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Planetas, estrelas e arisias

planeta monstroGosto de olhar as estrelas e imaginar o que tem além das nuvens do nosso planetinha azul. Aliás, nunca vi uma foto da Terra em outras cores senão o azul que emana dos oceanos. Será porque nossos satélites e naves espaciais não conseguem ir além da distância dominada pelas cores de Nossa Senhora da Conceição, ou será que somos azuis de verdade? Será que entre as galáxias somos conhecidos como os azuis? Se for assim, será bem feito, pois quem manda chamarmos os outros de verdes! Afinal, apelido se paga com apelido e nem me venha falar em bulingue, que no meu tempo de criança tinha isso não e não lembro de ter visto ninguém com esses ditos traumas modernosos e nem sair por aí matando e degolando os outros por simplesmente ser chamada de gordinho, vara pau, três penas ou outro apelido qualquer. O nome disso é falta de peia! Virgem Maria Santíssima, vou é voltar para o tema dos planetas que é o melhor que faço.

Pois bem, soube que os homens das ciências planetárias descobriram um novo super planeta, que eles batizaram pelo código NGTS-1b e apelidaram o bicho de “planeta monstro”, em uma constelação conhecida como Columba, localizada a cerca de 600 anos-luz da Terra. – Seu menino, é longe viu! Um ano-luz equivale a uma quilometragem que se alguém fosse se meter a caminhar, iria gastar uma ruma tão grande de alpercata que não tinha dinheiro que pagasse. – Quer saber? – Um ano-luz é a medida de comprimento que corresponde a distância percorrida pela luz em um ano, o que significa algo em torno de 9,5 trilhões de quilômetros. Danou-se! Como diria D. Inácia, que trabalhou na casa de meus pais: “Foi que inventaram, num foi?”

O planeta monstro, descoberto pelas lentes dos telescópios do Next-Generation Transit Survey, de onde saiu o nome de batismo NGTS-1b, localizado no deserto de Atacama, no Chile, chamou atenção dos homens por orbitar uma fraca estrela anã, o que teoricamente não tem lógica, ou não tinha. O novo planeta tem quase o tamanho de Júpiter e pelos livros, ele não poderia se formar onde se formou. Vai entender a lógica, vai!

Só sei que se formou um moído grande entre os observadores do espaço sideral e muito furdunço deve surgir nas veredas espaciais. Será que a estrela anã tem algum babado quente entocado em suas entranhas? Só o tempo e as más línguas dirão. Enquanto isso vamos ficar olhando as estrelas e se contentando com um fuxico aqui, outro acolá, até que toda a verdade venha à tona.

Mas o que me deixou encucado e me fez meter o bedelho nessa seara, foi que dia desses li uma entrevista de um astrônomo das “oropa” que dizia que tudo que acontece no espaço está muito bem monitorado e que nada poderia passar despercebido das lentes curiosas da ciência. Segundo ele, a teia de satélites, telescópicos e estações espaciais não deixaria nada invisível. – Sabe nada, inocente! De vez em quando escuto o zum, zum, zum de que um cometa mais ousado surgiu no céu e recentemente um pedregulho vindo sei lá de onde, tirou onda no meio do sistema solar, fez piruetas e se mandou para o infinito. Dizem que o xêxo era um invasor e que veio apenas bagunçar o coreto e nada mais. – Pois sim!

A natureza tem coisas que por mais que a ciência avance ainda não consegue explicar. Se diante de toda parafernália que dispomos ainda não conseguimos colocar os pés em Marte, nosso vizinho solar do lado direito, ou esquerdo, sei lá, e pouco sabemos do que se passa no rabo de um cometa, imagine aí o nó para dar conta do que acontece a mais de 9 trilhões de distância. – E a Lua? Pois é, e a Lua? Os meninos de Tio San já cascaviaram por lá nos tempos dos bons rock in roll, deixaram até uma bandeira encravada e tomaram o rumo de volta nas asas de um paraquedas. Não sei o que São Jorge achou das empreitadas dos galegos, mas boa coisa não foi, pois eles nunca mais acharam o caminho de volta.

