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Aliando cultura e náutica

2 fevereiro (142)

Convite Encontro de ArtistasA Ilha de Itaparica não tem encantos apenas na gostosura de suas águas convidativas, porque ela tem cenários fascinantes e paisagens que formam um bálsamo para a alma livre daqueles que têm na natureza a fonte para suas criações. Sou apaixonado pelo ambiente bucólico que paira sobre as ruas que compõem o traçado urbanístico da velha aldeia dos Tupinambás. Ao caminhar pelos becos e vielas da antiga Taba, escuto ecos de um passado que se sente injustiçado com as maledicências de uma modernidade cruel e inclemente. Mas deixa ver e vamos em frente! Para os que veem a Ilha apenas como destino de uma boa velejada e local de uma ancoragem perfeita, saiba que Itaparica tem uma vida cultural ativa e bem interessante – de lá saiu um dos maiores escritores brasileiros, o saudoso João Ubaldo. Nesse final de semana, 29/08, tem inicio o 10º Encontro de Artistas e a programação se estende até o dia 18/09, com apresentação dos trabalhos de artistas plásticos, artesões, cantores, poetas, dançarinos, cineastas, ceramistas, escritores e outros. Tai uma boa dica para quem está a procura de um bom motivo para velejar.

Viva São João!

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Uma vez me perguntaram se velejador comemora o São João. Lógico que sim, principalmente quando estamos navegando em águas nordestinas, pois o São João é considerada a maior festa do nordeste brasileiro, animada com muito forró, mesas fartas de comidas típicas, meninos soltando fogos e fogueiras acesas em frente as casas. O São João é uma alegria que só vendo! E foi com essa alegria que saímos traçando rumos entre as cidades do Recôncavo Baiano para sentir a pulsação dessa festa colorida e iluminada. Começamos por Itaparica – que vem perdendo o encanto e em breve falarei sobre isso – onde ancoramos dois dias antes das comemorações juninas e não perdemos tempo para reunir os amigos que dividíamos a ancoragem. Um dia foi a bordo do Acauã, do casal Webber e Mirian, e no outro a recepção foi no Avoante, onde tivemos também a companhia de Fernando e Erika, veleiro Ati Ati, em noitadas que renderam bons papos e boas gargalhadas.

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Na véspera do São João recebemos o convite do casal Rocha e Keli, veleiro Aquários, que também tem casa na Ilha, para comemoramos ao redor de uma fogueira. Foi uma noitada de alegria saboreando muita canjica, bolos típicas, milhos cozido, milho assado na fogueira, forró e até churrasco no fogo de chão, feito pelo bom gaúcho Webber. Eita São João bom da peste!

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No dia 24 já estávamos novamente navegando e no rumo de Salinas da Margarida, para encontrar os amigos Cláudio e Anne, veleiro Anni, Gerson e Lili, veleiro Tô Indo, Gomes e Lia, veleiro Ondine e Wilson e Cassia, Vinicinho e a pequena marinheira Helena, de apenas 7 meses.

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Como a flotilha havia crescido, desembarcamos e fizemos a confraternização no restaurante A Gaúcha com uma deliciosa feijoada regada com cerveja gelada. E como São João sem chuva não vale, a noite caiu um toró de fazer inveja a muito sertanejo e até hoje, 26, a chuva está igual a marcação de quadrilha: Alavantú; Anarriê; Balancê; Olha a chuva; É mentira; É verdade. E assim vamos levando essa vidinha mais ou menos. Viva São João! Viva! E que venha o São Pedro!

A luta é grande

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Tem sido assim o dia a dia no fundeadouro da Ilha de Itaparica e o amigo Hugo Vidal, do veleiro Maruja, deu a sugestão para colocarmos uma faixa na vela do Avoante com os dizeres: Bar Náutico.  

Você já navegou na Bahia? Então vá!

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Comentário do velejador Sérgio Netto, que colabora com esse blog enviando histórias maravilhosas, no port sobre o tufão Ramassun que atingiu o sudeste asiático.  

