Arquivo da tag: litoral do nordeste

Histórias de um viageiro – I

03 - março (236)

Rapaz, fui me arvorar em escrever a Carta de Enxu número 13 para o comandante Pinauna, que posa serelepe na imagem com sua Mila, e ele agradeceu, mas enviou uma tese de doutorado sobre um passeio que fizeram, em 2008, pelos caminhos, veredas, trilhas, rios e dunas que existem entre o Piauí, Maranhão e Bahia. Como bom geólogo e professor das causas da natureza, não faltou nenhum detalhe sobre tudo o que viu, e como turista, sem papas na língua, as dicas e informações deixa a gente com água na boca. Desde já agradeço, também em nome dos leitores, por dividir essa viagem com a gente. Como a história é longa, exatas 20 páginas, dividirei em suaves capítulos e sem juros. Fiquei bravo quando lá pras tantas ele chama veleiro monocasco de meio barco com quilha, mas respirei fundo e deixei passar sem resposta, pois o comandante Pinauna não merece minhas desfeitas. Vamos ao começo: 

MARANHÃO – PIAUI 2008

Sérgio Netto

Mila tirou dez dias de férias e voamos Salvador – São Luís voltando de ônibus via Teresina. Essas férias foram metade turismo e metade ‘aventura’, onde aventura quer dizer viajar numa região ‘terceiro mundo’ usando os meios disponíveis para o povão. Descobrimos que é tudo na base do ar condicionado, tem carro, moto e barco para alugar em todo canto, o povo é lascivo, simpático, ignorante, pobre e subjugado pelo poderio econômico.

O Maranhão e o Piauí são político-administrativamente parte da Região Nordeste do Brasil, portanto sob a jurisdição da Sudene, mas do ponto de vista de geografia física representam uma transição do nordeste semiárido para o norte úmido. O chamado Polígono das Secas, área ‘protegida’ por legislação específica, (lei nº. 175, de 7 de janeiro de 1936, e Decreto-Lei de nº. 63.778 de 1968, que delegou ao Superintendente da SUDENE a competência de declarar quais municípios pertencem ao Polígono) tem seu limite oeste numa diagonal que atravessa o estado do Piauí NE-SW, sempre a leste do rio Parnaíba.

O rio Parnaíba nasce na Chapada das Mangabeiras, na quádrupla fronteira entre Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia (10° S, 46°W), e faz a fronteira política entre o Maranhão e o Piauí em todo o seu percurso de 1400 km. Para oeste do rio Parnaíba começa um Brasil semi-virgem e grandioso. O Maranhão e o Piauí juntos têm 585 mil quilômetros quadrados, algo entre Bahia e Minas Gerais. A bacia hidrográfica do Rio Parnaíba tem 340 mil km2, e está implantada sobre uma bacia sedimentar paleozóica constituída de rochas arenosas distribuídas numa área de 600 mil km2.

Maranha~o-Piaui Pinauna [Modo de Compatibilidade] - Word

O contorno em preto representa os limites da Bacia Sedimentar do Parnaíba. As linhas claras são as fronteiras estaduais, que no caso entre o Maranhão e o Piauí coincide com o curso do Rio Parnaíba. A manchinha branca na linha de costa cortada pelo meridiano 43°W é a área de turismo de europeu conhecida como Lençóis Maranhenses.Da foz do Parnaíba até a fronteira do Ceará são 66 km da costa do Piaui. A norte do paralelo de 3°S e a leste do meridiano 45°W existe uma estrutura de turismo funcionando bem o ano todo.

Viajando por esta região dá a sensação que o alagoano Manuel Deodoro da Fonseca, quando proclamou a República, estabeleceu um plano estratégico de importar a revolução industrial europeia para os estados do sul, onde dominava a oligarquia do café, e preservar os estados do norte para só ‘desenvolver’ quando o Brasil tivesse 200 milhões de habitantes. Os turistas estrangeiros (alemães, portugueses e americanos) com os quais nós percorremos os ‘lençóis maranhenses’ exultavam com o ambiente preservado, a vegetação primária de restinga no litoral e cerrado mais para dentro, a riqueza e abundancia de água limpa, a diversidade de espécies de palmeiras nativas, que em campos sem cerca começam a ser cultivadas com a nova onda do biodiesel.

clip_image002clip_image002[7]

No momento, o governo do PT deu um chega pra lá na oligarquia piauiense, e está construindo a ferrovia transnordestina, que integrada com a rede antiga da Cia. Ferroviária do Nordeste e a Estrada de Ferro Carajás vai ligar Pernambuco até o Pará, passando em Fortaleza e São Luís. A expectativa da chegada da ferrovia incrementa o plantio de grãos. Os paulistas, paranaenses e gaúchos estão comprando terras no Piauí, onde soja e milho começam a ser plantados em quantidades crescentes, um reflexo do crescimento da soja no Maranhão. O trem facilitará o escoamento dessa produção, e quando pronta, a Transnordestina estará apta a se integrar às ferrovias Norte-Sul, Carajás e à Centro-Atlântica.

