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O forte, o farol e o museu

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Você já foi a Bahia? Se não foi precisa ir, mas se já foi, deve conhecer esse monumento inconfundível. Forte de Santo Antônio, localizado na entrada da barra da Baía de Todos os Santos. A mais antiga construção militar do Brasil colônia e o primeiro forte edificado em terras brasileiras no longínquo ano de 1534, quando ainda nem existia a cidade de Salvador. Deixando de lado algumas melhorias básicas requeridas pelo tempo senhor dos destinos, a fortaleza está muito bem conservada. Forte da Barra, como é carinhosamente chamado pelos baianos, é o mais marcante retrato de um povo. Ao redor da bela arquitetura, a Bahia ri, chora, canta, expressa sua fé, dança, caminha, navega e se abre para o mundo.

IMG_0052 Farol da Barra? Sim, é ele mesmo que se espicha para o alto sobre os muros do Forte. Quando estive lá nessa visita, escutei como quem não quer nada uma pessoa perguntar: – Será que ele ainda funciona? Sim, todas as noites a partir das dezoito horas e até o dia clarear. O Farol da Barra, chantado em 1698 é o primeiro farol das Américas. Inicialmente construído em madeira e com lampiões alimentados por óleo de baleia. Em 1839 ganhou um equipamento giratório, luz a querosene e a torre em alvenaria. Em 1890 ganhou novos mecanismos e lente de primeira ordem com 3,5 metros de altura. Em 1937 foi eletrificado e seu alcance luminoso passou a ser de 38 milhas náuticas, para a luz branca, e 34 milhas náuticas, para a luz encarnada. E como funciona bem! Nos dias atuais as luzes dos faróis perdem em alcance para as luzes que brilham sobre os monstruosos arranha-céus, porém, um navegante somente relaxa o coração quando avista os lampejos de um farol.

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Museu Náutico da Bahia. Você que já foi a Bahia conhece? E você baiano, conhece? Em 1998 foi inaugurado nas dependências do Forte de Santo Antônio o Museu Náutico da Bahia, reunindo um valioso acervo da história náutica da terra dos Orixás. Recentemente, depois de vários anos de promessa, fui visitar e me encantei com o que vi. Mas um fato me chamou atenção na hora em que fui comprar a senha de acesso que custa R$ 12,00: Lucia comentou que eu era o editor de um blog e a senhora que vende os ingressos me indagou: – Você é jornalista? Respondi que não, mas quis saber o motivo da pergunta. Ela disse que se eu estivesse ali como jornalista teria que pedir autorização ao 2º Distrito Naval, somente assim poderia entrar. Juro que não entendi!

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O Museu Náutico da Bahia é uma maravilha e vale ser visitado. Com um acervo, ao meu ver ainda pequeno, que reúne peças e equipamentos que fizeram parte da arte da navegação e que deixa muitos saudosistas sonhando acordado. Juro que senti falta de muito mais diante da riqueza náutica do mar dos Tupinambás, mas tudo que está exposto ali tem esmero de detalhes e conservação.  

IMG_0074Peças recolhidas de naufrágios, velhas cartas náuticas, achados arqueológicos, antigas munições, objetos de uso do cotidiano do século XVII, imagens sagradas, tudo isso tendo o mar como pano de fundo e seguindo um excelente padrão de limpeza e organização.

IMG_0082Tem coisas que não deveríamos deixar passar em branco e a história é uma delas. A história é sempre bem vinda, principalmente porque ela amacia arestas, corrige geografias e descarna biografias até chegar ao verdadeiro DNA do personagem histórico. Sou um apaixonado pela matéria, apesar de ter sido um péssimo aluno. Gosto de caminhar em silêncio pelos corredores e salões de um museu tentando ouvir ecos do passado. Adoro adentrar velhas construções para sentir a energia que um dia existiu ali. Quero Espiar por entre frestas em busca de respostas que de tão desbotadas não existem mais. Mas tudo está lá, tão a vista, como a velha frase de um cigano, e acabo em sorrisos. Ai lembro da frase que sempre será pronunciada: Como era estranha a vida dos nossos antepassados.

IMG_0059Demorei para escolher um dia para visitar o forte, demora que levou quase dez anos, mas sempre me prometi que faria. A primeira vez que ouvi falar no museu foi em 2005 quando estava com o Avoante ancorado na Ilha de Campinho, Baía de Camamu. Desde aquele ano, sempre que adentrava a barra de Salvador renovava a promessa da visita. Um dia eu pago. E paguei!

