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A natureza paga a conta

barreira de coraisA Grande Barreiras de Corais da Austrália, um dos mais importantes patrimônios naturais do planetinha azul, está sendo ferido de morte, segundo os homens das ciências, devido ao aquecimento global, aquecimento que para muitos, que comungam das ideias do galego do topete dos EUA, não passa de uma enorme balela científica para frear o progresso das nações. Balela ou não, o aquecimento global é o terrorista número um quando se fala em crimes contra as causas da natureza e os estudiosos atestam que dois terços da Grande Barreira estão comprometidos e num grau praticamente irreversível. Pois é, e muitas vezes ficamos chateados com os ecochatos! Mas o que restaria hoje da Terra se eles não existissem? Muitas vezes em grupos de bate papo vejo pessoas reclamando da “absurda” proibição para uma simples e “inocente” visita ao magnífico Atol das Rocas, no litoral do Rio Grande do Norte, e me coloco como defensor da proibição é digo que o Atol é frágil, também sofre com os efeitos do aquecimento e infelizmente somos um povo muito mal educado para usufruir e lidar com o  turismo ecológico, basta ver o que acontece na Ilha de Fernando de Noronha, onde tudo acontece, mesmo sob as ordens de normas endurecidas. Não conheço a Grande Barreira de Corais, mas sei que o turismo por lá faz festa e muitas vezes quem faz festa, usa e abusa.      

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Estamos no vermelho

pegadaecologica2016Há muito escuto sobre o mal que nossas extravagancias contra os elementos da natureza produzem e até presenciei inúmeros crimes, muitos deles cometidos com as devidas assinaturas oficiais, durante minhas navegadas a bordo do Avoante, mas confesso que nunca havia me deparado com a planilha onde está lançada nossa divida com o planeta, e o pior, soube que estamos vivendo no vermelho desde 8 de agosto, segundo relatório do Global Footprint Network (GFN), organização que mede a pegada ecológica das atividades humanas no mundo, onde diz que quando terminar 2016 teremos consumido 1,6 planetas Terra. O relatório foi divulgado em agosto, mas somente hoje, cascaviando sites ambientais, tive notícia. A matéria está no site Planeta Sustentável e precisa ser vista, revista e divulgada a exaustão, mesmo que poucos se deem ao trabalho de ler.

20161101_120415Pelos estudos do GFN, em menos de oito meses consumimos todos os recursos sustentáveis que a Terra pode nos oferecer em um ano e a planilha que abre essa postagem mostra os países mais gulosos e consequentemente mais endividados ecologicamente. A diferença entre o que o planeta pode nós oferecer e o nosso consumo entrou no vermelho nos anos 80 e de lá para cá o débito não para de crescer. O Brasil ainda não entrou na listagem do SPC ecológico, porque é credor juntamente com Indonésia e Suécia, porém, o saldo positivo está menor a cada ano. Como bem diz a jornalista Vanessa Barbosa, que assina a matéria no site Planeta Sustentável: “Está na hora de organizar as contas e rever os gastos”.   

Energia limpa?

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Negar os benefícios da energia limpa é difícil, mas justificar dizendo que ela é a redenção para o futuro da humanidade, é um pouco demais diante desses tempos estranhos. Ecologistas, dublês de ecologistas, ONGs, órgãos ambientais e pitaqueiros, batem tambores e emitem sinais sonoros para festejar as florestas de torres de geradores eólicos que se espalham aos quatro ventos pelo mundo. No nordeste brasileiro a energia eólica tem trazido esperanças de melhores dias para pequenos municípios e mudado a vida de muita gente. Imensas áreas são disputadas palmo a palmo por investidores antenados na força dos sopros de éolo. No litoral do Rio Grande do Norte e do Ceará, encontrar uma área desocupada para erguer uma torre eólica é o mesmo que procurar agulha em palheiro. Acho até que tem mais torres do que chão, tamanho é a grandeza do parque já em funcionamento. Os técnicos festejam e anunciam que a energia limpa já responde por 5,8% da produção brasileira e até o Greenpace já canta a bola dizendo que a partir de 2050 o Brasil terá toda a sua matriz energética oriunda das fontes limpas. Quem sou eu para dizer o contrário, mas noto uma cegueira danosa nas palavras dos técnicos e dos ecologistas, porque eles esquecem, ou viram o rosto para não ver, ou se fazem de doidos, ou sei lá o que, de observar e falar do mal, presente e futuro, que os campos de geradores eólicos vem causando as dunas, matas da caatinga, fauna, flora e paisagens brasileiras. As dunas praticamente foram dizimadas do mapa e a caatinga está em terrível e acelerado processo de extermínio. Quem irá pagar essa conta? Vale lembrar que a Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro e seu patrimônio biológico não é encontrado em nenhum outro lugar do mundo. No site do Ministério do Meio Ambiente está escrito assim: “A caatinga tem um imenso potencial para a conservação de serviços ambientais, uso sustentável e bioprospecção que, se bem explorado, será decisivo para o desenvolvimento da região e do país. A biodiversidade da caatinga ampara diversas atividades econômicas voltadas para fins agrosilvopastoris e industriais, especialmente nos ramos farmacêutico, de cosméticos, químico e de alimentos”. Eh, a mistura “científica” entre ecologistas, conglomerados financeiros/empresariais, diretrizes governamentais e interesses multifacetados, dá uma mistura esquisita danada! A imagem que ilustra essa postagem é do blogueiro André Correia, blog Folha de Pedra Grande, e reflete dunas devastadas na praia de Enxu Queimado, litoral norte do Rio Grande do Norte.

