hora de chegar a Ouro Preto, queríamos mais era curtir a viagem sem pressa, sem atropelos e parando em pontos que nos chamasse atenção, como uma lanchonete que anunciasse deliciosas pamonhas ou outra que nos chamasse para experimentar um sanduíche de pão com linguiça. As estradas mineiras são verdadeiros SPAs de engorda.

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Após cinco horas de viagem chegamos enfim a Ouro Preto, cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, uma obra de arte a céu, um dos mais belos e encantadores conjuntos arquitetônicos do Brasil, cidade onde a história brasileira é contada em cada passo que damos sobre becos e ruas seculares. Ouro Preto é um quadro poético de um artista das telas emoldurado por uma paisagem natural do reino das utopias. Chegamos e fomos brindados por um frio maravilhoso que nos fez entrelaçar os braços sobre o peito, como aquele gostoso e simbólico gesto universal de quem abraça o mundo.

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A cidade Patrimônio é sim tudo o que está escrito nos folhetos turístico e mais um pouco. O difícil é não se sentir envolvido pela vida que ali existiu em séculos passados. Os museus são de um primor de deixar o visitante boquiaberto. O Museu da Inconfidência, que não pode ser fotografado internamente, dá para sentir os passos e a as vozes de homens e mulheres que se engajaram em um ideal e deram o pescoço para que pudéssemos estar vivendo dias de liberdade de pensamentos e sonhos. Pensar hoje em um Brasil tolhido da riqueza desses ideais é o mesmo que levar novamente a forca aqueles que deram a vida para que tivéssemos um futuro melhor. Muitos subiram ao cadafalso com um sorriso estampado no rosto, porque mesmo condenados, sabiam que a vitória caminhava a passos largos.

1 maio IMG_0004 (829)20160529_160810Mas é no Museu dos Contos que a história estapeia nossa cara e nos faz refletir. O museu conta em detalhes o que gerou a riqueza desse país maravilhoso, diversificado e multicultural. Dotado de uma suntuosa e bem preservada arquitetura, o Museu dos Contos reserva o mais mágico dos seus cômodos para que possamos pedir perdão e envergonhar-se pela crueldade dos nossos antepassados. A Senzala – assim mesmo com “S” maiúsculo -, não existe palavras para descrevê-la, pois simplesmente o nó que trava a garganta só nos permite a reflexão e a emoção. – Como somos cruéis!

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Dentro daquela Senzala escutei um comentário que até hoje ecoa em meus ouvidos: “Olhando o que existe dentro dessa senzala, fico a imaginar o que fizeram aqueles que combateram a ditadura militar para merecerem mensalmente milionárias indenizações, enquanto os negros vivem questionados apenas por serem beneficiados por um simples sistema de cotas…”.

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O título de Patrimônio Cultural da Humanidade é pouco para Ouro Preto.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Uai! Parte 8

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“Como pode o peixe vivo/Viver fora da água fria/Como pode o peixe vivo/Viver fora da água fria…” Talvez essa cantiga de roda seja a música que mais retrata a imagem da cidade de Diamantina/MG, pois Peixe Vivo, uma bela canção popular, foi o tema escolhido pelo seu mais ilustre morador, o presidente Juscelino Kubitschek, para marcar sua passagem pelo mundo e foi entoada por um enorme e emocionado coral popular durante o seu enterro.

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Diamantina tem o rosto e os trejeitos das minas gerais e, sem medo de errar, é uma das cidades que jamais deve ficar fora de um roteiro turístico pelas alterosas, sob pena do turista, ao comentar sobre a viagem com os amigos, ser visto com olhos atravessados de interrogações.

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O município de pouco mais de 47 mil habitantes, segundo dados estatísticos de 2014, e com 185 anos de fundação é dotado de uma beleza arquitetônica e cultural espetaculosa. O início de sua história se deu em 1713, nos áureos tempos do ouro e dos diamantes, e teve na pessoa do bandeirante Jerônimo Gouvêa que se apossou de um pedaço de chão ao descobrir uma grande quantidade de ouro na confluência do Rio Piruruca com o Rio Grande. O povoamento se deu em 1722 e se chamava Arraial do Tejuco e a partir de 1730 pegou a crescer e a florescer sua arquitetura. Já batizada Diamantina, em 1938 a arquitetura fascinante do seu Centro Histórico foi tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional e no final dos anos noventa a cidade recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Prêmio mais do que merecido, porque a cidade é um encanto! Continuar lendo

Uai! Parte 6

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Um dos locais mais indicados quando anunciamos que estávamos planejando uma viagem a Minas Gerais foi o Mercado Central de Belo Horizonte. De cara gostamos da indicação, pois a visitação a mercados públicos e feiras livres é um dos nossos programas favoritos. É no ambiente descolado desses comércios encantadores que as cidades se mostram mais verdadeiras e desobrigadas dos trejeitos modernosos. Hoje se você me perguntar o que fazer em Belo Horizonte, repondo sem pestanejar: – Muitas coisas, mas comece pelo Mercado!