Dizem que o galego do topete vai botar novamente lenha nos foguetes norte americanos e enviar uma galera para tomar conta do terreiro de Jorge, só não sei se é mais um blefe do galego. Pense num topetudo invocado! Só perde mesmo para o baixinho coreano, que ri de tudo e de todos. E por falar no baixinho, os fuxiqueiros de plantão dizem que ele está pegando uma súdita bem jeitosinha. Pelas fotos, o cara tem bom gosto! – Ei, Nelson, que danado isso tem a ver com estrelas e planetas? – Sei lá, só sei que é assim!

Bem, vou dar um fim nessa prosa, pois já estou até misturando as bolas, mas antes de mais nada é preciso dizer que a penúltima Lua cheia de 2017 vem aí e é um bom momento para olhar para o céu e sonhar com uma viagem até o distante NGTS-1b, pois quem sabe encontraremos novos horizontes e novos rumos para nosso planetinha tão sofrido, maltratado, incompreendido e que nós acolhe tão carinhosamente bem.

Eita, já ia esquecendo, hoje é dia de Todos os Santos. É nós!

Nelson Mattos Filho

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Do mundo das estrelas

astronautassoyuz-tma-09m__1O que levaria um homem do mar a escarafunchar os assuntos espaciais ou dos confins do mundo das estrelas? Sei lá! Mas talvez seja a curiosidade em saber o que teria além das galáxias, ou mesmo tentar decifrar os segredos existentes entre o Céu e a Terra. Os homens do mar são assim mesmo: estranhos que só vendo e em suas navegadas noturnas sempre se pegam olhando para o maravilhoso manto negro do universo cravejado de pontinhos brilhantes. Na madrugada desta quarta-feira, 02/03, pousou nas areias do Cazaquistão a nave Soyuz TMA-18M com três cosmonautas a bordo, os russos Sergei Volkov e Mikhail Kornienk e o americano Scott Kelly, em uma missão que é um novo marco para a humanidade. Kornienk e Kelly voltam a Terra depois de 340 dias no espaço, e Kelly passa a ser o primeiro americano a ficar tanto tempo olhando nosso planeta de um ângulo privilegiado, porém, o homem que mais tempo permaneceu no espaço foi o russo Valeri Poliakov, que passou 437 dias a bordo da antiga estação MIR. O objetivo da expedição anual é avaliar os efeitos dos voos de longa duração no organismo humano para a realização de futuras viagens interplanetárias. Quem sabe eu embarco numa dessas! Fonte: notícias.terra.com.br 

No mundo das estrelas

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As vezes ficamos procurando desculpas para os fenômenos da natureza e invariavelmente ligamos ponto a fatos, fatos a coisas e assim por diante, mas, como bons mortais, não passamos mesmo de bons e alegres pitaqueiros que duvidam de tudo, de todos e visualizamos mistérios ou castigo do Céu em tudo que não encontramos respostas. Muitas vezes nem as teorias e comprovações científicas conseguem aplacar a nossa veia apocalíptica. E já que é para dar pitaco, eu é que não vou perder a oportunidade para largar o meu diante dessa chuva que põe em dúvida o verão de 2016.  – É chuva seu minino! Bem, essa semana uma fileira rara de planetas posará para as lentes daqueles que possuem máquinas mais arrochadas e aposto uma cerveja gelada que esse aguaceiro todo é resquícios dessa estripulia planetária. Se quiser apostar diga, mas se ganhar vai ter que dividir a cerveja comigo. Buscando saber mais do que se trata a fila dos planetas Mercúrio, Vênus, Saturno, Marte e Júpiter, mergulhei nos sites que metem a colher no assunto e me deparei a página Observatório, assinada pelo doutor e pós doutor em astronomia Cássio Barbosa, no G1, que explica para céticos e metidos o que danado é mesmo essa tal fila. Para começo de conversa o doutor Cássio se arvora em chamar nossa atenção com essa palavras: “Cuidado para não cair no erro de dizer que se trata de um alinhamento planetário, como muita gente está fazendo. Apesar dos planetas estarem quase na mesma linha, esse é um efeito visual, de perspectiva apenas. Quando há um alinhamento planetário de verdade, do qual a Terra faça parte, os planetas envolvidos ficam perfilados em suas órbitas e aparecem no céu todos bem próximos uns dos outros, o que não é o caso aqui.” Aprendeu?

