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Todo dia é dia de Índio

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A imagem do recorte da Revista da Semana, datado de 1956, é uma relíquia e conta uma pontinha da viagem de Américo Vespúcio, como encarregado de  relatar tudo o que viu, ouviu e sentiu a bordo da frota comandada pelo navegador André Gonçalves, em 1501, pelas novas terras descobertas por Cabral. A tragédia – para os colonizadores invasores –, se deu em um jogo de sedução – pois é, jogo de sedução –que as índias fizeram com os homens que vinham do mar. A matéria do velho semanário brasileiro conta que o quiprocó se deu no Cabo de São Roque/RN, mas já li o mesmo fuzuê como tendo acontecido na Praia do Marco, também litoral potiguar, onde foi chantado o primeiro marco de posse pelos marujos de André Gonçalves. Pelo menos é assim que conta o historiador Lenine Pinto. Ali ou acolá, o que importa é que as indiazinhas mandaram ver nos trejeitos libidinosos e atraíram a marujada, que há tempos não saboreavam da fruta. Os dois que primeiro chegaram a praia, foram comidos, literalmente, depois de assados numa fogueira. O outro, que foi a procura dos primeiros, e louco de desejo, teve o mesmo fim ali mesmo na praia, e enquanto saboreavam nacos de carnes do infeliz, as índias mostravam os pedaços para os que ficaram embarcados e faziam gestos que, se desembarcassem, teriam o mesmo fim. Vespúcio anotou tudinho em seu caderno e a flotilha seguiu em frente em busca de índios mais amigos. Hoje índio faz isso não, e se fizer, a borracha come no costado, pois desde os tempos do descobrimento que aprendemos a não dar valor, nem vez, ao povo da floreta. Quarta-feira, 19 de abril, foi comemorado o Dia do Índio e com certeza esse almoço antropófago não foi comentado em nenhuma rodada filosófica, pois os filósofos tupiniquins estão ocupados demais em escrever teses mirabolantes para defender certos caciques. Uma nota para encerrar: A Revista da Semana circulou no Brasil entre 1900 a 1962 e foi fundada por Álvaro de Teffé. Isso mesmo, filho do Barão. Fonte da imagem: Eduardo Alexandre Garcia.                 

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Um marco esquecido

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Essa é a Praia do Marco, litoral norte do Rio Grande do Norte, localizada na divisa do municípios de São Miguel do Gostoso e Pedra Grande, e para alguns historiadores, entre eles Lenine Pinto, foi a aí que o Brasil foi descoberto. Quem acompanha o Diário do Avoante desde o princípio deve está familiarizado com a praia, porque vez por outra o Marco serve de tema para nossas postagens, pois conheço de perto suas potencialidades, seu abandono, suas deficiências e a eterna leniência e descaso com que os homens públicos, dos dois municípios e do governo estadual, dispensam a um dos principais marcos da história das terras das Pindoramas, que está praticamente jogado a própria sorte. A Praia do Marco é linda por natureza e não merecia o desprezo em que se encontra. Quisesse deus, o Tupã, que o tempo retrocedesse uns quinhentos anos, pois só assim talvez a história desse outra sorte a essa praia entristecida.    

Um tabu histórico

Lenine Pinto

O post Na Controvérsia da História, postado aqui em Março de 2013, rendeu uma boa e acalorada discursão e que prossegui no post Novamente a História. Eles falavam das pesquisas e livros do historiador Lenine Pinto sobre as rotas e locais do descobrimento do Brasil, que até hoje é um grande tabu nos anais da navegação. O professor e escritor Lenine volta a apontar a bateria de canhões de sua Nau para o tema e em breve lançará Herança de Netuno, em que reitera a tese de que o Brasil foi descoberto no Rio Grande do Norte, mais precisamente na região de Touros, na praia hoje conhecida como Praia do Marco. Gosto desse tema e me espanto a cada dia com o resultado das pesquisas, inclusive com aqueles que sem conhecimento aprofundado da história atacam historiadores e pesquisadores que se embrenham no assunto. Vamos aguardar o livro Herança de Netuno, mas enquanto isso, veja a matéria A Última Viagem do Descobrimento, de onde tirei essa postagem, dos jornalistas Yuno Silva e Cinthia Lopes, nas páginas do jornal Tribuna do Norte.  

