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Um conto de pescador

3 Março (85)

“…era uma vez num verão, num dia claro de luz, há muito tempo, um tempão, ao som das ondas azuis….” Um velho pescador descansava sob a sombra de um coqueiro, acocorado sobre dunas que abraçavam o mar e enquanto espiava o lento caminhar do tempo, raspava uma lasca de fumo de rolo para enrolar em um amassado papel de seda, quando sentiu uma luz, um clarão, um insight num blecaute….como quem vai a nocaute, era uma revelação, era também um segredo e era sem explicação…. O homem, vivido no costume da paciência da lida em alto mar, nem se avexou com o malassombro e continuou entretido na feitura do cigarrinho, mas com o sentido avexado nos movimentos ao seu redor. E foi daí que ele ouviu uma voz que não entrava pelos seus ouvidos, mas ecoava dentro do seu juízo e se debandava em busca do coração: – Velho, não se assuste, porque eu e meu amigo, navegantes do espaço infinito, estamos apenas de passagem seguindo no rumo luminoso de outros amigos, que por esse céu já fizeram rastro, mas que nunca pisaram os pés nesse seu mundinho azul. Somos apenas pesquisadores de um mundão distante, com a missão de aprender um pouco mais sobre a vida dos insetos. O pescador tentou olhar em volta, mas tão entretido que estava em terminar de enrolar o cigarrinho, que a vontade passou, mas ele não deixou de dar um leve sorriso pelo canto da boca enquanto corria a língua na seda do papel. Bem devagar, colocou a mão no bolso, catou o fósforo e ao cobrir com as mãos os lados da face para parar o vento, de rabo de olho pastorou os lados, a frente e no sentido da presença vigiou a retaguarda e sem ver ninguém, sentiu um frio gelado escorrer pelo espinhaço e novamente ouviu a voz. – Velho, que diacho de povo é esse que povoa seu mundo, homem? Faz tempo que nosso povo avoa por essas quebradas, colorindo o céu aqui, ali, acolá e nunca tivemos vontade de desembarcar, pois sempre chegamos à conclusão que não vale o risco a troca de contato, pois a palavra dada nesse planetinha azul tem o valor de um risco n’água. Diante de tão complexa questão, o pescador deu uma baforada no cigarrinho e passou a mão na cintura acariciando o cabo da peixeira, afiada que nem língua de comadre, mas lembrou que não havia gente de carne e osso para retalhar, apenas aquela voz que começava a ficar desaforada. – Velho, já disse que não se apoquente e nem se atreva a riscar faca, porque nem sou daqui e nem vim para ficar, além de que, meu companheiro é mestre em amansar desavençador de briga. O pescador, mesmo sem abrir a boca, ouviu sua voz perguntar o que danado eles queriam. – Nada não, velho, queríamos apenas bater um papo, anotar uns anotados e já estamos novamente tomando o rumo das estrelas. Só peço que não saia dizendo por aí que conversou com uma voz vinda do espaço, pois sou capaz de apostar que vão dizer que é sua mentira. Pronto, dessa vez foi demais, a voz chamou o pescador de mentiroso e ele não contou conversa para jogar o cigarrinho no mato, desembainhar a nega, levantar em um bote e num rebote chamou para a justa: – Repita se for homem, seu fela-da-gaita desavergonhado! – Repito não, meu velho, pois sou de paz. Mas gostei da sua coragem e anotei nos anotados, e aqui vou deixar um recado para você dizer ao seu líder. Diga a ele que nosso povo jamais botará os pés nesse planetinha metido a besta, porque abominamos a hipocrisia, que é a principal características da raça de vocês. E tem mais: Não somos deuses e muito menos astronautas, viu! Quando o pescador deu por fé, lá no alto, um homenzinho verde fechava a porta de um disco prateado e numa acelerada se foi sem nem dá adeus. Eu de cá escutei o conto, enquanto na vitrola, o paraibano Chico César, escolado na experiência, cantava assim: “….era qual uma lição….sem nexo qual o koan….um signo sem tradução no plano léxico-semântico….enigma, contradição.era qual uma visão….e as coisas eram as coisas com intensificação, que as coisas eram as coisas, porém em ampliação….e as coisas aquela vez eram qual foram e são, só que tínhamos os pés um tanto fora do chão.”

Nelson Mattos Filho

Do mundo das estrelas

ciencia-china-maior-radiotelescopio-do-mundo-20160705-021gaia_s_first_sky_mapDesde que os primeiros seres vivos pisaram no planetinha Terra que o espaço sideral é olhado como uma fronteira fascinante e extremante instigante, mas foi com o nascimento do primeiro ser humano que o espaço passou a ser desejado e de lá para cá o desejo não para de crescer e apesar ter havido grandes avanços sobre o mundo das estrelas, ainda não sabemos praticamente nadica de nada. Assim como os oceanos, que já foram vasculhados quase a exaustão, e até os dias de hoje nos deparamos com o desconhecido, o espaço é uma incógnita. Recentemente foi divulgado pela Agência Espacial Europeia um mapa da Via Láctea, que segundo a Agência é o mais completo, onde estão catalogadas mais de 1 bilhão de estrelas. Nesse domingo, 25/09, os chineses colocaram em funcionamento o radiotelescópio FAST, que dizem ser o maior do mundo, com a finalidade de pesquisar algum resquício de vida extraterrestre. O FAST, instalado na província de Guizhou, no sudeste do país asiático, possui 4.450 painéis que formam uma concha de 500 metros de diâmetro e custou uma bagatelazinha de 180 milhões de dólares. – Será que em outras galáxias as pessoas tem whatsapp? Se não tiver, não vai ter graça nenhuma! – E loja de R$ 1,99? – Se não tiver vai ter! Fonte: Veja.abril.com