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Abertas inscrições para a XXVII REFENO

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O Cabanga Iate Clube de Pernambuco, deu início no último dia 16 as inscrições para a 27ª REFENO, Regata Recife Fernando de Noronha, uma das mais tradicionais e concorridas provas do iatismo brasileiro. Onze veleiros já estão pré-inscritos para a prova que larga dia 26 de Setembro do Marco Zero, Porto do Recife, para percorrer as 300 milhas náuticas até a ilha maravilha. Saiba mais acessando o site XXVII REFENO, que faz parte do nosso BlogRoll.

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Resultados da XXVI Refeno

REGULAR A comissão organizadora da XXVI Refeno anunciou o resultado das várias classes, em que teve o veleiro Camiranga, modelo Soto 65, como o grande campeão. Nós do Diário do Avoante, parabenizamos toda comissão organizadora e a todos que participaram dessa que é uma das mais belas e emocionantes regatas de oceano do Brasil. Solidarizamos com aqueles que por algum motivo não conseguiram completar a prova, em especial a tripulação do trimarã Nativo. Desejamos que as próximas edições sejam cada vez como mais sucesso. Como não podia deixar de ser: Parabenizamos a Marinha do Brasil pela missão sempre presente de atenção e salvaguarda ao navegante.

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Atiçando o sonho alheio

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A ilha de Fernando de Noronha/PE é mesmo uma pintura da natureza. Águas cristalina de um azul fora do comum; Geografia de origem vulcânica coberto por uma vegetação que lembra as agruras do sertão nordestino e tudo temperado por um Sol equatoriano de rachar a moleira dos desavisados. E é para lá que há 25 anos velejadores de todo o Brasil apontam a proa dos seus veleiros como participantes da Refeno – Regata Recife/Fernando de Noronha. A ilha maravilha está sempre pronta para uma pose a mais diante das lentes de fotógrafos ávidos por um detalhezinho esquecido na foto anterior e foi dai que me chegou essas imagens belíssimas, enviadas pelo amigo/velejador/aviador e violonista de mão cheia Tiago Menezes, comandante em chefe do veleiro baiano de nome instigante, Nimbus. Elas foram captadas lá das alturas de um ângulo incomum, como bem disse o Tiago, mais precisamente da cabine de comando de um moderníssimo e possante Boeing.

Fernando de Noronha e a Refeno – Parte 3

imageChegamos ao final do relato do velejador baiano Sérgio Netto contando uma boa parte da história da Refeno que em 2014 completa 26 anos. Quem um dia já participou dessa que é a maior e mais instigante regata de oceano do Brasil, deve ter se reconhecido em algum momento dessa história que dividi em três partes. Para quem ainda não teve a alegria de realizar o sonho da velejada até a Ilha de Fernando de Noronha, competindo numa Refeno, fica o convite para não adiar o sonho, pois a XXVI Refeno larga do Marco Zero, na cidade do Recife, dia 27/09. Mais uma vez agradeço ao amigo Sergio Netto por proporcionar aos leitores do Diário do Avoante essa bela narrativa.

FERNANDO DE NORONHA E AS REFENO

A velejada para Rocas durante a noite foi tranquila, em asa-de-pombo com a mestra no primeiro rizo, genoa parcialmente enrolada, vento aparente 10 a 12 nós, piloto automático. Fizemos 68 milhas em 10 horas e de manhã cedo pegamos a poita do Delícia, o veleiro Farr 38 no qual Zeca fazia o apoio à ilha, ψ=3°50,78’S λ=33°31’W. O pessoal do Ibama foi a bordo e nos levou para terra no bote deles. A entrada da barreta é com onda e difícil para um caíque pequeno. O pessoal do Bola 7 que chegou meia hora depois não teve a nossa simpatia para conquistar o pessoal do Ibama e não desembarcou. O fundeadouro é aberto, desconfortável, e nos avisaram que à tardinha chegam os pássaros e fazem o maior barulho. Às 15 horas deixamos a amarração e saímos em orça apertada para Natal, 140 milhas para SSW.

imageimage Atracamos no píer do Iate Clube de Natal no início da tarde do dia 2 de outubro, lavamos o barco com água doce e fomos para uma amarração. Muito simpática a recepção do clube para o visitante. Marcio e Claudinha desembarcaram e voltaram de avião para Salvador. Pedro havia desembarcado em Noronha.

imageDia seguinte era dia de eleição e passamos nos Correios para justificar a ausência eleitoral. Tínhamos alugado um bug ‘Selvagem’ e fomos para as praias do norte e as dunas de Genipabu.

