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O swell que assusta o litoral do Nordeste

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Um fenômeno natural é um acontecimento não artificial, ou seja, que ocorre sem a intervenção humana. Note-se que até as ações humanas (um automóvel em andamento, por exemplo) continuam sempre sujeitas às leis naturais, contudo, não são consideradas, neste sentido, fenômenos naturais, já que dependem do arbítrio ou vontade humana. Os fenômenos naturais podem, isso sim (ou não), influenciar a vida humana que a eles está sujeita, como as epidemias, às condições meteorológicas, desastres naturais, etc. Repare-se que, na linguagem vulgar, fenômeno natural aparece quase sempre como sinônimo de evento incomum, espantoso ou desastroso sob a perspectiva humana. Contudo, a formação de uma gota de chuva é um fenômeno natural da mesma forma que um furacão.

Na linguagem vulgar, contudo, dado o sentido comum do termo “fenômeno”, esta expressão refere-se, em geral, aos fenômenos naturais perigosos também designados como “desastres naturais“. A chuva, por exemplo, não é, em si, um “desastre”, mas poderá sê-lo, na perspectiva humana, caso algumas condições se conjuguem. Deficiente manutenção dos equipamentos de drenagem da água, mau planejamento urbanístico, com a construção de estruturas em locais vulneráveis a cheias ou outros podem ocasionar efeitos desastrosos para o ser humano.

O texto acima copiei da enciclopédia virtual Wikepédia, para definir o “monstruoso” swell que vem atingindo a costa do Nordeste a partir do litoral da Paraíba até o Maranhão. O fenômeno que se forma a partir de turbulência provocadas por tempestades oceânicas e faz com que as ondulações se propaguem por longas distâncias, até chegar a costa causando grandes estragos em cidades litorâneas, neste 2018 veio para marcar história. Não se fala em outro assunto nas beiras de praias, a não ser na força das ondas, que estão invadindo ruas, derrubando casas e obrigando moradores a construírem as pressas, arcaicas e inoperantes barricadas em frente as casas para tentar frear o mar que avança serelepe e indiferente aos esforços do homem. Segundo relatos e fotos enviadas nas mídias sociais, a desgraceira maior está ocorrendo na Ilha de Fernando de Noronha, mas no continente a coisa não parece diferente. Aqui nessa Enxu Queimado mais bela, as ondas não estão de brincadeira, apesar de que, a população está fazendo festa, com direito a churrasco e cervejas geladas, e famílias inteiras se reunem sob as barracas para observar a rebeldia patrocinada pela natureza. Sim, é bonito de ver! Os estudiosos das ciências do tempo, afirmam que a fúria do mar enfraquece na noite deste sábado, 03/03. Veremos!      

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Histórias de um viageiro – I

03 - março (236)

Rapaz, fui me arvorar em escrever a Carta de Enxu número 13 para o comandante Pinauna, que posa serelepe na imagem com sua Mila, e ele agradeceu, mas enviou uma tese de doutorado sobre um passeio que fizeram, em 2008, pelos caminhos, veredas, trilhas, rios e dunas que existem entre o Piauí, Maranhão e Bahia. Como bom geólogo e professor das causas da natureza, não faltou nenhum detalhe sobre tudo o que viu, e como turista, sem papas na língua, as dicas e informações deixa a gente com água na boca. Desde já agradeço, também em nome dos leitores, por dividir essa viagem com a gente. Como a história é longa, exatas 20 páginas, dividirei em suaves capítulos e sem juros. Fiquei bravo quando lá pras tantas ele chama veleiro monocasco de meio barco com quilha, mas respirei fundo e deixei passar sem resposta, pois o comandante Pinauna não merece minhas desfeitas. Vamos ao começo: 

MARANHÃO – PIAUI 2008

Sérgio Netto

Mila tirou dez dias de férias e voamos Salvador – São Luís voltando de ônibus via Teresina. Essas férias foram metade turismo e metade ‘aventura’, onde aventura quer dizer viajar numa região ‘terceiro mundo’ usando os meios disponíveis para o povão. Descobrimos que é tudo na base do ar condicionado, tem carro, moto e barco para alugar em todo canto, o povo é lascivo, simpático, ignorante, pobre e subjugado pelo poderio econômico.

