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O Pato no Tucupi

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Adoro um bate papo em volta da mesa após as refeições em família e amigos, porque é nessas horas que fluem os mais animados e variados assuntos e as boas recordações da vida. Foi em um desses encontros pós-jantar, que minha Mãe comentou uma viagem que fez com meu Pai, a Belém do Pará, e lembrou do prato que pediu.

Meu Pai só sabia pedir um tipo de prato e era engraçado observá-lo passear o olhar pelo cardápio, que para alegria momentânea do garçom, começava logo pela folha dos mais caros, e após pedir explicações detalhadas sobre a receita, cravava um “x” no velho e bom filé com fritas e arroz. Nessas horas minha Mãe dizia: – Nelson, não sei porque você pede o cardápio, pois só sabe pedir isso. Ele apenas sorria. Pois bem, em um restaurante na capital paraense, Ele foi no “filé de sempre” e Ceminha pediu o famoso Pato no Tucupi, prato tradicional da cozinha do Pará e um dos mais pedidos durante os festejos do Círio de Nazaré, manifestação religiosa em devoção a Nossa Senhora, que reúne no segundo domingo de outubro cerca de dois milhões de pessoas pelas ruas de Belém. Diante da escolha de minha Mãe, papai comentou: – Cema, você quer isso mesmo? – Claro que quero! A gente chega em um lugar diferente, tem de pedir o prato tradicional. Ainda mais que sou acostumada a comer pato. Já comi torrado, ao forno, cozinhado. Gosto de pato e agora vou comer no tucupi. Meu Pai balançou a cabeça, pediu uma cerveja para espairecer o calor do Pará e disse: – Tá certo!

Entre uma cerveja e outra e umas juras de amor juramentadas, surge o garçom com as bandejas e põe a comida na mesa. Papai conferiu o filé, lambeu os beiços, pegou os talheres e antes de traçar o suculento bife, olhou para Ceminha que mirrava o prato de maneira esquisita, com um pedaço do pato boiando naquele molho branco, coberto por umas folhas de jambu, um cheiro saído das ocas indígenas e perguntou: – O que foi Cema, não gostou da escolha? Ela respondeu assim meio sem graça: – Gostei muito não, acho que vou comer um pedacinho do seu filé!

Pois é, a aventura gastronômica de Ceminha no restaurante paraense não foi das melhores, mas ela tem toda razão quando diz que devemos sempre provar as comidas típicas dos lugares que visitamos. Como dizer que fomos ao Pará se não provarmos o Pato no Tucupi e nem o Tacacá, outra iguaria típica, de origem indígena, a base de tucupi, goma de mandioca, jambu e camarão seco, uma mistura exótica e de sabor inigualável? Como ir a Bahia e não comer uma moqueca ou um acarajé? Fica difícil, não é? Agora, queria saber se algum dia Ceminha desse um giro pelo continente asiático se iria provar uns espetinhos de escorpião, umas larvas cozidas ou mesmo umas baratas fritas. Eca, Deus é mais!

Nelson Mattos Filho

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Sabores do Rio Grande do Norte

172418Ginga com tapioca é uma das mais saborosas iguarias da cozinha potiguar e ganharia disparado qualquer concurso brasileiro, tipo, comida de barzinho. O prato é típico dos bares do Mercado Público da Redinha e a Redinha e uma praia do litoral norte do RN, famosa pelos antigos e bons tempos de veraneio. A velha e boa prainha hoje anda meio esquecida embaixo de uma ponte monumental, mas tem muito a oferecer aos que procuram suas belezas banhadas pelas águas do rio e do mar.  Quem já foi a Redinha e teve o prazer de se deliciar com o inigualável sabor da Ginga com tapioca sabe que é coisa dos deuses e quem ainda não provou, não sabe o que está perdendo. Pois bem, vejo nos portais de notícias que o Mercado da Redinha irá receber assessoria dos alunos de uma universidade potiguar, em parceria com a Secretaria Municipal de Turismo, para preparar os proprietários e funcionários dos bares e restaurantes, em cursos de qualificação no atendimento e manuseio de alimentos, com o objetivo de preparar o ambiente para um Festival de Ginga que deverá acontecer em breve. Fico matutando com meus botões: – Será que vão repaginar a Ginga com o modismo das comidas de chef? Valei-me Iemanjá!     

