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HISTÓRIAS DE VELEJADOR

VIDA A BORDO 58 – 21/01/2008

HISTÓRIAS DE VELEJADOR

                                   Fazer uma medida das condições de vento, estando no mar, é uma das grandes dificuldades do velejador e também fonte de muitas histórias. O Almirante Inglês Francis Beaufort, publicou em 1806 a Escala Beaufort, que em 1874, passou a ser adotada como padrão pelo Comitê Meteorológico Internacional.

                                   A meteorologia náutica mundial utiliza a Escala Beaufort, para fazer suas medições, quando não se tem a bordo um anemômetro. Através dos rádios VHF e SSB, também se consegue uma boa informação dos ventos e na internet podemos encontrar vários sites que divulgam, com extrema segurança, a previsão do tempo e a força dos ventos.

                                   Mas, se a tecnologia falhar e não tivermos condições de acesso à comunicação via rádio, resta a Escala Beaufort com suas informações sempre precisas.

 

ESCALA BEAUFORT 

Força 0                        Calmaria          0 a 3 nós         Mar espelhado

Força 1                         Bafagem          1 a 3 nós         Algumas ondas

Força 2                         Aragem           4 a 6 nós         Pequenas ondulações

Força 3                        Vento Fraco    7 a 10 nós       Ondulações e alguns carneirinhos

Força 4                        Vento

                                        Moderado         11 a 16  nós     Pequenas ondas, carneirinhos generalizados

Força 5                        Vento fresco     17 a 21 nós     Ondas moderadas, muitos carneirinhos e Borrifos de água

Força 6                        Vento muito

                                        Fresco                  22 a 27 nós     Grandes ondas, cristas espumosas brancas e Borrifos freqüentes

Força 7                       Vento Forte        28 a 33 nós     Vagalhões pequenos com muita espuma

Força 8                        Vento muito

                                        Forte                      34 a 40 nós     Vagalhões moderados com muita espuma

Força 9                         Duro                       41 a 47 nós     Grandes ondas, visibilidade reduzida

Força 10                       Muito duro          48 a 55 nós     Grandes ondas, visibilidade afetada

Força 11                        Tempestade        53 a 63 nós     Enormes ondas, visibilidade afetada

Força 12                        Furacão                64 nós a cima  Ondas excepcionais e sem visibilidade         

                                    O povo do mar não é muito diferente do povo da terra. Dizer que caçador é um tipo criativo é nunca ter conversado com pescador, velejador, marinheiro e outras espécies náuticas.

                                    Uma aragem pode se transformar em vento muito fresco em questão de duas palavras. Basta que o ouvinte esteja muito interessado na conversa ou que o teor alcoólico esteja na força 1.

                                    Já escutei velejador enfrentando ondas de 20 metros e barcos surfarem ondas de 15 sem a menor cerimônia. Os caras não piscam nem o olho e ainda arranjam um amigo para confirmar.

                                    Tenho amigos que enfrentaram grandes furações e saíram ilesos e ainda assobiando. Outros, o barco navegou tão rápido que não deu tempo de fazer os nós para marcar. Vento de 40 nós é batata para a grande maioria. Todos tem boas lembranças, incríveis experiências e muita estória.         

                                      Como é gostoso ouvir e contar histórias debaixo da sombra do palhoção do clube, regado com cerveja gelada ou uma boa cachacinha.

                                    Tenho as minhas histórias, mas elas não passam de Força 5 e muita chuva, mesmo assim consigo uma boa platéia.

                                    Situações de heroísmos são muito freqüentes para quem tem o mar como paixão, mas a sabedoria de saber reconhecer e respeitar a força dos elementos da natureza e o que faz os verdadeiros vitoriosos. Não existe luta contra o mar, existe sim, se fazer parte do mar e obedecer a seus humores e grandeza.

                                    Histórias de heroísmos e valentia no mar ou foi pura sorte ou a leitura da Escala Beaufort não tinha tanta força assim.

                                    Sempre que vou ao mar, peço aos deuses da natureza um ventinho no máximo força 5, até agora fui muito bem atendido.

                                    Que assim seja!

Nelson Mattos Filho

Velejador

 

 

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