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Cumbuca

11 Novembro (1)

Vou vendo, vou lendo e vez em quando meto a mão na cumbuca, mas o que seria de um duble de escrevinhador se não fosse essa mania besta e perigosa de dar pitaco em assunto sério. – Serio? – Sério, sim, ou não seria? – Sei lá, vá lá que seja, pronto! Vamos em frente!

Esse começo meio embromeiro é apenas uma tentativa escamoteada para fugir de uma insistente síndrome do papel em branco que acomete os bons e os maus, que é meu caso, escritores. Se existe a tal síndrome juro que não sei, mas ultimamente tenho olhado para a telinha branca e nada de nada, porém, hoje, um sábado quente quem nem sábado de verão, resolvi desafiar o bicho. – Sim, é daí? – Calma homem, se avexe não que vai!

Rapaz, a capital dos Magos está uma gracinha sem graça, pois o povo tem andado olhando de lado e se assustando até com o sopro do vento e o pior de tudo, não aparece uma notícia boa, é só desgraça. Não entendo dessas coisas, porque nunca me propus a sentar nos bancos das faculdades de jornalismo, mas pense numa assessoria de comunicação pé de chinelo, essa que serve ao governo do Rio Grande do Norte! Aliás, diga-se de passagem, esse cargo está corroído em tudo que é lugar desse Brasil velho de guerra.

E por falar em jornalismo, a profissão parece que entrou em parafuso de rosca sem fim e não aparece um filho de santo para jogar um punhadinho de mandinga na engrenagem. Os homens das reportagens não andam mais com os caderninhos de anotações e perderam o tino para investigar o que, ou aquele, que se considera investigável. O povo das redações nem lembram mais de fazer perguntas indiscretas e nem chafurdar na lama que banha os porcos. Preferem a receita do copiar, colar, se avexam em matérias com pontos, vírgulas e travessões ideológicas e fazem do google uma feliz ferramenta de pesquisa, igualzinho como faz a blogueirada, que eles abominam. – Quer ver? O gás de cozinha está pela hora da morte e tudo que avistamos por aí são manchetes, em tons críticos, anunciando a alta. Por que não escarafunchar a causa? Por que não? A comunicação, nesses tempos modernosos, está fácil, o difícil é exercer a boa comunicação.

Os jornais de papel estão dando lugar aos portais internéticos, que em breve irão também para o beleléu, pois começaram 0800 e agora resolveram meter a mão no bolso do leitor, que sem achar graça nenhuma, migram para o próximo com uma simples teclada. Aliado a tudo isso, existe a preguiça histórica que temos com a leitura. O que sobra é a desinformação das mídias sociais, que fazem festa no vácuo deixado pelo bom jornalismo, só que ali, ninguém tem compromisso com nada e muito pelo contrário.

Dia desses, passei em uma banca de revista, comprei a revista Veja e me dirigi a casa de um amigo. Chegando lá, o filho dele olhou para a publicação em minha mão e perguntou com cara de espanto: – Você lê isso? Respondi: – Também! E você lê o que? Ele: – Não leio nada, mas meus amigos e meu professor, dizem que essa revista é uma porcaria, além de ser de direita. – Ah, bom! Sem mais o que comentar, nem perguntar, preferi sentar numa poltrona e exercer minha leitura, tirando, eu mesmo, as conclusões e reflexões. Hoje em dia ninguém quer interpretar nada, prefere que o outro, que também não sabe, o faça do modo que o convier.

E já que entrei nesse turbilhão incendiário, vou continuar. Faz tempo que não assisto televisão e nem tenho o aparelho em casa, mas escuto o moído das redes e das ruas, quanto a programação da Globo e fico a matutar: A Globo tem uma programação eclética e voltada para toda sorte de adversidade e por lá, há muito a diversidade de gênero se faz presente e produz celebridades, como é o caso de um nobre e excelentíssimo deputado BBB. Os atores globais são fontes permanente de notícias e quando abrem a boca para opinar, as opiniões valem como verdade absoluta, mais até do que os santos do céu. Apareceu na telinha dos Marinhos, é certeza de sucesso. Juro que não entendo a gritaria pedindo o fechamento da rede carioca. Se for pela censura, faz tempos que o Brasil pulou essa página. Ou não?

Lembro das palavras do comediante potiguar, Espanta Jesus, quando perguntaram porque havia saído do humorístico, Escolinha do Professor Raimundo: – Saí por divergência minhas com os editores, mas financeiramente perdi um bocado. Antes de aparecer na Globo meu cachê era um tiquinho e após o primeiro programa, pulou uns cinquenta tantos. Ao sair, caiu para um ticão e estabilizou em um tico.

Bem que falei que estava embromando. Ei, os cajus estão bonitos!

