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Nas veredas das dunas – II

7 Julho (60)

Para quem não viu a primeira parte, ou viu e não lembra, click AQUI

Iniciei esse relato em agosto de 2017 e só agora dei fé que não conclui, ou foi simplesmente por achar que a cidade praia de Galinhos não merecia receber palavras tão críticas de minha parte, ou por receio de meter os pés pelas mãos e não ser compreendido pelos vigilantes internéticos da razão. Bem, foi por algum motivo justo, mas agora, com os miolos uns meses mais velhos e teoricamente mais apaziguadores, vou dar seguimento e darei graças se encontrar na cachola os arquivos sem um tiquinho de mofo. Contar relatos idos não é coisa tão boa assim, até porque as coisas mudam ligeiro e nesse mundão sem freio e sem memória, as pessoas se avexam a esquecer os problemas e tudo fica como foi ou como está. Mas vamos lá!

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Terminei a primeira parte envolvido em um turbilhão de reflexões enquanto observava a paisagem do portinho de Galinhos, mas digo que não me encontrei naquela paisagem e nem senti o pulsar da alma da antiga vilazinha peninsular. Mas deixe quieto! Afonso acelerou o possante e fomos saindo de fininho, porém, desejosos de saborear as famosas tapiocas de Dona Irene, no minúsculo distrito de Galos. O sabor daquela delícia, que tem receita cravada nos compêndios gastronômicos dos deuses, nunca me saiu da memória e nunca haverá de sair. Paramos em frente ao restaurante e encontramos a proprietária com a mesma fisionomia alegre a nos receber. Lucia perguntou se ela ainda lembrava da gente, mas já esperando o não como resposta, pois tantas pessoas passam diariamente naquele recanto que fica complicado puxar a fotografia nos arquivos da mente. Com aquele riso amarelo de quem passou despercebido, olhei em volta, mas também achei que havia algo estranho naquela casa de sabores. O que deveria de ser? Foi aí que Lucia deu a informação que custei a acreditar: – A tapioca não está mais sendo servida! – O que? – Como assim? – Acabou a goma por hoje? – Não, a tapioca saiu definitivamente do cardápio, porque os filhos de D. Irene, que agora administram o restaurante, não querem mais fazer, porque dizem que os clientes só vinham aqui para comer a tapioca e não pediam outros pratos. Portanto, não tem mais tapioca. – Danou-se!

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Procurei lembrar dos fundamentos que aprendi no meu curso de administração, nas ações de marketing que utilizei nos estabelecimentos empresarias em que trabalhei, tentei puxar das teorias dos livros técnicos que li e me arvorei até dos reclames do rapaz que vende o picolé de Caicó, mas não encontrei nada que desse guarida aquela decisão tão extremada. A única coisa que chegou mais perto foi a lembrança do conto de um senhor que vendia cachorro quente na beira da estrada e seus filhos, que conseguiram se formar, conseguiram acabar com um negócio alegando teorias estapafúrdias. – Rapaz, não é possível que tenha acontecido a morte daquela maravilha dos deuses! Para recuperar do susto, pedi uma cerveja para desanuviar as ideias e tomei numa golada só. – Pense numa viagem cheia de surpresas desagradáveis!

7 Julho (76)

Sem a tapioca de Dona Irene, mas com o bucho forrado por uma peixada, que não recomendo, fui para a beira do rio fotografar a bela paisagem que se amostrava faceira. – Eita lugar bonito e tão incompreendido! Meio sem graça, pegamos o beco de volta enquanto a luz do Sol alumiava a fantástica natureza das dunas e do mar, produzindo cenas de fascinante esplendor. Para aqui, para ali, sobe duna, desce duna, chegamos a Caiçara do Norte, com o astro rei já clareando a barra do outro lado do mundo. Para evitar novas surpresas e visando a segurança e tranquilidade do nosso passeio, preferimos seguir caminho pela RN 120, até a sede do município de Pedra Grande e de lá tomar o rumo de casa, onde chegamos com noite escura e um pouco cansados.

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Não se avexe em tirar conclusões precipitadas diante de tudo que escrevi nesse relato, pois ele é fruto de observações acontecidas há praticamente um ano e em um ano, tudo pode ter mudado, ou voltado a ser o que era. Pode até ser que seja um relato bem crítico, mas é sempre assim quando voltamos a um lugar que um dia nos encantou e não mais encontramos o encanto e nem a poesia ali desenhada. A praia de Galinho é um dos mais concorridos destinos turísticos do Rio Grande do Norte, tem um povo acolhedor, bons restaurantes e pousadas aconchegantes.

7 Julho (82)

A natureza que envolve a península continua encantadora, apesar da presença das invasoras torres dos geradores eólicos. Mas a invasão do exército eólico não é apenas em Galinhos, a intervenção se dá em praticamente todo litoral norte do RN. Não é o caso aqui de denegrir o progresso que representa o aproveitamento da energia dos ventos, mas bem que ele poderia trazer melhores resultados para as populações envolvidas e não enfeiar tanto a paisagem. Mas aí é outra história.

7 Julho (92)

– Valeu a viagem a Galinhos? – Valeu e qualquer dia eu volto!

Nelson Mattos Filho

 

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E o Orion se foi!

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Lucia costuma dizer que os piores dias de minha vida é quando eu vejo um veleiro partindo e eu vou ficando nas pedras do porto. O pior é que ela tem toda razão! Nesses últimos dias eu já tive um punhado de dias ruins e tomara que eles não se estendam por muito tempo. Hoje foi a vez de entregar o cabo para mais um veleiro que estava ancorado em Natal e que partiu no rumo do vento, o veleiro Orion comandado pelo Kiko Pellicano. Kiko e Cris, passaram mais de um mês em Natal, enquanto o Orion passava por uma breve reforma com o Skipper e exímio mestre em manutenção náutica Joca. O Orion saiu no rumo do Caribe, mas antes, Kiko pretende arribar para entrar em Galinho/RN, Camocim/CE e onde mais der na telha. Se depender dos escritos do casal Bel e Bob, veleiro Bicho Vermelho, que Kiko anda debaixo do braço, essa viagem vai ter mais de uma dúzia de paradas somente no litoral norte do Brasil. O Bicho Vermelho entrou onde deu e onde não deu em 2001, e os relatos dessa viagem são interessantes e extremamente apetitosos para qualquer velejador de cruzeiro. Boa viagem e bons ventos ao Orion!

Aventuras de um Capitão Amador

Numa viagem de carro que fizemos a Caiçara do Norte/RN em Julho deste ano, me encantei com o fundeadouro perfeito que aquele mar proporcionava. Os muitos barcos de pesca ancorados, a duna branca que se esparramava na praia, a bela arquitetura do farol, o convidativo banho de mar e o gostoso vento alísio, formavam o conjunto para construção do convite. Na volta a Natal comentei com o comandante Erico Amorim das Virgens que pretendia velejar até Caiçara do Norte e depois estender a velejada até a Praia de Galinhos. Erico pegou a idéia no ar e logo a transformou num grande motivo para reviver uma bela página da história do Iate Clube do Natal, quando o então ex-governador do Rio Grande do Norte e fundador do iate clube, junto com dois amigos velejadores, velejou de Natal a Fortaleza/CE. A história que reviveu toda essa aventura foi contada por Erico Amorim  nas páginas do Jornal Tribuna do Norte com o título: A arte de reviver as aventuras. Clique em cima do título sublinhado e navegue também nessa história.