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O catamarã de velocidade – II

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Antes reiniciar essa prosa é preciso dizer por que batizei de “O catamarã de velocidade” essa série de crônicas: O nome é uma referencia ao nosso companheiro de tripulação Myltson Assunção, pois é assim que ele chama o Tranquilidade. Myltson é um regateiro apaixonado, saudosista e em qualquer barco que embarca ele vê velocidade, porém, ver é uma coisa e ter é outra. Claro que o Tranquilidade não é um barco lento, mas também não é um regateiro puro sangue. Ele é sim um catamarã super confortável e navegava maravilhosamente bem em mar aberto. Durante a nossa velejada eu escutei tanto essa expressão que resolvi nominar assim o relato da velejada.

Bem, como tudo foi explicado, vamos continuar nossa labuta com o mar, mas antes de seguir em frente vou lembrar que terminei a página passada comendo paçoca, arroz de leite, feijão verde, batata doce e regando a goela com uma cachacinha da boa.

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Ancorado na praia do Jacaré, lugar na Paraíba onde se festeja o pôr do sol, ao som de um sax, me ative nos sites meteorológicos para destrinchar os segredos do tempo, porque até ali a coisa estava bem esquisita. Dei uma olhada em vários sites e todos prometiam que o mar e o vento seriam os mesmos que havíamos pegado até então. Se é assim, tá bom!

No dia seguinte acordamos cedo, ligamos os motores, novamente abdicamos das velas e pegamos o beco em direção ao oceano. Em frente ao porto de Cabedelo tive a certeza que tudo seria igual ou pior do que tinha sido, porque o vento no raiar do sol já beirava a casa dos 22 nós de velocidade. Ao entrar no canal que leva barra afora, as ondas estouravam na proa e lavavam tudo por cima do barco. Pensei com meus botões: – Vai começar tudo outra vez!

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Para ser sincero: a coisa foi muito pior, porque de Cabedelo até próximo ao través da ilha de Itamaracá navegamos em um mar amalucado, com ondas entre 2,5 e 4 metros de altura e incrivelmente desencontradas. Mas não era um mar em que eu não estivesse acostumado a navegar nessa região, apenas estava esquecido, pois navegar na maciez do mar da Bahia deixa a gente assim meio sei lá. Porém, o BV 43 é um barco valente e tirou de letra os amuos de Netuno, até que o rei dos oceanos resolveu sossegar e nos deixou navegar com um tiquinho de paz até a barra sul da ilha da ciranda de Lia. Resultado, saímos de Cabedelo as cinco da matina e jogamos ancora na Barrinha dos Marcos as 19 horas e 30 minutos. Quatorze horas e meia para vencer pouco mais de 40 milhas entre os dois pontos. Achou muito? Eu também! Mas foi assim e aquele mar estava endiabrado.

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Bem, o ditado diz que depois da tempestade vem à bonança. Quem escreveu essa máxima eu não sei, mas sempre é assim. A Barrinha dos Marcos, no canal de Santa Cruz/PE é um lugar arretado de gostoso e um fundeadouro fantástico. É lá que mora um grande amigo, o navegador, fazendeiro e fazedor de bons amigos Elder Monteiro e sua amada Dulcinha. O casal quando soube que iríamos aportar por ali preparou uma recepção que dificilmente esqueceremos.

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Depois de jogar ancora, numa operação cheia de pra que isso, desembarcamos e embarcamos no possante branco do Elder para ir jantar na fazenda Belo Horizonte, onde Dulcinha esperava com uma mesa farta, como toda mesa de fazenda. O cardápio foi assim: Ensopado de caranguejo na entrada; arroz de pato e galo torrado como prato principal e para a sobremesa foi servido doce de leite de lamber os beiços. Foi uma noitada maravilhosa! Quando o sono começou a pesar sobre os olhos, pegamos a estrada e voltamos ao Tranquilidade que descansava preguiçosamente nas águas históricas do canal de Santa Cruz.

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Na manhã seguinte Elder colocou a lancha na água e foi nos ciceronear pelas belezas da região. Fomos a Coroa do Avião, saborear agulhinhas fritas, camarão e cerveja gelada. Apreciamos a beleza da arquitetura do Forte Orange, avistamos o casario de Vila Velha, onde Duarte Coelho mandou e desmandou, aceleramos a lancha próximo aos manguezais bem preservados da Ilha e desaguamos na praça de alimentação de Igarassu para saborear uma deliciosa e imperdível caldeirada, servida nos pitorescos restaurantes do lugar.

