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Um porto que promete bons ventos

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É nesse lugar maravilhoso que está nascendo a mais nova marina do litoral pernambucano e tivemos a alegria de visitar, a convite do amigo e velejador Cleidson, conhecido no mundo náutico por Torpedinho, no mês de outubro passado. Conheci a Barrinha do Marcos, onde se localiza esse paraíso, quando adentrei a barra sul da Ilha de Itamaracá em 2011, participando do Cruzeiro Costa Nordeste – que teve duas edições e que temos boas lembranças. E para quem não sabe, Barrinha do Marcos tem até embaixador e embaixatriz, Elder Monteiro e Dulce, duas pessoas espetaculares que formam um lindo casal. Pow, pow, pow! 

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A Marina Angra da Ilha, nome que ainda está em fase de aprovação, já conta com uma pequena infraestrutura e pronta para receber o navegante. No futuro próximo contará com restaurante, pousada, docagem, guarda de embarcação em seco e escolinha de vela. Os proprietários trabalham para que tudo esteja funcionando até começo de dezembro e apostam que será o point do próximo verão. A Barrinha dos Marcos fica em um dos mais belos recantos do litoral de Pernambuco e tem a Coroa do Avião como destino desejado pelos os amantes de sol, mar e água fresca.

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Próximo a Barrinha fica o munícipio de Itapissuma – pedra negra na língua tupi –, onde fica a ponte, hoje batizada de Getúlio Vargas, que faz a ligação do continente com Itamaracá. A ponte foi construída pelos holandeses quando estes invadiram a capitania de Duarte Coelho e tomaram conta do pedaço. O nome Itapissuma vem das pedras moles que margeiam o Canal de Santa Cruz, que circunda a Ilha. O que antes era uma povoação indígena virou vila em 1588, com a chegada de uma missão dos padres franciscanos. O distrito de Itapissuma foi criado pela lei municipal nº 11, de 31 de novembro de 1892, subordinado ao município de Igarassu. Foi elevado à categoria de município pela lei estadual nº 8952, de 14 de maio de 1982. Para os que gostam da boa gastronomia brasileira, na cabeceira da ponte fica a praça de alimentação, um lugar aprazível, pontilhado de barzinhos e restaurantes, onde podemos saborear uma Caldeirada da melhor qualidade. Alias, Itapissuma é conhecida como a Terra da Caldeirada.

IMG_0149IMG_0150IMG_0152IMG_0146Torpedinho ainda nos ciceroneou para conhecer o distrito de Vila Velha de Itamaracá, a antiga sede da Capitania Hereditária, e que pode ser considerada a mais antiga vila de Pernambuco. Vila Velha de Itamaracá tem uma vista fantástica de toda a região. O povoado é cercada de uma vasta Mata Atlântica e foi lá que fui apresentado oficialmente ao Trapiá, árvore que por lá existem vários exemplares.

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Já que falei na Caldeirada de Itapissuma, não poderia deixar de falar nas tapiocas de Dona Idalice, na pracinha ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Dona Idalice se orgulha do dia em que foi entrevistada pela atriz Betty Faria e diz que vez por outra ela aparece para saborear a tapioca que é realmente uma delícia. Vila Velha tem história sim senhor e não poderia ser diferente, pois entre as árvores, pedras e recantinhos mais recônditos está gravada boa parte da história do Brasil e até um antigo e preservado pelourinho faz ecoar no ar gritos e gemidos das almas dos escravos ali castigados.

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Pois é, a Marina Angra da Ilha terá muito a mostrar para os navegantes que procuram lugares maravilhosos para ancorar e depois fazer um passeio pelos caminhos da história. O litoral de Pernambuco merece esse presente!

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Meu Clube no Diário do Avoante

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Aratu Iate Clube em uma tarde de inverno. Se quiser ver o seu clube no Diário do Avoante, envie uma foto para o email, avoante1@gmail.com com o título: Meu Clube.