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Depois de muito perambular pelas belas e arborizadas avenidas da capital mineira, num entra e sai de museus que quase não acaba mais e cada um mais encantador do que o outro, desaguamos nos corredores freneticamente movimentados do Mercado Central e nos deparamos com um verdadeiro festival de cores, odores e sabores que até imaginávamos encontrar, pois a visita nos foi muito bem recomendada pelo velejador/aviador Vitor, veleiro Storm, mas o que vimos nos deixou surpresos.

20160527_08595720160527_09022120160527_09484520160527_091512Encontra-se de tudo no Mercado Central de Belo Horizonte, a começar pelos queijos e doces que fazem da culinária mineira um marco da gastronomia brasileira, porém, é nos bares, cafés e restaurantes, que espalham aromas enfeitiçados no ar, que uma pecadora gulodice invade a nossa alma com as bênçãos de Oxóssi, orixá da caça e da fartura, Senhor da floresta, dos animais e dos alimentos. Continuar lendo

Patrimônio da humanidade

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Lucia sempre diz que nunca devemos deixar de fazer aquilo que achamos que seja difícil e muito menos o que está ao alcance da mão, porque um dos piores sentimentos do homem é o arrependimento. No capítulo cinco sobre a viagem que fizemos a Minas Gerais falei que estivemos na Lagoa da Pampulha e não visitamos o seu maior tesouro que é a Igreja de São Francisco de Assis e muito menos o conjunto arquitetônico da Pampulha do qual a igreja é a maior estrela. Foi sim uma falha imperdoável! Essa semana li a notícia – para atiçar mais fogo a minha consciência arrependida – de que a Unesco, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, elegeu o conjunto arquitetônico da Pampulha, projeto do arquiteto Oscar Niemayer, formado pela Igreja de São Francisco de Assis, o Cassino, a Casa de Baile e o Iate Tênis Club, patrimônio cultural da humanidade. Agora o Brasil passa a ter 13 patrimônios culturais e 7 naturais. O Dalai Lama disse que devemos uma vez ao ano ir a algum lugar onde nunca estivemos antes, talvez para nos mostrar o quanto é infinito as belezas do mundo. Pois é, estivemos a poucos passos de estar diante de um futuro patrimônio da humanidade, mas a razão se esvaiu em meio as fogueiras da alma.  

Uai! Parte 5

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Quando idealizei escrever o relato da viagem que fizemos a Minas Gerais no mês de maio de 2016, na companhia do casal Sandra e Venício Gama, não imaginei que enveredaria por caminhos tão ricamente desenhados e margeados por tão belas veredas, becos e ladeiras. O chão de Minas, além de rico, é sagrado e por mais que a gente queira botar um ponto final na história, mais longe se torna o fim.

O compositor mineiro Marcus Viana cantou assim na música Pátria Minas: “… Pátria é o fundo do meu quintal/É broa de milho e o gosto de um bom café/É cheiro em colo de mãe/É roseira branca que a avó semeou do jardim/E se o mundo é grande demais/Sou carro de boi/Sou canção e paz/Sou montanha entre a terra e o céu/Sou Minas Gerais…”. Podem até achar que seja um ufanismo exacerbado, mas o que dizer de uma terra tão bem semeada de poesia, cultura e história e onde as tradições se agigantam em um sotaque encantador?

Em nosso giro pelas veredas da capital mineira faltou tempo para caminhar lento, porém, tínhamos que caminhar. Ao sair do Museu dos Ofícios e deixar para trás a Praça da Estação, nosso destino foi a da Lagoa da Pampulha e sua famosa Igreja que tem a cara e alma do mineiro.