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O doutor em astronomia diz ainda que a cena pode ser observada no finalzinho da madrugada e começo da manhã, até dia 20 de fevereiro de 2016. Para que ninguém perca a visada, ele diz que a coisa vai ficar mais as claras no final de janeiro e começo de fevereiro e o melhor horário será às 05:30 da manhã. Vixi, muita gente vai passar batido! Já o doutor Alan Duffy, da Universidade Swinburne, de Melbourne (Austrália), Vênus e Júpiter serão os planetas mais fáceis de serem visto e que para ver Mercúrio o cabra vai ter que fazer um esforço mais brabo, porque o bicho ficará “escondido” próximo a linha do horizonte. Doutor Alan diz ainda que a boa observação e a hora adequada será de acordo com a nossa localização na Terra. Pronto, agora é só acordar de madrugada, ver a cena e correr para assuntar com os amigos.

O Sextante

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Sextante é um instrumento elaborado para medir a distância angular entre um astro e a linha do horizonte. Na navegação marítima ele é de grande importância, pois permite que um navegante bem treinado consiga tirar uma posição com bastante exatidão. O sextante surgiu em 1757 e há mais de duzentos anos se tornou um símbolo da navegação.

Hoje com o advento dos modernos GPS, o aparelhinho espelhado, e por isso mesmo apesar de simples muito frágil, tem ficado jogado dentro das maletas, mas vez por outra aparece um saudosista para ressuscitar sua história.

Dizem que ele ainda faz parte da lista de equipamentos obrigatórios nos grandes navios comerciais e nas frotas militares e fico feliz que seja apenas por lá, pois utilizar o aparelhinho espelhado a bordo de um veleiro de oceano é um Deus nos acuda.

Na prova para tirar carteira de Capitão Amador à autoridade marítima exige conhecimento dos segredos e cálculos sobre navegação astronômica e é justamente ai que o bicho pega. Os astros e seus cálculos de exatidão já tirou a alegria de muita gente boa.

Certa vez embarcamos um amigo que conhece tudo sobre sextante e astronomia para uma viagem até a ilha de Fernando de Noronha. Ele chegou a bordo e foi logo dizendo: Comandante, não vai ser preciso utilizar o GPS, pois as nossas posições tirarei pelo sextante. Respondi que tudo bem, mas decidi comprar mais uma boa quantidade de pilhas para alimentar o GPS. Quem vai ao mar avia-se em terra!

Nem bem saímos na boca da barra da cidade de Recife o caboclo já disse para que veio e o sextante não saiu do saco. Enquanto esperava ele se recuperar liguei o GPS e como ele não se recuperou só desliguei o bicho em Noronha. Ainda bem que comprei mais pilhas.

Estou eu em Salvador e me liga Elson Fernandes, Mucuripe, o mesmo que havia ido para Fernando de Noronha, querendo fazer um passeio pela Baía de Todos os Santos até a Barra do Paraguaçu. Respondi que podia vir e marcamos dele embarcar na Ilha de Itaparica. Ele foi logo dizendo que traria o sextante e que dessa vez a história tomaria outro rumo. Pois bem!

Elson Mucuripe, como ele é mais conhecido é um grande amigo, grande figura humana e dono de uma prosa e musicalidade acima da média, mas como tirador de ângulo é uma graça. Assim que levantamos âncora de Itaparica ele pegou o sextante para tirar a posição. Olhou, anotou, tornou a olhar, fez algumas contas e guardou o aparelhinho. Como quem não quer nada, mas querendo, perguntei sobre a nossa posição e ele respondeu: Acho que vou ter que refazer os cálculos mais tarde, pois por enquanto estamos na costa da Namíbia. Aonde homem do céu? Foi uma gargalhada geral a bordo.

