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Cartas de Enxu 29

4 Abril (164)

Enxu Queimado/RN, 09 de julho de 2018

Mas Governador, porque danado você não veio a Enxu Queimado, homem de Deus? Se foi pelo motivo alegado, na entrevista a um blogueiro da região do Mato Grande, acho que foi fraqueza de sua parte. Onde já se viu um governador se intimidar com protestos, ainda mais protestos que impedem a passagem da mais alta autoridade de um Estado em viagem oficial para cumprir compromissos? Sei não viu! Se eram baderneiros, como você falou, mandasse a polícia desobstruir a via. Se eram moradores, reclamando melhorias prometidas e nunca realizadas, fizesse valer o bom diálogo democrático e desse por resolvido a peleja, mas não pisar no lugar, dando meia volta enquanto estava a mais de 60 quilômetros de distância, foi surreal. Será que o senhor estava de olho no regabofe da fama em São Miguel do Gostoso, para onde se dirigiu após decidir não vir aqui?

Mas tudo bem, ou tudo mal, sei lá, aquele 4 de julho era mesmo dedicado a São Tomé, o israelita, aquele que só acreditava vendo, e sendo assim: Eu não estava acreditando que o Governador do Rio Grande do Norte não viria a Enxu inaugurar uma obra tão importante para a população, tão significativa em termos de ganho para a saúde pública. Obra que esse pequeno povoado praieiro esperava há mais de 40 anos e que deve ter custado uma bagatela do orçamento do Estado. Pois é, o senhor não veio e água encanada de boa qualidade foi liberado sem o tradicional “batismo” oficial. Dizem que quem não é batizado vira pagão. Será que o senhor vai permitir que a água encanada de Enxu Queimado, liberada em 04 de julho de 2018, siga pela história com essa mácula? Água pagã? Faça isso não governador Robinson Farias, deixe de birra e venha cumprir sua obrigação.

Dizem que certa vez o presidente Juscelino recebeu uma sonora vaia ao chegar a uma cerimônia oficial, mas não perdeu a pose e nem sua condição de líder popular, que sabia decifrar a linguagem do povo, ao declarar: “feliz é a nação que pode vaiar seu presidente”. Bastou dizer isso para os aplausos comerem no centro. Governador, tem um ditado que diz que “triste é o poder que não pode”. Não o poder de fazer e meter os pés pelas mãos em atos escusos, mas o poder do bem fazer, de proporcionar melhorias, de caminhar de cabeça erguida em meio a população sem ser apontado por algum dedo acusador, de ter a alegria de prestar contas de seus atos e esses estarem limpos e transparentes. Pois é Governador, o presidente Juscelino Kubitschek, com maestria, mudou o rumo de um momento delicado, pois tinha absoluta certeza do poder que tinha. Não que a história do mito de Diamantina não tivesse fases obscuras, mas ele entrou para a história de cabeça erguida e desfazendo obstáculos.

Claro que o senhor lembra do episódio com o deputado Ulisses Guimarães, oposicionista e líder do MDB em plena ditadura militar, quando caminhava com o grupo de campanha pelo centro de Salvador/BA e deu de cara com uma barreira formada por soldados armados de fuzis e segurando cachorros. Sem aliviar os passos, Ulisses disparou: “Respeitem o presidente da oposição”. Sendo assim, empurrou o cano de um fuzil para o lado, abriu caminho e seguiu em frente com o grupo que o acompanhava.

