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Canoa havaiana emborca e atletas são resgatados no mar da Baía de Todos os Santos.

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Seis atletas foram resgatados no mar da Baía de Todos os Santos, nessa sexta-feira, 01/05, depois que a canoa havaiana em que estavam virou. Os atletas remavam em direção a Ilha de Itaparica debaixo de condições adversas, devido as chuvas que caem sobre a capital baiana, quando a água invadiu a  pequena embarcação que acabou emborcando. Quatro atletas foram resgatados por uma embarcação da Capitania dos Portos e outras duas com a ajuda de um helicóptero do Grupamento Aéreo da Polícia Militar. Apesar do susto e da complexidade do resgate, todos passam bem. A Capitania dos Portos alerta para situação de mar agitado e muita chuva durante todo o final de semana no litoral da Bahia. 

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Cruzeirando pelas águas da Bahia – III

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Canoas na Ilha de Bom Jesus dos Passos – BA

 

Quando me perguntam o que tem de tão especial na Baía de Todos os Santos, BTS, que faz o Avoante – depois de dez anos em que moramos a bordo – continuar cruzando suas águas para lá e para cá, confesso que costumo olhar para o interlocutor com a certeza de que ele realmente não conhece o mar do Senhor do Bonfim. Na Parte I e Parte II dessa postagem, navegamos em Morro de São Paulo e terminamos aproados na Ilha de Itaparica para saborear um churrasco a bordo do veleiro Acauã. O churrasco foi servido sob uma Lua maravilhosa e embalado pelos acorde do violão dedilhado pelo comandante Elson Mucuripe, mas infelizmente vou ficar devendo o registro fotográfico da noitada, porém, sem esquecer de dizer que foi um encontro memorável, pois o Webber é um anfitrião sem igual.

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Quando o dia amanheceu em Itaparica recolhemos âncora para seguir nosso passeio, agora em direção ao portinho da Ilha de Bom Jesus dos Passos, por trás da Ilha do Frade, mais conhecido entre os velejadores como Saco de Suarez, que aqui já foi relatado em duas postagens: Um lugar e A tribo dos pés-descalços. O lugar é simplesmente lindo e limpa os olhos de qualquer mortal mais exigente. Ancorar por ali, embarcar no botinho inflável para um giro entre as ilhas e mangues que cercam a paisagem é um programa imperdível. Mas se preferir, pode apenas sentar no cockpit, abrir uma cerveja gelada e ficar em silêncio diante da natureza.

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O portinho é rota comum para os velhos Saveiros, personagens vivos da história da Bahia, e dizem que por ali os holandeses, na época das grandes invasões, ficaram camuflados durante quase 60 anos sem que os portugueses dessem conta. Será? Para qualquer lado que miramos o olhar, se descortina uma paisagem de sonho. Quanto ao pôr do sol, não tenho como descrever.

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Certa vez ouvi falar de um riozinho que corta parte da Ilha do Frade, mas nunca havia aparecido a oportunidade para desbravá-lo. Olhando na Carta Náutica ele está lá e se chama Rio Cabuçu. Como o Elson queria fotografar o Saveiro Tupy que descarregava mercadorias na Ilha de Bom Jesus, deixamos o Avoante ancorado no círculo vermelho indicado na imagem da Carta, sob os cuidados de Lucia e Fabiane, e somos até lá retratá-lo. O Mucuripe, como todo homem do mar, vibrou ao chegar próximo a valente e histórica embarcação. Ao sair dali, resolvemos navegar um pouco pela ancoragem e ficamos frente a frente com um igarapé mais largo e achei que aquele era o tal riozinho. Passamos pela foz uma vez, duas e na terceira decidimos adentrar. A visão que tivemos foi fascinante. Estávamos a pouco mais de 12 milhas náuticas de uma grande metrópoles e navegando cercado por uma natureza em estado quase bruto. Se não tivéssemos encontrado um morador de uma fazenda e umas máquinas que denunciavam a retirada de areia nas margens, poderíamos jurar que aquele lugar estava parado no tempo. Não sei precisar a profundidade do Rio Cabuçu, pois não levamos o eco sonda manual, porém, ele é estreito e suas margens tracejadas de pequenos igarapés. Perguntamos ao morador da fazenda até onde iria o rio, ele respondeu que terminava ali onde estávamos. Olhamos para frente, vimos muita água a ser navegada e seguimos um pouco mais. Navegamos ainda por quase meia milha por minúsculas ilhotas e resolvemos dar meia volta quando o sol já caminhava serelepe para o seu descanso. Um dia eu volto!