Os maranhenses e piauienses na santa ignorância lá deles, dizem que tem um inverno de dezembro a maio e um verão de junho a novembro. O que ocorre é que após o equinócio de setembro, quando o sol vem fazer o verão do hemisfério sul, a insolação nesta área equatorial é intensa, as máximas de temperatura aumentam mais de 10°C e ocorrem as chuvas de verão, que eles chamam inverno e os deputados da indústria da seca repetem. A Embrapa e a Sudene tem levantamentos que mostram que o período chuvoso estende-se de outubro até metade de abril, ‘ou até o início de maio nos anos bons’, e o período de estio ocorre de maio até setembro. A água da chuva se infiltra na bacia sedimentar, e a mitigação da estação de estio é tradicionalmente feita com a construção de açudes, o que atende a interesses politiqueiros, mas quem passa por lá vê que açude não é solução, é um fomento à pobreza e ao subdesenvolvimento.

Mas solução existe. A bacia sedimentar do Parnaíba é um aquífero aberto, com intrusões de diabásio, onde o ciclo anual da água renovável acumula dezenas de milhares de quilômetros cúbicos (1km3=1 bilhão m3) de água doce abaixo do nível freático. Esta água pode ser produzida como se produz petróleo, com a vantagem que é anualmente renovada. Se não for usada, na época das chuvas o nível freático sobe, inunda as planícies fluviais e escorre para o mar. O que pode e deve ser feito é uma cubagem da quantidade de água infiltrada por ano, um programa de desenvolvimento sustentável de campos de água e a implantação de uma infraestrutura de distribuição

Aviso aos navegantes

imageE o mar continuará de gente grande durante a semana que chega, 05 a 11/09, pelas águas do nordeste brasileiro com ondas chegando a mais de 2 metros de altura entre a Bahia e o Ceará. Os alísios de sudeste, que sopram na região, apertam o passo a partir do litoral de Pernambuco, chegando a atingir mais de 20 nós de velocidade – próximo de 38 km/h – quando sopram sobre as dunas cearenses. No Rio Grande do Norte, como mostra a imagem, o sudeste sacudirá o coqueiral, durante o feriado de 7 de setembro, a mais de 18 nós. Fonte e imagem: CPTEC/Inpe

Energia limpa?

13932733_1123512551045140_950964134181106679_n

Negar os benefícios da energia limpa é difícil, mas justificar dizendo que ela é a redenção para o futuro da humanidade, é um pouco demais diante desses tempos estranhos. Ecologistas, dublês de ecologistas, ONGs, órgãos ambientais e pitaqueiros, batem tambores e emitem sinais sonoros para festejar as florestas de torres de geradores eólicos que se espalham aos quatro ventos pelo mundo. No nordeste brasileiro a energia eólica tem trazido esperanças de melhores dias para pequenos municípios e mudado a vida de muita gente. Imensas áreas são disputadas palmo a palmo por investidores antenados na força dos sopros de éolo. No litoral do Rio Grande do Norte e do Ceará, encontrar uma área desocupada para erguer uma torre eólica é o mesmo que procurar agulha em palheiro. Acho até que tem mais torres do que chão, tamanho é a grandeza do parque já em funcionamento. Os técnicos festejam e anunciam que a energia limpa já responde por 5,8% da produção brasileira e até o Greenpace já canta a bola dizendo que a partir de 2050 o Brasil terá toda a sua matriz energética oriunda das fontes limpas. Quem sou eu para dizer o contrário, mas noto uma cegueira danosa nas palavras dos técnicos e dos ecologistas, porque eles esquecem, ou viram o rosto para não ver, ou se fazem de doidos, ou sei lá o que, de observar e falar do mal, presente e futuro, que os campos de geradores eólicos vem causando as dunas, matas da caatinga, fauna, flora e paisagens brasileiras. As dunas praticamente foram dizimadas do mapa e a caatinga está em terrível e acelerado processo de extermínio. Quem irá pagar essa conta? Vale lembrar que a Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro e seu patrimônio biológico não é encontrado em nenhum outro lugar do mundo. No site do Ministério do Meio Ambiente está escrito assim: “A caatinga tem um imenso potencial para a conservação de serviços ambientais, uso sustentável e bioprospecção que, se bem explorado, será decisivo para o desenvolvimento da região e do país. A biodiversidade da caatinga ampara diversas atividades econômicas voltadas para fins agrosilvopastoris e industriais, especialmente nos ramos farmacêutico, de cosméticos, químico e de alimentos”. Eh, a mistura “científica” entre ecologistas, conglomerados financeiros/empresariais, diretrizes governamentais e interesses multifacetados, dá uma mistura esquisita danada! A imagem que ilustra essa postagem é do blogueiro André Correia, blog Folha de Pedra Grande, e reflete dunas devastadas na praia de Enxu Queimado, litoral norte do Rio Grande do Norte.