O Maranhão e o Piauí são político-administrativamente parte da Região Nordeste do Brasil, portanto sob a jurisdição da Sudene, mas do ponto de vista de geografia física representam uma transição do nordeste semiárido para o norte úmido. O chamado Polígono das Secas, área ‘protegida’ por legislação específica, (lei nº. 175, de 7 de janeiro de 1936, e Decreto-Lei de nº. 63.778 de 1968, que delegou ao Superintendente da SUDENE a competência de declarar quais municípios pertencem ao Polígono) tem seu limite oeste numa diagonal que atravessa o estado do Piauí NE-SW, sempre a leste do rio Parnaíba.

O rio Parnaíba nasce na Chapada das Mangabeiras, na quádrupla fronteira entre Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia (10° S, 46°W), e faz a fronteira política entre o Maranhão e o Piauí em todo o seu percurso de 1400 km. Para oeste do rio Parnaíba começa um Brasil semi-virgem e grandioso. O Maranhão e o Piauí juntos têm 585 mil quilômetros quadrados, algo entre Bahia e Minas Gerais. A bacia hidrográfica do Rio Parnaíba tem 340 mil km2, e está implantada sobre uma bacia sedimentar paleozóica constituída de rochas arenosas distribuídas numa área de 600 mil km2.

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O contorno em preto representa os limites da Bacia Sedimentar do Parnaíba. As linhas claras são as fronteiras estaduais, que no caso entre o Maranhão e o Piauí coincide com o curso do Rio Parnaíba. A manchinha branca na linha de costa cortada pelo meridiano 43°W é a área de turismo de europeu conhecida como Lençóis Maranhenses.Da foz do Parnaíba até a fronteira do Ceará são 66 km da costa do Piaui. A norte do paralelo de 3°S e a leste do meridiano 45°W existe uma estrutura de turismo funcionando bem o ano todo.

Viajando por esta região dá a sensação que o alagoano Manuel Deodoro da Fonseca, quando proclamou a República, estabeleceu um plano estratégico de importar a revolução industrial europeia para os estados do sul, onde dominava a oligarquia do café, e preservar os estados do norte para só ‘desenvolver’ quando o Brasil tivesse 200 milhões de habitantes. Os turistas estrangeiros (alemães, portugueses e americanos) com os quais nós percorremos os ‘lençóis maranhenses’ exultavam com o ambiente preservado, a vegetação primária de restinga no litoral e cerrado mais para dentro, a riqueza e abundancia de água limpa, a diversidade de espécies de palmeiras nativas, que em campos sem cerca começam a ser cultivadas com a nova onda do biodiesel.

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No momento, o governo do PT deu um chega pra lá na oligarquia piauiense, e está construindo a ferrovia transnordestina, que integrada com a rede antiga da Cia. Ferroviária do Nordeste e a Estrada de Ferro Carajás vai ligar Pernambuco até o Pará, passando em Fortaleza e São Luís. A expectativa da chegada da ferrovia incrementa o plantio de grãos. Os paulistas, paranaenses e gaúchos estão comprando terras no Piauí, onde soja e milho começam a ser plantados em quantidades crescentes, um reflexo do crescimento da soja no Maranhão. O trem facilitará o escoamento dessa produção, e quando pronta, a Transnordestina estará apta a se integrar às ferrovias Norte-Sul, Carajás e à Centro-Atlântica.