O rastro

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“O homem deixa o rastro de sua passagem”

Coisas que não entendo

PONTA NEGRA (3)

Confesso que tem coisas que custo a entender, mas tem outras que por mais que eu tente, o entendimento dá a bexiga e não chega. Lendo uma matéria sobre poluição nas praias e rios do Rio Grande do Norte, um estado que se declara um dos paraísos turísticos do Brasil, fiquei matutando com meus botões: O que danado quer dizer a frase “um trecho de mar”? A frase em questão se refere a praia de Ponta Negra, um dos mais belos cartões postais da capital potiguar, que segundo levantamentos feito pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte, IFRN, através do programa Água Azul, o trecho que eu nunca ouvir falar, mas que dizem ser conhecido como Free Willy – e não me perguntem o porque desse nome estrambólico – está impróprio para o banho de mar. A foz do rio Pirangi, outro cartão postal potiguar, e as águas do rio Potengi em frente a praia da Redinha, embaixo da Ponte de Todos os retratos e egos politiqueiros, também sofrem do mesmo mal, ou melhor, estão mais para fossas do que para praias. O que está queimando meu juízo – se é que tenho algum – é a frase “um trecho de mar”. Como danado os estudos chegam a um nível de certeza de que apenas um trecho está infestado de esgoto e outro a poucos metros, mais para trás ou mais para frente, não está? A Praia de Ponta Negra é uma baía e por assim ser, as correntes marinhas sofrem alteração de fluxo e refluxo a depender dos ventos e marés. Pelo menos eu na minha santa ignorância acho que seja assim. Basta caminhar nas areias da praia para ver línguas negras despejando dejetos no mar, mas isso só quem vê e o pobre mortal banhista, porque se for perguntar a alguma “autoridade” a resposta é a mesma de sempre: Vamos averiguar, fazer um estudo técnico, elaborar um planejamento, tentar enquadrar quem está causando o problema, mas sabemos que é muito difícil, porque ninguém quer se expor para denunciar. Bem, quanto ao Rio Potengi há muito sofre com o esgoto da cidade e acho até que ele nem liga mais para uma merdinha a mais ou a menos e no Rio Pirangi a pisadinha é a mesma. Aliás, o Rio Pirangi só vai aparecer nos noticiários no período de verão e enquanto isso o esgoto fica em banho maria. Alguém haverá de dizer: – Homem deixe de leseira e tome ciência, pois se nos mares olímpicos do Cristo Redentor o esgoto está no meio da canela, imagine no Rio Grande do Norte que num vai ter nem disputa de cuspe a distância!

Se avexe não que é só um desabafo

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Tem coisas que minha cabeça de vento custa a processar e quando processa me deixa assim meio sei lá. Estávamos navegando o canal interno da ilha de Itaparica na manhã do sábado, 12/12, com o rádio FM tocando umas baladas arretadas de boa, quando entra o noticiário e o locutor anuncia que governantes de quase duzentos países fecharam um acordo para reduzir a temperatura do planeta em 2 graus abaixo do que é hoje. Olhei para o céu e procurei no resquício de vento que empurrava quase parando o Avoante para saber onde danado os líderes do mundo acharam o botão que regula a temperatura desse planetinha acanhado e mal amado. E outra dúvida: Quem vai mexer no pitoco? Os caras tocaram fogo no mundo, destruíram tudo que podiam render uns tostões furados e agora resolvem dar as mãos para bater um retrato tirando onda de salvadores do planeta. Enquanto eles posam sorridentes, as guerras não param de picocar, a fome assola, a violência intimida e mata inocentes, refugiados vagam pelos campos em busca do nada e a besta fera cavalga serelepe por aí. Tanta coisa para se resolver no mundo e esses caras ficam discutindo abobrinhas num conferência que deve ter custado os olhos da cara. 