Nelson Mattos Filho

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O retrato, o poema e a poesia

2 Fevereiro (32)

“Perder um poema pode ser doloroso, angustiante, mas perder a poesia seria muito pior” Lívio Oliveira, escritor, no texto O poema perdido, publicado no jornal Tribuna do Norte

O Porto Distante

imageTem histórias que se tornam misteriosas para o sempre e por mais que os registros oficiais e historiadores se arvorem em detalhar explicações, a penumbra nebulosa que as encobre mais se torna intransponível. Já se foi 70 anos do final da segunda grande guerra e o mundo ainda não digeriu nem um terço de suas causas e consequências. aliás, quem em sã consciência consegue entender uma guerra? Talvez os generais! Talvez os sedento de poder! Talvez os amalucados! Talvez os defensores da fé a todo custo! Talvez as ideologias transvestidas de santidades e espantos demagógicos! Ou talvez não muito, mas apenas a vontade de dois bicudos de se beijarem. O ditado ensina que só existe briga quando dois querem. – E quando muitos querem? – Bem, aí a briga é grande, vira barraco e sobra para quem não tem nada a ver com a peleja. A história do navio de guerra brasileiro Cruzador Bahia, que explodiu na costa do nordeste em julho de 1945, quando a briga mundial já estava nos descontos, é mais um caso que não casa com coisa nenhuma, ficou o dito pelo não dito e a história vem sendo contada entre o sim e o não e até em romance, como no livro “O Porto Distante”, escrito pelo Oficial de Marinha (R1) Paulo Afonso Paiva. Confesso que não li o livro, mas gostaria de ler e vou ler, porém, recebi do autor a sinopse para divulgação. O livro está sendo vendido diretamente pelo autor através do email: paivap50@gmail.com

A segunda guerra acabou na Europa no dia 8 de maio de 1945, mas continuou no Oriente. No dia 4 de julho daquele ano, o Cruzador “Bahia”, que estava fundeado próximo aos Rochedos de São Pedro e São Paulo – em apoio aos aviões americanos que vinham da Europa – repentinamente explodiu. Dos 382 tripulantes, somente 36 sobreviveram. O inquérito deu como causa “incidente de tiro”. No dia 10 de julho daquele ano, o submarino alemão U-530 rendeu-se na Argentina e no dia 17 de agosto, o U-977.

Durante a guerra, a Marinha brasileira estava subordinada à IV Frota Americana, com sede no Recife. O caso do “incidente de tiro” nunca foi assimilado no meio naval. No entanto, somente agora, com os documentos da Marinha Argentina tornados públicos foi que se soube a verdade. Dois jornalistas argentinos descobriam por que os americanos encobriram esse crime. Houve uma barganha entre os alemães, o Pentágono e os argentinos. O livro “O Porto Distante” conta essa história de forma romanceada, mas verdadeira.

Pergunte-se a qualquer jovem o que foi o “Titanic” e eles dizem, mas perguntem o que foi o “Bahia” – o nosso Titanic “ – e ninguém sabe. Honra àqueles homens que morreram cumprindo seu dever.

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Assim falou o poeta

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Viva Moana!

Moana livros

Em um mundo em que as pessoas precisam cada vez mais de boa leitura, mas que infelizmente a necessidade é absorvida pelo imediatismo tosco de palavras monossilábicas trocadas em questionáveis grupos sociais virtuais, o encerramento das atividades de uma livraria é uma lástima e um mal sem precedentes. A Moana Livros, uma das mais completas fontes brasileira para quem deseja e sonha com um mundo de aventuras, anuncia o fim de suas atividades em um comunicado simples, mas que demonstra a dor da verdade diante da força da razão:  “Pessoal, a Moana esta baixando os panos, e estamos liquidando com o estoque remanescente. Lamentamos, mas após pouco mais de vinte anos seremos obrigados a encerrar as atividades. Bons Ventos a todos!”

Diário de um corsário

PrintBanner do livro Prof. Francisco AntonioO professor e escritor potiguar Francisco Antonio Cavalcanti, lança em Natal/RN o livro “Diário de Bordo – O legado de Jacques Drouvot”, Chiado Editora, Lisboa, um romance histórico que cruza as rotas dos navios corsários que navegaram pela costa brasileira entre os séculos XVI e XVII. O lançamento será dia 03 de dezembro, a partir das 19 horas, na Pinacoteca do Estado, Praça 7 de setembro, s/n, Centro.

Imagens que encantam – A poesia

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Na postagem, Imagens que encantam, publicada dia 23/10, escrevi embaixo da imagem dos patinhos na lagoa a frase, A poesia é livre. Recebi da amiga Dorinha Timóteo, artista, contadora de histórias infantis, folclorista e poetisa da melhor cepa, uma saudação a vida livre.  

Viver a liberdade da palavra
Viver os encantamentos da natureza
Viver, simplesmente , viver
E correr caminhos implanejados
Para ir-se ao encontro das mais belas imagens da vida.
E Viva a Beleza da Vida!!!!!!

Dorinha Timóteo