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Pois é, a Baía de Todos os Santos é linda sim e duvido que tenha lugares no mundo com uma sincronia tão perfeita dos elementos da natureza para satisfazer os amantes do mar. Elson Mucuripe e Fabiane ficaram nove dias embarcados no Avoante e conheceram apenas um pouquinho do que a Bahia tem a oferecer ao navegante, mas tenho certeza que gostaram do que viram. Foram nove dias degustando a paisagem e saboreando as deliciosas receitas produzidas por Lucia. O casal Mucuripe batizou o passeio de charter gastronômico e prometeu retornar muito em breve para um segundo roteiro. O mar da Bahia é um encanto! 

Vamos saber como fica o tempo?

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Eh, oficialmente o verão ainda manda no pedaço e vai perambular por ai até o dia 19 de Março, mas a natureza já azeita suas engrenagens e por mais que a estação do Sol se esforce, o bronzeado já não é mais o mesmo. Como bem mostra essa imagem do fundeadouro da Ilha de Itaparica, são as águas de março fechando o verão… . Depois de seis dias de raios, relâmpagos, trovões e muita chuva, os deuses resolveram aliviar o batuque sobre o mar da Bahia. Acho eu que eles ainda bricavam o Carnaval. Olhando o céu avistamos os reflexos prateados dos coriscos que rasgam as nuvens, numa demonstração clara que a fera acordou e está pronta para sair da jaula. Confesso que não levo muita fé nas águas do inverno 2015 e pressinto que o outono que esquenta as turbinas virá mais animado. Mas como não sou nenhum vidente e por demais palpiteiro nos assuntos meteorológicos, vou me socorrer com os homens do Cptec/Inpe que dizem assim:

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Nesta terça-feira (24/02) ocorrerá pancadas de chuva forte entre o norte do RS e SC e no sul, centro e oeste do PR, com chance de acumulados de chuva significativos e pontuais, além de descargas elétricas, rajadas de vento e possibilidade de queda de granizo isolado. No Nordeste deve chover forte entre o leste e litoral da PB em algumas áreas da mata norte de PE, e no sul do RN, além do litoral de SE. Entre o oeste da BA e o MA e o PI e TO haverá pancadas de chuva localmente forte. Entre o GO e o AM, deve chover forte e isolado com trovoadas isoladas. No Sudeste haverá possibilidade de pancadas de chuva forte no nordeste de SP, sudoeste, sul e sudeste de MG e sul do ES. O dia será com pouca nebulosidade do sul ao oeste do RS, no oeste de SP e em MS. As temperaturas estarão elevadas no Sudeste.
Obs: Texto referente ao dia 23/02/2015-17h32

Mais um Carnaval que passou

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Apesar de estarmos navegando na Bahia, terra em que basta alguém bater numa lata para a folia começar, tentamos fugir da festança que sacode Salvador em seus circuitos carnavalescos. Alias, o povo do mar não parece mesmo afeito ao barulho ensurdecedor dos trios elétricos. O Carnaval passou sim, mas o lixo musical de absurdo mau gosto continua azucrinando nossos ouvidos e testando a paciência dos palhaços que somos nós mesmos. Ainda tem quem diga e aposte que o que se escuta por ai é música. Como bem dizia o comediante Lilico: “…Tento bom, não volta mais, saudade… de outros tempos iguais!”. Na terra de Dorival Caimmy, Caetano, Gil, Morais Moreira, Dodo, Osmar e tantos outros monstros sagrados da musicalidade o que impera nos dias atuais são “ritmos” que não sobrevivem a uma chuvinha de verão. Porém, como não adianta mesmo a gente reclamar, até porque não temos a quem fazê-lo, vamos lembrar alguns bons momentos do nosso Carnaval 2015, como estas imagens de um churrasquinho básico a bordo do veleiro Mandinga, do casal Sérgio e Simone.       

A luta é grande

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Tem sido assim o dia a dia no fundeadouro da Ilha de Itaparica e o amigo Hugo Vidal, do veleiro Maruja, deu a sugestão para colocarmos uma faixa na vela do Avoante com os dizeres: Bar Náutico.  

A Ilha do Medo

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A Ilha do Medo, localizada na Baía de Todos os Santos, é um daqueles lugares que entram para a história navegando em um emaranhado de boatos, causos e mistérios. E entre o disse me disse, ninguém sabe realmente destrinchar os segredos ali escondidos. Sempre que procurei saber algo sobre essa ilhazinha isolada me deparei com fragmentos de meias verdades e por isso mesmo desejei pisar em suas areias de um branco convidativo. Se olharmos nas Cartas Náuticas, a vontade de chegar até lá naufraga em meio ao cinturão de uma Coroa ampla e ameaçadora, sem falar nas baterias de corais que fazem fileiras na tropa de defesa organizada pela natureza. Navegando entre as lendas que compõem a paisagem pequenina dessa ilhota que baliza várias rotas no mar do Senhor do Bonfim, acho que a história que mais se aproxima da verdade vem das nuvens que esvoaçam o mundo mágico internético e foi no porto do Wikipédia que andei sabendo que: A Ilha do Medo é uma APA, aliás, a primeira da Baía de Todos os Santos; que ela pertence ao município de Itaparica; que tem área total de 12 mil metros quadrados; que no século XIX teve uso militar; que já foi usada como colônia de leprosos; que por lá ronda o fantasma de um padre que se recusou a celebrar uma missa em Itaparica; que os pescadores, que por lá se aventuram em pescarias noturnas, contam que ouvem gritos e uivos; que um velho pescador deu de cara com uma mulher diabólica que soltava fogo pela boca e após relatar o ocorrido ficou mudo para sempre e que um bando de fantasmas holandeses, dos tempos das invasões, assombra a tudo e a todos. Tem até quem fale em peste de moscas e mosquitos endiabrados e em mortais cobras venenosas rastejando em suas areias. Porém, o que mais festejei é que por lá não existe fonte de água doce e por isso ela continua desabitada pelos irracionais homens sábios. Ponto para as assombrações! Pois é, a história da baiana Ilha do Medo é rica em lendas, mistérios e muito tempero. Mas fui até lá. E sabe o que vi? Vou contar:

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Não sei se pelo meu zelo em preservar o casco do Avoante, ou simplesmente por medo, mas depois de zarpamos de Itaparica para a tão sonhada excursão a Ilha do Medo, há, esqueci de acrescentar que tem quem batize a ilhota de Ilha do Meio, levando a bordo o casal Luiz e Cristina, do veleiro Kireymbaba, numa velejada apenas com genoa, circundei todo o banco de areia em busca de algum canalzinho que tenha passado despercebido dos feitores das Cartas, mas os caras são bons mesmo e não esqueceram nenhum detalhe. Em marcha lenta, com um olho no ecobatimetro e outro no mar, resolvermos jogar âncora na profundidade de 3 metros e a pouco mais de uma milha da Ilha. Lógico que alguns vão questionar por que tão longe e por que não avancei um pouco mais. Outros mais críticos vão dizer assim: Bem feito, quem manda navegar de monocasco. Mas tudo bem, uns são mais corajosos, outros mais precavidos, outros gostam de monocasco outros de multicasco. Felizmente a vida é assim! Existe um canal estreito e raso, entre a Ilha e a Ponta do Dourado, que inclusive tenho os waypointes, pois já naveguei por lá em duas ocasiões: uma a bordo do catamarã Guma, de Davi e Vera Hermida, e outra com o veleiro Malaika, seguindo na esteira do Guma. Mas confesso que ainda não tive coragem de navegar nesse canal sem um apoio, pois o bicho é estreito, raso, bastante sinuoso e acessível somente em maré de enchente.  

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Com o Avoante ancorado lá longe, almoçamos, tomamos umas cervejas estupidamente gelada e partimos para tentar desmistificar os mistérios da ilha mal assombrada.

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O local é dotado de uma flora em estado quase bruto, porém, para ser uma APA, Área de Proteção Ambiental, deixa muito a desejar e juro que nem sei se os fiscais da natureza passaram por lá nos últimos tempos. Vimos algumas ruínas em avançado estado de destruição e abandono. Caminhamos alguns metros entre uma trilha que não leva a nada. Dividimos o espaço da praia com alguns nativos de Itaparica que por ali faziam um piquenique, inclusive fomos convidados para apreciar o sabor do churrasco que estava uma delícia. Mas o que mais chamou atenção foi a grande quantidade de lixo, principalmente sacos e garrafas plásticas, que se esparramavam por entre as arvores.

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Diz as normas que regem as Áreas de Proteção Ambiental no Brasil, que são administradas pelo ICMbio, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que são áreas, em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotadas de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Podem ser estabelecidas em área de domínio público e/ou privado, pela União, estados ou municípios, não sendo necessária a desapropriação das terras. No entanto, as atividades e usos desenvolvidos estão sujeitos a um disciplinamento específico. É o que diz a Lei. Mas entre o ser e o será existe o verbo.

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Ilha do Medo, o que vi foi o bastante e acho que nunca mais assombrarei seus fantasmas!

O primeiro do ano

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Depois de uns dias de ócio curtindo o mar da Ilha de Itaparica, enquanto o novo ano se acomoda no tempo, estou novamente por aqui para ir narrando o dia a dia da vida de um velejador de cruzeiro e contado coisas e causos da vida sobre o mar. Mas não se avexe, pois como diz a música: “…veleiro vai devagar…”. Hoje, 08/01, em Itaparica, o dia amanheceu com nuvens cinzentas cobrindo o azul do céu e um chuvinha resolveu molhar a terra para aguar os pés de manga e caju, os mais deliciosos símbolos do verão. Alias, caju é a pareia mais perfeita da cachaça, que também é puro verão. Tai, gostei da dica para curtir esse dia de céu nublado! Céu nublado? E essa foto de céu limpo que ilustra o post? Calma que eu explico: Esse foi o registro dos primeiros raios de Sol do dia 2 de Janeiro.