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Lembram do naufrágio na Baía de Todos os Santos?

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Segundo entendimento dos nobres e respeitados ministros do Supremo, a justiça tem que andar lenta, gradual e quem quiser que esperneie, pois não foram eles que inventaram as leis e estas dão plena guarida de liberdade aos réus, até que se esgotem as disposições em contrário, ou, como dizem as más línguas, “o dinheiro necessário para a ação seguir em frente”. Vixi! Mas ainda bem que existe o desentendimento e é ele quem faz a justiça caminhar cambaleante que nem bêbado: Um passo pra frente, dois para trás, três pra frente e vez em quando um tropeção e assim vamos nós. Oito meses depois do naufrágio do barco de passageiros Cavalo Marinho I, que matou 19 pessoas numa manhã chuvosa na Baía de Todos os Santos, a polícia concluiu o inquérito do caso e indiciou, por homicídio culposo e lesão corporal culposa, o comandante da embarcação, o proprietário da empresa e o engenheiro naval que assinou o laudo atestando a navegabilidade do barco. A Marinha do Brasil e a Agerba (Agência reguladora que cuida também dos transportes na Bahia), foram isentadas de responsabilidade. Aos indiciados, resta esperar que o MP-BA analise as provas e os fatos, e leve, ou não, o caso as barras dos tribunais, onde a história é longa para uns e para outros nem tanto.  – Lembram do Bateau Mouche?Lembram dos intermináveis naufrágios com os barcos que fazem transporte na Amazônia?  – Lembram de alguns dos diversos acidentes  com vítimas fatais que acontecem sistematicamente em nossas águas, dois, inclusive, bem recentes nos mares do Sudeste? – E do acidente que mutilou o fantástico velejador Lars Grael? – Lembram? – Lembram também o que aconteceu com algum dos indiciados, ou réus? Pois bem, diz o ditado que quem morre é quem paga a conta. Que o Senhor do Bonfim, que a tudo observa do alto da Colina Sagrada, perdoe os nossos pecados.   

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Os rumos escusos do iatismo

21271237_792053424300806_2368944388347526868_nO velejador brasileiro Lars Grael, um dos expoentes do iatismo mundial, põe o dedo numa ferida que há muito merece atenção. A declaração de Lars, clamando os velejadores a reflexão, vem a público depois que um velejador perdeu 4 dedos da mão em um acidente com um Nacra 17’, veleiro de competição que faz sucesso nas raias mundo afora. Quero aqui deixar minha solidariedade ao Lars e parabenizá-lo pela coragem de abordar o tema. 

A ISAF atual World Sailing tomou um rumo diverso na Vela. Acabaram com os barcos de quilha nas Olimpíadas e no Pan. Alegação? Custo? Eliminar os velejadores Master? Eliminar os pesados? Se o Finn sair, e deve sair. Quem tem mais de 85 kg não vai mais pra olimpíada. Mais de 50% dos velejadores no mundo navegam em barcos de quilha! Não são mais representados pela WS… A Vela de Oceano nunca teve tão forte internacionalmente. Classes de moda bombando como o J70′ (como foi antes com o J24′ e o Melges24′). Classes tradicionais fortes e pujantes como o Star; Dragon; Etchells e até mesmo as classes métricas. Os atletas pesados tem vez em todas modalidades de lutas olímpicas e até mesmo no Atletismo (3 arremessos). Os velejadores Master continuam mais ativos que nunca, com o fenômeno do envelhecimento da população mundial. Estão em peso nas classes de quilha; Finn e Laser por exemplo. A WS não é mais dominada por velejadores, classes e países. É dominada por juízes e fornecedores de barcos. Nos eventos oficiais da WS, a proporção de barcos é praticamente igual a de botes. Isto é caro e excludente. Um time de 49er com bote, custa muito mais caro que uma campanha de Star sem bote. Fora que o 49er dura 1 ano e o mercado de segunda mão é péssimo. O star dura muito e se vende bem. A Vela é o ÚNICO esporte olímpico, aonde o equipamento individual é fornecido por um fornecedor em regime de exclusividade (monopólio). Estes fornecedores comercializam os equipamentos pelo preço que bem entendem. O lucro é generoso e sobra dinheiro para ganhar votos nas assembleias. Nada muito diferente do que conhecemos no Brasil. A Vela tornou-se a modalidade esportiva mais ecologicamente incorreta de todas reconhecidas pelo COI. O gasto de combustível do Mundial da ISAF (técnicos; juízes; segurança; árbitros), é compatível a quase toda uma temporada da F-1 (sem contar os treinos). Torben foi eleito Vice-presidente da WS. Sei que ele concorda com pelo menos, parte dos meus (nossos?) argumentos. Sabemos que ele é minoria, mas é muito respeitado…Torcer que venham repensar a Vela após um acidente que exigirá a reflexão de todos. O que dizer das classes que entraram recentemente nas Olimpíadas e antes mesmo de serem testadas, foram excluídas? Cito o Yngling e o tragicômico Elliot. Como o Nacra 17′ virou olímpico antes até mesmo de um protótipo ser testado? Já sabiam que era “melhor ” que um Tornado, apenas vendo um simples prospecto? E o recall de mastros, problemas estruturais, quebras, problemas de fornecimento dos Nacra pra campanha da Rio2016? O que dizer dos velejadores de ponta que declararam terem adquirido 3 barcos; 1 dúzia de mastros e quase 20 jogos de Vela num único ciclo olímpico? Que tal saber que todos estes Nacras produzidos não servem para a versão 2017/2020?Que um Nacra usado vale menos que um Dingue?: Que o novo Nacra com foil foi uma adaptação tosca do antigo e que não tiveram tempo para testar? Os testes (e já convocaram recall de componentes) está sendo feito agora com o dinheiro e risco dos velejadores olímpicos. Ou a WS corrige seu rumo, ou a Vela real seguirá seu rumo próprio como a classe Star já faz. Surgirá o momento para os velejadores profissionais criarem sua associação e darem as costas à sua Federação International. É o que Tênis foi capaz de fazer ao criar a ATP e elevar seu esporte para um dos mais bem sucedidos! Alguém se lembra que existe a ITF?