A Pampulha ficou devendo a fama, ou melhor, está encolhida diante da desfaçatez dos homens. A Lagoa é bela por natureza, mas as cercanias têm um jeitão de abandono difícil de imaginar. Em suas quadras vimos belos casarões e inúmeros imóveis comerciais fechadas, ou com placa de vende-se ao aluga-se. Depois de dois giros completos em torno da Lagoa, sem conseguir parar para visitar a igreja de São Francisco de Assis – pois turista é bicho teimoso – decidimos matar a fome no primeiro restaurante que encontramos.

Na mesa do restaurante eu ficava imaginando a foto que tiraria do projeto saído das pranchetas premiadas do arquiteto Oscar Niemeyer, pois sabia que ali estava a obra que ajudou a florescer o brilho de Minas. Porém, os segredos dos homens passam por túneis difíceis de serem destrinchados e nos assuntos da fé, a alma ferve em um caldeirão azeitado de doutrinária desarmonia.

A boa regra de visitação turística, em seu primeiro artigo, diz que temos que ir primeiramente ao marco principal de um lugar e a partir daí traçar as linhas de direção. Como ir a Roma e não tentar ver o Papa? Como ir a França e não visitar a Torre Eiffel? Como ir ao Rio e não ir ao Cristo Redentor? Pois bem, fui a Belo Horizonte e não fui a Igreja da Pampulha, que está grafada em todos os símbolos oficiais da capital. Tomará que São Francisco de Assis me perdoe à desfeita.

Não saí da Pampulha entristecido, saí com a certeza que nossa viagem iria ficar faltando um pedaço, e pode até que não tenha sido mais delicioso, mas com razão, o mais vistoso. Pegamos a estrada em direção ao Mirante das Mangabeiras, outro ponto de visitação imperdível e onde poderíamos apreciar a Serra do Curral e vislumbrar a cidade de um ponto situado a mais de 1.300 metros de altitude.

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O Mirante está localizado no bairro das Mangueiras e ocupa uma fração de uma área de preservação ambiental por trás do Palácio do Governador. Uma guarita dá acesso ao parque e uma pracinha bem cuidada e dois decks levam conforto ao visitante. No Mirante não é permitido vendedores ambulantes e nem existem lanchonetes, portanto, o visitante tem que ir abastecido de pelo menos uma garrafinha de água, porque a subida é um pouquinho íngreme, mas nada que assuste um sedentário.

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Outra coisa que não deve faltar é uma máquina fotográfica ou um celular com bateria suficiente para umas boas imagens e postá-las imediatamente para amigos e familiares, como manda a regra da boa convivência nesses tempos modernosos. No mais, é escorar na balaustrada e curtir a paisagem que é bela. Se for um dia de céu limpo e no momento do pôr do sol, aí é desmantelo.

Na ida e na volta ao Mirante, passamos ao lado da Praça Israel Pinheiro, batizada popularmente como Praça do Papa, porque foi lá que João Paulo II rezou missa e ao olhar a cidade que se estendia lá embaixo, falou assim: “Que belo horizonte”. Na Praça do Papa foi erguido um monumento em homenagem a visita do pontífice e foi plantado um gramado maravilhoso e convidativo. O local serve ainda para realização de eventos artísticos e religiosos.

VIAGEM A MINAS 2016 MAQ VENÍCIO (15)

Após um dia de visitação na bela horizonte e para fechar o dia com o sabor de Minas na boca, fomos até a Savassi tomar café com pão de queijo. À noite saímos para brindar a vida em um dos muitos restaurantes que fazem da capital mineira uma praça gastronômica da melhor cepa.

Êta trem bão!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Uai! Parte 4

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Na página anterior desse relato a nossa trupe estava caminhando entre os monumentos e museus do Circuito da Liberdade e demos por encerrada a caminhada depois que a fome bateu no bucho e anunciou que ou vai ou racha. Mais uma vez não conhecemos tudo o que tínhamos para conhecer, porque engrenar um passo que atenda a vontade sem ultrapassar a razão é complicado diante de museus incrivelmente fantásticos e passeando por avenidas e ruas em que a história se fez. O programa da Praça da Liberdade tem que ser feito em dois dias e olhe lá, pois se o passo não for firme não dá.

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Como a fome nos fez apressar o passo, demos adeus a Praça e tomamos o rumo do Mercado Central, sonhando com aquelas comidas gostosos que todos que já visitaram indicam com água na boca e brilho nos olhos. O Mercado é um marco no centro de Belo Horizonte e onde tudo parece começar em suas entranhas. Sem saber que rumo tomar e sem querer ir parando ali, acolá para pedir ajuda aos passantes, ligamos o GPS do celular e aceleramos seguindo o traçado azul. Não sei por que esses GPS de carro têm mania de bagunçar o coreto dos incautos motoristas. O nosso começava bem e seguia melhor ainda, mas quando se aproximava do objetivo o bicho dava a bexiga e se arvorava a fazer maluquice.

