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No tabuleiro da baiana tem…

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O Avoante agora abaianou de vez. Já não bastassem as deliciosas moquecas produzidas a bordo, Lucia botou na cabeça que iria aprender a fazer acarajé é aprendeu mesmo.

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Ela se matriculou no Curso de Acarajé e Abará oferecido pelo SENAC do Pelourinho, sob a batuta do professor Elmo, auxiliado pelo professor Adriano, e depois de quatro dias de aulas saiu de lá toda feliz exibindo o diploma e uns quilinhos a mais. No dia seguinte já estava no batente percorrendo a famosa Feira de São Joaquim em busca da matéria-prima dos bolinhos de feijão fradinho, com a ajuda da amiga Cidinha – colega de turma e dona de uma banca de acarajé no Bairro de Pernambués. Os famosos bolinhos, que muita gente brinca dizendo que é hambúrguer de baiano, é levado a sério na Bahia. Existe até uma Lei que regula desde a forma de preparo até a comercialização. Acarajé na Bahia é religião e ai daquele que se meta a besta de tentar fugir dos padrões tradicionais. A baiana do acarajé é bem dizer quase uma divindade e o seu tabuleiro é sagrado.

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E como eu falei em feira: A Feira de São Joaquim é talvez o território baiano dotado de maior baianidade. Ali o visitante encontra de tudo um muito e caminhar entre o rugi rugi das suas vielas entupidas de gente, mercadorias e cores é um verdadeiro exercício de contorcionismo. Até motocicleta circula entre os corredores da feira, o que me pareceu uma coisa tão corriqueira que não vi ninguém incomodado. Sempre tive vontade de visitar a Feira de São Joaquim, mas nunca me animei a ir. Com Lucia pisando firme no terreiro da culinária baiana já vi que a Feira vai ser meu destino obrigatório.

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Não tem como preparar o verdadeiro acarajé da Bahia sem passar antes pela Feira de São Joaquim. Basta o freguês colocar os pés na calçada para sentir a mistura de aromas forte exalados e que tem como carro chefe o camarão defumado e o azeite de dendê. O visual do local não se parece muito acolhedor e a desarrumação dita a regra, porém, o ambiente é alegre, festivo e o cliente só não encontra o que não quer encontrar. Brevemente a Feira receberá uma repaginada e já dá para ver a nova estrutura em construção, tomara que não perca o calor, porque é na Feira de São Joaquim que a Bahia se encontra. Agora vamos a prova dos nove:

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Curso concluído, matéria-prima comprada, só bastava agora Lucia botar a mão na massa. E as cobaias? Isso foi o mais fácil de arranjar, pois basta dizer a um baiano que vai ter um acarajé em tal lugar que ele chega na hora e ainda ajuda na arrumação. O primeiro a ser feito, na cozinha do Avoante, foi o Abará. Pense num moído! O piso do barco terminou coberto por pedaços de folhas de bananeira, cascas de camarão e pingos de dendê. E eu aprendi uma nova profissão: Enxugador de folha de bananeira – utilizada para envelopar o abará. A folha tem que ser lavada, depois enxuta e foi ai que eu entrei. Quem manda ficar olhando! O pagamento foi ter o privilégio de comer o primeiro abará produzido por Lucia e que estava divino.

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Marcamos a degustação para às 18 horas do Sábado, 23/05, na varanda do Angra dos Veleiros, pois Lucia iria utilizar a cozinha do restaurante Vento em Popa, administrado pelo João, para preparar e fritar os acarajés. Na hora marcada estavam todos lá e mais uns agregados para fazer a festa. Quer saber se aprovou? Eu nem respondo, pois sou suspeito.

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