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Estória de um pretenso futuro navegador – Primeiro capítulo

2 fevereiro (9)

No mês de Abril instiguei os velejadores, através do post Conte sua história, a escreverem a resenha de como começaram no mundo da vela. Sei que tem muita coisa interessante e muita curiosidade a ser contada, mas sei também que, sentar para escrever não é uma tarefa das mais fáceis. Mas tem nada não, pois nada precisa de pressa e, como diz a música, veleiro vai devagar. O comandante Wilson Chinali aceitou o desafio e vai inaugurar a seção Conte sua História em dois capítulos, já que ele se empolgou e escreveu quatro páginas.

 

ESTÓRIA DE UM PRETENSO FUTURO NAVEGADOR

                                                                                            Wilson Chinali 

Uma folha em branco, assim começa a estória, numa folha em branco. Nada dito, tudo por dizer, palavras são cometas viajando e sendo juntadas em áreas distantes e desertas no universo de nossas mentes… Aparentemente sem sentido ou organização, a imagem do caos! Assim começa A ESTÓRIA DE UM PRETENSO FUTURO NAVEGADOR, com foco na vela e nas estrelas.

Já nesse primeiro ponto existe um diferencial, incrivelmente maravilhoso, posto que seja real e preciso, porém, soa como se fosse um devaneio lúdico e desatento, irresponsável, mas é o máximo da concentração de um velejador… Pois a me ver compenetrado, absorto em meus próprios pensamentos, com o olhar fixo no nada, e perguntares: Por onde anda meu pensamento? Eu vos direi; – “Meu pensamento viaja com o vento entre as estrelas!” Ah que bela e magnífica frase! Continuar lendo

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HISTÓRIA DE PALHOÇÃO

A náutica é cheia de histórias que fazem a alegria dos velejadores nos palhoções e alpendres dos clubes espalhados pelo mundo. São as chamadas histórias de palhoção e é nesse alegre ambiente clubista onde acontecem as mais fantásticas velejadas, as mais terríveis tempestades, os mais fortes ventos, as mais altas ondas e onde ninguém nunca enjoou, quem enjoa é o outro. Mas a verdade é que no palhoção, banhado por litros e mais litros de cerveja gelada, as histórias são realmente muito engraçadas. Uma dessas histórias aconteceu no Iate Clube do Natal, anos atrás, e até hoje rende muita risada. 

Conta-se que um veleiro laser estava ancorado na prainha ao lado do clube e que ficava em frente a um terreno de uma unidade militar do Exército Brasileiro. Embaixo do palhoção, um velejador estava super entretido em tomar sua cervejinha quando apareceu um Soldado, armado até os dentes, e ordenou a retirada do barco daquele local. O velejador virou para o Soldado e disparou: – Não tiro. O Soldado vendo sua autoridade ser questionada, ajeitou o fuzil e ordenou novamente que o barco tinha que ser retirado imediatamente. O velejador, tomou mais um gole da cerveja e sem olhar mais para o Soldado falou: – Eu não tiro!

O Soldado fez uma cara de interrogação e se retirou do local para logo em seguida vir acompanhado do Cabo e mais outro Soldado. Apontou o velejador para mostrar ao Cabo quem era sujeito. O Cabo chegou perto do velejador e disse que ele tinha que retirar o barco. O velejador disse que já tinha falado que não tirava e ponto final. O Cabo deu meia volta e se retirou do local para voltar acompanhado do Sargento e mais dois soldados. O Sargento engrossou a voz e chegou arrebentando: – O  Senhor vai retirar o barco ou não vai? O velejador mais uma vez disse que não retirava de jeito nenhum. O Sargento disse que ia mostrar como ele retirava e foi embora.

Meia hora depois, lá vêm um jipe com um Tenente, o Sargento, o Cabo e mais dois Soldados. O Tenente se aproximou do velejador e falou: – Bom dia Senhor, o que esta havendo por aqui? O velejador respondeu: – Bom dia Tenente, mas para mim esta tudo bem. O Tenente então perguntou: – O Senhor desobedeceu a ordem do meu pessoal para retirar aquele barco da praia? O velejador falou que não tinha desobedecido nada, apenas que ele não tiraria o barco. O Tenente, muito educado perguntou: – Mas, porque? Aquela é uma área militar e o Senhor não pode parar aquele barco ali. O velejador deu mais um gole na cerveja e respondeu para o Tenente: – Tenente, eu não vou retirar aquele barco dali, porque ele não é meu. O Tenente fechou a cara, disse um muito obrigado e lançou um olhar travante para os homens sob seu comando e disparou: – PQP, vamos voltar para o Corpo da Guarda que eu tenho um acertozinho para fazer com vocês. O jipe saiu rasgando o chão e a partir daquele momento não apareceu mais nenhum Oficial.