Pela paz no mar

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Na semana passada quase presenciamos um acidente em frente ao Iate Clube do Natal, que felizmente, a perícia dos velejadores não deixou que um belo passeio de fim de tarde terminasse em tragédia.

É sempre bom falar sobre segurança na navegação. Aqui mesmo nessa coluna, já fiz vários artigos sobre o assunto e até já fui homenageado pela DPC – Diretoria de Portos e Costa – e pela Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte pelo artigo Navegue com Segurança, publicado em Dezembro de 2009.

Sempre que tenho oportunidade, falo sobre segurança na navegação em rodas de bate-papos com amigos e nos encontros de velejadores. Às vezes, fico até constrangido com os comentários de pessoas que não sabem o valor de uma boa navegação, ou que acham que navegação é um mero e simples lazer de final de semana.

Acho até que as Capitanias dos Portos, os iates clubes e as marinas deveriam promover mais seminários e palestras sobre o assunto e exigir a participação dos proprietários e marinheiros em pelo menos um evento anual. Isto é uma regra que a classe de velejadores tem sempre grande preocupação e zelo.

Em todo evento de vela, sejam regatas ou cruzeiros, sempre tem alguém para falar sobre segurança, salvatagem e regras de navegação. Isso é o básico, isso é estar empenhado e comprometido com a boa navegação e com a segurança do barco, dos tripulantes e dos banhistas.

Um dos maiores nomes da vela no Brasil o velejador Lars Grael, anos atrás sofreu um acidente quando participava de uma regata e o seu barco foi atropelado por uma lancha, em que o comandante estava alcoolizado. Lars Grael perdeu uma das pernas e por pouco não perdeu a vida.

O acidente com Lars marcou o mundo náutico e deixou uma lacuna na vela brasileira. Seminários sobre segurança foram montados em todo território brasileiro e fiscalizações foram intensificadas nos dias subsequentes. Mas, nem assim pessoas irresponsáveis deixam de cometer absurdos e provocar novos acidentes.

Recentemente aconteceu em Brasília um acidente em que morreram duas jovens, vítimas da irresponsabilidade, ignorância e da permissidade que ainda reina por ai. Foram traídas e tiveram suas vidas ceifadas por um mau comandante que deveria zelar pela suas vidas, pela vida dos outros tripulantes e também dele mesmo.

O livro Navegar é Fácil de Geraldo Luiz Miranda de Barros, que é quase uma bíblia para o mundo náutico no Brasil, no capítulo que fala sobre regras de governo e de navegação, diz assim: “Nada contido no RIPEAM dispensará qualquer embarcação ou seu proprietário, seu Comandante ou sua tripulação das conseqüências de qualquer negligência no cumprimento destas regras ou em qualquer precaução reclamada ordinariamente pela prática marinheira ou pelas circunstâncias especiais do caso”

RIPEAM é o Regulamento Internacional para Evitar Abalroamento no Mar. E nele está escrito todas as regras obrigatórias para a navegação. Desconhecer essas regras ou mesmo não ter a bordo o RIPEAM é passível de penalidades e multa.

No RIPEAM está escrito que embarcações a propulsão mecânica mantenha-se fora do caminho de embarcações: Sem governo, capacidade de manobra restrita, engajadas na pesca e a vela. Isso quer dizer que se um barco tem que dar o direito de passagem ele tem que tomar uma atitude clara e objetiva e se manter afastado. E se o outro barco tem o direito de passagem, ele tem de manter o rumo e a velocidade inicial.

Mas, se a embarcação que tenha de fazer a manobra não o fizer ou se não ficar bem clara sua intenção, o barco que tem a preferência de rumo tem de manobrar e com isso evitar a colisão. Mas, em nenhuma circunstância, isso não desobriga que a embarcação que tenha que manobrar se afaste do caminho.

Vamos afastar do mar a violência do trânsito!

Nelson Mattos Filho

Velejador

EUROPEU DE STAR

No campeonato Europeu da Classe Star que acontece em Viareggio, Itália, os brasileiros Torben Grael e Marcelo Ferreira assumiram hoje o 2º lugar da prova. Outros brasileiros também participam da prova: Lars Grael e Ronie Seifert, 12º; Gastão Brun e Gustavo Kunze, 18º; Alessandro Pascolato e Henry Boening, 24º; Robert Scheidt e Bruno Prada, 29º;  André Luiz e Samuel Gonçalves,80º e Admar Gonzaga Neto e Alexandre de Freitas, 128º. O Europeu de Star segue até dia 13 de Junho