Uma prosa e um dedinho de conversa

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Corriam os preparativos para uma regata nas águas do Rio Potengi quando, numa tarde de Sol de 2015, dois amigos bons de papo se programaram para participar da prova. A flotilha de Snipe voltou a se empolgar e cada treino é uma forma de conseguir mais adeptos. E assim o Snipe vai renascendo no Potengi.

No dia da regata, um dos participantes notou que um barco concorrente estava com as velas folgadas e por isso não conseguia avançar a contento. O observador fez o possível para chegar um pouco mais perto do veleiro quase parado no tempo e percebeu que a bordo estavam aqueles dois amigos, conhecidos proseadores, desses que falam mais do que o homem da cobra. Ele se aproximou, sem ser notado, colou o barco no outro, novamente sem ser notado, e esperou que algum dos tripulantes do outro barco desse uma pausa para respirar. Entre uma palavra e outra ele gritou: – As velas estão folgadas, por isso vocês não estão navegando bem.

Os tripulantes do barco abordado ouviram aquilo, olharam para as velas, se entreolharam e responderam: – Vixi, a gente nem tinha notado. Estávamos aqui numa prosa boa danada que esse detalhezinho passou despercebido. E a regata prosseguiu assim!

O Snipe é a base da fundação do Iate Clube do Natal, mas o tempo e algumas diretrizes alheias a razão fizeram com que a estrutura fosse se deteriorando, esquecida nas sombras empoeiradas de um galpão. Velhos snipistas recolheram as velas e em vez do grito forte de “áaagua” o que se ouve são lamentos e lampejos de saudosismo. De vez em quando, nos palanques festivos diante de autoridades, o Snipe é mencionado com ênfase de grandeza e voz impostada.

Infelizmente a vela não se renovou, mas isso não é culpa apenas dos que timoneiam o Iate Clube do Natal. Na grande maioria dos clubes náuticos brasileiros a vela passou a ser tratada como um esporte sem nenhum futuro pela frente. Os motores passaram a preencher os espaços nos pátios e a roubar a cena na água. Os adeptos dos motores assumiram o comando do timão dos clubes e levaram os velejadores a mendigarem por atenção.

Esporte a vela necessita de doutrina, trabalho, paciência, determinação e disciplina. Ele forma cidadãos com uma sólida base educacional e focados em bons valores comportamentais. Forma também jovens comprometidos com o meio ambiente e com ideais cooperativistas. Um barco a vela é um excelente laboratório para treinar equipes e desenvolver sistemas de liderança. Mas tudo isso está praticamente abandonado nas garagens náuticas ou se acabando ao relento.

Logo no nosso Brasil, onde tanto se reclama da falta de incentivos para a educação, do abandono das escolas, da falta de professores, da educação zero, das cadeiras quebradas, da falta de infraestrutura, do abandono da ética e etc… . Reclamamos, mas quando assumimos o comando de um clube náutico, que poderia contribuir com a educação e mudar o quadro social de gerações futuras, fazemos ouvidos de mercador e viramos as costas. E ainda abrimos a boca para dizer que não temos tradição náutica. Desse jeito não podemos ter nunca!

É preciso dizer que muitos barcos que pertenceram às escolinhas foram doados aos clubes por programas do Governo Federal. A grande maioria ainda está em poder dos clubes, que não sofrem nenhuma forma de fiscalização quanto ao uso e manutenção. Descaso, essa sim é a nossa tradição!

Não se faz educação da noite para o dia como bem quer um curso intensivo qualquer. Educação se faz com perseverança, boa vontade, insistência e determinação. Foi-se o tempo em que nosso país primava pela boa educação e ética nas escolas. Hoje, dizem os entendidos, o que importa é ensinar o aluno a ser competitivo na profissão e para isso qualquer malandragem é bem vinda.

A vela no Brasil teve seu auge de glória e excelentes velejadores. Os clubes brasileiros eram respeitados e equipados com os mais modernos barcos de competição. As escolinhas eram abarrotadas de alunos e os professores verdadeiros mestres. As regatas eram as festas mais importantes para os clubes e os campeões estaduais de cada classe gozavam de reconhecimento nacional.

