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Fortaleza é linda sim, e vale a visita

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A foto acima é do mar do Ceará, lindo por natureza, o mesmo mar em que dia desses o mundo náutico brasileiro se ouriçou com um vídeo onde o autor denunciava um assalto a um veleiro, seguindo de roubo, acontecido na ancoragem em frente ao Iate Clube de Fortaleza, numa área onde todos esperam ser bem policiada, porque fica em frente a Capitania dos Portos e Polícia Federal, mas que nunca foi e, a depender da disposição das autoridades, dificilmente será. Aquela ancoragem há muito é insegura e desde que entrei no mundo do mar, em 1998, já escutava as mais escabrosas histórias ali ocorridas. Dizem que se um veleiro ancorar pela manhã e assaltado a tarde, se ancorar a tarde é assaltado a noite e assim sucessivamente. É realmente um problema sem solução e agora, diante de toda essa bandalheira que assola o país, a coisa, que já era sem controle, perdeu definitivamente as estribeiras. Os costumeiros assaltos na ancoragem de Fortaleza/CE é uma pena, mas não deve ser motivo para o navegante abortar a ida até lá, porque a cidade dispõe do Marina Park Hotel, que apesar de ser um hotel cinco estrelas, a marina deixa muito a desejar, mas é segura e tem o gerente, Armando, imbatível na recepção e se desdobra para o visitante se sentir em casa. A insegurança gerada na ancoragem pública do Ceará é uma pena, pois a capital alencarina é de uma beleza sem igual e o cearense é um povo acolhedor e de invejável calor humano.

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O Mara Hope e o mar do Mucuripe

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Quem chegava pela primeira vez a cidade de Fortaleza/CE navegando e aproava o Hotel Marina Park, onde se localiza a marina, ficava intrigado com a carcaça enferrujada de um navio sobre um enorme banco de areia, mas não tinha como o navegante fugir daquela visão fantasmagórica, porque o navio serve de excelente balizamento para a entrada da marina, além de que, pontua com exatidão o banco de areia. O casco, ou o que sobrou dele, é do navio Mara Hope, um gigante petroleiro que em 1985 escolheu as terras de Iracema, a virgem dos lábios de mel, para seu descanso eterno. A história do petroleiro é bem carregada e nos leva a navegar pelos manuais das superstições que habitam os oceanos e o coração de velhos e novos marinheiros. Construído em 1967 na Espanha, foi batizado inicialmente como Juan de Austria. Em 1979 foi rebatizado como Asian Glory e somente em 1983 passou a se chamar Mara Hope. E foi justamente em 1983 que o gigante dos mares pegou fogo quando estava ancorado em Port Neches, Texas, e como consequência, os moradores das imediações do porte tiveram que ser evacuados, porque corria risco de explosão. Eh! Existe uma velha superstição marinheira que não se muda nome de uma embarcação. Será verdade? E como danado o navio veio parar no Ceará? Vamos lá: Em 1985 o chamuscado petroleiro estava sendo rebocado para o desmanche numa praia qualquer asiática, quando o rebocador Sucess II – contratado para a operação – sofreu avarias na costa do Brasil e foi dar no litoral do Ceará. Sem sucesso na empreitada o Sucess II foi encaminhado para o estaleiro e o Mara Hope ficou ancorado ao largo, quando uma forte tempestade rompeu suas amarras e o navio derivou para cima do banco de areia, que ficava em frente ao estaleiro onde estava o rebocador avariado, e de lá não saiu mais.  

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Isso foi há trinta anos e de lá para cá, o casco faz a vez de ponto turístico na capital alencarina e diariamente várias empresas oferecem passeios até próximo ao naufrágio e grupos de mergulhadores fazem a festa em meio aos corais que se formaram sobre as ferragens submersas. Na semana passada um grupo de artistas fez um mutirão para colorir as ferragens do que restou do navio, criando uma nova cena para o turismo local. Se ficou bonito eu não sei, pois não vi as fotos da obra terminada, mas achei uma ideia muito criativa e que serve de inspiração para outras embarcações que estejam nas mesmas condições. Agora fica aqui um aviso aos navegantes: O Mara Hope não é mais um pedaço de navio enferrujado e fiquem atento ao colorido. Fontes: G1 Ceará; blog Mar do Ceará; Wikipedia

Uma viagem para poucos – I

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No mundo da navegação algumas rotas são cercadas de mitos, lendas, histórias, mistérios e algumas pitadas de criativas narrativas. O mar, por si só, sempre foi uma grande fonte de interrogação para o homem e por mais que a ciência tente desvendar os segredos submersos e invada os oceanos com novas tecnologias, os deuses marinhos sempre se mostram soberanos e imunes às novidades dos humanos. A natureza é dotada de infinita grandeza.

Na semana de 11 a 18 de Agosto de 2014 fomos convidados a fazer parte da tripulação do veleiro Argos III na travessia entre Fortaleza/CE e Cabedelo/PB, um trecho de pouco mais de 340 milhas náuticas, mas dependendo de alguns meses do ano, como Julho, Agosto e Setembro, a medida do percurso pode se transformar em uma incógnita de tamanho e alguns respingos salgados de sofrimento. No nosso caso, mês de Agosto, o pior deles. Convite aceito de pronto!

O Argos III é um catamarã de 30 pés, pouco mais de 9 metros, novinho em folha e construído em São Luiz do Maranhão. A travessia de Fortaleza a Cabedelo seria a segunda perna de sua viagem inaugural e participar do começo da história de um barco deixa a gente cheio de vontade. Continuar lendo