Ancoramos na Barra do Paraguaçu com o Sol nos proporcionando um belo espetáculo no crepúsculo e depois de registrar aquele belo visual, desembarcamos para jantar na casa de Seu Lídio, um outrora comandante pelos mares da Bahia e padrinho da esposa do Mucuripe. Logo após o jantar, onde foi servida uma deliciosa moqueca de siri, lá vem o Mucuripe, meio que desconfiado e com os novos cálculos feitos, reafirmando que realmente naquela tarde estávamos navegando na costa africana. Danou-se! Ainda bem que tenho meu GPS.

Depois do jantar eu e Lucia voltamos para o Avoante e combinamos outra velejada para o dia seguinte, dessa vez até Salinas da Margarida, mas antes de sair iriamos tomar café na casa do Sr. Lídio. Assim que cheguei o Mucuripe me apresentou novos cálculos e dessa vez a coisa estava bem encaminhada, pois havia um erro de “apenas” oito milhas náuticas. Ah bom, pensei que nunca mais iria me achar dentro da Baía de Todos os Santos.

Como Salinas da Margarida fica a pouco mais de quatro milhas náuticas da Barra do Paraguaçu, não foi preciso o uso do sextante e para garantir que iriamos em segurança, entreguei o leme ao capitão de longo curso Lídio, e entre uma visada e outra fui me divertindo com a prosa do Elson Mucuripe e me deliciando com as histórias e experiência vividas pelo comandante Lídio.

Elson garante que um dia ainda vai cruzar os mares do mundo munido apenas de um sextante e uma bússola. Eu não tenho dúvida disso, pois apesar do desnorteamento que passamos, ele é um grande estudioso da navegação astronômica.

Namíbia! Se oriente homem!

Nelson Mattos Filho/Velejador

No mundo das estrelas

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O velejador, poeta e violeiro Elson Fernandes, editor do blog Velas do Mucuripe, é um apaixonado pelos segredos existentes nas estrelas. Mucuripe, como ele é mais conhecido, faz uso da navegação astronômica até em suas velejadas cruzando o Lago Paranoá, na Capital Federal, e segundo ele, não erra uma. Recentemente o comandante Mucuripe postou sobre as Estrelas do Céu de Verão, um texto interessante e explicativo para aqueles que desejam um bom passatempo nas noites quentes de verão e que copio na integra:

No mês de setembro eu havia escrito o texto CÉU DE PRIMAVERA  fazendo uma breve descrição do nosso céu noturno por volta das 19 horas, visualizando inicialmente estrelas que estavam posicionadas a oeste. Agora, entramos há poucos dias no Verão, e o céu que se descortina a leste por volta das 22 horas é de uma beleza rara. Podemos contemplar a constelação de Órion com as famosas “três marias” no centro da constelação. As três marias representam o cinturão do guerreiro Órion. Um pouco abaixo da constelação de Órion está a de Cão Maior, onde temos a bela Sirius, a estrela mais brilhante do Céu, ela é duas vezes maior que o Sol. Próximo a Cão Maior está a Cão Menor, com sua estrela mais brilhante que é Procyon. E, temos um visitante ilustre, que não aparecia no céu noturno há um bom tempo, que é o planeta Júpiter, está na mesma altura de Procyon, à esquerda. Ele vai roubar o brilho de Sirius, pois ele só perde em brilho no céu noturno para o planeta Vênus, que a essa hora já se pôs.
Não pretendo aqui fazer uma descrição de todas as estrelas mais brilhantes desse Céu de Verão. Queria mesmo apenas registrar e compartilhar meu fascínio por essa beleza. Ainda poderia citar outras estrelas que se destacam como Aldebaran, Capella, Pollux, Castor, Canopus, Achernar. Por sorte, mesmo diante desse tempo chuvoso, pude avistá-las e admirá-las.
Bom Verão a todos!