“Quem quiser velejar em paz que venha para a Baía de Todos os Santos, sem dúvidas o melhor local do planeta terra para esse tipo de atividade: 1000 km2 de águas abrigadas, 26°C no verão e 24°C no inverno, ventos alísios na medida certa, meso-maré de 2,5m , fontes de água doce sempre disponíveis. Ao por do sol o vento cai deixando uma brisa suave para as velejadas noturnas. Vinte anos atrás, Charlie Gauglième, do Feijão me disse: vocês até que velejam direitinho, mas raramente alguém se aventura a uma travessia. Eu que todo ano venho velejando da França para cá para fugir do inverno do hemisfério norte agora entendi: o melhor programa do mundo é sair da Ribeira para Itaparica num final de semana.”

Velejando com amigos

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Com essa imagem do crepúsculo embelezando a ancoragem em Loreto, entre as ilhas do Frade e Bom Jesus, marcamos a volta ao batente para contar como foi a semana que tivemos a alegria de ter a bordo do Avoante o casal Chiquinho e Lucienne, nossos amigos de longas datas e que vieram tirar a prova dos nove das belezas navegáveis da Baía de Todos os Santos (BTS). O roteiro escolhido foi: Ilha do Bom Jesus, Madre de Deus, Loreto, Salinas da Margarida, Itaparica, Ilha da Cal, Fonte do Tororó e retornando para o Aratu Iate Clube. 

IMG_0054Para começar, quero reafirmar a alegria de ter recebido a bordo pessoas tão queridas. Posso dizer que fui criado junto com Cienne, pois fomos vizinhos até o final da adolescência, no bairro do Tirol, em Natal/RN, durante a época em que amigos tinham a liberdade de sentar no meio fio de uma calçada e conversar despreocupadamente até altas horas. Aquele sim era o Brasil que merecíamos viver até os dias de hoje, mas que em algum subterfugio da história deixamos escapar para mais nunca. Mas deixa estar, pois quem sabe um dia nossos descendentes possam reescrever essa história.

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Foi uma semana inteira de belas navegadas e boas ancoragens onde o casal, que já havia realizado outras velejadas, mas nunca em tempo tão estendido, ainda mais vivendo intensamente a vida a bordo de um veleiro de oceano, ficou encantado. A empatia foi tanta que quase não quiseram desembarcar nos lugares por onde passamos.

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Dizem que sete dias demora a passar, mas os sete dias de Chiquinho e Cienne no Avoante passou como um raio e deixou saudades. Eles viveram tudo com naturalidade, companheirismo e consciente de que a vida a bordo de um veleiro requer uma extrema parcela de boa vontade e desprendimento.

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A Ponte do Funil

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O leitor e velejador Luiz Fernando Beltrão, sentiu falta de fotos da Ponte do Funil, que mencionei no post anterior, o que foi realmente um descuido de minha parte, por isso ai estão algumas. Mas, na minha opinião, o que deixa a passagem por baixo da ponte um pouco mais preocupante e uma linha de alta tensão que cruza o rio bem próximo a estrutura da ponte e que podemos visualizar na primeira imagem. Segundo comentários que escuto na Bahia, a Ponte tem altura de mais de 19 metros no vão central, mas temos que levar em conta, a altura da maré, a altura do convés e os equipamentos instalados sobre o mastro.  A Ponte do Funil faz a ligação da ilha de Itaparica com o continente e deságua na BR 101. 

O que estão fazendo com a Bahia?

A coisa continua feia nas águas baianas, mas uma vez Itaparica é palco de violência contra velejadores. No ano passado um velejador foi morto a bordo de um catamarã, quando ancorado em frente a Marina de Itaparica. Assaltos são constantes por toda a cidade de Itaparica e efetivamente nada é feito para inibir os bandidos. Ontem mais um caso aterrorizou os velejadores quando um casal de franceses, que retornava da pizzaria, foi assaltado e o homem recebeu várias cutiladas de faca. O bandido fugiu, já sabendo da sua impunidade, e o velejador foi hospitalizado em estado grave. Estão querendo acabar com a Bahia e parece que vão conseguir.