Arquivo da tag: Iguape

O grande mar – IV

IMG_0234

A Baía do Iguape é um mundo de água cercado por um vasto manguezal. Em suas margens se debruçam o município de Maragojipe e os povoados de Nagé, São Francisco do Paraguaçu, São Tiago do Iguape e outras povoações menores, além de pequenas ilhas, entre elas a do Francês, que divide o rio ao meio, e do Coelho, que tem um fundeadouro maravilhoso. A baía é rica em várias espécies de peixes, moluscos e mariscos, entre eles se destaca o camarão.

Iguape é uma RESEX – Reserva Extrativista Federal, com 10.082,45 hectares, ligada ao ICMbio. Grande parcela da população vem de origem quilombola e sobrevive da pesca artesanal, cultura do fumo e agricultura familiar.

A navegação no Rio Paraguaçu não oferece grandes perigos, mas é indicado estudar bem a carta náutica e seguir com atenção os waypoints demarcados. O problema maior são as redes de pesca que não são poucas, mas nada que um bom comandante não resolva. Continuar lendo

Anúncios

São Tiago do Iguape, um lugar imperdível

IMG_0072

Vamos lá: No dia 03 de Julho, na postagem “E nem choveu”, prometi contar qual foi o nosso destino depois que deixamos Salinas da Margarida e adentramos as águas históricas do velho Rio Paraguaçu. A imagem do Avoante ancorado em frente a uma igreja emoldurada por uma paisagem encantadora atiçou a curiosidade de muita gente. Confesso que desde que vi essa imagem em fotografias e roteiros náuticos da Bahia, fiquei tentado a navegar até lá, porém, por algum motivo alheio a razão, sempre deixei passar em branco a oportunidade, mas nunca abandonei a vontade. Dia desses o amigo e velejador baiano Haroldo Quadros me pediu para escrever um pouco sobre a Baía do Iguape e pronto, a vontade aflorou de vez.

IMG_0041 

São Tiago do Iguape, povoado pertencente ao município de Cachoeira e situado as margens da Baía do Iguape. Um lugar lindo e uma ancoragem mais do que perfeita para os amantes da vela de cruzeiro. Chegar até lá navegando é muito fácil e o canal, apesar de mais estreito do que grande parte do Rio Paraguaçu, oferece boa profundidade. Alguns waypoints precisam ser seguidos a risca, mas nada que ofereça maiores dificuldades e todas as coordenadas podem ser conseguidas em apenas um bate papo entre velejadores. Escrevi cinco textos sobre essa velejada que lavou a minha alma, mas por enquanto não posso publicá-los, porque foram escritos para a coluna dominical Diário do Avoante, que assino há mais de oito anos no jornal potiguar Tribuna do Norte, e a primeira parte sairá no próximo Domingo, 12/07. Na medida em que os textos forem sendo publicados prometo postá-los aqui.

IMG_0049IMG_0060 

Porém, não vou deixá-los com o doce na mão sem poder degustá-lo. Enquanto domingo não vem, contarei algumas passagens da nossa estadia e mostrarei algumas imagens desse povoado que nos deixou encantados e com planos de retornar muito em breve.

IMG_0033IMG_0039 

São Tiago do Iguape foi fundada em 1555 com a construção da primeira igrejinha construída pelos jesuítas. Os 460 anos de sua história contam um passado de prosperidade e declínio, como muitas cidades erguidas naquela época. A igrejinha virou Matriz, os jesuítas foram expulsos do Brasil, a economia vacilou e mudou de rumo, e a importante cidade do passado perdeu o prumo e o que era doce se acabou.

IMG_0020IMG_0053

O pequeno povoado, que se estende por trás da Matriz, vive da pesca artesanal, do dinheiro das aposentadorias e de pequenos comércios, como o de Dona Calú e Seu Jarinho. O casal nos foi indicado por velejadores baianos que outrora navegaram até Iguape. Calú e Jarinho são duas simpatias e fáceis da gente de apegar. Foi dito também que o lugar era rico em camarão e no dia seguinte a nossa chegada, recebemos a visita do Seu Lito, proprietário da canoa Carolina, outra simpatia e sempre pronto a ajudar o navegante, que nos ofereceu o crustáceo pego na hora. Fizemos a festa! Um fato engraçado foi que ele achou que éramos gringos, pois, segundo ele, há muito tempo não chega veleiro brasileiro em Iguape, somente estrangeiros. – Gringo, camarão!

IMG_0062IMG_0063 

Passamos três dias com o Avoante ancorado em frente a Iguape e o desejo era de ficar mais um bom pedaço, mas tínhamos que seguir viagem. O desembarque não é dos melhores, mas isso a gente releva com a maior boa vontade. Com maré baixa e como o fundo é de lama, o desembarque é muito desconfortável, porém, para não sujar os pezinhos, basta esperar a bordo, lendo um bom livro ou escarafunchando alguma manutenção de rotina, até que a maré cheia traga o conforto de um desembarque em grande estilo. Vou falar mais sobre o lugar, peço apenas que você tenha um pouquinho de paciência.

IMG_0014 

São Tiago do Iguape, um destino imperdível e um fundeadouro abençoado.