Os maranhenses e piauienses na santa ignorância lá deles, dizem que tem um inverno de dezembro a maio e um verão de junho a novembro. O que ocorre é que após o equinócio de setembro, quando o sol vem fazer o verão do hemisfério sul, a insolação nesta área equatorial é intensa, as máximas de temperatura aumentam mais de 10°C e ocorrem as chuvas de verão, que eles chamam inverno e os deputados da indústria da seca repetem. A Embrapa e a Sudene tem levantamentos que mostram que o período chuvoso estende-se de outubro até metade de abril, ‘ou até o início de maio nos anos bons’, e o período de estio ocorre de maio até setembro. A água da chuva se infiltra na bacia sedimentar, e a mitigação da estação de estio é tradicionalmente feita com a construção de açudes, o que atende a interesses politiqueiros, mas quem passa por lá vê que açude não é solução, é um fomento à pobreza e ao subdesenvolvimento.

Mas solução existe. A bacia sedimentar do Parnaíba é um aquífero aberto, com intrusões de diabásio, onde o ciclo anual da água renovável acumula dezenas de milhares de quilômetros cúbicos (1km3=1 bilhão m3) de água doce abaixo do nível freático. Esta água pode ser produzida como se produz petróleo, com a vantagem que é anualmente renovada. Se não for usada, na época das chuvas o nível freático sobe, inunda as planícies fluviais e escorre para o mar. O que pode e deve ser feito é uma cubagem da quantidade de água infiltrada por ano, um programa de desenvolvimento sustentável de campos de água e a implantação de uma infraestrutura de distribuição

Aviso aos navegantes

imageE o mar continuará de gente grande durante a semana que chega, 05 a 11/09, pelas águas do nordeste brasileiro com ondas chegando a mais de 2 metros de altura entre a Bahia e o Ceará. Os alísios de sudeste, que sopram na região, apertam o passo a partir do litoral de Pernambuco, chegando a atingir mais de 20 nós de velocidade – próximo de 38 km/h – quando sopram sobre as dunas cearenses. No Rio Grande do Norte, como mostra a imagem, o sudeste sacudirá o coqueiral, durante o feriado de 7 de setembro, a mais de 18 nós. Fonte e imagem: CPTEC/Inpe

Energia limpa?

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Negar os benefícios da energia limpa é difícil, mas justificar dizendo que ela é a redenção para o futuro da humanidade, é um pouco demais diante desses tempos estranhos. Ecologistas, dublês de ecologistas, ONGs, órgãos ambientais e pitaqueiros, batem tambores e emitem sinais sonoros para festejar as florestas de torres de geradores eólicos que se espalham aos quatro ventos pelo mundo. No nordeste brasileiro a energia eólica tem trazido esperanças de melhores dias para pequenos municípios e mudado a vida de muita gente. Imensas áreas são disputadas palmo a palmo por investidores antenados na força dos sopros de éolo. No litoral do Rio Grande do Norte e do Ceará, encontrar uma área desocupada para erguer uma torre eólica é o mesmo que procurar agulha em palheiro. Acho até que tem mais torres do que chão, tamanho é a grandeza do parque já em funcionamento. Os técnicos festejam e anunciam que a energia limpa já responde por 5,8% da produção brasileira e até o Greenpace já canta a bola dizendo que a partir de 2050 o Brasil terá toda a sua matriz energética oriunda das fontes limpas. Quem sou eu para dizer o contrário, mas noto uma cegueira danosa nas palavras dos técnicos e dos ecologistas, porque eles esquecem, ou viram o rosto para não ver, ou se fazem de doidos, ou sei lá o que, de observar e falar do mal, presente e futuro, que os campos de geradores eólicos vem causando as dunas, matas da caatinga, fauna, flora e paisagens brasileiras. As dunas praticamente foram dizimadas do mapa e a caatinga está em terrível e acelerado processo de extermínio. Quem irá pagar essa conta? Vale lembrar que a Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro e seu patrimônio biológico não é encontrado em nenhum outro lugar do mundo. No site do Ministério do Meio Ambiente está escrito assim: “A caatinga tem um imenso potencial para a conservação de serviços ambientais, uso sustentável e bioprospecção que, se bem explorado, será decisivo para o desenvolvimento da região e do país. A biodiversidade da caatinga ampara diversas atividades econômicas voltadas para fins agrosilvopastoris e industriais, especialmente nos ramos farmacêutico, de cosméticos, químico e de alimentos”. Eh, a mistura “científica” entre ecologistas, conglomerados financeiros/empresariais, diretrizes governamentais e interesses multifacetados, dá uma mistura esquisita danada! A imagem que ilustra essa postagem é do blogueiro André Correia, blog Folha de Pedra Grande, e reflete dunas devastadas na praia de Enxu Queimado, litoral norte do Rio Grande do Norte.