Quem mudou esse quadro juro que não sei, mas sei que ele cometeu um atentado contra a educação brasileira e foi nacionalmente seguido por seus pares. Os clubes se transformaram em espaços voltados apenas para o interesse do sócio dito “social” e perderam o rumo. Hoje estamos diante de um incrível paradoxo: Em alguns clubes o proprietário de um barco não consegue ser admitido justamente por ser proprietário de um barco. A coisa está feia e vai piorar!

Torço para que os abnegados da flotilha de Snipe de Natal consiga ressurgir das cinzas e que nossos amigos, mesmo proseado, sigam navegando.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Iate Clube Barra do Cunhaú

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Foi uma bela festa a comemoração da posse do comandante Érico Amorim que assume o timão do Iate Clube Barra do Cunhaú nesse Sábado, 17/01. Infelizmente não chegamos a tempo para assistir a barqueata que coloriu as águas do velho rio Cunhaú e que deu vivas aos novos ventos que prometem agitar os mares do belo recanto potiguar que é a praia de Barra do Cunhaú. Érico que posa na foto com Lucia e o velejador Hélio Milito, depois da velejada de boas vindas ao novo comodoro, recebeu os convidados com um grande churrasco, cerveja gelada, cachaça da melhor qualidade e suculentos cajus. Nós que resolvemos tirar férias de 10 dias do Avoante e voltamos a Natal para abraçar a família e os amigos, não poderíamos deixar de prestigiar o evento e abraçar esse grande amigo. Deixo vocês com algumas imagens da festa:

Coisas do mar e seus encantos

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Clube náutico Angra dos Veleiro, no bairro da Ribeira em Salvador, retratado numa bonita noite de Céu limpo e Lua crescente.

Aratu Iate Clube homenageia velejador da Cape Town Rio 2014

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O Aratu Iate Clube homenageou Sábado, 08/02, o velejador, cria da casa, Leonardo Chicourel, mais conhecido no meio náutico como Leo Lacrau. Leo que participou da última edição da regata internacional Cape Town/Rio 2014, a bordo do veleiro carioca Mussulo III defendendo as cores do Team Angola, agradeceu a homenagem e contou um pouco do que foi a Regata, suas impressões positivas sobre o evento e discorreu emocionado sobre as terríveis condições meteorológicas enfrentadas pela flotilha no início da travessia e que culminou com a morte de um tripulante do veleiro Bille, que defendia o mesmo time do Mussulo III.

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A festa foi uma iniciativa do Comodoro Roberto Nadier, e do Pai do homenageado, o velejador Jean Chicourel, e levou uma grande legião de amigos e sócios do AIC as dependências do clube. 

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Logo após as homenagens teve início a festança com direito a muita música, churrasco e cerveja que durou até o finzinho da noite. Foi uma festa bonita e merecida em que um clube homenageia um dos seus membros. Momentos como esses não devem jamais passar em branco, pois são incentivos as gerações futuras de velejadores e perpetuam a história de um clube. Um clube náutico morre quando abandona seus ideais e vira as costas para o mar. O esporte a vela, que desde os primórdios da navegação foi a causa e o objetivo principal da criação dos iates clubes, precisa de renovação e as conquistas dos seus velejadores, por menores que sejam, precisam serem espalhadas, divulgadas nos murais e constadas nos anais dos clubes. Parabéns ao Aratu Iate Clube por sempre festejar momentos como esse com grandiosidade e Parabéns ao velejador Leo Lacrau, por elevar o nome do seu clube do coração.    

Regata com dendê

regata morro de são pauloPara os apaixonados por multicascos vem aí um evento arretado de bom e com sabor de dendê: X Regata Salvador/Morro de São Paulo, que acontecerá dia 15 de Fevereiro, organizado pelo Yacht Clube da Bahia e Clube de Vela Morro de São Paulo. A festa começa dia 14/02, com a reunião de comandantes e coquetel de abertura nas dependências do Yacht Clube. Para quem é do mar o verão na Bahia é uma festa.