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A previsão e a lavagem de São Pedro

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Se alguém quiser saber o quanto chove em alguma cidade litorânea do Brasil, basta comprar um barco! Há mais de um mês que São Pedro abriu as torneiras sobre o Recôncavo Baiano e nem parece que tenha intenção de fechar tão cedo. Ele deve ter entrado na onda das tradicionais lavagens, pois o que tem chovido nas terras do Senhor do Bonfim não é brincadeira. Desde do final de março que a chuva assumiu o posto de assunto mais comentado nas rodas de bate papo e quase sempre com narrações trágicas. Mais de 20 pessoas perderam a vida em deslizamentos de encostas e o número de desabrigados sobe a cada dia. É muita água concentrada em cima de Salvador! No começo dessa semana que começou ensolarada, segunda 11, os noticiários anunciaram que mais chuva estava por vir e que o final de semana seria de pauleira. A quinta-feira, 14, amanheceu com um pouco de sol e eu até me animei a ir até o Farol da Barra para visitar o Museu Náutico da Bahia que há tempos queria conhecer – sobre isso comentarei em outra postagem. Sai da marina Angra dos Veleiros no começo da tarde lembrando dos avisos meteorológicos, porém, apesar de um céu de cores estranhas embarquei no carro e fui ao museu. Pensei: – Acho que não chove hoje. Ao botar os pés no calçadão da Barra a cena que visualizei foi a que está registrada na foto ai em cima. Lucia perguntou: – Aquilo ali vem ou vai? Respondi: – Vem e vamos adiantar o passo se não vai nos pegar antes de chegar no abrigo. Chegamos e o aguaceiro despencou com rajadas de vento que chegava fácil aos 50 nós. Não tive como não dar graças a Deus por ter deixado o Avoante muito bem atracado no píer da marina lá na Ribeira. Era a chuva que havia sido anunciada e que chegou com um dia de atraso. Mas quem falou que previsão tem que ser exata? Pois bem, a chuva chegou desde ontem, 14, os ventos continuam azucrinado com rajadas de mais de 40 nós e a vida de quem mora a bordo, que é o nosso caso, fica mais a bordo ainda.

mapserv Pois bem, os satélites do Cptec/Inpe, continuam lá do espaço anunciado chuva no recôncavo e em boa parte do Brasil para os próximos dias. São os efeitos do fenômeno climático El Niño que anda fazendo estripulias por ai.

DJF_elMais uma vez recorri aos gráficos e imagens do site Cptec/Inpe para ilustrar a postagem e tentar mostrar esse individuo que mexe com o clima de meio mundo. Dizem que foram os pescadores da costa oeste da América do Sul que deram conta do El Niño. Em suas observações, e pescador é mesmo um povo observador e conversador, notaram no mar temperaturas mais altas do que as normais durante o final do ano – por isso a denominação de O Menino, em referencia ao Menino Jesus – e que isso alterava a produção do pescado. O site do Cptec diz assim: El Niño é um fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais no oceano Pacífico Tropical, e que pode afetar o clima regional e global, mudando os padrões de vento a nível mundial, e afetando assim, os regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias. Em novembro de 2014 falei sobre isso na postagem El Niño preguiçoso e hoje estou presenciando o que foi dito aqui.

mapserv (1)Bem, hoje é sexta-feira, 15, muita gente rindo a toa, fazendo planos para o final de semana e eu aqui, escrevendo esse texto enquanto a chuva tamborila o convés do Avoante e sem nem sinal que vai dar uma trégua. O mapa está ai na imagem do satélite mostrando o que está acontecendo com o tempo no planeta e a previsão para o nosso Brasil é essa:

Chuva deverá se intensificar no Recôncavo Baiano
Nesta sexta-feira (15/05) o dia será com períodos de chuva na região do Recôncavo Baiano, com chance de chuva intensa em alguns pontos. Muitas nuvens e pancadas de chuva do norte do AP ao norte do MA e do oeste do AM, ao AC, RO e noroeste e centro de MT.
Obs: Texto referente ao dia 15/05/2015-13h19

Guerra de gigantes sobre o litoral nordestino

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A natureza é mesmo cheia de mistérios, mas nunca engana ninguém. Quando resolve fazer estragos, primeiro envia sinais, que muitas vezes passam despercebidos, em seguida ameaça com um rosto mais carrancudo e no fim é que vem a rebordosa. Há dias que os satélites meteorológicos acompanham a movimentação dos exércitos dos deuses sobre o litoral do nordeste brasileiro e a leitura vinda das lentes indicam uma grande operação de guerra no mar com ondas variando de 2,5 a 4 metros de altura e ventos na casa dos 20 nós. Os homens que estudam o tempo apostaram suas fichas que a luta começaria neste final de semana, 02, 04 e 05 de Outubro, e parece que ganharam a aposta. Na Bahia, onde navego atualmente, a coisa nessa Sexta-Feira, 04, está feia. Hoje tive a curiosidade de ir de carro até o Farol da Barra apenas para ver como estava a situação do mar por aquelas bandas e me espantei com o que vi. Dentro da Baía de Todos os Santos o mar estava totalmente encarneirado e a entrada da Barra estava no maior salseiro. O batalhão de ataque da frente fria já avança rumo ao Norte, mas o grosso da tropa promete chegar ainda nesta madruga na terra dos Orixás.