Observações sobre o litoral do Rio Grande do Norte

IMG_0195IMG_0171

Claro que não é nenhuma novidade a informação de que navegar a partir de Natal/RN em direção ao Sul é uma tremenda trabalheira, principalmente para quem está a bordo de um veleiro. A costa potiguar é riscada no sentido Noroeste – Sudeste e como a predominância dos ventos nessa região em grande parte do ano é sul e sudeste, a fama faz jus a razão. 

image

Na semana passada estive em dois pontos do litoral Sul do Rio Grande do Norte, visitando amigos que curtem os dias de verão, e fotografei duas pontas de terra que trazem dores de cabeça para muita gente. Eu mesmo já sofri um bocado. A primeira imagem é a Ponta Negra, olhada da enseada da praia de Cotovelo. A segunda é da Ponta de Tabatinga, olhada do alto do mirante dos golfinhos. A enseada que se forma entre essas duas pontas acolhe as praias de Cotovelo, Pirangi do Norte, Pirangi do Sul, Búzios e a própria Tabatinga. Todas com suas peculiaridades e com um visual de encher os olhos, mas querer se aventurar nesse miolo de oceano é o mesmo que trocar seis por meia dúzia e ainda arranjar motivos para se complicar mais a frente, no Cabo Bacoparí. Sair de Natal em busca dos mares do sul não é tarefa das mais fáceis em certas épocas do ano. Mas é preciso lembrar aqueles velejadores que vivem procurando desculpas esfarrapadas para não colocar o barco na água, que o verão puxa os ventos do quadrante norte e por isso mesmo tanto é gostoso subir, quanto descer a costa, ainda mais navegando em mar de almirante. Portanto, vamos velejar que o litoral brasileiro é simplesmente lindo!     

A fera!

tubarao_gigante_dcb491aa96a827706bddc2bce3c82a21_7-197x250 Acho que ninguém tem dúvidas que os tubarões fazem parte do seleto grupo dos animais mais temíveis do mundo. No Brasil a cidade de Recife/PE, nos últimos anos, ganhou destaque pelos ataques da fera dos mares a surfistas e banhistas mais desavisados ou simplesmente afoitos. O mar que banha a capital pernambucana é sim infestado de tubarões, mas nem tudo é como dizem, segundo diz o mergulhador e documentarista Lawrence Wahba nas páginas do jornal potiguar Jornal de Hoje. Wahba tenta desmistificar a fera, faz denúncias com muita propriedade e diz o motivo de outros estados nordestinos não sofrerem com o problema. Leia a matéria completa assinado pelo repórter Wagner Guerra acessando a página do Jornal de Hoje.

PREVISÃO DO CPTEC PARA O LITORAL NORDESTINO

Previsão do CPTEC para o litoral entre a Bahia e Rio Grande do Norte na Terça e Quarta-Feira. A coisa esta feia!

 

– Na terça-feira (15/06), os ventos perderão força ao largo de todo o litoral da Região Nordeste, porém o mar ainda ficará agitado ao largo do litoral desde a Bahia até a Paraíba, devido a presença de ondas propagándo-se de sul com alturas significativas acima de 3 metros. A situação será de ALERTA.

– Na quarta-feira (16/06), os ventos voltarão a ficar mais intensos, de até 12 m/s, ao largo do litoral nordestino. A altura das ondas tenderá a diminuir na região ao largo do litoral deste a Bahia até a Paraíba. A direção de propagação das ondas mudará de sul para sudeste.