Arquivo da tag: forró

Cartas de Enxu 02

20160901_100219

Pois é, nessa minha varandinha refrescada pelos alísios do nordeste a vida vai passando entre prosas e vento e de repente me dou conta que nunca mais me ative a escrever as cartas que havia prometido escrever. Coisas para contar tenho muitas, porque vida de praieiro é uma resenha, o problema é concatenar as ideias e se livrar do chamado chamegoso de uma rede macia de quatro mocotós. – Rede de quatro mocotós? – Sim, porque rede se vende por mocotó. Dois mocotós é rede para uma pessoa e de quatro, é aquela rede larga, para se fazer o que der na telha, e até dormir. E apois!

E por falar em alísios, os ventos por essas bandas de Enxu Queimado estão mais avexados do que tainha de açude e o coqueiral está num bailado que só vendo. É bonito ver a alegria das palhas sendo sacudidas pelas lufadas de um vendaval ligeiro e a poeira tomar conta do mundo, como se um Saci tivesse riscado o barro do chão com suas gaitadas presepentas. São os ventos de agosto, que se estendem por setembro e descambam para outubro, até baixar o facho lá pelo meado de novembro. É o preparo da natureza para sacudir a poeira de um inverno sem graça e sem chuva e entregar tudo colorido e brilhando para o comando do senhor verão das cores e bocas. – E a primavera? – Rapaz dizem que aqui tem disso não, mas tem, pois tem flores e rosas desafiando a secura das juremas pretas e basta uns pinguinhos de chuva para a caatinga fazer bonito. E por falar em caatinga, pois num é que o bonde do progresso está passando por cima de tudo sem nem dá bola para o tal do meio ambiente. É triste, mas não tem a quem reclamar não, pois nem bispado tem por aqui e o padre só de vez em quando. Eita nordeste velho incompreendido! A sorte é que o povo é forte que nem touro brabo e teve forró está tudo certo.

– E ainda tem forró? – Tem, mas está arrastando os pés, pois um tal de levada do batidão aputanhado, alinhado a um monstrengo chamado paredão, está dominando tudo e a paisagem está entre o não e o sim da descaracterização. Quem tiver ouvido que escute e quem não achar bom, que escute também, pois o filho da peste, dono das bocas de som da mala do possante, é aporrinhado com reclamante e escreveu não leu, o caboco reclamador leva tapa nas orelhas. Dizem que tem até Cabo-Delegado levando tapa olho por aí. Por aqui o paredão tem cantado fino, pois o delegado se arvorou com uma ordem do Dr. Juiz e tem cumprido o riscado bem na risca, mesmo assim, de vez em quando aparece um gaiato querendo bagunçar a ordem. Ora veja, respeite a polícia e a caneta do juiz, cabra safado!

Eita que dá saudade do mar a bordo de um veleirinho, pois no reinado de iemanjá a coisa é mais respeitadora e o povo das águas escreve ética com “E” maiúsculo. Mas a vida é assim mesmo e de vez em vez é preciso dar uns bordos e ficar com a cara no vento para ficar mais animado. A verdade é que eu já estava desacostumado com os moídos urbanos e tudo é novidade, mas daqui a pouco entro nos conformes e tudo fica tinindo.

E por falar em conformes, num é que a vida lá fora anda cheia de novidade que nem de longe se adivinhava! Nas ondas da internet vejo que os cientistas se danaram a colorir um dinossauro e se esmeraram tanto que o bicho ficou todinho um papagaio, todinho vírgula. O bichano milenar é um tal de Psitacosauro que andou boçando por aí e se escafedeu ninguém sabe como, mas segundo conta a lenda, foi devido um meteoro. Pegaram a ossada, colocaram a imagem em um programa de computador e saiu na impressora um dinossauro com cara de papagaio, com chifre, e colorido que só penoso falante. Será que o bichinho também era presepeiro? – E a tartaruga? – Essa história também veio nas “nuvens” e eu pesquei na rede. Dizem que um “tartarugo” tarado lá das ilhas Galápagos conseguiu tirar a espécie da mira da extinção. A tartaruga, da espécie Chelonoidis Hoodensis, batizado por Diego e hoje com 110 anos de vida, teve mais de 800 filhotes. Pense num cabra, ou melhor, tartaruga arrochada! Diego ainda nada por Galápagos e se alguma tartaruguinha der mole ele, creu! Danou-se!

E a Lua? Eita que nessa rede cai coisa viu! Os homens dos estudos apostam que a Lua surgiu de um choque planetário e da mesma bagaceira surgiu a Terra, porém, os menos que afirmam isso se avexam em dizer que tudo somente será fácil de ser assinado embaixo lá pelos anos 2040. Ah bom! Nesse caso, vamos relaxar e admirar a Lua cheia que já é tempo.