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Voltamos a bordo do Tranquilidade no finzinho da tarde para descansar o sono dos justos e preparar o ambiente de bordo para receber nossos anfitriões nas terras pernambucanas. Lucia preparou costela de porco ao molho agridoce, acompanhada de risoto de jerimum. Claro que vou dizer que o jantar foi delicioso. Mais uma noitada sensacional de bons papos e boas amizades.

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A madrugada foi de chuva fina, vento brando e sonhos. A Barrinha é o lugar!

Nelson Mattos Filho/Velejador

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Um porto que promete bons ventos

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É nesse lugar maravilhoso que está nascendo a mais nova marina do litoral pernambucano e tivemos a alegria de visitar, a convite do amigo e velejador Cleidson, conhecido no mundo náutico por Torpedinho, no mês de outubro passado. Conheci a Barrinha do Marcos, onde se localiza esse paraíso, quando adentrei a barra sul da Ilha de Itamaracá em 2011, participando do Cruzeiro Costa Nordeste – que teve duas edições e que temos boas lembranças. E para quem não sabe, Barrinha do Marcos tem até embaixador e embaixatriz, Elder Monteiro e Dulce, duas pessoas espetaculares que formam um lindo casal. Pow, pow, pow! 

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A Marina Angra da Ilha, nome que ainda está em fase de aprovação, já conta com uma pequena infraestrutura e pronta para receber o navegante. No futuro próximo contará com restaurante, pousada, docagem, guarda de embarcação em seco e escolinha de vela. Os proprietários trabalham para que tudo esteja funcionando até começo de dezembro e apostam que será o point do próximo verão. A Barrinha dos Marcos fica em um dos mais belos recantos do litoral de Pernambuco e tem a Coroa do Avião como destino desejado pelos os amantes de sol, mar e água fresca.

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Próximo a Barrinha fica o munícipio de Itapissuma – pedra negra na língua tupi –, onde fica a ponte, hoje batizada de Getúlio Vargas, que faz a ligação do continente com Itamaracá. A ponte foi construída pelos holandeses quando estes invadiram a capitania de Duarte Coelho e tomaram conta do pedaço. O nome Itapissuma vem das pedras moles que margeiam o Canal de Santa Cruz, que circunda a Ilha. O que antes era uma povoação indígena virou vila em 1588, com a chegada de uma missão dos padres franciscanos. O distrito de Itapissuma foi criado pela lei municipal nº 11, de 31 de novembro de 1892, subordinado ao município de Igarassu. Foi elevado à categoria de município pela lei estadual nº 8952, de 14 de maio de 1982. Para os que gostam da boa gastronomia brasileira, na cabeceira da ponte fica a praça de alimentação, um lugar aprazível, pontilhado de barzinhos e restaurantes, onde podemos saborear uma Caldeirada da melhor qualidade. Alias, Itapissuma é conhecida como a Terra da Caldeirada.

IMG_0149IMG_0150IMG_0152IMG_0146Torpedinho ainda nos ciceroneou para conhecer o distrito de Vila Velha de Itamaracá, a antiga sede da Capitania Hereditária, e que pode ser considerada a mais antiga vila de Pernambuco. Vila Velha de Itamaracá tem uma vista fantástica de toda a região. O povoado é cercada de uma vasta Mata Atlântica e foi lá que fui apresentado oficialmente ao Trapiá, árvore que por lá existem vários exemplares.

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Já que falei na Caldeirada de Itapissuma, não poderia deixar de falar nas tapiocas de Dona Idalice, na pracinha ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Dona Idalice se orgulha do dia em que foi entrevistada pela atriz Betty Faria e diz que vez por outra ela aparece para saborear a tapioca que é realmente uma delícia. Vila Velha tem história sim senhor e não poderia ser diferente, pois entre as árvores, pedras e recantinhos mais recônditos está gravada boa parte da história do Brasil e até um antigo e preservado pelourinho faz ecoar no ar gritos e gemidos das almas dos escravos ali castigados.

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Pois é, a Marina Angra da Ilha terá muito a mostrar para os navegantes que procuram lugares maravilhosos para ancorar e depois fazer um passeio pelos caminhos da história. O litoral de Pernambuco merece esse presente!

Notícias do CCN – VI

Barrinha dos Marcos - Igarassú (3) Depois de dois dias na Barrinha dos Marcos, onde assistimos a Buscada do Santo Padroeira, São Gonçalo do Amarante, que depois eu falo mais sobre o assunto, levantamos âncora das águas do Canal de Santa Cruz, às 6 horas da manhã do dia 18/01, aproveitando a maré de vazante e uma leve brisa de vento.

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