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Aviso aos navegantes

mapservNa semana passada os exércitos de Netuno e Éolo estavam metendo bronca em manobras conjuntas pelos mares do nordeste brasileiro e a Marinha do Brasil acompanhou tudo bem de perto, emitindo avisos e alertas aos navegantes diariamente. Essa semana, 12 a 17/09, a peleja debandou para os lados do Sul e promete coisa feia de arrepiar, com previsão de chuvas fortes, ventos que podem passar dos 50 km/h e ondas oceânicas de até 8 metros de altura. A Marinha alerta que pequenas e médias embarcações fiquem bem quietinhas no porto e as grandes tomem ciência, pois o que vem por aí é nada mais, nada menos do que um Ciclone Extratropical Explosivo e os meninos do CPTEC/Inpe apostam que a banda vai tocar assim: 

Entre hoje (12/09) à tarde e terça-feira (13/09) de manhã, uma pista de ventos fortes de nordeste de até 50 km/h poderão ser observados no litoral do RS e sul de SC. Entre terça-feira (13/09) e início da quinta-feira (15/09), os ventos mudarão para oeste/sudoeste e ficarão ainda mais intensos de até 70 km/h m/s no litoral do RS e de até 85 km/h em mar aberto associados com a passagem de um sistema frontal. Na quarta-feira (14/09) de manhã, o mar ficará muito agitado com ondas de sudoeste entre 3 e 8 metros de altura em oceano aberto , na altura da costa do RS. Esta agitação marítima deverá atingir o litoral do RS e sul de SC entre quarta-feira (14/09) à noite e sexta-feira (16/09) de manhã com ondas de sudoeste/sul de até 3 metros. Haverá risco de ressaca na região. Neste período, ondas altas de sudoeste com alturas entre 4 e 8 metros ainda serão observadas em oceano aberto, na altura do RS e sul de SC. Ondas entre 3 e 5 metros também chegarão em oceano aberto, na altura do norte de SC e sul de SP a partir de quinta-feira (15/09) de manhã. A agitação marítima atingirá o litoral norte de SP e RJ com ondas vindo do sul/sudoeste com alturas entre 2,5 metros e 3 metros entre quinta-feira(15/09) à noite e sexta-feira(16/09) de manhã.

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A Tempestade – Parte 8

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A Tempestade do nosso amigo Michael Gruchalski vai avançando mar adentro e deixando a gente, que lê essa beleza de narrativa no conforto da terra firme, angustiado  pois ela avança a conta gotas. Mas como diz o Michael: Novela é assim mesmo!. Bem, hoje vamos a oitava parte da peleja:

A chegada do vento II

Fecham-se as cortinas e as portas de acesso ao teatro. O mar escuro é coberto pelo manto de nuvens negras. Ninguém entra. Ninguém sai. A batuta do maestro Netuno, todo poderoso, alerta os componentes da orquestra: o vento, os raios, a chuva. Os lanterninhas e seguranças baixam e desligam suas lanternas e se retiram. Qualquer vestígio de luz desaparece. Tudo preparado porque o espetáculo vai começar. E nós, marinheiros desavisados, sentados no foyer do teatro, na vastidão do oceano, assistindo a tudo, sem saída, presos e envoltos no mistério do primeiro ato que é a aproximação do vento.

Ficamos ali no escuro, sentados no cockpit, quietos, sem dizer uma palavra. Encapotados, as mãos nos bolsos. Olhar fixo nas nuvens. Olhar fixo nos relâmpagos. E, principalmente, evitando olhar um para o outro.

O motor, o leme e o nosso homem equilibrista, seguiam levando o veleiro por águas, ainda tranquilas, rumo às plataformas de petróleo que ficam em frente à praia de Atalaia em Aracaju. Tínhamos plotado nossa posição pouco antes de colocar a roupa de mau tempo e, pela carta, com a posição dada pelo Gps, estávamos a quatorze milhas da plataforma PM-10, muito provavelmente a mais externa e mais ao norte. Perto, mas ainda muito longe.

Com o céu já quase todo encoberto a noite ficou mais noite, mais preta, mais assustadora. Quase dez horas. O motor, alheio a tudo, trepidava mansamente sobre suas patilhas transmitindo uma sensação de conforto e segurança. De vez em quando o barco botava a proa uns trinta graus fora do rumo, mas em seguida, depois de sentir a renovada pressão sobre a cana de leme que o filho do capitão fazia com a perna esquerda e o peso do corpo, retornava ao rumo original. Continuar lendo