A Ilha do Medo

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A Ilha do Medo, localizada na Baía de Todos os Santos, é um daqueles lugares que entram para a história navegando em um emaranhado de boatos, causos e mistérios. E entre o disse me disse, ninguém sabe realmente destrinchar os segredos ali escondidos. Sempre que procurei saber algo sobre essa ilhazinha isolada me deparei com fragmentos de meias verdades e por isso mesmo desejei pisar em suas areias de um branco convidativo. Se olharmos nas Cartas Náuticas, a vontade de chegar até lá naufraga em meio ao cinturão de uma Coroa ampla e ameaçadora, sem falar nas baterias de corais que fazem fileiras na tropa de defesa organizada pela natureza. Navegando entre as lendas que compõem a paisagem pequenina dessa ilhota que baliza várias rotas no mar do Senhor do Bonfim, acho que a história que mais se aproxima da verdade vem das nuvens que esvoaçam o mundo mágico internético e foi no porto do Wikipédia que andei sabendo que: A Ilha do Medo é uma APA, aliás, a primeira da Baía de Todos os Santos; que ela pertence ao município de Itaparica; que tem área total de 12 mil metros quadrados; que no século XIX teve uso militar; que já foi usada como colônia de leprosos; que por lá ronda o fantasma de um padre que se recusou a celebrar uma missa em Itaparica; que os pescadores, que por lá se aventuram em pescarias noturnas, contam que ouvem gritos e uivos; que um velho pescador deu de cara com uma mulher diabólica que soltava fogo pela boca e após relatar o ocorrido ficou mudo para sempre e que um bando de fantasmas holandeses, dos tempos das invasões, assombra a tudo e a todos. Tem até quem fale em peste de moscas e mosquitos endiabrados e em mortais cobras venenosas rastejando em suas areias. Porém, o que mais festejei é que por lá não existe fonte de água doce e por isso ela continua desabitada pelos irracionais homens sábios. Ponto para as assombrações! Pois é, a história da baiana Ilha do Medo é rica em lendas, mistérios e muito tempero. Mas fui até lá. E sabe o que vi? Vou contar:

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Não sei se pelo meu zelo em preservar o casco do Avoante, ou simplesmente por medo, mas depois de zarpamos de Itaparica para a tão sonhada excursão a Ilha do Medo, há, esqueci de acrescentar que tem quem batize a ilhota de Ilha do Meio, levando a bordo o casal Luiz e Cristina, do veleiro Kireymbaba, numa velejada apenas com genoa, circundei todo o banco de areia em busca de algum canalzinho que tenha passado despercebido dos feitores das Cartas, mas os caras são bons mesmo e não esqueceram nenhum detalhe. Em marcha lenta, com um olho no ecobatimetro e outro no mar, resolvermos jogar âncora na profundidade de 3 metros e a pouco mais de uma milha da Ilha. Lógico que alguns vão questionar por que tão longe e por que não avancei um pouco mais. Outros mais críticos vão dizer assim: Bem feito, quem manda navegar de monocasco. Mas tudo bem, uns são mais corajosos, outros mais precavidos, outros gostam de monocasco outros de multicasco. Felizmente a vida é assim! Existe um canal estreito e raso, entre a Ilha e a Ponta do Dourado, que inclusive tenho os waypointes, pois já naveguei por lá em duas ocasiões: uma a bordo do catamarã Guma, de Davi e Vera Hermida, e outra com o veleiro Malaika, seguindo na esteira do Guma. Mas confesso que ainda não tive coragem de navegar nesse canal sem um apoio, pois o bicho é estreito, raso, bastante sinuoso e acessível somente em maré de enchente.  

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Com o Avoante ancorado lá longe, almoçamos, tomamos umas cervejas estupidamente gelada e partimos para tentar desmistificar os mistérios da ilha mal assombrada.

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O local é dotado de uma flora em estado quase bruto, porém, para ser uma APA, Área de Proteção Ambiental, deixa muito a desejar e juro que nem sei se os fiscais da natureza passaram por lá nos últimos tempos. Vimos algumas ruínas em avançado estado de destruição e abandono. Caminhamos alguns metros entre uma trilha que não leva a nada. Dividimos o espaço da praia com alguns nativos de Itaparica que por ali faziam um piquenique, inclusive fomos convidados para apreciar o sabor do churrasco que estava uma delícia. Mas o que mais chamou atenção foi a grande quantidade de lixo, principalmente sacos e garrafas plásticas, que se esparramavam por entre as arvores.

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Diz as normas que regem as Áreas de Proteção Ambiental no Brasil, que são administradas pelo ICMbio, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que são áreas, em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotadas de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Podem ser estabelecidas em área de domínio público e/ou privado, pela União, estados ou municípios, não sendo necessária a desapropriação das terras. No entanto, as atividades e usos desenvolvidos estão sujeitos a um disciplinamento específico. É o que diz a Lei. Mas entre o ser e o será existe o verbo.

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Ilha do Medo, o que vi foi o bastante e acho que nunca mais assombrarei seus fantasmas!