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Viva São João!

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Uma vez me perguntaram se velejador comemora o São João. Lógico que sim, principalmente quando estamos navegando em águas nordestinas, pois o São João é considerada a maior festa do nordeste brasileiro, animada com muito forró, mesas fartas de comidas típicas, meninos soltando fogos e fogueiras acesas em frente as casas. O São João é uma alegria que só vendo! E foi com essa alegria que saímos traçando rumos entre as cidades do Recôncavo Baiano para sentir a pulsação dessa festa colorida e iluminada. Começamos por Itaparica – que vem perdendo o encanto e em breve falarei sobre isso – onde ancoramos dois dias antes das comemorações juninas e não perdemos tempo para reunir os amigos que dividíamos a ancoragem. Um dia foi a bordo do Acauã, do casal Webber e Mirian, e no outro a recepção foi no Avoante, onde tivemos também a companhia de Fernando e Erika, veleiro Ati Ati, em noitadas que renderam bons papos e boas gargalhadas.

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Na véspera do São João recebemos o convite do casal Rocha e Keli, veleiro Aquários, que também tem casa na Ilha, para comemoramos ao redor de uma fogueira. Foi uma noitada de alegria saboreando muita canjica, bolos típicas, milhos cozido, milho assado na fogueira, forró e até churrasco no fogo de chão, feito pelo bom gaúcho Webber. Eita São João bom da peste!

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No dia 24 já estávamos novamente navegando e no rumo de Salinas da Margarida, para encontrar os amigos Cláudio e Anne, veleiro Anni, Gerson e Lili, veleiro Tô Indo, Gomes e Lia, veleiro Ondine e Wilson e Cassia, Vinicinho e a pequena marinheira Helena, de apenas 7 meses.

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Como a flotilha havia crescido, desembarcamos e fizemos a confraternização no restaurante A Gaúcha com uma deliciosa feijoada regada com cerveja gelada. E como São João sem chuva não vale, a noite caiu um toró de fazer inveja a muito sertanejo e até hoje, 26, a chuva está igual a marcação de quadrilha: Alavantú; Anarriê; Balancê; Olha a chuva; É mentira; É verdade. E assim vamos levando essa vidinha mais ou menos. Viva São João! Viva! E que venha o São Pedro!

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E viva São João!

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São João Batista para o cristianismo foi quem anunciou a chegada de Jesus. Foi ele também que batizou muitos judeus, incluindo Jesus, as margens do Rio Jordão. João Batista era um profeta e pregador admirado pelos cristãos ortodoxos e era considerado um homem consagrado. Teve uma educação nazarita, que incluía em seus dogmas abster-se de bebidas alcoólicas, deixar o cabelo crescer e não tocar nos mortos. João Batista, ou São João, ao lado de São Pedro, São Paulo e Santo Antônio, faz a corrente dos Santos mais populares e por eles criou-se o termo festas juninas. As festas juninas são celebrações católicas que acontecem em várias partes do mundo e o Brasil tem no nordeste sua maior força de expressão e festejos. Elas são historicamente festas pagãs que celebram o solstício de verão, o menor dia do ano, mas que nas referências religiosas é a vitória da luz sobre a escuridão e por isso as fogueiras. E elas são acesas só por isso? Bem, diz a lenda que elas surgiram seguindo uma promessa de Izabel, Mãe de São João Batista, que acenderia uma fogueira sobre um monte para avisar a Maria, Mãe de Jesus, sobre o nascimento do menino João. E os balões e os fogos? Bem, isso são invenções dos portugueses e que por aqui ficaram até os dias de hoje. E a quadrilha? Acho melhor a gente parar por aqui para não começar a falar besteira. Mas não achem vocês que sou daqueles aprofundados nas coisas das religiões, apenas procuro saber o que me basta e para isso, muitas vezes recorro as ferramentas de pesquisas, hoje tão populares e fáceis, nessa grande rede mundial de comunicação, como foi o caso do Wikipédia nessa minha simplória pesquisa sobre São João.

Porém, toda essa iniciação na história do santo forrozeiro e justamente para falar da alegria que sempre tive com as festas juninas e em especial com o glorioso São João. É nesses tempos de fogueiras, fogos e balões no ar, que o brasileiro vive seus dias de maiores animações, para mim,  mais animação do que o Carnaval. É forró pra todo lado, muito milho, muita canjica, pamonha e bolos até da uma dor no pé bucho. Mas, lendo a história de vida de São João, com todos aqueles severos dogmas de fé, fico a me perguntar: O que será que ele deve estar pensando de toda essa forrozada e muito quentão espalhados por mei mundo de “arraiá”?. É viva São João!

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Nesse nosso mais um São João a bordo do Avoante, que ancoramos em frente a tranquilidade da Ilha de Itaparica, me vi envolvido por esse clima gostoso, com o cheiro de fogueira queimada, com o pipocar dos fogos e com algumas letras desse arremedo de forró que se escuta nas rádios hoje em dia. Mas tudo no mundo tem o novo e a gente tem que seguir com a maré e nunca contra ela. Porém, vou até o toca CD e ponho para tocar um “disco” cheinho de poesia em rítmo de forró, do mestre, poeta e cantador potiguares, Galvão Filho. E lá está dizendo: “…Se tu quiser eu invento um vento pra ventar o amor/Uma chuva bem chuvida pra chover pé de fulô, pra tu ficar cheirosa e vir dançar mais eu/Se tu quiser puemo um poema bem cheio de rima/Acendo a estrela mais bonita lá de cima e faço tudo que puder pra tu ficar mais eu…” Eita São João Menino!!!!