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Entra aqui, segue por acolá, volta tudo, refaz, recalcula, agora vai e pronto, chegamos. – Eita, parece que o Mercado já fechou! – E num é que fechou mesmo! Foi aí que descobrimos que aos domingos e feriados o Mercado Central fecha a uma hora da tarde. E agora? E fome? Bem, vamos dar um pito nela e já que estamos no centro da cidade, vamos conhecer o Museu dos Ofícios, na Praça da Estação. E novamente o GPS aprontou para valer.

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Ao parar em um sinal pedimos ajuda a um motorista de taxi, que tentou ensinar da melhor maneira mineira, mas se atrapalhou todo e quando o sinal abriu ele disse: Me siga que é melhor! No sinal seguinte, ele respirou fundo e recomeçou nos ensinamentos: – Siga em frente e na primeira vire totalmente a direita, na segunda rua vire totalmente a esquerda, na praça vire totalmente a direita e na rua seguinte vire a esquerda só um pouco, siga em frente que vocês chegam na Praça da Estação. Hum? Acho melhor a gente ir pelo GPS!

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E nesse entra, vira e segue, chegamos enfim a Praça da Estação, que originalmente se chama Praça Rui Barbosa, e consequentemente ao Museu dos Ofícios, dois destinos que jamais devem ser deixado de lado pelos que visitam Belo Horizonte. A Praça tem a história da cidade gravada em suas pedras, porque foi a partir de seu espaço que a cidade surgiu e floresceu. A Estação Central era o pórtico de entrada da capital e pelos trens chegavam às pessoas que vinham conhecer a nova capital e ficavam.

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A Praça se destaca pela imponência de um espaço amplo e cercado de belos monumentos que valorizam a história mineira. Alguns estão expostos em réplicas, porque o vandalismo incontrolável e permissivo não deixa que as obras originais permaneçam sob o chão da praça. O local serve para a realização de festas populares, entre elas o São João, que dizem ser um dos melhores do interior brasileiro.

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O Museu dos Ofícios é simplesmente imperdível e basta apreciar sua fachada para sentir a grandeza existente em suas dependências. O Museu foi idealizado pelo Instituto Cultural Flávio Gutierrez e o seu acervo, único no país, foi doado pela empresária Ângela Gutierrez. O tema do Museu está bem explicitado em seu nome e lá estão representadas todas as profissões que deram e dá forma a riqueza do Brasil. E como diz o folheto informativo: É um enorme painel da história e das relações sociais do trabalho no País nos últimos três séculos.

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São mais de 2 mil obras com detalhes que encantam até quem afirma que não gosta de visitar museu. Como aconteceu no Circuito Liberdade, não é visita para ser feita as pressas. O Museu dos Ofícios precisa ser visitado de pé em pé, com reflexão, com parcimônia e sentido a magia de obras tão perfeitas e que nos leva a estar vivendo a época de onde as obras foram retidas.

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Me vi representado e viajei naquele espaço tão fascinante e sai de lá com a certeza que preciso voltar. Preciso parar longo tempo diante de cada ofício ali exposto para sentir a energia e aprender um pouco mais sobre o mundo em que vivemos. Preciso de horas de reflexão caminhando pelos corredores bem cuidados para saber até onde chegaremos. Será que um dia os museus contaram a nossa história? A história desses anos amalucados em que estamos vivendo? O que será que deixaremos para ser visto?

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– E a fome? Ela apertou e agora vamos abafar sua ira. Vamos a Lagoa da Pampulha!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Uai! Parte 3

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“… Eu nasci no celeiro da arte/No berço mineiro/Sou do campo, da serra/Onde impera o minério de ferro…” Paula Fernandes

Se existe um lugar que não falta o que fazer esse se chama Belo Horizonte, cidade emoldurada pela Serra do Curral e elevada 852 metros acima do nível do mar. A capital mineira, no alto dos seus 119 anos, é um labirinto de cultura e história tão rico como as minas de ouro e diamante que lhe trouxeram riquezas. Não vá a BH, como ela é carinhosamente chamada, pensando apenas nos 14 mil botecos e nos milhares de restaurantes que oferecem cardápios que botam por água abaixo o mais xiita regime alimentar. Vá também, e calçado com um bom par de “conga”, com vontade explícita de bater pernas por museus, igrejas, praças e ruas, pois se não for assim, você vai ficar em divida com sua consciência. Consciência pesada é a peste!