Na controvérsia da história

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O Texto abaixo eu pesquei no facebook do amigo Sergio Henrique Teixeira, que também pescou do Kantinhos de Natal, que deve ter pescado também de outro,… . Bem, mas ele nos leva a um debate que há muito embala controvérsias e que vai se perdurar para o sempre: O local exato do descobrimento do Brasil. A foto que ilustra esse post é do Marco de Touros, localizado na Praia do Marco, litoral norte do Rio Grande do Norte, uma das mais belas praias do Estado e tema central do texto. Não estou afirmando nada, mas conheço bem essa discussão, pois tive casa no local durante quase 20 anos e o peso dos escritos de historiadores como Câmara Cascudo, Lenine Pinto e Pedro Calmon elevam essa história.

MARCO DE TOUROS RN

No dia 7 de agosto de 1501 uma expedição portuguesa formada por três naus, contando com o famoso navegador italiano Américo Vespúcio – que dá nome ao continente americano – em sua tripulação, deixou um monumento de pedra na altura do que hoje é a Praia de Touros, Litoral Norte do Estado, como um marco de que aquelas terras pertenciam ao Reino de Portugal. O início da comemoração da chegada da expedição, comandada pelos navegadores Gaspar de Lemos e André Gonçalves, a mando do rei português D. Manoel I, só foi demarcada há pouco mais de 11 anos, pela Lei Estadual 7.831/2000, de 30 de maio, assinada pelo então governador Garibaldi Alves Filho, definiu esta data, como o Dia do Rio Grande do Norte. O Projeto de Lei foi criado pelo então deputado Valério Mesquita, por sugestão do historiador e publicitário, Marcus Cesar Cavalcanti de Morais, sócio-efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, que teve como base o fato histórico da chantadura do Marco de Touros, na posse colonial do Brasil, na praia de Touros, estabelecendo o dia 7 de agosto como data oficial. Apesar do simbolismo poucas são as pessoas que sabem o que é comemorado neste dia.
A expedição que passou pela Praia de Touros e demarcou o território do que seria solo potiguar foi de fundamental importância para a identificação das terras portuguesas de “além-mar”. “Esta expedição foi a primeira promovida após o descobrimento, realizado por Pedro Álvares Cabral em 1500. Após passarem por aqui, seguiram pelo litoral deixando outros marcos e nomeando os acidentes geográficos com os santos de cada dia, como era de costume”. O prosseguimento desta expedição marítima acabou batizando o que hoje são os cabos de São Roque e Santo Agostinho, além da Bahia de Todos os Santos, por exemplo.
O marco deixado por Gaspar de Lemos e André Gonçalves, feito de pedra lioz e contando com o brasão de armas do rei de Portugal e a cruz da Ordem de Cristo, esteve na Praia de Touros até 1976. Foi retirado da praia dos Marcos devido a deterioração. Hoje o marco encontra-se no Forte dos Reis Magos. Apesar da marcação do que seria o território norte-riograndense ter sido realizada logo na segunda expedição portuguesa que oficialmente esteve na terra brazilis, a ocupação foi bastante tardia. Somente a partir do fim do século, por volta de 1598, que iniciaram-se processo de habitação da então capitania do Rio Grande. “À época, o interesse de Portugal não era nossas terras, mas sim no comércio com o Oriente. O abandono da capitania hereditária do Rio Grande e a forte resistência indígena à ocupação portuguesa, segundo o professor, também contribuíram para a demora quase secular na ocupação das terras potiguares.
No século XVIII, quando os portugueses começaram a se fixar definitivamente, chegou à região a imagem de Bom Jesus dos Navegantes padroeiro do município, cuja origem é difusa não se sabendo se veio por mar ou por terra, se foi promessa ou doação. A construção da sua capela teve início em 1778, sendo concluída em 1800 Em 1832 foi instalada a freguesia do Bom Jesus dos Navegantes do Porto de Touros.