Peixe conservado ao Sol

IMG_20160726_001357Quem anda ou já andou pelas localidades pesqueiras no litoral mundo afora já se deparou com peixes e frutos do mar salgados e secando expostos ao Sol, criando uma cena que encanta pela beleza e rusticidade. A conservação de alimentos é um problema desde que o homem se entendeu de gente e quando se trata dos seres do mar, o problema se torna ainda mais desafiante. Claro, com o advento da refrigeração a conservação dos alimentos deixou de ser problema, mas em muitas culturas a conservação ainda se dá pelos métodos tradicionais e, posso até afirmar, em muitos países já existe o incentivo da volta as origens. A técnica de secagem ao Sol é de uma simplicidade encantadora, porém, demanda tempo, planejamento e conhecimento para decifrar os sinais emitidos pela natureza, coisas que os pescadores e habitantes das vilas pesqueiras do litoral entendem como ninguém. Recentemente estivemos no distrito de São Tiago do Iguape, município de Cachoeira/BA, para Lucia aprender o processo de defumar o camarão, ingrediente que dá o sabor inconfundível ao verdadeiro acarajé da Bahia, visita que relatei no post “De volta a São Tiago do Iguape”. Foi uma visita proveitosa em todos os sentidos, pois revivemos a primeira visita que fizemos a São Tiago, a bordo do Avoante, abraçamos pessoas da nossa mais alta estima e conhecemos, além da defumação do camarão, um pouco do processo baiano de conservar peixes ao Sol, que em nada difere do método utilizado em outras partes do Brasil e do mundo e que tem na China e o Sudeste Asiático os  maiores produtores e consumidores. O processo é simples e se baseia em técnicas rudimentares em que o peixe e tratado, retirando as vísceras, salgado, colocado em um secador feito em cipó, ou sobre uma lona, estendido ao chão, exposto aos sol e ao vento, até perder a umidade. O cheiro e o sabor ficam bem mais acentuados, mas nem por isso o pescado perde em qualidade. Pelo que se observa nos rumos tomados pelos mais afamados chefs de cozinha, já existe uma tendência ao retorno as origens da gastronomia. A boa mesa quando retorna aos seus fundamentos fica saborosamente mais charmosa, espalha no ar um odor apaixonante e nos faz sonhar com épocas mais humanas e tranquilas, em que a mesa da vovó era o território sagrado dos deuses. Por falar nisso: – Retirando o bacalhau da lista, você já saboreou algum prato preparado com peixe secado ao Sol? Fonte de pesquisa: mytaste.com.br    

Vivendo o mar e os amigos a cada dia

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Esse Diário é assim mesmo, de vez em quando dá uns bordos mais longos e navega pelo cotidiano das cidades. Mas a escolha de morar a bordo de veleiro não leva ninguém a viver isolado do mundo urbano e quando se tem muitos amigos, ai é que não se consegue mesmo levar uma vida de ermitão dos oceanos. Por isso mesmo tento aproar o blog para os mais diversos assuntos e assim vou bordejando quando noto que a rotina tenta tomar gosto. São tantas coisas para falar que as vezes elas se perdem nos arquivos secretos de minha alma e quando dou por mim, tenho que sair procurando em meio a um embrulhado de assuntos novos e antigos. Acordei nessa quarta-feira, 15/07, pensando numa deliciosa panela de Cassoulet que saboreamos na casa dos amigos do veleiro baiano Ondine, Gomes e Lia. Pois é, aquele Cassoulet estava dos deuses e acompanhado de cerveja gelada a coisa subiu mais um degrau no pódio. O prato é de origem francesa e é feito de várias maneiras, porém, o mais tradicional é com feijão, carne de pato, carne de porco, linguiça e salsichas. Na receita de Lia, o pato foi substituído por galinha e, como eu nunca comi o Cassoulet francês, achei uma delícia o abrasileirado. Mas não era somente isso que eu queria falar, pois queria mesmo era puxar assunto para dizer o seguinte:   

Capa do livro Vivendo o Mar a Cada Dia Em 2011, Lia lançou a primeira edição do livro Vivendo o Mar a Cada Dia – de Salvador a Ilha Bela na esteira do Ondine, em que conta a navegada que fizeram em flotilha com o veleiro Tô Indo, do casal Gerson e Lili. Uma leitura gostosa e imperdível sobre um dos mais belos trechos do litoral brasileiro e parafraseando o amigo Hélio Viana, blog MaraCatu – de onde pesquei a imagem do livro – : Duvido que você não leia de um folego só! Mas vou logo avisando que a receita do Cassoulet não está no livro.  

Steak Poivre somente no Restaurante Mar Sereno

 Steak Poivre REST MAR SERENO (6)A mais bela paisagem de Natal, o melhor da gastronomia, o lugar mais aprazível, segurança, tranquilidade e o prazer de bons papos com os amigos, tudo isso você encontra no Restaurante Mar Sereno que funciona no Iate Clube do Natal. Um cardápio variado e que prima pela qualidade dos pratos bem servidos é uma das marcas do Restaurante Mar Sereno sob o comando do Chef Romildo. Um dos pratos preferidos, e carro chefe da casa, é o delicioso Steak Poivre, um filé ao molho madeira com pimenta do reino, cebola, batata cozida, purê e arroz. O Mar Sereno funciona de Terça a Domingo e nas Terças, Quartas e Quintas ainda tem a beleza do excelente e renomado Projeto Pôr-do-Sol do Potengi.