Observações sobre o litoral do Rio Grande do Norte

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Claro que não é nenhuma novidade a informação de que navegar a partir de Natal/RN em direção ao Sul é uma tremenda trabalheira, principalmente para quem está a bordo de um veleiro. A costa potiguar é riscada no sentido Noroeste – Sudeste e como a predominância dos ventos nessa região em grande parte do ano é sul e sudeste, a fama faz jus a razão. 

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Na semana passada estive em dois pontos do litoral Sul do Rio Grande do Norte, visitando amigos que curtem os dias de verão, e fotografei duas pontas de terra que trazem dores de cabeça para muita gente. Eu mesmo já sofri um bocado. A primeira imagem é a Ponta Negra, olhada da enseada da praia de Cotovelo. A segunda é da Ponta de Tabatinga, olhada do alto do mirante dos golfinhos. A enseada que se forma entre essas duas pontas acolhe as praias de Cotovelo, Pirangi do Norte, Pirangi do Sul, Búzios e a própria Tabatinga. Todas com suas peculiaridades e com um visual de encher os olhos, mas querer se aventurar nesse miolo de oceano é o mesmo que trocar seis por meia dúzia e ainda arranjar motivos para se complicar mais a frente, no Cabo Bacoparí. Sair de Natal em busca dos mares do sul não é tarefa das mais fáceis em certas épocas do ano. Mas é preciso lembrar aqueles velejadores que vivem procurando desculpas esfarrapadas para não colocar o barco na água, que o verão puxa os ventos do quadrante norte e por isso mesmo tanto é gostoso subir, quanto descer a costa, ainda mais navegando em mar de almirante. Portanto, vamos velejar que o litoral brasileiro é simplesmente lindo!     

A fera!

tubarao_gigante_dcb491aa96a827706bddc2bce3c82a21_7-197x250 Acho que ninguém tem dúvidas que os tubarões fazem parte do seleto grupo dos animais mais temíveis do mundo. No Brasil a cidade de Recife/PE, nos últimos anos, ganhou destaque pelos ataques da fera dos mares a surfistas e banhistas mais desavisados ou simplesmente afoitos. O mar que banha a capital pernambucana é sim infestado de tubarões, mas nem tudo é como dizem, segundo diz o mergulhador e documentarista Lawrence Wahba nas páginas do jornal potiguar Jornal de Hoje. Wahba tenta desmistificar a fera, faz denúncias com muita propriedade e diz o motivo de outros estados nordestinos não sofrerem com o problema. Leia a matéria completa assinado pelo repórter Wagner Guerra acessando a página do Jornal de Hoje.

PREVISÃO DO CPTEC PARA O LITORAL NORDESTINO

Previsão do CPTEC para o litoral entre a Bahia e Rio Grande do Norte na Terça e Quarta-Feira. A coisa esta feia!

 

– Na terça-feira (15/06), os ventos perderão força ao largo de todo o litoral da Região Nordeste, porém o mar ainda ficará agitado ao largo do litoral desde a Bahia até a Paraíba, devido a presença de ondas propagándo-se de sul com alturas significativas acima de 3 metros. A situação será de ALERTA.

– Na quarta-feira (16/06), os ventos voltarão a ficar mais intensos, de até 12 m/s, ao largo do litoral nordestino. A altura das ondas tenderá a diminuir na região ao largo do litoral deste a Bahia até a Paraíba. A direção de propagação das ondas mudará de sul para sudeste.