No dia 11 de abril de 1833, pela Resolução do Conselho do Governo, Touros foi desmembrado de Ceará-Mirim tornando-se município do Rio Grande do Norte.
“TOUROS, terra do Bom Jesus dos Navegantes. Terra de uma rica história, conhecida por muitos, e colocada em prática por poucos, ao esquecer que este povo bom e hospitaleiro, poderia também sobreviver da sua própria história, se fosse bem empregada no turismo local, dando condições de qualidade de vida através da cultura a jovens que estudam na esperança de galgar um lugar digno na sociedade.
Touros, aqui, neste teu chão, assim como és o nosso chão natural, dos nossos pais, aqui também foi descoberto, no dia 7 de agosto de 1501, a nossa Pátria, o Brasil.
CÂMARA CASCUDO
Para Câmara Cascudo,o Marco de Touros muda a rota do Descobrimento.Suas pesquisas e estudos comprovam que a posse e a propriedade do Brasil se deram ,não em Porto Seguro na Bahia, mas na praia de Touros, a 145km de Natal O marco é o mais antigo objeto de presença européia em continente americano.Foi colocado na praia por Américo Vespúcio.Cascudo descobriu o monumento, identificou o Marco e fez um livro sobre o assunto.
O Professor Diógenes da Cunha Lima,confirma que pouca gente sabe que o Brasil nasceu juridicamente no Rio Grande do Norte.Para ele, não existe em Porto Seguro, nada da presença de Pedro Álvares Cabral, ao contrário do que sucede no Rio Grande do Norte, onde a passagem de Vespúcio é confirmada em documentos.
Já o escritor e pesquisador Lenine Pinto autor de uma tese sobre o assunto, assegura que o Brasil foi descoberto em Touros e que o Monte Paschoal era a Serra do Cabugi.Tese polêmica,que tem gerado muitas discussões entre pesquisadores.
LENINE PINTO
A tese de que o Brasil nasceu aqui, no Rio Grande do Norte, defendida pelo pesquisador Lenine Pinto,demonstra uma série de dados a serem contestados na história oficial.
Entre seus argumentos, a chantagem do Marco de Touros é uma das peças chaves de esclarecimentos. Para ele era normal chantar um marco no ponto onde chegavam e ao alcançarem o mar chantavam o segundo marco. “O Brasil tinha dois padrões (marcos), um em Touros e outro em Cananéia, em São Paulo”, ressalta Lenine. Em documentos há relatos de que Cabral percorreu duas mil milhas na costa brasileira. “Duas mil milhas é exatamente a distância entre a ponta do calcanhar (RN) e Cananéia”, afirma.
Outros Argumentos que sustentam a tese de Lenine,estão relatados no seu livro “Reinvenção do Descobrimento” lançado pela editora : RN Econômico -Emp. Jornalística -1968. Vale a pena conferir!
TOUROS RN OU PORTO SEGURO?
Os defensores da tese de que o Brasil foi descoberto em Touros, argumentam que: “Portugal era muito pequeno.Se dissesse qual o verdadeiro caminho, em pouco tempo, navegadores ou “piratas”espanhóis ou italianos estariam lá. Porto Seguro foi uma embromação dos portugueses, para fugir da concorrência! (Gildson Oliveira- Livro:Câmara Cascudo-um homem chamado Brasil Ed.Brasília Jurídica -1999 )
Para o historiador baiano Pedro Calmon,o Marco que Porto Seguro ostenta é apenas um “Comemorativo” do descobrimento, provavelmente posto ao iniciar-se a colonização” o que remeteria a uma data a partir de 1535.
RIO GRANDE DO NORTE OU BAHIA?
Como seria interessante se as nossas Escolas e Universidades promovessem esse debate! Não como disputa política, mas como uma investigação que nos levasse a pesquisar, pensar, estabelecer hipóteses.Melhor que continuar insistindo em passar para as gerações a fabulosa história de que nossos heróis portugueses nos descobriram por acaso, depois de passar todo tipo de provações no desconhecido caminho que percorreram.