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O Mara Hope e o mar do Mucuripe

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Quem chegava pela primeira vez a cidade de Fortaleza/CE navegando e aproava o Hotel Marina Park, onde se localiza a marina, ficava intrigado com a carcaça enferrujada de um navio sobre um enorme banco de areia, mas não tinha como o navegante fugir daquela visão fantasmagórica, porque o navio serve de excelente balizamento para a entrada da marina, além de que, pontua com exatidão o banco de areia. O casco, ou o que sobrou dele, é do navio Mara Hope, um gigante petroleiro que em 1985 escolheu as terras de Iracema, a virgem dos lábios de mel, para seu descanso eterno. A história do petroleiro é bem carregada e nos leva a navegar pelos manuais das superstições que habitam os oceanos e o coração de velhos e novos marinheiros. Construído em 1967 na Espanha, foi batizado inicialmente como Juan de Austria. Em 1979 foi rebatizado como Asian Glory e somente em 1983 passou a se chamar Mara Hope. E foi justamente em 1983 que o gigante dos mares pegou fogo quando estava ancorado em Port Neches, Texas, e como consequência, os moradores das imediações do porte tiveram que ser evacuados, porque corria risco de explosão. Eh! Existe uma velha superstição marinheira que não se muda nome de uma embarcação. Será verdade? E como danado o navio veio parar no Ceará? Vamos lá: Em 1985 o chamuscado petroleiro estava sendo rebocado para o desmanche numa praia qualquer asiática, quando o rebocador Sucess II – contratado para a operação – sofreu avarias na costa do Brasil e foi dar no litoral do Ceará. Sem sucesso na empreitada o Sucess II foi encaminhado para o estaleiro e o Mara Hope ficou ancorado ao largo, quando uma forte tempestade rompeu suas amarras e o navio derivou para cima do banco de areia, que ficava em frente ao estaleiro onde estava o rebocador avariado, e de lá não saiu mais.  

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Isso foi há trinta anos e de lá para cá, o casco faz a vez de ponto turístico na capital alencarina e diariamente várias empresas oferecem passeios até próximo ao naufrágio e grupos de mergulhadores fazem a festa em meio aos corais que se formaram sobre as ferragens submersas. Na semana passada um grupo de artistas fez um mutirão para colorir as ferragens do que restou do navio, criando uma nova cena para o turismo local. Se ficou bonito eu não sei, pois não vi as fotos da obra terminada, mas achei uma ideia muito criativa e que serve de inspiração para outras embarcações que estejam nas mesmas condições. Agora fica aqui um aviso aos navegantes: O Mara Hope não é mais um pedaço de navio enferrujado e fiquem atento ao colorido. Fontes: G1 Ceará; blog Mar do Ceará; Wikipedia

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Nas águas de Iracema

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Não sei onde fica a fronteira que me separa do mar, mas essa é uma busca que ainda não iniciei e espero que ela passe longe das Cartas Náuticas que traço as rotas de minha vida.

Foi pensando coisas assim que cumpri meus turnos de comando a bordo do veleiro Tranquilidade, de São Luiz/MA a Natal/RN. Eram pensamentos que confirmavam minha grande paixão pelo mar e que invadem a minha alma com a grandiosa paz de espírito que somente as águas do mar sabem a receita.

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