No domingo dia 4 levantamos vela ao meio dia e seguimos 80 milhas para SSE, no contravento, até Cabedelo, onde nos esperava a tripulação do Cangaceiro, que levaram Vicka e Lizete para compras. O Pinauna estava molhando dentro pela gaiuta de proa e o inglês Ryan, dono de um estaleiro e do trimarã ‘Jeitinho’ atacou o problema. Este inglês diz que coisa difícil ele faz rápido, o impossível demora um pouco. Cabedelo, no estuário do Rio Paraíba, é um local bem protegido, bom para deixar o barco em caso de necessidade.

Dia 6 de outubro, quando o sol já havia passado o equador para fazer o verão do hemisfério sul há duas semanas, e o vento já havia rondado para nordeste, saímos a barra de Cabedelo às 10 horas, dobramos o Cabo Branco, no extremo oriental do Brasil, e a velejada para o sul-sudoeste ficou macia, com vento e corrente favoráveis. Mas à noite refrescou e deu trabalho; passamos direto por Recife chegando a Maceió dia 7 à tarde. São 200 milhas de João Pessoa a Maceió, e cheguei mole e resfriado. Vicka e Lizete desembarcaram e retornaram de avião para Salvador. Silvia pegou a Lena e a mim de carro e nos levou para jantar no Divina Gula.

Dia 8 Lena foi às compras para reabastecer o barco e eu fiquei a bordo descansando e me recuperando do resfriado. Dia 9 já estava bom e largamos ao amanhecer para o trecho final até Salvador, quase 300 milhas até o AIC, que fizemos em pouco mais de 48 horas. Este trecho com só duas pessoas a bordo foi um passeio, com pouca vela, sem pressa, curtindo o finalzinho das três semanas de férias. Navegamos bem longe de terra para não ter que nos preocupar com barcos de pesca sobre a plataforma continental. Quando acordei pela manhã do dia 10 vasculhei o horizonte de binóculo e vi um veleiro vindo pela popa, bem na nossa esteira, só com vela mestra e motor. Chamei no rádio mas ele não respondeu. O vento estava fraquíssimo e ele logo nos alcançou quando tomávamos o café da manhã no cockpit. Era o Suzy Dear, com Serginho Bittencourt, Thales Magno Baptista e mais dois tripulantes. Eles desligaram o motor e fomos derivando juntos, Serginho fazendo a maior festa. Fizeram fotos e já estavam com planos de abordar o Pinauna quando chegou um ventinho e começamos a nos afastar. Eles abriram a genoa mas naquele ventinho fraco o Pinauna foi orçando mais e deixando o Swan pesadão mais arribado para trás, de forma que em uma hora não nos víamos mais. Esse povo tem mania de viajar vendo terra, o que é um problema a ser tratado no psicólogo. Viajar longe de terra é mais seguro, mais confortável, fora das rotas de tráfego, você pode dormir à vontade e se chegar um temporal tem espaço suficiente para correr com o tempo até que ele passe.

Chegamos no AIC no domingo dia 11 de outubro pela manhã e Vicka, Liz e Pedro Bocca foram nos buscar, já com o filme da regata editado, com trilha sonora e tudo.

Daí levei quatro anos sem voltar a Noronha. Quando o Banorte deixou de ser o patrocinador oficial, pouco antes de quebrar, a regata passou a se chamar REFENO mantendo a numeração desde a organização primeira de Maurício em 1986. Continuar lendo

Fernando de Noronha e a Refeno – Parte 1

NORONHA E A REFENO 3 O geólogo e velejador baiano Antônio Sérgio Teixeira Netto, o Sérgio Pinauna, é um dos grandes conhecedores das águas navegáveis do Brasil e dos segredos que existem escondidos sobre as rochas e solo do nosso continente. Sérgio que aparece nessa histórica foto ao lado do criador da Regata Recife/Fernando de Noronha, Maurício Castro, quando soube que eu era proprietário do Avoante, um dos barcos que já lhe pertenceu, chegou para me dar um abraço e disse que tinha uma boa história para me contar. Ao ler o texto fiquei encantado com a riqueza que tinha em minha frente. Os escritos de Sérgio merece fazer parte de qualquer exposição que conte a história da Refeno. Sem paixão e com muita sinceridade Sérgio conta tudo o que sentiu e viveu nas Refeno. Deixo aqui meus agradecimentos e parabéns ao geólogo/velejador por proporcionar aos leitores do Diário do Avoante uma navegada maravilhosa por uma boa parte da história da vela de oceano do Brasil. Como o texto é longo, dividirei em três partes.