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No terceiro dia de nossa viagem pelas paragens mineira, tiramos para conhecer um pouco da história da capital e sendo assim, desembarcamos em plena Praça da Liberdade, onde as coisas acontecem, e ficamos na indecisão de todo turista quando se vê cercado por tantos monumentos históricos. A Praça em si já é dotada de uma altivez sem igual e a cada ângulo visado os nossos brilham de encantamento. Jardins bem cuidados, pessoas passeando, outros apenas sentados nos bancos em longos e animados bate papo. Os que procuram uma vida mais saudável gastando o solado em suadas corridas e caminhadas. Alguns apenas olhando o mundo em volta e nos ali tentando entrar no clima de uma cidade convidativa, exuberante e com um sotaque arretado de ouvir.

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Como em um jogo de par ou ímpar, escolhemos o nosso primeiro destino nas cercanias da Praça e mergulhamos nos salões do Centro Cultural Banco do Brasil, um imponente prédio inaugurado em 1930 para servir de instalação para a Secretaria de Segurança e Assistência Pública, porém, o órgão foi extinto na data da inauguração. No mesmo ano de 1930 o prédio passou a ser sede do Comando Geral das Forças Revolucionárias. Tempos depois acomodou a Secretaria de Defesa Social e a Procuradoria Geral do Estado. Em 2009 foi iniciada ampla reforma e em 2013 foi inaugurado o Centro Cultural Branco do Brasil que tivemos a alegria de visitar.

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Com amplos corredores e salas com um acervo espetacular, o museu ocupa uma área de 8 mil metros quadrados e diante de tantos e relevantes registros históricos, fica quase impossível apressar o passo. O resultado é que o relógio anda e a gente fica perdido entre o que ver após sair de lá. Ainda mais que eu me ative com a amostra do artista Nuno Ramos, intitulado “O Direito à Preguiça”. Claro que não é o que você está pensando, foi apenas que gostei.

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Novamente de volta aos bancos da Praça, miramos na fachada de um prédio localizado na esquina da Alameda da Educação com a Gonçalves Dias, caminhamos em sua direção e descobrimos ser o Memorial Minas Gerais – Vale, mais um museu incrivelmente encantador e que leva o visitante a conhecer um pouco mais sobre a história e as características do Estado.

20160526_113344O prédio, inaugurado em 1897 para ser a Secretária de Estado da Fazenda, por si só já é uma coisa de ser admirada de boca aberta e a história contada de forma interativa nos 31 espaços do museu nos deixa babando. Descobrimos que foi naquele espaço que foi lançada a pedra fundamental de Belo Horizonte. De sala em sala, de corredor em corredor e de escada em escada vislumbramos as obras de Guimarães Rosa, Carlos Drummond, Milton Nascimento, Sebastião Salgado e outros mineiros famosos.

20160526_11335920160526_113439Passeamos pelo panteão da política mineira, pelo ativismo dos heróis da inconfidência, pelos anais da construção da cidade, pela riqueza do ciclo do ouro, dos diamantes, arregalamos os olhos e rimos com as incríveis lendas urbanas e sentimos a força da fé que protege um povo. Toda a história mineira está apresentada e representada nos salões do Memorial e a vontade era de permanecer horas infinitas escarafunchando tudo nos pormenores, mas o relógio não parava, a fome apertava e ainda tínhamos muito a caminhar e conhecer.

20160526_113554E agora? Vamos prá onde? Lucia bate o pé e diz querer conhecer o Museu de Arte Popular Cemig. Vamos! Não vamos! – E a fome? – É bem ali do outro lado! – Então vamos, mas bem ligeirinho! – E os outros museus e obras do Circuito Liberdade? – Vai ficar para outra vez, pois dá tempo não!

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O folheto anuncia que o Museu de Arte Popular é um mergulho na cultura de raiz e fica na Rua Gonçalves Dias, 1608, parede e meia com a Praça da Liberdade. Caminhamos até lá e demos com o nariz na porta, pois estava fechado. Lucia ficou entristecida e para compensar, decidimos ir ao Mercado Central para pegar o rango e conhecer um pouco de sua fama.

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“… Meu caminho primeiro/Vi brotar dessa fonte/Sou do seio de Minas/Nesse estado, um diamante…”

Nelson Mattos Filho/Velejador