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Mais um

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Essa imagem é de um navio naufragado em Fortaleza/CE e que precisa ser observado quando traçamos o rumo para chegar até a Marina Park Hotel, lugar indicado  para se ter uma ancoragem segura na capital cearense. Quem vem do Sul é preciso deixar o naufrágio por bombordo, além de observa o banco de areia que está bem demarcado na Carta Náutica.

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A atracação no píer da marina, que fica nas dependências de um dos mais luxuosos hotéis da cidade, é uma lástima, porque os flutuantes de ferro, que servem de píer, oferecem perigo eminente aos usuários e as próprias embarcações. Fortaleza é uma cidade linda e maravilhosa, o Hotel é muito bom, o Armando Banzay – encarregado da marina – uma pessoa fantástica e amiga, mas atracar por lá, somente com muito boa vontade. Mas o assunto desse post é outro.

image_mini Navegando no Noonsite.com – site que se propõe a dar informações essenciais a todo aquele que queira navegar por ai a bordo de um veleiro – li a notícia que o veleiro Schooner Windjammer, de bandeira australiana, sofreu uma tentativa de assalto na madrugada do dia 02 de Fevereiro, enquanto estava ancorado próximo ao naufrágio na espera de clarear o dia e atracar na Marina Park. O relato do comandante do Windjammer narra que um tripulante escutou a movimentação dos bandidos e deu o alarme. Os tripulantes lutaram com os bandidos e estes fugiram sem levar nada. Esse não é o primeiro caso ocorrido em Fortaleza é apenas mais um e zero de providências. 

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Nas águas de Iracema

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Não sei onde fica a fronteira que me separa do mar, mas essa é uma busca que ainda não iniciei e espero que ela passe longe das Cartas Náuticas que traço as rotas de minha vida.

Foi pensando coisas assim que cumpri meus turnos de comando a bordo do veleiro Tranquilidade, de São Luiz/MA a Natal/RN. Eram pensamentos que confirmavam minha grande paixão pelo mar e que invadem a minha alma com a grandiosa paz de espírito que somente as águas do mar sabem a receita.

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Contando quase tudo e agradecendo

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Como prometido no post O TRANQUILIDADE JÁ ESTÁ EM CASA, aqui vai o diário de bordo da nossa navegada de Fortaleza/CE a Natal/RN