 

Fernando de Noronha e as Refeno

A quebra do Gondwana, o supercontinente do sul, ocorrida no Cretáceo há cerca de 120 milhões de anos permitiu a implantação do oceano Atlântico Sul e o levantamento da maior cadeia de montanhas do planeta, a qual em inglês é denominada de Mid Atlantic Ridge. Esta cadeia sozinha é maior que os Andes +Rochosas+Himalaias, tem forma sinuosa e sofre um desvio notável para a esquerda na altura do equador, latitude zero, desvio este reconhecido pelos geólogos como a Zona de Fratura Romanche.NORONHA E A REFENO

Antes que você desista de ir adiante, a localização da ilha de Fernando de Noronha no contexto geológico vai ser o mais breve possível, e prometo que vou falar da história, dos mergulhos, das praias e das regatas que os pernambucanos promovem para Noronha desde 1986, o ano em que os gringos começaram a testar os satélites que iriam compor o sistema GPS.

A Cadeia Meso-Atlântica sobe das planícies abissais a uma profundidade de 4 a 5 km, e alguns picos vulcânicos botam a cabeça fora do nível do mar atual, como por exemplo, Trindade e Martin Vaz defronte ao Espírito Santo do lado oeste da cadeia, Santa Helena do lado leste, Fernando de Noronha 200 milhas náuticas a sul da Fratura Romanche, na latitude 4°S. Para o norte do equador temos do lado oeste da cadeia as Antilhas, Bermuda a 32°N 65°W, e do lado leste Cabo Verde, Canárias, Madeira, Açores, e lá junto ao circulo polar a ilha da Islândia, o local emerso da maior atividade vulcânica no planeta.

Tudo isso é constituído por rochas basálticas, que o manto vomita lá de dentro para fazer a crosta oceânica. Não tem nada a ver com os continentes implantados sobre uma crosta de granito, muito mais velha e mais espessa.

Noronha fica a 200 milhas de Natal, RN, no limite das águas territoriais brasileiras, e lá o relógio tem que ser adiantado de uma hora em relação a Natal ou aNORONHA E A REFENO 1 Recife. O arquipélago fica na longitude de 32,5°a oeste de Greenwich, portanto no fuso horário de 30°; têm 26 km2, o dobro da Ilha de Maré na BTS, o suficiente para lá ter sido construído pelos americanos em 1942 um bom aeroporto que transformou a ilha numa base avançada durante a 2ª Guerra Mundial. Esta vocação militar fez com que a ilha fosse um Território Federal de 1942 até 1988, quando os militares foram retirados e a área passou a ser um Distrito Estadual para o qual o governador de Pernambuco nomeia um administrador-geral. Também em 1988 todo o arquipélago até a isóbata de 50m passou a se constituir num Parque Nacional Marinho subordinado ao IBAMA, que mantendo a tradição militar, tem uma lista de 16 ‘proibidos’ e 5 ‘permitidos’ com autorização, que você acessa após pagar a taxa de preservação ambiental. A TPA para permanência de até 10 dias é de R$34,48/dia, a partir dai sobe num crescente de forma que quem quiser passar um mês vai pagar R$2847,42 (preços de 2008).

Quando Gaspar de Lemos bordejou por lá em 1500 levando para Portugal a carta de Caminha, a ilha era desabitada. Em 1504 o rei D. Manuel a doou para Fernão de Loronha, o banqueiro que financiou a expedição de 1503, um cristão-novo que nunca cuidou de ocupá-la. A ilha tornou-se um porto de piratas, tendo os holandeses se estabelecido nela em parte do Sec.XVII. No Sec. XVIII foram os franceses. Em 1737 os portugueses expulsaram os invasores, devastaram a vegetação e construíram 10 fortes, dos quais duas ruínas ainda existem, o Forte de São Pedro do Boldró e a Fortaleza de Nossa Senhora dos Remédios. Até a independência do Brasil não era permitido o desembarque de mulheres! Em 1832 o Beagle ancorou na Enseada de Santo Antonio e Charles Darwin reconheceu as rochas vulcânicas. Em 1938 durante o Estado Novo de Getulio Vargas a ilha foi convertida em presídio político e durante a 2ª Guerra Mundial tornou-se base militar com um aeroporto. Nos anos 70 os pernambucanos começaram a navegar para lá em veleiros de recreio. Em 1984 o Projeto Tamar reconheceu a ilha como um local importante para a reprodução de tartarugas marinhas e nela instalou uma estação de monitoramento.NORONHA E A REFENO 2