E a tartaruga em? Cento e dez anos de muito amor pela espécie. Tá vendo só como tem assunto embaixo dessa varandinha?

Nelson Mattos Filho

Anúncios

E viva São João!

IMG_0208

São João Batista para o cristianismo foi quem anunciou a chegada de Jesus. Foi ele também que batizou muitos judeus, incluindo Jesus, as margens do Rio Jordão. João Batista era um profeta e pregador admirado pelos cristãos ortodoxos e era considerado um homem consagrado. Teve uma educação nazarita, que incluía em seus dogmas abster-se de bebidas alcoólicas, deixar o cabelo crescer e não tocar nos mortos. João Batista, ou São João, ao lado de São Pedro, São Paulo e Santo Antônio, faz a corrente dos Santos mais populares e por eles criou-se o termo festas juninas. As festas juninas são celebrações católicas que acontecem em várias partes do mundo e o Brasil tem no nordeste sua maior força de expressão e festejos. Elas são historicamente festas pagãs que celebram o solstício de verão, o menor dia do ano, mas que nas referências religiosas é a vitória da luz sobre a escuridão e por isso as fogueiras. E elas são acesas só por isso? Bem, diz a lenda que elas surgiram seguindo uma promessa de Izabel, Mãe de São João Batista, que acenderia uma fogueira sobre um monte para avisar a Maria, Mãe de Jesus, sobre o nascimento do menino João. E os balões e os fogos? Bem, isso são invenções dos portugueses e que por aqui ficaram até os dias de hoje. E a quadrilha? Acho melhor a gente parar por aqui para não começar a falar besteira. Mas não achem vocês que sou daqueles aprofundados nas coisas das religiões, apenas procuro saber o que me basta e para isso, muitas vezes recorro as ferramentas de pesquisas, hoje tão populares e fáceis, nessa grande rede mundial de comunicação, como foi o caso do Wikipédia nessa minha simplória pesquisa sobre São João.

Porém, toda essa iniciação na história do santo forrozeiro e justamente para falar da alegria que sempre tive com as festas juninas e em especial com o glorioso São João. É nesses tempos de fogueiras, fogos e balões no ar, que o brasileiro vive seus dias de maiores animações, para mim,  mais animação do que o Carnaval. É forró pra todo lado, muito milho, muita canjica, pamonha e bolos até da uma dor no pé bucho. Mas, lendo a história de vida de São João, com todos aqueles severos dogmas de fé, fico a me perguntar: O que será que ele deve estar pensando de toda essa forrozada e muito quentão espalhados por mei mundo de “arraiá”?. É viva São João!

IMG_0273

Nesse nosso mais um São João a bordo do Avoante, que ancoramos em frente a tranquilidade da Ilha de Itaparica, me vi envolvido por esse clima gostoso, com o cheiro de fogueira queimada, com o pipocar dos fogos e com algumas letras desse arremedo de forró que se escuta nas rádios hoje em dia. Mas tudo no mundo tem o novo e a gente tem que seguir com a maré e nunca contra ela. Porém, vou até o toca CD e ponho para tocar um “disco” cheinho de poesia em rítmo de forró, do mestre, poeta e cantador potiguares, Galvão Filho. E lá está dizendo: “…Se tu quiser eu invento um vento pra ventar o amor/Uma chuva bem chuvida pra chover pé de fulô, pra tu ficar cheirosa e vir dançar mais eu/Se tu quiser puemo um poema bem cheio de rima/Acendo a estrela mais bonita lá de cima e faço tudo que puder pra tu ficar mais eu…” Eita São João Menino!!!!

Mais um forró pra lascar o cano

são joão dos colaboradores 015 Já que o post anterior foi sobre forró e nordestino, por mais que ele esteja bandeado para para os lados do mar, gosta muito mesmo de um forrózinho pé de serra, vamos emendar as festas dos Santos padroeiros das forrozadas e anunciar mais um forró de lascar o cano.

Amanhã, Quarta-Feira 29/06, o tradicional encontro de velejadores do Iate Clube do Natal vai ser em ritmo de muito forró. O moído começa às 19 horas, num estirado de comida típica de deixar nêgo com o bucho mole. Como forró faz pareia com cachaça e velejador nordestino gosta dos dois, a matutada do mar já está esquentando o peritônio para mandar ver e não ficar conversando mole. O rasta pé vai ser ao som do DJ/velejador Passoca; do sanfoneiro/velejador Kleber, que também vai puxar a quadrilha improvisada; e de uma surpresa que vai botar fogo no molejo da marujada do Velanatal.