Saímos de Fortaleza às 12 horas da Quarta-Feira, 20/06, com tempo bom, mar melhor ainda e vento soprando lá pelos 17 nós, mas como sempre, vindo diretamente em encontro a proa do Tranquilidade. Mais uma vez os motores funcionando a todo vapor e a gente tendo que aguentar o ronco. Fazer o que? Três aviões da Força Aérea Brasileira surgiram voando baixinho no horizonte, dando um belo espetáculo. Os bichos voavam rente ao mar e quase na altura do nosso olho. O mar do Ceará estava enfeitado com uma bela roupagem azul e deixando para trás as rasas águas maranhense. Foi assim que navegamos o restinho do dia e entramos a noite já aproando as belas dunas de Canoa Quebrada, mas o vento festejou a noite soprando forte e mostrando que ali era o terreiro dele. 28, 29, 30 e mais alguns nós de lambuja. Com todo esse festeiro de arromba, o mar resolveu entrar na festa arrepiando as ondas. Bom demais! O dingue, que vinha preso na targa de popa, chiou com toda essa barulheira e resolveu tentar pular na água, mas fomos mais rápidos e prendemos o teimoso. Depois da trabalheira com o dingue revoltoso, o piloto automático entrou em greve e não teve mais quem o fizesse trabalhar. Novamente bom demais! Sobrou serviço para a tripulação, que se dividiu em turnos de 2 horas, mas sem muita rigidez de horário. O Tranquilidade fazia uma média de 5 nós de velocidade naquele mar encapetado e enfrentando o vento nos peitos. Ondas lavavam o convés e a madrugada foi chegando para acalmar toda a bagunça. O novo dia amanheceu e já navegávamos em águas potiguares e avaliamos que no dia seguinte estaríamos em Natal. O Sol foi esquentando e novamente o vento arrochou o nó e o mar veio junto, mas ai já estávamos no través do litoral da Costa Branca potiguar, e nunca vi um lugar demorar tanto a passar como foi a pesqueira cidade de Diogo Lopes. O mar por ali levantou ondas de mais de 2,5 metros e o Tranquilidade pulava feito um cabrito, de onda em onda, mas quando o Sol se foi fomos juntos, e logo estávamos no través da praia de Galinhos, quando entrei para dormir o sono dos justos. Acordei para o meu turno a meia noite, puxado pelo dedão do pé pelo comandante, quando estava no través da minha bela praia de Enxú-Queimado, lugar que tenho boas histórias para contar, e não soltei o timão durante o resto da madrugada até que as 4:30 horas da manhã, debaixo de um verdadeiro dilúvio, passei a bola para o comandante já próximo ao través do Farol do Calcanhar, onde o Brasil faz a curva. Quando acordei do meu breve sono de uma hora, registrei que muita chuva ainda estava por vir, pois as nuvens tomavam conta do mundo a nossa volta. Faltavam menos de 30 milhas para Natal e fomos avançando na mesma média de 5 nós de velocidade, com o nosso último banquete a bordo sendo preparado pela comandante Lucia. Coxinhas de Frango Crocante ao molho de cerveja, acompanhado por um delicioso Arroz Chop Suei e Salada. Dos Deuses! Próximo a praia de Muriú um tranco no motor de bombordo anunciou que havíamos cruzado com uma rede ou alguma coisa no mar. O mar está cada vez mais tomado por redes, mal educados e donos do mundo. Nessa hora não enxergávamos 10 metros a frente e muita chuva ainda estava por cair. Com apenas um motor e com uma pequena velinha de proa continuamos navegando em direção a barra de Natal. Às 14 horas o comandante Flávio Alcides assumiu o timão e depois de 19 minutos entramos felizes pelo Rio Potengi, com o Tranquilidade fazendo o reconhecimento do seu novo lar. No píer do Iate Clube do Natal um amigo para todas as horas estava lá, todo encharcado, para receber os cabos que prenderiam o Tranquilidade para seu merecido descanso depois de 50 horas, 19 minutos e 20 segundos de Fortaleza a Natal. Mais uma vez Helio Milito provou o grande carinho que tem por nós e por todos que chegam do mar. Ele que um dia esperou o Avoante, debaixo de outra chuva forte às 4 horas de uma fria madrugada, estava lá para nos dar um grande abraço de boas vindas. Obrigado meu amigo! É muito gostoso chegar ao nosso porto e receber o abraço dos amigos, mas o dia ainda me reservava fortes emoções. Mas sobre isso falou em outra oportunidade. Eu e Lucia agradecemos ao comandante Flávio Alcides e ao seu filho Bruno pelo convite e pelo prazer de tripular o Tranquilidade em sua primeira navegada pelos mares. Agradecemos também aos amigos Sérgio Marques, Moby e Erasmo que nos fizeram companhia de São Luiz/MA a Fortaleza/CE e dizer que para sempre estarão em nossos corações. E nunca poderíamos deixar de agradecer a todos vocês leitores que são a alma, a força e o principal objetivo que move o nosso blog pelas ondas do cotidiano da vida.  Continuarei contando coisas e fatos ocorridos nessa viagem fantástica e cheia de aprendizados, pois o mar nunca deixa de nos ensinar e marcar a nossa vida com coisas boas e belas. Muito Obrigado!

Um belo pôr do sol

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O píer do Hotel Marina Park está muito longe da gostosura de um delicioso suco de caju que somente o Ceará tem. Flutuantes desconjuntados, gambiarras elétricas e hidráulicas, e nenhuma assistência de marinharia. Um hotel tão bonito, dono da única opção de apoio náutico para o navegante amador, merecia melhores instalações. Mas como não estamos aqui para se estressar, vamos degustando tudo isso com uma boa cervejinha gelada, para esfriar o calor, e apreciando o belo pôr do sol da capital alencarina.