Instituído o Parque Nacional em 1988, o aeroporto militar passou à categoria de civil, recebendo um voo semanal; a pesca foi proibida e a população residente passou a viver essencialmente do turismo incipiente e do assistencialismo governamental. Em 2002, a UNESCO diplomou o arquipélago como Sítio do Patrimônio Mundial Natural. Fernando de Noronha hoje é um destino turístico com voos diários, centenas de pousadas, uma frota de bugs e motos financiados pelo Banco do Nordeste para taxi e locação aos turistas, três empresas de mergulho com barcos apropriados, equipamento de mergulho autônomo moderno e instrutores credenciados. A população nativa é de 3000 habitantes (IBGE, 2008), e uma pessoa de fora só pode se tornar residente se casar com um nativo ou for autorizada a montar uma empresa dentro do planejamento turístico da ilha. Existe uma agencia do Banco Real com caixa automático para saques e pagamentos, comunicação por telefone e vários pontos de conexão wireless para internet.

Não existe uma etnia noronhense e se vê muito pouca criança por lá, sendo de 50% a taxa de mortalidade infantil (IBGE, 2000), absurdamente alta para os padrões brasileiros atuais. Os nativos da primeira geração dos lá nascidos são descendentes dos milicos e dos prisioneiros. Existe um hospital com 9 leitos assentado numa antiga instalação militar, do qual já fiz uso por três vezes conforme relatado adiante. Até o final do Sec.XX a presença feminina era uma pobreza, quantitativa e esteticamente, uma calamidade que vem sendo resolvida com a importação de potiguares. Em compensação a fauna marinha é bela e mansa e você pode ser fotografada junto aos golfinhos, tartarugas e tubarões bem alimentados e amigáveis, tanto quanto um tubarão possa ser.

Fernando de Noronha e o fantasma do desabastecimento

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Uma queda de braço entre a Capitania dos Portos de Pernambuco e as empresas que fazem o abastecimento da Ilha de Fernando de Noronha está sobrando mesmo é para a população da ilha maravilha. Tudo porque a autoridade marítima está exigindo aprimoramento dos tripulantes das embarcações que levam alimentos, materiais de construção, automóveis, combustíveis, água e outros outras mercadorias. Uma norma de 2011 já exigia o aprimoramento dos comandantes e tripulantes, mas até hoje não estava sendo cumprida e por isso os navios estão impedidos de zarpar do Porto de Recife. A Capitania dos Portos não abre mão, os empresários dizem que a norma eleva os custos do transporte e a população olha para as prateleiras dos supermercados e já não acha o que precisa. A organização da Regata Recife/Fernando de Noronha, que larga dia 05 de Outubro, já está colocando as barbas de molho, pois um possível desabastecimento na Ilha durante a regata provocaria um caos.

Imagens recortadas do tempo

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Como é gostoso rever fotos que marcam a história dos eventos e épocas. Se em um momento elas nos faz se sentir um pouquinho mais velho, em outro elas trazem lembranças de um tempo que há muito está arquivado, mas não apagado, em nossa mente. Numa questão de micronésios de segundos a mente desperta como um clarão de sol e nos faz voltar ao tempo, como se ele estivesse ali, a poucos centímetros de nossas mãos. Amigos que já se foram, amigos que ainda caminham ao nosso lado, alegrias, tristezas, abraços, apertos de mão, acenos, risos, choros, palavras, lembranças, esquecimentos, sonhos, conquistas, vitórias, derrotas, tudo voltando no tempo como num passe de mágica. Não vivia o mar, não vivia no mar, não sonhava com o mar e nem pensava em um dia estar morando sobre o mar quando essas imagens foram recortadas do tempo, mas é como se me visse dentro delas. Em 1993 a Refeno, Regata Recife/Fernando de Noronha, ainda largava das águas que banham a Praia de Boa Viagem, cartão postal de Pernambuco, como mostra a primeira foto. E em 1993, o veleiro Garra, do Rio Grande do Norte, participou da prova e a sua tripulação fez pose na Ilha ao lado do velejador Amyr Klink, lenda viva da náutica brasileira. Isso foi há 20 anos e as fotos um certo dia caíram em minhas mãos, trazidas pelo amigo, velejador, poeta, escritor e apaixonado vivedor Erico Amorim das Virgens, mais um que dedica a vida em prol do desenvolvimento e história da vela de oceano brasileira.