Pois é, governador Robinson, fico aqui pensando na sua não vinda a Enxu Queimado com medo de enfrentar manifestantes, que nem eram tantos assim. O que terá passado por sua cabeça? Será mesmo que o senhor achava que a população dessa praia linda e maravilhosa iria rechaçar sua vinda, ainda mais sendo para dar vida a um sonho antigo? Os meninos que estavam na “barreira” têm suas magoas, mas não são meninos maus a ponto de pretender agredir um governador. No máximo o senhor levaria uma sonora vaia e quem sabe uma chuva de ovos, porém, isso faz parte do enredo dos regimes democráticos. Dizem, que não ouvi, que uma de suas promessas de campanha por aqui, foi que traria a água e faria o asfalto na estrada que liga Enxu a Pedra Grande, sede do município. A promessa da água está cumprida, mesmo sendo uma água pagã, mas o asfalto foi esquecido e é justamente aí que o bicho pegou, porque a estrada, que o senhor não viu porque desistiu de vir, está em estado lastimável, para não dizer outra coisa. Aliás, não viu a estrada e também não viu as belezas da região, não viu o maravilhoso parque eólico, a fábrica de torres, não viu a beira mar que precisa de ações urgentes, pois Netuno ameaça invadir com seus exércitos, não visitou uma comunidade alegre e em paz. Em paz sim, pois neste paraíso ainda não chegou a tal violência que assombra seu governo. Não sentou na beira mar, sobre uma jangada, para bater um papo descontraído com essa gente feliz. E o pior, não sentiu o sabor de uma suculenta posta do peixe serra, acompanhado de uma cerveja gelada. Eita que é bom demais, homi!

Venha governador Robinson Faria. Venha sem medo e inaugure a obra por seu governo construída. Se o povo tiver de cara feia, desça do carro, abra um sorriso e chame os meninos para uma conversa de pé de ouvido, que garanto que serás bem-sucedido.

Nelson Mattos Filho

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Veredas

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Há muito planejo levar esse blog por estradas não tão salgadas, mas sempre que tento apertar o passo, bate um certo rebuliço nos miolos e retorno correndo para as veredas oceânicas, onde as coisas são mais normais e menos letais. – Mas por que não? – Pois é, por que não? – Bem, vou tentar! O Rio Grande do Norte, o meu torrão natal, tem algumas particularidades que merecem estudos relevantes, mas antes que baixe o santo guerreiro na alma dos caboclos bairristas, digo que o Brasil inteiro precisa sim de um reestudo e esse precisa vasculhar as entranhas. Porém, para não meter a bota no terreno de ninguém e cada um que cuide do seu terreiro, vou me apegar apenas aos limites do mapa do elefante, pois isso já me basta. Rapaz, o ufanismo papa jerimum é delirante e ai de quem duvidar. Dia desses, observado a discussão de um grupo de cidadãos, escutei a seguinte pérola dita com um entusiasmo sem precedentes: “…meu amigo, o RN é um estado rico, tão rico que estamos em primeiro lugar em violência.” Levantei a vista, respirei fundo e saí de fininho para não ter que falar besteira. – Sim, mais e aí? – Calma que isso foi só para engrenar! – Agora vou passar a segunda. A imagem que abre essa postagem desinteressante é da estrada RN 120, que corta os sertões da região do Mato Grande, bastaria ela para mostrar o descaso que estou cheio de dedos para comentar. – Homi, deixe de coisa e desembuche logo! Pois bem, a RN 120 é o próprio descaso , ou melhor, é o retrato da “importância”, para não dizer o contrário, que nossos governantes dão ao festejado progresso. As margens dessa rodovia está sendo erguido um dos maiores parques eólicos do país e por ela circulam diariamente dezenas de super carretas, carregadas de monstruosos equipamentos. Além das carretas, centenas de caminhões menores e outra centena de automóveis disputam o mísero espaço de uma estrada que não oferece a mínima segurança para o tráfego a que está submetida. Não tem acostamento, é estreita, não tem sinalização adequada, precisa urgentemente de recapeamento, animais pastam nas margens ou passeiam no meio da pista, não tem policiamento e tudo funciona ao deus dará. É uma lástima! Na minha singela e desimportante opinião, a melhoria da estrada era ponto primordial para a instalação do gigantesco parque eólico e não submeter os usuários as agruras dos inevitáveis acidentes e sustos. O que acontece na RN 120 é um desrespeito, uma irresponsabilidade, uma falta de vergonha na cara, um desgoverno e tudo aliado a leniência dos órgãos de fiscalização. Pronto, falei!